Desculpe o transtorno, eu preciso falar de amor

Em tempos que pedimos desculpe o transtorno mas preciso falar de alguém e personificamos o amor com um nome eu peço licença e quero falar só de amor. Sem nome, sem rótulos, sem marketing ou qualquer outra intenção que não seja o próprio amor. 
Eu tenho 36 anos e já me apaixonei inúmeras vezes na vida. E mesmo depois de casada me apaixonei outras tantas vezes. Por coisas, por pessoas, por ideias, objetos, lugares e conversas. Me apaixono diariamente por coisas novas, por livros, por personagens, por séries, filmes e por tantas outras coisas que acontecem no dia a dia que eu nem lembro mais pelo que me apaixonei ontem. 

Você consegue se lembrar o que fez você se apaixonar pelo seu namorado de dez anos atrás? Eu me lembro. Foram os braços dele. Nossa foi paixão a primeira vista. Um calor me dominou e eu só consiga ficar imaginando aqueles braços me enlaçando e me apertando… Mas isso foi paixão, foi tesão, foi uma vontade maior do que meu consciente poderia dominar, foi química. Não foi amor. 
O que fez eu amar meu namorado de dez anos atrás (que é meu marido há 8 anos) foi outra coisa. Outras várias coisas. Foi seu jeito atencioso e preocupado. Foi o cuidado que tinha comigo, as conversas sem pé nem cabeça, os planos conjuntos, a teimosia dele. A mania de arrumar a cozinha mas deixar o guarda roupa de cabeça pra baixo. Sua total obstinação quando tem um meta e sua falta de foco quando tem que fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Foram suas piadas. Foram seus abraços. E até o seu ronco que me perturba a noite. 
Amor é conviver com cada qualidade e cada defeito e não querer mudar nada. Amor é construção, é tijolo em cima de tijolo. É cada ruga que a gente conquista junto. É cada abraço no final do dia. Cada vez que o outro está mal e a gente estende a mão. Amar é conviver e sentir falta não porque precisa, mas porque gosta. 
Outro dia uma amiga confessou que após 18 anos de casada quer se separar. Ela quer ser feliz e vê o relacionamento acomodado. Então questionei o que ela realmente buscava e ela respondeu que buscava reciprocidade. Que queria alguém que mostrasse a ela como ela era importante, que a fizesse sentir especial, amada, com pequenos gestos. Outra amiga se queixava do marido, dizia que não suportava mais. E quando a gente pergunta porque então não se separa a resposta é medo de ficar sozinha. 
E então eu fiquei pensando como pode ser amor? Como pode ser amor se o que nos une a outra pessoa é medo ou insatisfação pessoal? Como a gente pode amar se não começamos pelo ponto mais importante: amar a nós mesmos.  E ai veio o texto do Gregório, lindo, bem escrito, cheio de poesia e um baita marketing pro seu filme que estava sendo lançado. Então veio a reposta do Rafinha Bastos cheio de verdade e de boas doses de realismo e veio o texto de uma amiga, de outra amiga, de outro amigo e de uma porção de gente no Facebook. E eu continuei pensando afinal como pode ser amor. 

É difícil definir o amor. Quase impossível dar significado ao sentimento, traduzi-lo em palavras ou tentar explicar de forma didática. E cada um de nós tem o seu jeito de amar e demonstrar. Mas a gente sabe quando é amor. A gente sabe que não é só paixão, tesão ou química.  Então eu volto ao início desse texto e digo que eu me apaixono todos os dias, milhares de vezes no dia, por coisas, pessoas e conversas. Algumas viram amor e ficam pra sempre. Outras terminam da mesma forma que começaram. E quando é amor a gente só quer amar, sem querer nada em troca. Independente se for uma pessoa, uma coisa ou uma conversa. 

Eu preciso de você

Quase impossível me acostumar com a tua ausência. Acabamos de desligar o telefone e eu sei que serão apenas 3 dias mas porque já tenho vontade de te contar alguma coisa, fazer uma piada ou alguma provocação só pra ter o prazer de ti ver corando e necessitando de alguns minutos sentado pensando em qualquer outra coisa que não seja eu? 
Como é possível que em tão pouco tempo eu tenha me apegado a ti, quase como alguém que eu conheço desde criança? Como é possível que tudo me faça lembrar de ti e quando me lembro de alguma parte da nossa conversa um sorriso sempre escapa do meu rosto? E você sabe disso. Sabe que sorrio a cada mensagem que me envia, mesmo que ela seja só uma risada virtual. 

Eu fico me perguntando se essa afinidade absurda ( tudo que é absurdo é tão sexy, principalmente vindo de ti) é algo que nós criamos para preencher os vazios ou se é cósmico. Qual a probabilidade da gente se encontrar naquela conversa e nunca conseguir termina-la? Quais as chances da gente ter se esbarrado na vida? Como de dois mundos tão diferentes a gente de repente conseguiu fazer essa simbiose?
Tuas frases feitas parecem perfeitas e retumbam em minha cabeça me fazendo viajar até as estrelas sem sair do lugar. E são apenas frases. Imagina se fosse sua boca, seu toque, seu corpo. Melhor não imaginar… É essa nossa imaginação tão fértil que nos levou a trilhar um caminho sinistramente tortuoso e perigoso. A cada curva da estrada é uma nova sensação, cada pedaço da sua pele que eu desbravo insanamente numa urgência paciente de te conhecer por inteiro me traz uma nova febre delirante que transforma meu corpo em brasa. 
Você me faz enxergar, me faz querer ir além, desvenda partes de mim que nem eu sabia que ainda estavam lá. Você me convence de que a gente sempre pode mais, me dá amostras continuas de que é possível sentir intensamente cada toque da sua mão, mesmo que ele seja apenas na nossa imaginação. E eu sinto. Sinto e deliro, sinto e quero mais. Sinto e quero tudo com você. Eu sinto cada segundo, cada história que a gente cria com os detalhes elaborados cuidadosamente que me conduzem aos céus. 
Os cheiros, os ambientes, o barulho. Seus beijos, seus sussurros, seus gemidos, a maciez da sua pele, a brutalidade das suas mãos, seus braços que são capazes de me apertar em um abraço, seu corpo quente pulsando. Seu desejo latejante.  O suor que escorre de cada um de nós e se misturam numa combinação de sensações, emoções e cheiros. Inacreditavelmente eu me tele transporto em teu encontro, onde nossas almas se ligam e nossa imaginação vira o palco da fantasia mais real que criamos juntos. 
São apenas 3 dias de distancias e silêncios, eu sei. Mas eu tenho pressa. Eu quero tudo de você, tudo com você e quero sentir mais e mais a cada dia. Quero que todos os segundos do meu dia sejam inundados com a tua presença, que todas as noites sejam mal dormidas por estar nos teus braços. Eu quero você mais do que quero o ar pra respirar ou a água pra saciar minha sede. Eu preciso te sentir, preciso me perder e me encontrar na tua boca. Eu preciso de você. 

Alguém especial

Às vezes a vida resolve te fazer uma surpresa e coloca no teu caminho de forma totalmente inusitada alguém que te fará muito bem. Pode ser que você conheça essa pessoa tropeçando na rua, de pé em um ônibus lotado no final do dia, sentado num banco de praça, numa livraria, num bar, num aeroporto, no Facebook quebrando o maior pau por política, aborto ou religião ou numa sala de bate papo. Não importa. Você simplesmente conhece ela.
E o engraçado é que você realmente conhece aquela pessoa. Faz meia hora que vocês conversam, mas tem tanta afinidade que, naqueles poucos minutos, você já tem certeza, que ela é pra sempre. Mesmo que um dia o pra sempre acabe. Sabe aquele lance de que seja eterno enquanto dure? A ideia é essa.

Vocês se conhecem, confiam um no outro. Existe uma intimidade que não é daquela pequena fração de tempo. Esse tipo de pessoa te faz acreditar que exista algo além. Te conforta que tudo que um dia você perdeu você irá recuperar. Que todos que um dia se foram um dia tu vai encontrar.
E quanto mais vocês se conhecem mais fortes ficam os laços. Quanto mais vocês se falam, mais cresce a sensação de bem-estar. Mais da vontade de falar, de estar perto, de ter por perto. Pode ser que seja só amizade, que seja paixão, que seja amor, que seja apenas química. Não importa. O que existe entre vocês é muito mais sólido que qualquer um desses sentimentos. É carinho puro, genuíno, inocente, com grandes doses de gratidão, muitas colheres de respeito, porção extra de confiança e um litro de intimidade.
Mesmo sem saber essa pessoa te fala a coisa certa na hora certa. Testa os teus limites de um jeito bom, faz você sorrir mesmo quando o mundo na volta desaba e te enxerga além do que aprece no espelho. Ela tem paciência no meio da tua crise existencial e te estende a mão num abraço gostoso, quente, apertado e aconchegante. Ela se torna a tua pessoa no mundo. Sabe aquela que você lembra quando sorri, quando chora, quando vê uma coisa engraçada, quando fica com raiva de algum absurdo? É ela.

 

Eu não sei se essa pessoa veio pra ficar, se sua passagem será rápida pela minha vida ou se ficará por um bom tempo. Não sei se causo o mesmo efeito nela, não sei se desperto tudo que ela me desperta, se aguço os seus sentidos como ela aguça os meus. Eu só sei que depois dela tudo é diferente. E isso é pra sempre. Mesmo que o pra sempre sempre acabe, ainda assim será pra sempre.

Jogue limpo sempre!

Umas das coisas que mais me incomoda no ser humano é a mania de menosprezar tudo que antecedeu a ele. O exemplo mais comum disso é na política (apesar de que esse texto não tem nada de político). Entra governo e sai governo, tudo que o antecessor fez, se for de partidos opostos, foi ruim. Então tudo é desconstruído e depois construído com as mesma essência e outros nomes.  
O problema é que não é só na política que isso acontece. É em toda e qualquer situação em que colocamos o antecessor como ameaça.  A necessidade de ser superior ao outro junto com o fato de que sempre queremos ser os melhores, nos coloca nessa situação e, se não cuidarmos, acabando praticando isso sem o menor pudor.

“Nossa sua ex namorada cortava suas unhas do pé? Eu corto, lixo, esfolio e ainda faço massagem no seu pé”. Ok! Peguei pesado. Mas a teoria é essa. Eu preciso ser melhor que a ex então em vez de cortar as unhas do pé ou simplesmente dizer que isso é nojento pra caramba  a gente precisa superar a ameaça e nos sujeitamos aquilo. (desculpa quem corta as unhas do pé do namorado mas eu tenho nojinho assim como não lavo cueca também. Até a intimidade precisa de um limite.)
Passei por uma situação profissional recentemente que me fez perceber o quanto as pessoas necessitam disso. Elas não conseguem ser honestas a ponto de dizer “olha eu quero o cargo dela porque acho que posso fazer melhor” ou “seu trabalho é bom, mas tenho sugestões incríveis que quero colocar em pratica então por isso almejo o seu lugar”. Talvez essa pessoa realmente seja melhor do que você e possa exercer a sua função de uma forma mais eficiente. Mas ela já perdeu todos os pontos de partida quando para construir no seu lugar precisa desconstruir tudo o que você fez. 
Assim vi algo que formatei ser totalmente desconfigurado e perder o rumo. E isso baseado em mentiras, em meias verdades, em manipulação de ideias e informações. Não foi fácil. Foi bem triste e me jogou num buraco negro que por algum tempo pensei que não ia sair. Mas eu saí. Sai e percebi que, no final, aquilo me fez mais bem do que mal porque eu me reencontrei com um eu que já estava cansado demais pra tentar reagir e que eu tinha deixado para trás em alguma gaveta da minha memória. 
E hoje mesmo ficando, às vezes, com muita raiva de tudo que aconteceu, eu estou muito mais feliz do que estava naquela posição. Eu voltei a ser eu mesma, a ter tempo para mim, a ouvir mais meu coração, a dormir melhor e principalmente a fazer o que eu quero. Fortaleceu em mim um sentimento que eu já tinha de ouvir mais, criticar menos e buscar soluções. Me fez crescer e ter certeza que eu não quero e nem preciso desse tipo de coisa na minha vida. 
Quanto a pessoa que ocupou o meu lugar, no fundo, eu um dia espero que ela me peça desculpas, mesmo que seja pra ela mesma no seu travesseiro, por tudo que precisou fazer para chegar lá. Sei que não está sendo fácil e que a cada dia seu mundo desmorona um pouco. Sei que já está pagando um preço alto por desconstruir o que eu havia feito e não saber como colocar as peças na engrenagem agora. Eu só desejo que ela supere, me peça desculpas e consiga ser melhor do que eu na posição, porque como pessoa, como ser humano, eu sei que ela nunca chegará aos meus pés. E como eu tenho tanta certeza disso? Pelo que ela precisou fazer para chegar lá. 
Então o que eu posso dizer com o que eu aprendi? Posso garantir que se a gente almeja alguma coisa, a gente busca, corre atrás e usa do nosso potencial pra atingir sem precisar passar por cima de ninguém, mentir ou difamar outra pessoa. Jogar limpo é a melhor forma de descer pro play, porque de outras formas o universo vai cobrar caro de você. 

Carta pro ex… A que eu nunca vou mandar (mas queria muito)

Eu queria entender quando foi que a gente ficou assim, tão distante e indiferente um com o outro. Eu sei que nossas vidas mudaram, passamos a ter outros parceiros, mas que regra é essa subentendida que ex não pode ser amigo? Por que simplesmente negamos que um dia nos gostamos e tivemos uma linda história que acabou? 
 
Todos os dias histórias acabam. Todos os dias pessoas se magoam. Vivemos em um mundo assim. Você me magoou e mesmo depois disso, depois de termos superado, ainda rimos juntos. E o tempo passou e ficamos frios. Eu queria poder ter te ligado, mil vezes durante todos esses anos, só para te dizer que eu sinto um carinho por ti. Para saber se você está bem, para poder dizer que nossa história foi linda. Não porque eu quero você de novo. Não quero, nunca quis. Mas porque você foi parte importante da minha história.  Eu te amei tanto. E sei que você me amou, não ficamos juntos por acaso na vida. Mas hoje, quando penso em nós, carrego essa dor da indiferença e confesso que tenho medo de simplesmente te mandar uma mensagem e você achar que estou louca ou louca por você ou ambas as coisas. 

Eu não sou louca. Eu apenas queria que as pessoas especiais da minha (e você foi muito especial em algum momento) pudessem estar sempre perto de mim. Até você que me magoou. Eu superei então por que não podemos ser amigos?
Como pode que pessoas como nós, que dividiram a cama, os sonhos e planejaram um futuro juntos não possam ser amigos? Eu concordo que o amor acabou, que houveram mágoas, cicatrizes e mais um monte de coisas que nos afastaram, mas não restou nada depois de superadas  as coisas ruins? Não é possível que todo o amor que sentíamos um pelo outro se transforme em nada. Algum sentimento fica, no meu caso foi o carinho.
Eu sinto saudades do que fomos um dia. Não a ponto de ser de novo mas pelo simples fato de que me marcou. Marcou você também? Às vezes você pensa em mim? Se eu te convidar para tomar um café você vai? Sei que um mate não iria porque até hoje repito “que de amargo basta a vida” e me vem seu sorriso na memória. Mas um café? Um por do sol? Uma volta na praça?
Não se preocupe. Eu não quero entrar na sua vida mais uma vez. Eu quero apenas conversar honestamente e com mais maturidade do que quando estávamos juntos. Quero saber se você sentia o mesmo, quando foi que você decidiu que não tinha mais um caminho a seguir do meu lado. Quero saber como você está, sorrir contigo e rir de alguma de nossas histórias. Lembra quando a vida era leva e a gente só sorria?
Vamos tomar um café? Ver um por do sol? Dar um volta na praça? Vamos, por favor, nos cumprimentar com um abraço gostoso e com a cumplicidade de quem dividiu um doce? Eu sinto sua falta em minha vida. Não como namorado, mas como amigo.

Incontinencia urinária e outras vergonhas

Outro dia eu fiz xixi na calça e preciso confessar com um pouco de vergonha que isso não é algo tão raro na minha vida. Acontece se estou rindo muito, se estou com a bexiga cheia e algo me distrai e esqueço da vontade de ir no banheiro ou apenas pelo banheiro estar perto demais e a vontade grande demais que a ansiedade de chegar até o vaso sanitário se torna maior que a atenção em prender o xixi. É, isso não deveria ser comum numa pessoa de 36 anos e muito menos deveria ser comum quando eu era adolescente ou com 20 e poucos anos. Mas posso ficar feliz, controlo o problema melhor aos 36 que aos 20 (sinal de quanto mais velha, mais poder terei sobre o xixi nas calças).

Uma vez estava voltando para a casa de um churrasco, num bairro longe demais, com cerveja demais e quilômetros de distância do próximo banheiro. Então, mesmo depois de ter ido ao banheiro antes de ir embora, na metade do trajeto eu já estava apertada. Muito apertada. A rua estava bastante deserta pelo horário da noite e a sinaleira fechou. Parei o carro e me concentrei em segurar meu xixi na bexiga. Enquanto eu colocava toda a minha energia naquela tarefa, um louco veio a mil freando com o carro e jurei que ele ia bater em mim e com a velocidade me jogar no meio do cruzamento. Merda! Perdi a concentração e quando me dei conta estava ensopada de xixi no banco do carro. O bacana era que meu namorado estava me esperando em casa para a gente ir à uma festa. Vergonha em dose dupla. 
Teve outra vez, no início da adolescência, em que estava com as minhas primas no meio do mato no interior. Eu já tinha dito para as gurias que estava louca pra fazer xixi e que não ia conseguir aguentar até chegar em casa.  Tentei fazer xixi atrás de uma árvore (o que nem precisava porque não tinha absolutamente mais ninguém ali além de nós três), mas travei. Mesmo com toda a vontade o xixi não saia. Continuamos caminhando, rindo, brincando e quanto mais eu ria, mais vontade dava. Até que eu enfiei o pé num buraco,  cai e sai rolando. Rolando e me mijando. Nada legal. 
E foram tantas as vezes que chegando em casa a distância da garagem até o banheiro era sofrida demais, distante demais e com degraus demais, que o jardim ao lado da porta era regado involuntariamente. Desse tipo de xixi nas calças eu perdi as contas. Claro que fatores como cerveja demais a noite contribuíam para que isso acontecesse mais seguidamente. 
Hoje, não tomo tanta cerveja, não tem tantas crises de riso e me controlo melhor. Os episódios de falta de controle urinário são mais escassos. Mesmo assim, outro dia estava bem apertada, sentada confortavelmente lendo um livro e não queria parar de jeito nenhum, por nenhum motivo do mundo, muito menos por um simples xixi, só que eu comecei a rir, rir de chorar, com as conclusões da autora sobre uma das crises que ela narrava, e quando eu percebi, tentei correr pro banheiro, mas já era tarde. Ninguém está livre disso. Eu pelo menos não estou. 
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PS: O livro era “Ta todo mundo mal” da youtuber Jout Jout e eu super recomendo! Quem é fã do canal dela vai se deliciar lendo o livro e imaginando ela narrando as situações. Em algumas das crônicas, ou melhor das crises, eu juro que ouvia ela me contando a história. 

Para dormir melhor

Se tem uma coisa que eu aprendi, depois de muitas noites insones, amontadas de problemas que eu não conseguia resolver, mesmo ficando de olhos abertos é que dormir é a melhor forma de resolver qualquer coisa. 
O tempo também. Porque tudo que a gente não consegue resolver o tempo resolve. Qualquer dor, medo, problema, insegurança. Qualquer ferida, machucado, doença da alma. Só o tempo resolve.  E nenhuma das noites de choro, sem sono ou de alucinações consegue acelerar o processo. Só o tempo, dono de sua razão, de suas horas, dos segundos da sua vida. É só ele que vai te aliviar a angustia e as incertezas, que vai cicatrizar as feridas e apagar as memórias tristes. No final, ele transforma tudo num grande borrão, desbotado por ele mesmo e transformado em algo tão sutil, que a gente só consegue lembrar das coisas boas. 
E foi o tempo que me ensinou que nenhuma noite mal dormida,  nenhum dos dramas que eu levei para cama comigo, por tanto tempo, fazem alguma diferença. Eles só perturbam a minha noite, me deixam ansiosa e sugam as minhas energias. E quantas vezes eu dormi com eles e me revirei na cama, de um lado para o outro,  sem ter a menor ideia que quanto menos eu desse espaço no meu travesseiro mais rápido o tempo cuidaria deles. Que se eu não os confortasse, deixando os quentinhos nas minhas cobertas, eles sentiriam-se incomodados e iriam embora. Tantas vezes eu levei o inimigo para dormir comigo e tudo que eu não conseguia era dormir com ele ao meu lado. Ou eles. As vezes um, as vezes dois, em algumas noites eram tanto que vivia um bacanal de problemas numa única noite. 
Então o tempo me ensinou. Ele Senhor de tudo e dono de todos os segundos e sussurros dessa vida, um dia me confessou que enquanto eu dormia ele cuidava do resto. No inicio foi difícil deixar tantos amantes fora das minhas noites. Eu era intima demais dos meus problemas e me confortava a ideia de poder abraça-los quando me deitava.  Como seria tentar dormir sem eles? Sem suas complexas histórias e neuroses.  Mas era eu ou eles. Era eu tentando sobreviver ou eles me engolindo. Optei por mim. 
Toda noite, antes de dormir, eu agradeço ao universo as coisas boas. Mesmo que seja num dia ruim, algo de bom aconteceu, nem que seja você ter acordado e estar indo dormir. Então eu agradeço, agradeço e revivo aquele dia só focando nas coisas boas. Depois eu encho o pulmão de ar o máximo que ele suporta e solto pela boca. Inspiro, expiro, inspiro, expiro, inspiro, expiro até que o sono me embale e eu durma. Durma bem. Durma melhor do que qualquer outra noite. E se, mesmo assim, algum problema desavisado tentar invadir o meu espaço sagrado, eu abraço com força um travesseiro. Melhor isso que abraçar o problema e ter outra noite insone.
Para dormir melhor eu deixo os problemas fora da cama e durmo com a esperança de que ao acordar será uma nova chance de recomeçar, reconectar e consertar o necessário. Para dormir bem eu expulso os problemas da cama e convido a fé de que sempre pode ser melhor. 

Desculpa se eu não sou o que você esperava

Desculpa se eu não sou exatamente o que você imaginava. A questão é que entre o que você imaginava e a minha essência existe um enorme abismo carregado de suas interpretações e visões de mundo e de minhas vivências e experiências. Eu até queria ser o que você esperava, mas decidi, há um tempo, que ser o que eu não sou não faz bem para mim e não faria bem para você também.
 
Se entre tantas qualidades você enxerga apenas os defeitos o problema não são eles que fazem parte de mim. O problema são seus olhos, seus ouvidos e seu tato. O problema é o que você realmente da valor na vida e onde gasta sua energia.

Eu me esforcei para que você percebesse que que a gente poderia ser mais que isso. Até me dediquei mais do que me dedicaria em qualquer outro relacionamento.  Só porque era você. Mas um relacionamento é feito a dois e uma andorinha sozinha não faz verão.
Juro que tentei, que quis ser a pessoa que você sonhava, que pensei que poderia mudar para lhe agradar. Demorei a perceber que não era eu que precisava agir e sim você que tinha que baixar suas expectativas. Porque quando a gente entra num relacionamento ele tem muito mais a ver com estar junto do que com a pessoa perfeita. Idealizar alguém ou tenta-la encaixar nos seus padrões não é gostar. É apenas querer que alguém preencha um espaço que não tem brechas pra autenticidade.
E não existem pessoas perfeitas. Existem pessoas, com seus mundos perfeitamente imperfeitos e organizados numa bagunça devastadora, que colidem com o seu universo e se fundem em um. Como eu queria ter fundindo meu mundo com o seu. Mas era o meu que precisava sair totalmente da órbita para girar em torno de você, como se você fosse um astro rei e eu apenas um planeta sedento por calor.
E foi assim que eu descobri que não. Que o fim da linha chegou cedo demais para nós, antes mesmo do trem engrenar a segunda marcha. E foi assim que eu entendi que ser quem eu sou é mais importante do que você. E outros amores talvez irão descobrir o que você não se permitiu e é muito melhor estar caminhando em busca disso do que ao seu lado esperando que você faça parte dessa história.
Desculpa se eu não sou o que você esperava. Eu sou muito melhor, só que você não enxergou isso a tempo e agora quem não tem mais tempo para perder com você sou eu.

E viveram felizes para sempre ou só viveram

Eu adoro histórias de amor com final feliz, tipo viveram felizes pra sempre, sabe?! Acho mais linda ainda quando o casal se conhece na escola e são o primeiro amor… Nossa! É tão fofo, lindo e perfeito que chega a enjoar. Mas o fato é que a maioria esmagadora das histórias de amor da vida real não é assim. Algumas não acabam bem, outras não são perfeitas e algumas nem acabam.
A verdade é que a maioria das pessoas vive um monte de histórias até encontrar o seu final feliz ou simplesmente final. Não é péssimo. Essas histórias que acontecem na vida da gente, antes do príncipe encantado são, normalmente, de dois tipos: ou alguém que ferra com nossa vida ou a gente ferrando a vida de alguém. Claro, tem as exceções que acabam bem e todo mundo feliz com o término, mas são raras. Tão raras quanto os amores escolares a primeira vista. 

As que ferram a vida da gente são clichês: um cara e uma garota (ou dois caras ou duas garotas, tanto faz), se conhecem, se gostam, vivem intensamente mas ele é problemático demais, alguém ferrou a vida dele antes, ele tem mil problemas de auto estima e voilà! Ele te ferra completamente e você acha que nunca vai superar… Que o mundo vai acabar e que você nunca mais amará alguém igual a ele e que nada na vida tem sentido sem ele. De alguma forma você pensa que se tivesse uma chance seria capaz de perdoa-lo e consertar, seja lá o que está quebrado nele. Mas ele fez sua escolha e te deixou. E você fica completamente abandonada, carente, fodida e jura pra si mesmo que nunca, nunca mais vai se entregar assim para outra pessoa. E então você decide que agora você será a malvada dos relacionamentos. 
Aí vem o próximo, aquele que tem tudo pra ser o príncipe encantado. Mas sabe?! Ele é tão querido, meigo, atencioso e faz tudo por ti que você estranha e pá! Ferra a vida do cara deixando ele pra trás por algum outro canalha que vai te ferrar. E parabéns! Você acabou de transformar o príncipe no próximo canalha da vida de alguém. E você só faz isso porque aquele outro cara tinha te ferrado quando você foi boazinha, então para não deixar o mundo tão desigual você precisa fazer isso por outra pessoa. Quanta sabedoria a nossa, não é?!
Nenhum de nós nasce pra destruir a vida de outra pessoa, mas em algum momento da vida a história sempre se repete em ciclos. Eu me entrego de coração, o cara me ferra e então o próximo que se entrega de coração eu ferro com ele, porque né?! Se eu fui ferrada preciso ferrar alguém e assim, criamos cada vez mais pessoas no mundo complexadas  e com problemas de relacionamento. Bela forma de transformar o mundo num lugar melhor. E sério… Se você está lendo isso e pensando que você está a ponto de fuder com a vida e auto estima de alguém porque você foi massacrado por outra pessoa, pare! Procura um psicólogo, psiquiatra, meditação, yoga ou qualquer outra coisa, mas não, não ferra alguém porque você está magoada. Lembre-se sempre que todo o canalha um dia foi o príncipe encantado de uma menina má. 
Então um dia você já se machucou demais, já magoou demais outras pessoas e conhece um cara. Normal, com nenhuma característica de príncipe encantado, nada a ver com nenhum outro que já passou pela sua cama, opa, vida é que você considera que vai ser apenas mais um casinho de verão. E quando menos espera… Fudeu! Ele é o cara certo! Ou o errado, mas é o seu número! E aí vocês vivem felizes para sempre, ou apenas vivem porque felizes pra sempre é água com açúcar demais e a vida é uma grande montanha russa de altos e baixos. 
E as histórias de amor perfeitas? Elas continuam nos livros, nos filmes e na imaginação adolescente das meninas. Porque a vida real é hardcore e não teria a menor graça se não fosse assim. 

Eu quero ser o mundo de alguém

As vezes a gente insiste em andar na contramão da vida. Fazemos tudo que é possível para nadar contra a maré e tentar, depois, culpar a força do mar. Esquecemos que o vento influencia, mas que para nos salvar só precisamos nadar para o lado oposto e deixar ele nos empurrar. Eu não sou diferente de milhares de pessoas que fazem isso. Insistem em caminhos sem volta, simplesmente porque querem ser diferentes. Ou precisam ser diferentes para entender o que acontece no mundo. 
Só que de tanto a gente tentar ser diferente, uma hora se percebe que o diferente que queremos não é do mundo e sim daquilo que somos. E então, tentamos de todas as formas descobrir quem realmente somos e quem queremos ser apesar do diferente. Ser diferente é bom, mas ser especial é melhor ainda. E somos sempre especiais para alguém e normalmente não damos valor a isso. Queremos ser especiais para o mundo e esquecemos que podemos ser o mundo de alguém. 

Neste exato momento você é especial para mim, tornou-se o meu mundo, pois enquanto digito freneticamente essas palavras que saem das pontas dos meus dedos com agilidade e amor, estou pensando em você. Em você que está lendo esse texto e que, por algum motivo se identificou com ele. Estou pensando em você que encheu os olhos de lágrimas, quando lembrou da briga que teve com alguém que você ama e na hora, de cabeça quente, não falou o quanto ela era seu mundo. Estou pensando em você que se sente deslocada, diferente, humilhada ou até mesmo invisível e que nunca percebeu que você é sim o mundo de alguém. 
Passamos tanto tempo pensando, hoje em dia, no que queremos ter, no que precisamos comprar, pagar, vestir e comer que acabamos deixando de lado o que queremos ser. E não estou do falando do que você queria ser quando crescesse, estou falando do que você quer ser agora. O que queremos ser para quem é especial para nós. Eu quero ser o mundo de alguém. Ou de alguéns. Quero ser a diferença entre o olhar vazio e aquele que faz alguém brilhar. Quero poder ser todas as manhãs o motivo que faz alguém sorrir, alguém sentir, alguém querer acordar. 
Precisamos parar de querer fazer diferença para o mundo e entender que se formos a diferença no mundo de alguém, tudo já terá valido a pena. E sem muito esforço faremos a diferença no mundo.