Meu universo e os universos paralelos

Desde que as coisas deram uma reviravolta na minha vida tenho tentando mudar muitas coisas que me incomodam em mim mesma. Isso exige um grande sacrifico já que sofro constantemente do mal de procrastinar (já falei dele por aqui) e normalmente as coisas que mais nos incomodam, em nós mesmos ou nas outras pessoas, estão enraizadas em nosso inconsciente e são as mais difíceis de se perceber.
Toda a mudança exige sacrifício e disciplina, mas é muito mais tranquilo fazê-las quando estão visíveis ou são coisas práticas. A questão é mudar o que se não percebe, não se enxerga e nem se apalpa. E algumas vezes para poder fazer uma mudança você precisa ir fundo, bem fundo no que está por trás daquele hábito, sentimento ou reação. 
Então para conseguir ir tão fundo quanto eu quero ir pra realmente mudar, tenho tentado ser uma pessoa mais observadora. Observadora de mim mesma, das coisas a minha volta e das outras pessoas. Tenho me esforçado para ouvir com atenção o que meu corpo e minha mente falam e qual a mensagem que está subentendida em cada universo paralelo ao meu. 
E quando a gente começa a observar tantos universos, constelações e sinfonias acabamos, de certa forma, entendendo a complexidade de tudo qu nos cerca e faz com que a gente seja quem a gente é. 
Cada um de nós é um universo. Alguns universos são raso, pequenos e ficam bem assim. Outros são tão complexos que se perdem dentro de deles mesmo e existem ainda os que não cabem em si é precisam se expandir pra não implodir.
E então descobrimos que todos esses universos são paralelos e podem se fundir criando outros universos que coabitam. Às vezes se chocam tentando permanecer na mesma órbita é pode também acontecer de se tornarem um só. 
O que importa é como é o meu universo, onde eu quero que ele flutue e como eu quero expandi-lo. Só quando a gente entende a complexidade do que somos é que nos tornamos capazes de mudar o que é necessário.

Se der medo, vai com medo mesmo…

Eu tenho o dom de transformar as coisas de uma maneira que nem eu consigo entender. Sabe aquela coisa de se auto-sabotar? De dificultar tudo de um forma que fica impossível depois achar uma saída viável. Muitas vezes as coisas são simples, mas aí vem aquele monstrinho interno e começa a pensar em um bilhão de besteiras para tirar toda a simplicidade e colocar mil amarras e dificuldades no caminho. E no final o monstro deixou tudo tão enrolado que não sei onde foi parar a a ponta pra desembolar. 
Muitas vezes tenho a sensação que sou a única pessoa no mundo assim, que transforma tudo em bola de neve, que faz tempestades com direito a raios, trovões e muito vendaval por qualquer motivo e depois deixa tudo desaguar por ai, sem conseguir conter e  inundando o rosto de lágrimas e as ruas da vida  de lama.  Parece que sempre me conduzo para encruzilhadas, onde matar ou morrer é a única saída.  E matar os monstros internos, pode ser mais complicado até que matar baratas ( e se você acha fácil matar baratas não tem noção do que é o desespero de alguém que tem pânico delas). 

O problema é que o monstro interno faz parte de nós. Ele é um pedaço seu, que carinhosamente você cultiva, alimenta e ama. Mesmo que inconscientemente. Então, mata-lo é matar um pedaço de você. Um pedaço que não lhe faz bem, mas que é seu. Com o qual você convive há muito tempo. É como um amigo imaginário, mas está mais para um inimigo real. O seu monstro interno, tenha ele o nome que você quiser dar, foi você que criou, mais ninguém. 
Então a gente chega naquela encruzilhada. É matar ou morrer. Ele te paralisa, te deixa sem saber o que fazer. Te coloca um monte de minhocas na cabeça e se você der ouvidos para ele ele te mata. O jeito é você matar ele. Lutar contra a sua incrível capacidade de te fazer mudar de opinião sobre aquilo que você tinha total certeza que era o caminho. É você ou ele. Num duelo interminável em que só pode ter um vencedor. Matar ou morrer. Sufocar ou ser sufocado. Você ou seu monstro interno. 
Todos temos monstros internos. Nossos medos, nossas certezas, nossas escolhas e suas consequências. Monstros. Monstros que criamos, que deixamos tomar conta, que sempre estiveram por ali, esperando o momento certo para colocar suas garras para fora e fazer a festa com nossa mente e nosso corpo. Monstros que precisamos derrotar. Na minha casa tem uma plaquinha na parede que diz “se der medo, vai com medo mesmo”. Ela está lá para me lembrar, que se eu não controlar o meu monstro nada vai sair do lugar.  
Se der medo, vai com medo mesmo. Se você tiver a chance, se jogue de cabeça. Se quebrar a cara, não vai ser nem a primeira nem a última vez. Se puder, faça tudo de novo e faça igual ou diferente, mas não deixe de fazer. Não importa quantas vezes a gente erra, importa quando a gente acerta. Não importa quantos medos tolos a gente tenha. Importa quando a gente tem a coragem. É matar ou morrer. É fazer com que cada agora seja feliz e os que não forem não forem tão felizes assim, que sirvam de aprendizado, não de alimento para o monstro. E se no meio do caminho o monstrinho resolver segurar as suas pernas, se esforce, procure dentro de você a força pra dar um pé na bunda dele e seguir em frente. 

Um parasita habita em mim

Eu não conseguia olhar nos olhos dele. Passava um filme na minha cabeça de todas as outras vezes que me machuquei, me magoei, chorei e me senti um lixo. Ele estava ali, na minha frente, com a mão estendida e tudo que eu pensava era “preciso sair daqui”. Nenhuma das palavras que saiam da sua boca, tocavam meu coração. Era como se parasita, que vive dentro de mim, ouvisse tudo e transformasse em coisas negativas. 

Aquele parasita, que foi alimentado por tantos outros relacionamentos frustrados, sugava minha alegria, minha energia e me apontava para um caminho onde eu seria para o resto da minha existência sozinha e infeliz. O parasita não deixava eu me iludir que poderia ser diferente. Não permitia eu imaginar momentos bons. Ele estava ali para me lembrar de que eu seria magoada novamente. Eu não sentia nem medo porque o parasita já havia tomado a decisão por mim.
A mão continuava estendida. Ele esperava uma resposta, esperava que eu segurasse sua mão e fosse embora com ele, para o felizes para sempre, mas o parasita afirmava “preciso sair daqui”. Sem dizer uma única palavra, eu dei as costas e fui embora. Não olhei para trás. Se eu olhasse, o parasita não me perdoaria por hesitar. 
Sai caminhando e pensando até quando eu deixaria que outra coisa controlasse minha vida, meus desejos, vontades ou sentimentos. Por que? Por que eu deixei o parasita se instalar e nunca lutei contra ele. Por que eu seguia deixando ele dominar minha vida. E se fosse diferente? E se realmente a história com Pedro pudesse dar certo? E se realmente existe um “viveram feliz para sempre?”. Claro que eu sabia que o para sempre é modo de dizer e que ninguém é feliz para sempre, o tempo todo. Mas eu poderia ser feliz a maior parte do tempo, ao contrário do que o parasita fazia comigo me deixando triste em período integral e não permitindo que eu sequer imaginasse momentos felizes. O para sempre poderia ser feito de agoras, de momentos e de situações. Mas o parasita não deixava.
Realmente era isso que eu queria. Viver triste para sempre com o parasita. Deixando ele dominar minha vida e sendo o meu rumo. Se não fosse isso, por que eu não expulsava ele de dentro de mim? Era só reagir. Era só dar uma chance ao Pedro. Apenas deixar com que eu me permitisse sentir, qualquer coisa que fosse, e viver. Mas mais uma vez eu escolhia o parasita. Se eu tentasse com o Pedro e ele não me fizesse feliz, o parasita me atacaria com mais força e, talvez, fosse o fim de tudo. Ele me destruiria e ai não haveria mais chance para mim. 
Mas por que o Pedro teria que me fazer feliz? Porque eu não poderia ser feliz com o Pedro? Existia uma diferença ali, que eu não enxergava. Eu não precisava de outra pessoa para ser feliz. Eu precisava apenas de mim. O Pedro deveria ser um complemento da minha felicidade. Estava tudo errado. A minha vida toda fiquei esperando pelos outros para ser feliz, para que me amassem, para que transformassem a minha vida. Há quanto tempo, quantos relacionamentos, eu esperei por isso? Quantas vezes me deixei iludir que aquele era o cara que me faria feliz, mas eu estava procurando no lugar errado. Talvez o parasita sempre morou dentro de mim. Sempre se alimentou dos meus sentimentos, das minhas inseguranças, minhas risadas e vitórias. Talvez ele sempre tenha me mantido cega.  Definitivamente não era o amor de outra pessoa que me faria feliz, era o meu amor próprio.
Me virei para trás. Pedro seguia sentado na mesma mesa, me olhando partir, com os olhos marejados, sem entender o que tinha acontecido. Comecei a correr em sua direção. O parasita tentou me paralisar. Mas eu não queria mais deixar ele me dominar. Pedro se levantou e eu cai nos seus braços. Sem entender nada, apenas me abraçou forte e enquanto o parasita se contorcia dentro de mim, tentando se libertar daquele abraço eu senti uma euforia gigante e, em um segundo, eu entendi que  se eu seguisse naquele abraço o parasita adormeceria, mas eu precisaria todos os dias, reafirmar, que eu queria ser feliz com as pequenas coisas e, nunca, mais nunca mais mesmo, deixar ele me dominar. Mesmo que eu chorasse, me decepcionasse ou me frustrasse na vida, com qualquer coisa, quem acordava e alimentava o parasita era eu. 

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Medos…

Eu não tenho medo da morte. Eu tenho medo da vida. Tenho medo das pessoas, das coisas que acontecem, do que foge ao nosso controle, dos pensamentos sombrios que invadem a nossa mente e não dão licença para mais nada. Tenho medo dos medos que tomam conta, que deixam tudo cinza, que fazem com que a gente não diferencie mais nada. Tenho medo do que eu não posso fazer, do que eu não posso prever, do que eu não consigo enxergar. 
Tenho medo dos rompantes de raiva, das inundações de lágrimas, da falta de luz no beco sem saída. Tenho medo de demonstrar minha fraqueza, de ser vista de verdade, de não conseguir me esconder. Tenho medo do bloqueio criativo que me assola, da mão que não consola, dos dedos que apontam sem direção. Tenho medo de ficar sem ar, de não mais respirar e nem inspirar. 
Tenho medo das coisas não ditas, das palavras esquecidas, das histórias não vividas. Tenho medo da falta de diálogo, da falta de contato, de carinho e de abraço. Tenho medo do que ainda não aconteceu, do que já passou e do que nunca ocorreu. Tenho medo da angustia que aperta meu peito, que contorce minha alma e descolore minha aura. Tenho medo de tudo, de todos, dos daqui e dos de lá. Tenho medo do nada, do vazio, do inerte, do inespressivo. 
Tenho medo de ter medo. Medo de não ser o que sou, o que quero ser. De não ter a chance de consertar, de brigar, de chorar e de viver. Tenho medo de não sorrir, não amar e não sentir. Tenho medo de viver, em constate coma lúcido, arrastando os dias e esperando, de alguma forma, chegar ao fim. Tenho medo de não superar, de não aprender, de não mudar e não voltar. 
Tenho medo de chorar, de falar, de gritar e de demonstrar. Tenho medo de não saber o que aconteceu, depois que o inevitável chegar. Tenho medo simplesmente de existir. De continuar, de seguir e de parar. Tenho medo de mudar e não modificar. Tenho medo de não ter medo de morrer. 
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Eu procrastino, tu procrastinas, ele…

Pro.cras.ti.nar

verbo & transitivo direto e intransitivo
transferir para outro dia ou deixar para depois; adiar, delongar, postergar, protrair.
Eu não sei vocês, mas eu tenho o dom de procrastinar (ou seria maldição?). Uma prova disso é que poderia ter escrito esse texto (ou o texto que iria ser publicado na sexta) durante toda a semana. Mas em vez de fazer isso, deixei para a última hora e estou fazendo caindo de sono e de mau humor, porque mais uma vez, eu deixei para a última hora. 
O que mais me incomoda é que eu sou extremamente organizada. Eu planejo, faço lista de tarefas, organizo ideias, tenho calendários com tudo que deve ser feito, quando e como. Gosto de planejar, de organizar. Mas na hora de fazer eu vou enrolando, enrolando, enrolando até que está no último segundo do segundo tempo e vou lá e faço. E todo o planejamento? Toda a organização? Todo o tempo que eu teria para ter feito isso antes e que poderia ter deixado tudo melhor, mais perfeito e harmônico? Ai eu fico assim, me sentindo culpada e arrependida de não ter feito o que deveria fazer a tempo. 
E o pior é que eu não procrastino por que a tarefa é chata, porque eu não gosto de fazer isso,  porque não consigo fazer ou porque eu tenho algo mais importante e urgente para fazer. Eu só enrolo porque eu resolvo ler um livro (por sinal estou lendo um livro excelente “Por Lugares Incríveis”da Jennifer Niven,  Editora Seguinte que realmente é incrível e vale a pena), resolvo ver um filme, olhar um vídeo no facebook ou fazer qualquer outra coisa. E ai… Ai eu estresso. 
Estresso porque procrastinei mais uma vez mesmo jurando que não iria fazer isso essa semana. Sabe como aquela dieta que a gente sempre vai começar na segunda feira mas ai chega a segunda e ainda tem sorvete na geladeira e a gente resolve deixar para a outra segunda? É exatamente isso. É inconsciente. Vai além do que a gente pode racionalizar. Quando fez… Pá! Você já procrastinou novamente. 
E ai? Faz o que? Porque sei lá, penso que é como um vício. Quando me dou conta já estou repetindo mais uma vez e me deixando levar por qualquer mosquinha que passa na minha frente. Tive uma professora na terceira série que dizia isso. “Qualquer mosquito que passa te distrai”. E é verdade. Agora passei 15 minutos olhando para a televisão e esqueci o que estava fazendo.  E sabe o que é mais estranho? Minha cabeça fervilha de ideias! São tantas, tantas coisas para fazer, tantas histórias para escrever e no entanto eu procrastino mais uma vez. Ah, se eu tivesse como da minha imaginação tudo ir para o papel apenas com um piscar de olhos…
Enquanto isso, eu tento seguir me mantendo no foco, longe do vício. Tentando seguir nos objetivos e no que deve ser feito. Mas tem tantas coisas para serem vividas, tantos livros para serem lidos, tantas coisas para aprender. Como não desviar do caminho? Talvez os procrastinadores compulsivos como eu, precisem de um grupo de ajuda, tipo um Procrastinadores Compulsivos Anônimos. Descobrindo métodos para não perder o foco. Só de vez em quando, talvez. Afinal ninguém é de ferro…
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Dias difíceis

Ontem foi um dia difícil. Daqueles que da vontade de chorar várias vezes, pelos mais bobos motivos,  como quando o pão cai no chão com a margarina virada para baixo. Aqueles dias que a paciência não existe e que até uma formiga passando na sua frente te deixa irritada. Sabe aqueles dias em que um gota é uma tempestade em um copo de água? Pois é. O dia foi assim.
E por mais que a gente queira reagir a dias assim, as vezes, o único jeito de superar é deixando o dia findar. O próximo dia, com certeza será melhor. Alguns atribuem dias assim a passagem dos astros na sua vida, outros a tensão pré menstrual e ainda tem os que digam que é um espirito que se encostou em você. Eu não sei. Talvez seja os 3 juntos e milhares de outros motivos que a gente nem desconfia. Só sei que existem dias assim e que por mais que a gente não queira vive-los eles acontecem na vida de todo mundo. 

Nesses dias o melhor é se fechar. Entrar para dentro do seu mundo interior e refletir o que está te deixando tão aborrecida. Normalmente os motivos estão dentro de nós e a gente nem percebe isso. Uma frustração, uma história mal resolvida. Uma mágoa algo que você queria muito e não deu certo. Ou simplesmente o pão que caiu com a margarina para baixo e o papel higiênico que acabou. 
Então ontem, nesse meu dia difícil, eu tentei fazer exatamente isso. Viver o meu dia, com todas as coisas que estavam acontecendo nele e refletindo sobre o que estava me fazendo tão mal. Eu sei exatamente o que tem me deixado assim. Inquieta, impaciente, com raiva de mim. Uma raiva tão absurdamente grande e intrínseca que muitas vezes me cega e faz com que eu vá levando as coisas, sem reagir, sem realmente mudar o que me incomoda. 
Porque essa é a grande questão. Se me incomoda eu devo mudar. Devo reagir. Mas é mais cômodo viver assim, me transformar em vítima e   simplesmente deixar as coisas seguirem. Torna-se mais difícil que viver os dias ruins, tomar as rédeas da vida e dar uma volta por cima. É mais trabalhoso. Exige mais paciência. Mais força de vontade. 
Não da para fugir dos dias ruins. Mas também não da para ficar esperando eles se multiplicarem, com pena de si mesmo e sem reagir. É preciso que dos dias difíceis lições sejam tiradas para que  o dia seguinte seja o início de um novo começo. Mesmo que você saiba que outros dias ruins virão. Porque você também sabe que está em suas mãos transforma-los na sua mudança de vida.  
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Eu posso ser…

Eu nunca me considerei bonita. Tão pouco gostosa. Nunca me vi como sexy. E enquanto todas as garotas do colégio sabiam se vestir eu gostava das roupas confortáveis. Nunca fui vaidosa e nem dava bola se eu era magra. Tão pouco eu fui a mais inteligente da classe. Não queria ser a CDF ou a nerd. Apesar de me dar bem com esse grupo.
Eu sempre fiz a linha aventureira, parceira, festeira. A engraçada, a misteriosa, com as melhores histórias. Sempre fui um zero à esquerda nas aulas de matemática e nunca gostei de gramática. Levei bomba em física e química e até hoje entendo pouco dos reinos animal e vegetal.  Eu gostava de ler e de redação. Ponto final literalmente. Eu era a amiga. Sempre fui. De todos os garotos legais.  Aquelas que eles pediam conselho, perguntavam das meninas e pediam pra “fazer a ponte”. 
E eu criei essa imagem de mim mesma e mantive ela assim por muito tempo. E quem disse que eu não me apaixonei inúmeras vezes pelos meninos legais? Quem disse que eu não fantasiei, como em milhares de livros que eu lia, que um dia eles percebiam que a melhor garota era eu? Mas eu cresci. E mantive a minha máscara de menina descolada.
Mesmo no início da vida adulta eu ainda era a melhor amiga. A melhor amiga das minhas paixões. E eu sofri com isso. Demais. E eu não queria ser mais vista como a amiga. Eu queria ser desejada. Queria que os homens me notassem, mas não sabia como fazer isso. Então eu dançava. 
Eu criei um rótulo para mim mesma, para me proteger da minha baixa auto estima. E ele funcionou tão bem que demorei décadas para me dar conta do quanto ele me fez mal. Quem disse que eu não sou bonita? Não sou gostosa ou sexy? Quem falou que eu não era a mais inteligente da turma? Quem me bloqueou a vaidade? Eu. Eu e os significados que eu mesma dei para a minha vida.
Eu demorei 35 anos para aprender a me maquiar. Nunca aprendi a andar de salto, mas já sei me vestir melhor. Eu demorei todo esse tempo para perceber que eu sou muito mais que a amiga legal. Que eu tenho uma série de atributos físicos e mentais que fazem de mim a pessoa mais bonita e inteligente do universo. Demorei todo esse tempo para entender o significado de auto estima e entender que a única inimiga dela sou eu mesma. E hoje eu me perdoo por isso. E hoje eu sei que eu posso ser o que eu quiser.

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Gratidão

Queria eu poder resumir a todos os meus amigos meus sentimentos por eles em uma palavra. Mas a escolha é difícil. Poderia escolher amor, mas seria clichê. Poderia falar em companheirismo mas também não se adequa ao que quero traduzir. Poderia usar lealdade, confiança ou verdade, mas não expressa exatamente o que preciso dizer. Então escolho gratidão.

Sim. Gratidão. Eu sou grata pelos meus amigos. Não só por eles existirem na minha vida e por me aturarem nos momentos bizarros e insanos, mas por eles serem a minha história. São pedaços de mim e da minha vida, que juntos em mim formam o contexto de quem eu sou com todas as vírgulas, por menores, e notas de rodapé.
Gratidão pelos amigos que dividi a infância, que brincaram pela rua comigo. Que passaram as tardes quentes de verão na piscina. Que brincaram de bonecas, patins e vôlei na rua cheia de jacarandás. Pelos amigos que jogavam caçador, nos finais de tarde na praia, e enchiam meus dias de alegria. Gratidão pelos acampamentos no pátio de casa, por comer laranja na sombra das árvores. Pelas brincadeiras de pegar e esconder. Gratidão pelos amigos que dividiram comigo fantasias, histórias de imaginação fértil, onde éramos nós as personagens principais de roteiros adaptados.
Gratidão pelos amigos que dividiram comigo as dores e delícias dos primeiros amores, das reuniões dançantes. Do primeiro beijo, da descoberta de tantas músicas que cantávamos enlouquecidamente como se alguém pudesse entender o que de fato queríamos dizer. Gratidão pelos amigos que vagaram a noite comigo, tendo milhares de pensamentos sobre o futuro e a vida. Gratidão pelas cartas trocadas (antes da era internet) e por ter tantos bilhetes e papiros guardados para me lembrar desses momentos. Tantas fotos e recordações em diários e agendas, tantas histórias compartilhadas. 
Gratidão pelos amigos que dividiram  as salas de aula da vida, que me acompanharam no primeiro porre. Que fizeram tantas festas quanto se é possível imaginar. Que tem casos hilários para compartilhar. Que acompanharam minhas lágrimas, dúvidas e incertezas. Que me deram certezas que me acompanham até hoje. Que acompanharam minhas risadas, leram minhas histórias e tatuaram em meu peito seus nomes. 
Gratidão pelos amigos que foram se chegando depois, nessa vida andarilha, e que de alguma forma contribuíram e acrescentaram algo no meu ser. Gratidão pelos amigos que partiram, que se perderam. Que reencontrei. Gratidão por cada sorriso, que guardo na memória. Por cada puxão de orelha, cada lição. Cada mão estendida, cada cara amarrada, cada risada dada, cada ausência e cada encontro. Gratidão por cada um de vocês.  Cada um do seu jeito, cada um sabendo e gerindo uma crise, cada um apenas por sua particularidade. 
Se eu pudesse definir meus amigos em uma palavra seria gratidão. Se sou quem eu sou  é porque cada um deles, em algum momento da vida,  imprimiu em mim uma nova cor. Obrigada amigo por ser a minha história! 
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EM.PA.TIA – Substantivo feminino pouco praticado

EM.PA.TIA, substantivo feminino.

1. faculdade de compreender emocionalmente um objeto (um quadro, p.ex.).
2. capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela.
Do dicionário informal: Capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias. 
Lus.: Capacidade de se identificar com outra pessoa; faculdade de compreender emocionalmente outra pessoa.
De em+phatos(Gr)+ia(estado de alma)

Empatia. Está em alta. Pelo menos a palavra. Tem sido usada em vários sites, rodas de amigos, redes sociais. Pregada em campanhas. Está em falta no mercado. Parece um tipo de droga, daquelas raras de se achar nas farmácias.  A tal empatia, promete milagres. Iguais aqueles comerciais antigos de coscarque que prometia emagrecer rápido e de forma natural, sem esforço. Mas não sei bem porque eu só ouço falar. Ou melhor, só leio ela, sendo empregada em frases bonitas. Mas na prática? Na prática é outra história. E na maioria dos casos é mais apatia e antipatia. 
EM.PA.TIA. Capacidade de se colocar no lugar do outro. Não do irmão, da melhor amiga ou da sua prima. Do outro. Daquele que você não curte tanto assim. Não convive. Não conhece. Daquele que é completamente diferente de você. Aquele que viveu uma história completamente oposta a sua. Aquele que você julga. Que você crucifica. A pessoa que você condena. Empatia. 
Me colocar no lugar que quem eu gosto é fácil. É obvio que vou sentir as dores dos meus amigos e chorar o pranto dos meus amores. Não existe nenhum dúvidas que defenderei com unhas e dentes os meus. Que serei capaz das coisas mais absurdas para salvar os que me rodeiam. Não, isso não é empatia. Sinto muito avisar, amiguinho. Isso é amor. 
Mas empatia é amor! Sim, empatia é amor. Mas não pelo que eu já amo. Sabe aquele cara, que deixou umas lições bacanas pra caralho pra todo mundo? Quer dizer, nem todo mundo, pois tem os que não acreditam nele e nas suas histórias e ensinamentos. Mas que mais ou menos 2.4 bilhões de pessoas no mundo acreditam. Isso! Jesus! Então Jesus pregava o amor. Obviamente, qualquer um que já foi a uma missa, leu a bíblia, ou até mesmo só viu os filmes que passam na época da Páscoa, entendem isso. Mas não era esse amor que a gente está acostumado. Ele pregava, principalmente, a empatia. Sabe aquela parábola que todo mundo conhece e repete “Atire a primeira pedra quem nunca pecou”. Então, gente. Ele convidava as pessoas a se colocarem no lugar da Maria Madalena, antes de julgar. BINGO! Empatia!
Então, voltando a questão da empatia. Eu vejo muitos lugares, pessoas, manifestações falando sobre essa tal empatia. Mas e ai? Falar é bonito. Chega a dar esperança e vontade de crer na humanidade novamente. De tanto que está na moda falar de empatia, de respeito, de tolerância e de amor eu pego meu celular e leio no facebook “Mais amor sem favor”, “Respeite o outro”, “#somostodos…”e chego na rua e vejo as pessoas julgando umas as outras. Escuto conversas chamando de “viadinho”, “sapata”, “putinha”, “marginal” e milhares de adjetivos, que nem deveriam ser chamados de adjetivos, uma vez que adjetivo significa qualidade.
Ela foi estuprada. “Merecia! Tu viu o jeito que ela se comportava? As roupas que usava? Queria o que andando na rua sozinha de madrugada?”. Se nem o filho do homem todo poderoso do Universo, julgou a prostituta, quem é você para julgar as roupas/jeitos/hábitos de alguém? Você já se colocou, por um segundo que seja, no lugar dessa pessoa? Você conhece a história, suas dores, medos, crenças, sua trajetória? EM.PA.TIA.
E esse é só um exemplo. Mas a gente pode aplicar isso em coisas mais cotidianas e menos dolorosas. Aquela pessoa que faz uma barbeiragem no trânsito, te da uma fechada e tenta se desculpar. Como você responde? “Puta, cadela, cretina. Não sabe dirigir não pega o carro!”. É. Eu sei. Da até vergonha lendo assim. Mas atira a primeira pedra quem nunca reagiu desse jeito. E se ao invés de responder com tanto ódio no coração, a gente, apenas se colocasse no lugar daquela pessoa e perguntasse “você está bem?”. Aplicasse a tal da empatia. Porque eu não sei. E nem você. Mas pode ter acontecido n situações para que aquele motorista tenha perdido a atenção. Talvez ele esteja com tantos problemas e submerso em  complicações que tenha se distraído no trânsito. E se você aplicar a empatia você pode mudar o dia dele. E o seu também. 
EM.PA.TIA do dicionário informal: ato de se colocar no lugar do outro e sentir suas dores. Das redes sociais: palavra da moda, muito usada. Da vida cotidiana: Pouco utilizada. EM.PA.TIA. substantivo feminino. Mas que deve ser usada por todos. Praticada em todos os momentos. E  estudada como filosofia de vida. EM.PA.TIA. energia que você deve mandar para o universo para colher na sua vida. Não porque está na moda. Não porque é legal. Não porque todo mundo está falando nisso. Não porque é politicamente correto. EM.PA.TIA porque você quer ser uma pessoa melhor. Quer morar num mundo melhor e porque você acredita que se colocar no lugar do outro é o único jeito da gente realmente ter amor, respeito, tolerância e uma vida mais feliz. EM.PA.TIA se colocar no lugar do outro, sentir suas dores, chorar seu pranto, conhecer sua história e não julgar suas escolhas ou anseios. EM.PA.TIA ver o mundo pelos olhos de quem você julga e não pelo reflexo que você faz nos olhos dele. 

Juntando os cacos de mim mesma…

Estou juntando os cacos de mim mesma. Tentando montar o quebra cabeça no qual me parti ao me quebrar. São tantos pedaços, estilhaços e lascas que muitas vezes parecem faltar alguns tão pequenos que são impossíveis de se achar. Mas que fazem falta na hora de remodelar. A gente tenta colocar alguma coisa no lugar, mas parece que nada encaixa. É uma falta que não pode ser substituída. Uma dor que não pode ser digerida. Uma angústia que nada alivia. 
Parece estranho passar por isso mais uma vez e ter a certeza que o mundo acabou como tantas outras vezes. É um nervosismo, uma irritação continua. Uma insegurança. Uma mentira que se repete a cada “tá tudo bem”. Uma vontade de chorar. De gritar. De dizer que eu cansei, não quero mais brincar. 
Eu não sei. Eu tento colar os pedaços, montando o quebra cabeça que me tornei com essa queda. Mas a cola não gruda. As peças não se encaixam. Eu não sei. Porque será que de novo eu me sentencio ao mesmo erro. Onde foi que eu errei?  Faltam peças. Sobram estilhaços. Retratos emoldurados nas paredes que não refletem nem o que sou nem o que me tornei.Sobra angústia. Falta ânimo. Sobram tantas dores e faltam amores. Onde foi que parei?  Eu guardo pra mim tanta amargura. Sorrio para os outros. Finjo que já superei. Mas dói fundo na alma saber que nada mudei. Por que foi que eu errei?
Nos dias bons os planos e sonhos eu alimento. Mas não encontro o caminho para mantê-los. Nos dias ruins penso enquanto tempo perde-se sonhando. Alimentando ilusões e me questiono se a estrada certa tomei. Não quero ser aquela que sempre julguei. Não quero passar pelo que eu condenei. Não posso ser o que me tornei.  Se hoje eu quero chorar preciso arranjar os motivos pra sorrir. Se hoje eu quero fugir preciso encontrar os motivos pra ficar. Eu recoloco cada pedaço em seu lugar, monto o quebra cabeça e com uma habilidade dissimulada sorrio e digo ” tá tudo bem”.