Só imaginação

Eu ainda penso em você. Apesar de saber que você não lembra mais de mim. Ainda espero ansiosa uma resposta que sei que não vou ter. Ainda tenho esperança que um dia você despiste todo seu auto controle e confesse que está com saudades. Porque eu sei que você sente saudades. 
Nas noites de chuva, pra enganar meu medo, te imagino com o corpo colado do meu. Sua pele quente encostando nas minhas costas, sua respiração na minha nuca, seu braço envolvendo minha cintura e a mão boba no meu peito, dizendo que é seu. 
Eu fecho os olhos e te sinto ali. Como parte de mim e mesmo sabendo que é só minha imaginação isso me conforta. Às vezes eu acordo pensando que estou em teus braços, que vais sorrir me dando bom dia, com os cabelos desgrenhados e os olhos pequenos, mal abertos, e que me dá vontade de te encher de beijos. 
Eu sei que não podemos. Que não devemos e que teu lado racional te afastou. Mas por que ainda sinto que você faz parte de mim? Por que é errado se no fundo a gente se deseja?
Eu queria poder dizer que as coisas seriam diferentes. Que poderíamos passar dias intermináveis na cama sem nos preocuparmos com mais nada. Eu queria acreditar que existiria uma chance da gente ser só a gente… juntos. 
Tudo isso só existe num mundo paralelo. Onde as coisas são bem diferentes da realidade e onde só existe nós dois. Um universo nosso, exclusivo pro nosso encontro, dedicado ao nosso amor, predestinado a felicidade em uma galáxia onde só nossos corações batem e nossos corpos habitam. 
Vou continuar pensando em você. Imaginando tua mão pesada passeando no meu corpo, arrepiando cada milímetro de pele que toca. Sentido tua respiração no meu pescoço, quente, descompassada, me causando delírios. E vou dormir assim todos os dias de chuva da minha vida. Porque mesmo só na imaginação você ainda é minha melhor companhia. 

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O silêncio do fim

A gente terminou no silêncio. Sabe aquela coisa meio assim …” então tá, a gente se fala”  e nunca mais se falou? Foi isso. 
Eu não falei mais porque achei que estava incomodando. Deixei a bola quicando pra ver se você fazia o gol. E você não falou… eu suponho que porque não quis. 
Foi um dia, mais um e mais um. Até que virou uma semana, um mês um ano. Nos primeiros dias eu olhava a toda hora o celular pra ter certeza que você não tinha enviado nada. 
Depois eu passei a esquecer, só olhava quando lembrava pra ter certeza que você não estava lá. E agora às vezes dói. E aí eu penso.
Eu tive vontade de perguntar “você desistiu de mim?”, mas controlei a minha ansiedade, respeitei o seu silêncio e segui em frente. O que mais eu poderia fazer?
De certa forma foi um alívio todo o silêncio. Seria difícil admitir que não passaríamos dos lençóis. Seria sofrido falar que não havia futuro pra nós. Que nossos universos não iriam se unir, apenas colidir causando uma catástrofe sobrenatural. 
Nossos silêncios falaram mais do que qualquer palavra. Deixaram um gosto amargo na boca. Deixaram uma saudade de algo que não aconteceu. Mas principalmente falaram de sentimentos que não podemos sentir.

A gente precisou do silêncio porque a gente não podia falar o que realmente sentia. A gente se acostumou com ele porque as palavras doeriam. A gente preferiu o silêncio porque mais nada nos restava e antes ele do que as lágrimas. 

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Esqueci de você

Eu já me esqueci de você. Assim como você esqueceu de mim. Não era bem o que eu queria e nem como eu previa para finalizar essa história que tinha tudo pra virar a nossa história. Mas foi o que aconteceu. 
Eu já me esqueci de você. E de todos os beijos molhados, os amassos dobrados, os carinhos trocados. Eu me esqueci porque você também se esqueceu.
Eu já me esqueci de você e não passo horas olhando o celular pra ver se você está lá, se você lembra de nós. Se você lembra de mim. Eu não recordo de nada que tenha teu nome, tenha teu toque, teu cheiro, teu gosto ou você por inteiro.
Eu já me esqueci de você e de tantas noites longas, curtas pela nossa ânsia de sermos um só. Me esqueci dos dias ensolarados, mesmo nublados e das cores da primavera mesmo no frio do inverno.
Eu já me esqueci de você. E de todas as suas manias chatas, sua risada sem graça, sua piadas mal contadas e suas conversas fiadas. Eu não lembro nem da sua voz que sussurrava em meu ouvido promessas vazias.
Eu não me esqueci de você. E nem poderia. Em todas as partes do meu corpo teu toque foi tatuado. Em todas as minhas lembranças teu nome é recordado. Para todos lados que eu olho seu sorriso está estampado. 
Eu não me esqueci de você. Mas você me apagou da sua vida como se nossa história tivesse sido escrita a lápis. Foi uma borracha barata. Mas em mim nem rabiscando por cima as marcas saem. 

Eu não me esqueci de você. E talvez eu nem queira. Talvez pensar em você é lembrar com saudades de algo que não vivemos mas que seria mágico se você não tivesse esquecido de mim. 

Vazios…

Minhas noites são vazias quando não estás para me fazer companhia. Sinto como se um pedaço de mim faltasse. Suas palavras, seus movimentos, seu toque e até mesmo seu silêncio preenchem a sala, o quarto, a casa e o meu coração. 
Não exista um dia em que tua ausência se faça presente que eu não pense suspirando pelos corredores como fica frio sem você aqui. Tento me esquentar com as cobertas, me aninhar nos travesseiros e ainda assim falta você e sobra saudade.

Alguns diriam é só uma noite. Talvez duas, três, um mês. Mas para mim é um dia a menos que comungamos risadas. É um minuto a menos que compartilhamos sorrisos. Um segundo a menos que te sinto. 
E não é dependência. Eu sei viver sem você. É amor. Eu não quero viver sem você. Os dias ficam cinzas, não porque estou deprimida, mas porque é teu sorriso que dá cor aos meus dias. 
Eu sei que é só uma noite. Algumas talvez, mas essa cama fica gigante e eu tão pequena. Tão frágil sem tua mão. Fico entregue aos pesadelos e tudo que eu quero são os sonhos que  sua voz me proporciona.

Preencher os meus vazios são a sua especialidade. Combater meus pesadelos tua habilidade e me fazer sentir felicidade tua necessidade. E eu aproveito cada um dos teus dons e dou meu tom para que a gente seja assim por toda a eternidade.

Num livro qualquer…

Eu escondo meu rosto atrás de uma xícara de café. Escondo meus sentimentos em palavras repetidas, frases feitas e promessas que não vão se cumprir. Conto histórias que não são minhas, mas poderiam ser. Escuto músicas que me fazem lembrar coisas que eu não vivi. 
Minhas feridas estão escondidas em imagens coloridas. Ninguém pode ver as marcas que o tempo e a dor deixaram lá. Minhas escolhas me assustam mais que me aliviam e ainda assim eu sigo beirando a vida, como que propositalmente buscando a morte. 

Eu converso com pessoas que me veem, mas não me enxergam. Que escutam mas não ouvem, que tocam mas não sentem. Eu falo com pessoas que tem os melhores momentos da vida, mas no segundo seguinte eu já sou passado. E de alguma forma eu nem mesmo faço parte dessas lembranças. 
Meus sonhos se tornam histórias, meus amores romances e minhas frustrações dramas. Todos consumidos avidamente por pessoas que procuram algum conforto nas páginas de um livro qualquer. Mas no final lembram-se apenas da personagem. Ela seria real ou imaginária? Seria possível viver assim? Quem escreveu não importa. Nem sua vida, nem seus sentimentos. O que importa é que o autor jamais pode matar a personagem amada se não ele passa a ser o ser odiado.
Eu transformo sentimentos em palavras e talvez você já tenha me levado para sua cama inúmeras vezes. Mas não sou eu quem você quer, é a outra pessoa, aquela que te fez buscar consolo em mim. 

 E se me perguntarem, por acaso, em algum dia cinza, se valeu a pena tantas horas de viagens por lugares inimagináveis, tantas noites com a cabeça fervilhando e o coração sangrando, eu responderia, com certeza, que só não valeria a pena, se você não estivesse agora me olhando, com uma lágrima no olho, pensando em tudo que a gente já viveu. 

Pega pega com você

Hoje eu acordei meio assim… Talvez seja a chuva lá fora, os tons de cinza que preenchem o dia, ou o vento que deixa tudo mais gelado do que deveria. Revirei-me na cama, de um lado para o outro, tentando encontrar forças para levantar, mas só encontrei motivos para ficar.  É tanta saudade que insiste em me lembrar que você não mais aqui está. 
Eu queria poder te falar tudo que carrego em meu peito, te contar meus medos e me aninhar em teus braços pra que juntos a gente achasse a porta de saída mais rápida. Só que a gente parou de fazer isso há muito tempo e agora jogamos um jogo perigoso onde sentimentos são silenciados e gestos escondidos. Por que parece errado te tocar quando o mais certo seria não te largar?

De jogos eu pouco entendo. Esse esconde esconde sentimentos passa longe da minha brincadeira preferida de pega pega com você. As lembranças me consomem, a vontade de te falar, de te beijar, de sentir teu corpo contra o meu, de te encontrar numa esquina qualquer, sob o luar, e te roubar um cheiro. Quando foi que mudamos a brincadeira e passamos a ser dois desconhecidos tão intimamente conhecidos?
E eu não sei o que se passa na sua cabeça. Não sei as angustias do teu coração. Não entendo os sinais complexos de tuas palavras que contrariam todas as expressões do teu corpo. Se não existe mais nada entre nós, por que ainda assim, não somos capazes de verbalizar?
Eu não aprendi a jogar. Só aprendi a te amar. E me sinto igual ao dono da bola sem a bola, ao cestinha do time de basquete sem fazer cestas, ao maratonista sem maratonas. Eu não sei jogar, das brincadeiras infantis eu me saia melhor sendo o bobinho. Eu continuo sendo o bobinho que fica entre tuas palavras e teu corpo, tentando de todas as formas pegar teu coração.

Sei que os jogos são brincadeiras de sedução, que os flertes são necessários e que isso tudo faz parte da conquista. Mas você já me conquistou. Então venha aqui, por favor. Me de sua mão, um cheiro, um beijo e um abraço apertado. Volte a brincar de pega pega e deixa esse esconde esconde pra trás. Venha andar de montanha russa ao meu lado porque eu sei que quando estivermos lá no alto e a queda for inevitável, se a sua mão estiver junto a minha, mesmos aos gritos de pavor, a gente aguenta o tranco e volta a subir… subir. 

Novos Infinitos…

Não me pergunte o que deu errado. Eu acredito, sinceramente,  que não houveram erros. Não assim , não fundamentais, a ponto de colocar tudo que vivemos na lata do lixo. Nossa história foi nossa história e como dizia o poeta, infinita enquanto durou.  E ela durou. Tivemos tanta sorte de nos encontrarmos pelo caminho e termos construído algo juntos.  Mas o seu infinito chegou ao fim. 
Sentiremos saudades e lembraremos com vontade de várias coisas. Das risadas casuais, das brigas esporádicas, dos ataques de loucura ao ver baratas passando a caminho do quarto. Vamos sentir saudades do calor um do outro, do conforto conhecido dos braços, das frases feitas, das palavras perfeitas, dos costumes já tão rotineiros.  Mas será uma saudade gostosa, como das coisas da infância que sentimos, mas sabemos que não voltarão.

 Não tente procurar motivos. Eles não existem. Apenas foi uma estrada que findou e continuarmos juntos seria arriscado para tudo que tivemos. Um último “eu te amo”, mais sincero que talvez todos os outros. Um último “se precisar estou aqui” e cada um segue seu rumo. A gente vai se perguntar se foi a decisão certa. Vamos pensar em ligar mil vezes para contar qualquer besteira e ouvir a voz tão familiar.  Mas a gente sabe que foi.

Não foi o amor que acabou. Ele não acaba nunca. Tudo que vivemos, compartilhamos e criamos sempre vai estar lá. Ele só mudou de forma e agora não é mais suficiente pra que a gente divida o mesmo espaço, a mesma vida. Sem se confrontar com situações onde nos sentimos completos estranhos. Com silêncios desgastantes e vontades controversas. 
Podemos dizer que vencemos. Afinal, antes que tudo rolasse ladeira baixa, saímos de cabeça erguida, com um breve aceno, um selinho discreto e seguimos em frente. Não houveram erros, tropeços ou faltas irreparáveis. Houve apenas um sentimento que um dia foi fogo, virou brasa e se apagou. Mas as cinzas sempre vão estar lá pra nos lembrar do que fomos um dia. 

Então meu amor, não procure motivos, não perca tempo tentando encontrar erros. Não tente adivinhar como seria se seguíssemos a mesma estrada. Aconteceu o que deveria acontecer. E foi lindo, eterno, infinito… enquanto durou. Mas agora a gente diz “fica bem” e segue por novos rumos, procurando novos infinitos…

Eu não posso fazer isso… com você

Eu me apaixonaria fácil por você. Não fosse seu nome, sua aparência, sua semelhança de personalidade e até o signo igual ao dele. Eu viveria essa história eternamente. Mas eu não posso fazer isso… com você.
Eu me apaixonaria fácil e não seria nem um pouco difícil acontecer o mesmo com você. Instintivamente eu sei os caminhos do seu coração, as coisas que você quer ouvir e como te agradar, seduzir e provocar. Mas eu não posso fazer isso… com você.

Eu me apaixonaria fácil por você e viveria essa história mil vezes. Te levaria a viajar comigo por lugares que você nunca imaginou. Te mostraria coisas que você nunca sonhou. Te daria prazer da forma como você acha que é impossível. Mas eu não posso fazer isso… conosco.
Seria fácil, simples e tão complexo que assusta. Nos faz temer, pensar em o que acontece, em o que de fato nos liga e o por quê. Eu me apaixonaria fácil pela nossa história. Seria divertido, leve e casual. Uma eterna paixão de verão. Mas eu não posso fazer isso… conosco.
Você tem uma vida inteira pela frente para viver suas aventuras. Tanto ainda para conhecer, descobrir e amadurecer. Você se apaixonaria fácil por mim. Se sentiria o cara mais sortudo do mundo por me ter ao lado e me exibiria como um troféu, uma estatueta do Oscar e ainda assim eu seria mais que feliz. Mas eu não posso fazer isso… comigo.
Você se apaixonaria fácil por mim. Cada marca do meu corpo te seduz, cada cicatriz da minha pele te encanta. Cada ferida aberta da minha alma você quer curar. Você quer cuidar de mim, me proteger e idolatrar como eu queria que ele fizesse. Mas eu não posso fazer isso… comigo. 

A gente se apaixonaria fácil um pelo outro. Entre tantas neuroses, confusões e caos  seríamos a calmaria do mundo. Nós perderíamos a noção do tempo em conversas cheias de duplo sentido e tudo pararia de girar quando nossas bocas se encontrassem e nossos corpos se tocassem. Mas eu não posso fazer isso…  Não com nós dois. 

E se eu te der a mão?

De repente eu estou no chão. Completamente destruída. Você me destruiu sem ao menos me dar sinais de que isso poderia acontecer. Foi assim, rápido e certeiro e eu já estava lá, quebrada, tentando encaixar os pedaços que se estilhaçaram na queda. Eu não previa. Você não previa. Não foi premeditado. Só aconteceu. O que eu faço depois disso? Como eu levanto, ergo a cabeça e olho em frente novamente?
Eu sei que as marcas que carrego das guerras que travei te encantam. Não deveriam, são elas que me deixaram ser assim, uma pessoa que tem mais medos e amarguras do que boas recordações. Elas te seduzem, fazem você querer me abraçar. Mas eu não quero seus abraços por isso. Eu prefiro ser a pessoa que eu queria ser do que ser a que você descobriu. E ai agora que você me enxerga por inteiro, mesmo vendo todas as sombras que escurecem os meus dias, mesmo sabendo que eu não sou quem você pensava, você estende a mão e procura me acalentar. Mas eu estou no chão e não sei como me levantar.

Eu queria ser a pessoa sorridente que você imagina. A pessoa profunda, extremamente simpática e fácil de conversar, linda, provocativa, que tem um tesão de outro mundo e se importa com as pessoas que você descreve. Mas essa não sou eu. Isso é o que você quer enxergar em mim. Eu sou aquela outra, que te fez ficar uma noite de chuva inteira acordado porque estava com medo. Que queria morrer na semana passada porque tava chateada, que fica neurótica se não correr ou movimentar o corpo quando acorda porque não consegue lidar com a sua própria existência, que tem mais cicatrizes e feridas do que você pode imaginar que alguém aguentaria. Eu sou a pessoa que você quer cuidar porque você conhece todos esses lados tristes. Você não teria como se apaixonar por quem eu sou. Você só pode se apaixonar por quem você enxerga. Até eu me apaixonaria. Mas essa é uma imagem que você construiu de mim o que não faz com que eu seja assim na realidade. 
Então mesmo contrariando todas as possibilidades, você se apaixona por mim e me destrói. Me destrói porque eu não estou pronta pra isso. Eu não estou pronta pra ser quem você precisa que eu seja. E eu não consigo entender porque você se apaixona por quem eu sou. Eu estou no chão. Sua mão está estendida, seus braços prontos para me aparar, mas eu tenho medo. Muito medo. Eu quero pegar a sua mão, me aconchegar no seu abraço e deixar sua boca acalmar meu corpo sedento por você. Mas eu tenho medo. São tantas feridas ainda abertas. Eu quero ser quem você acha que eu sou, mas olho para os lados e penso que se eu te der a mão qualquer caminho que a gente siga, nos leva para um final onde alguém sai muito machucado.

Eu tenho que escolher entre meu medo e minha alma sóbria e sua mão estendida, seu sorriso que colore meu dia, suas palavras fáceis que me fazem enxergar o quanto as coisas poderiam ser diferentes. Não seria egoísmo meu deixar você ficar? Ta certo que ninguém te convidou a entrar e que você foi arrombando todas as portas e trancas e se instalou ali, dentro de mim, do meu corpo, da minha mente, do meu coração. E eu preciso escolher. Eu estou no chão. Sua mão está estendida, seu sorriso quase apreensivo mostra que você também te medo. Seus olhos brilhando me dizem que confia em mim, confia em nós. Eu te dou a mão e a energia que emana das nossas mãos unidas me dão esperança de que é possível ser feliz de novo.

Tempestade de verão

Eu queria ser como você e decidir as coisas de forma simples, sem criar mil teorias contraditórias na minha cabeça e nem confabular com meus outros eus o que deveria ser o certo ou não. Eu poderia simplesmente deixar as coisas acontecerem, sem criar regras, fantasias ou imaginar cenários. Mas eu não consigo. Cada frase tua chega como um emaranhado de túneis disponíveis para mim e eu não sei qual o caminho eu quero escolher. 
Meu lado racional diz para seguir o caminho seguro, me afastar enquanto é tempo. Meu lado emocional ascende todas as luzes verdes me jogando em teus braços e me entregando por inteira. E meu corpo arde de pensar na possibilidade das tuas mãos me tocarem. São dois eus indo ao teu encontro e apenas um tentando fugir. 

E será que só por que dois querem a mesma coisa a minha parte racional está errada? Ou será que por que eu tenho medos bobos e absurdos, tenho metas traçadas e uma vida toda planejada com começo, meio e fim, minha mente tenta me ludibriar dizendo que meu coração não pode ser ouvido? E os sinais do meu corpo? Devem ser ignorados?
Eu não sei a diferença do certo ou do errado nesse momento. O que eu quero e o que eu deveria querer, o que é minha vida com ou sem você. E eu não consigo parar de pensar no medo que eu sinto de mim mesmo quando penso em nós. Quando tento entender meus sentimentos, quando tento entender nossa história, só consigo pensar no que eu desejo e não nas consequências do que desejo.  Ao mesmo tempo em que parece tão errado te querer parece tão certo, natural, como deveria ser. 
Eu ainda tenho muito a viver, amadureço ideias e conceitos e me conheço um pouco mais a cada dia. Você entrou na minha vida como um lindo dia quente de sol e de repente me transformou em uma tempestade de verão, pesada, nublada, cinzenta e com muitos raios e trovões. Se nós fossemos eventos climatológicos você seria uma primavera e eu um furacão pronto pra destruir com tudo inconscientemente e com toda a plenitude de saber o que estava fazendo.

Eu só quero te devorar, te consumir, te sentir pulsar em mim e isso me consome as energias, me deixa exausto por lutar contra algo que parece ter uma força maior do que eu. Aconteça o que acontecer você bagunçou pra sempre minha vida e me deixou vivendo os momentos mais tensos e ao mesmo tempo os mais sublimes.