Um brinde as voltas que a vida dá

Eu me escondi por ter medo de mostrar as minhas fraquezas. Me escondi porque queria me refazer. Gosto de ser inteira, de sorrir, de dar o meu melhor para quem cruza o meu caminho. Mesmo estando quebrada, eu sorrio.
Um sorriso frio, distante, fingindo. Mas um sorriso. Eu me arrebentava por dentro, mas nos lábios, na parte externa havia nos lábios aquela felicidade simulada, porque esse era o meu melhor.
Eu me escondi por não suportar a dor. Me mantive distante por não querer demonstrar a minha dor. Juntei os pedaços de mim mesma, do jeito que eu pude. Criei as redomas ao meu rador. Fugi. Sem vergonha de assumir eu fugi. Precisava me recompor, me reencontrar, me aceitar.
Eu carregava a vergonha dos abusados. Mesmo sabendo que a vergonha deveria estar no abusador. Sentia a humilhação e sordidez corroer minhas entranhas. Eu sabia que aquele sentimento não me pertencia, e por mais racional que eu tentasse ser, de alguma forma, eu não conseguia.
A culpa não era minha. Mas ela me dominava, me afundava, me sufocava. Eu sabia, mas não conseguia evitar. Só que o Universo cobra, cedo ou tarde, sua alta fatura. E um dia eu sorri. Um sorriso tosco, porém verdadeiro. A laço na corda que puseram em meu pescoço, com as voltas do mundo, parou no pescoço de quem quis me enforcar. E eu sorri, de verdade. De novo.
Ergui minha cabeça, juntei os meus cacos, guardei as minhas mágoas e sorri. Me refiz, não por inteira, não por completo, nunca mais serei. Mas eu sorri. Brindei as voltas que o mundo da. Brindei a justiça da energia. Brindei ao novo dia. Brindei ao meu novo sorriso. Um sorriso tosco, eu sei. Mas novamente verdadeiro.
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O blog Causos & Prosas participa do desafio literário  365 dias de escrita. Este texto é parte integrante do desafio organizado  pela Editora Digital e Consultoria de Marketing para autores Escritor Publicado .
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Previsão do Tempo

Tem dias que amanhecem cinzas. Mesmo que o sol brilhe pela janela, a chuva dos olhos não perdoa. Tem outros que nascem ensolarados e quanto mais chove na rua, mais nua fica alma. Dias de sol, dias de chuva. Momentos  que brilham, que escurecem.  A alma da gente não respeita a previsão do tempo e contradiz todas as orientações da mocinha da televisão.

Ontem ela avisou que deveríamos sair preparados. Sombrinha, capa de chuva, galochas e um casaquinho… O dia seria feio, chuvoso, sombrio. Mas a alma? A alma estava ensolarada, desprendendo de si um calor escaldante, estonteante. Não havia nuvem carregada que pudesse esconder o sol que nela habitava.
Pode chover todo dia, ou o dia todo. Tanto faz. Quando tem sol dentro da gente, tudo fica mais fácil. Pode ser também que ele brilhe lá fora, queime a pele com força, raiva, vigor. E aqui dentro desabe o mundo, chova uma tonelada de mágoas, ressentimentos e desilusões.  Acontece.

A previsão do tempo até pode acertar. São tantos equipamentos caros e estudos, que, ás vezes, acertam tudo. Mas e aqui dentro? Que equipamento ainda não inventado pode dizer qual será a previsão do tempo da sua alma?  Vem do fundo, de dentro mesmo, de coisas que eu nem lembro, que você não pensa mais, que fez questão de esquecer, mas que está lá. Está presente porque um dia você viveu, um dia você aconteceu.

Um dia de sol ou um dia de chuva, nada mais é do que um dia normal. Um dia que a natureza resolveu nos presentear com cores lindas ou lavar as nossas ruas. Agora a lama ensolarada ou chuvosa… ah essa não tem explicações. Elas acontecem e tudo bem, é normal. O que importa, de verdade, é saber que depois da tempestade o sol volta a surgir, mesmo que discreto e singelo e, pode trazer um arco-íris, com seu pote de ouro no final.

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Fora do tom

De repente a gente descobre que não está mais na mesma sinfonia. Que em algum momento, sem perceber, ficou desafinado o dueto, perdeu o ritmo, a prosa e a poesia. A batida ficou fora do tom e tudo que era dança ficou estático. Isso aconteceu. Mesmo a gente imaginando que com a gente seria diferente.
Talvez fosse a rotina, a mesma música em repeteco constante numa play list desatualizada. Ou só mesmo nossos timbres que mudaram. Mais graves, mais agudos, mais distantes da melodia. Eu não sei você, mas eu, muitas vezes, sofro de uma roquidão severa que me deixa sem voz.  Aquela voz que um dia cantava sorridente encontrando a tua, hoje não quer ser produzida nas minhas cordas vocais.
Será que tem cura? Talvez algum doutor ajude. Ou uma nova droga, dessas que anestesiam, alivie. Quem sabe apenas o tempo possa curar tamanha afonia. Ou quem sabe o melhor é cada um cantar sozinho novas histórias desafinadas até se achar o embalo perdido. Eu não sei.
Não escuto mais a nossa música. E quando escuto me vejo irritada, com vontades de gritar e correr. E então a voz falha e eu só consigo sentar. Não deveríamos dançar? Quem sabe trocar a música, tentar novos ritmos de punkrock a MPB existem milhares de variações que a gente pode aprender. E a gente quer aprender? Eu não sei.
Só sei que nosso dueto está afônico, catatônico e desafinado. Só sei que nossas vozes não se encontram mais no mesmo tom. E eu quero encontrar o tom. Quero encontrar tua voz no final do dia e saber que ainda existe uma melodia pra nós.
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Chove…

Chove. Chove demais. Não são apenas águas que se condensaram em nuvens e resolveram cair no dia de hoje. São lágrimas. Chove o choro de uma multidão. Uma multidão que se angustia com tantas coisas que acontece no mundo a nossa volta. São lágrimas de uma população, que acorda cedo, passa o dia inteiro correndo atrás da vida, para no final do dia ligar a tevê e só ver injustiça. Choram pais, mães, irmãos e amigos. Chove lágrimas de amores interrompidos.
Chove tanto que parece que o pranto não terá fim. Não foi só mais um acidente aéreo. Foi um acidente provocado pela ganância. Não é só mais uma medida governamental que foi aprovada na calada de uma noite. São lágrimas por toda uma população sofrida que chora os desmandos de políticos mesquinhos. São médicos que faltam em hospitais. São filas que levam vidas. São crianças sem merenda. São pessoas sem abrigo.
A lágrima daquela mãe que perdeu seu filho, numa esquina da vida por conta de um tênis, numa encruzilhada por causa da bebida, numa sociedade pervertida, num hospital esperando atendimento, num acidente trágico ou não tão trágico assim. São tantas mães, tantas dores, tanto choro. São saudades transformadas em liquido, que transbordam dos olhos inconformados de quem nunca mais vai ver o sorriso da razão do seus dias.
São lágrimas dos filhos, que se escondem em cantos chorando a ausência do pai que nunca virão a conhecer de fato. Que não estarão presentes em formaturas. Que não serão conduzidas até o altar. Que não terão a alegria de lhes dar netos.  São broncas que não serão levadas, sorrisos não compartilhados, conquistas não realizadas.  Tantas dores que deságuam das nuvens.
O pranto das amadas deixadas, com suas histórias interrompidas, a vida de seus homens ceifadas. A chuva converte a dor, lava a alma, deixa tudo mais melancólico e em coro, entre lamúrias e sentimentos não entendidos, as nuvens carregadas, transportam suas dores, para os quatro cantos do mundo, fazendo com que o vento, quem sabe alcance, aqueles que se foram.
E em coro, de todos os lados, ouvimos um pensamento único, uma vontade crescente, uma chuva que insiste, que limpa e se espalha, que chora nossas tristezas e que de uma forma mais que urgente, implora “muda, mundo”. Porque se você não mudar a gente não vai aguentar.
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Sofro de distâncias

Hoje eu senti muita falta de vc. Em vários momentos do dia. Não foi chuva, não foram coisas ruins. Não foi carência. Foi saudades mesmo. Vontade de saber como as coisas estavam. De ouvir a tua voz falando qualquer besteira. De poder te provocar e rir da tua reação. Senti falta de te imaginar, deitado na cama, conversando comigo e me dando tapas na cara de realidade. 
Senti falta da tua insistência em tentar me mostrar que é assim. Que era pra ser assim. Que nada iria mudar. O dia inteiro tu rondou a minha cabeça. Confundiu a minha mente, ocupou meus pensamentos e eu só queria saber se está tudo bem. Por que eu sei que é tão errado assim querer te ter presente na minha vida e mesmo assim parece tão certo? 
Eu queria te imortalizar numa história e poder viver para sempre nela. Não uma história de nós dois. Mas uma história de todos. Você pode achar que é besteira minha, só carência ou qualquer coisa assim, mas quando eu penso qualquer besteira é a sua voz que vem em minha cabeça, tipo o grilo falante (mas com uma voz bem sexy) ou aquelas animações de anjinho e diabinho (você sempre é o anjinho), é você que diz que a minha vida é a continuação do que era antes. 
Que saudades são essas que me sufocam, apertam o peito e dão claros sinais de um princípio de infarte? Que vontade é essa de estar com você mesmo estando distante fisicamente? Que vontade de voltar a dormir minhas noites contigo, encaixada em você, sentido tua pele encostando na minha… Alguém uma vez disse que sofria de distâncias… eu achava besteira. Agora entendi que são muito mais que quilômetros físicos… as distâncias também são emocionais… estou sofrendo de distâncias, de abandono e de saudades.

Os guris da Miguel

Ontem passei caminhando por uma rua que há muito tempo eu não andava. Passei de carro algumas vezes, mas a pé talvez fizesse mais de 10 anos. Quando eu era guria, com meus 12, 13 anos muitas vezes eu ia caminhar ali. Dar uma banda, bater um papo com a gurizada que ali se amontoava. A gente chamava eles de “guris da Miguel” enquanto a gente era a “galera do CTG” ou “galera da Paulino”. 
Nossa turma tinha meninos e meninas. A deles só meninos. Acho que não moravam tantas meninas assim na rua, ou elas não se misturavam. Não me lembro de todos os guris da Miguel. Mas alguns deles eu guardo na memória, como o altão cabeludo que era DJ e fez uma festa no pátio da minha casa, com som, luz, pista de dança e a gente colocou mais de 100 pessoas no pátio. Amigos, amigos de amigos, amigos de amigos de amigos. E quando deu duas da manhã a mãe mandou baixar o som porque nossa vizinha era idosa e a gente obedeceu. Alguns trouxeram bebidas alcoólicas, outros estavam se pegando e todos se comportaram. 
Outro dos meninos da Miguel que eu lembro bem era o Lisarb. Foi a primeira vez que conheci alguém que não tinha um nome comum. Lisarb era Brasil ao contrário, o que prova que a geração dos nossos pais era muito mais doida que a nossa. 
Andar pela Paulino Teixeira com a galera ou passear com os guris da Miguel eram os nossos programas. Não os melhores, nem os piores. Eram o programa. A gente andava de dia, a noite, em bando e era tranquilo. Ninguém tinha medo. Às vezes um de nós era assaltado. Mas era raro. Ninguém nos matava por um par de tênis. A gente não tinha celular pra se comunicar. Então a gente caminhava e ia na casa dos amigos. 
Pela Paulino eu passo sempre. Não tem mais ninguém sentado no nosso muro ou reunido na rua conversando. Não existe mais uma galera, filosofando sobre a vida, contando piadas ou andando de skate. Também não existe mais o CTG. E ontem, quando passei na Miguel tive um quase djavu. No mesmo muro, encostados, conversando e rindo, uns 4 guris, enchiam a rua de vida e risos. E encheram meu coração de uma saudade gostosa. Os guris da Miguel ainda estão ali. Não são os mesmos, mas ainda se enxerga nas ruas residenciais de Porto Alegre um pouco de esperança de que a rua é nossa. 

Sinto falta de você

Eu sinto falta de você em todos os segundos do meu dia. Quando acordo e não tenho seus braços para fazer aquela preguiça gostosa. Quando me desperto e não tenho seu beijo para me provar que mais um lindo dia começa. Quando escovo os dentes e você não sorri no espelho atrás de mim. Quando tomo café da manhã e você não está lá para falarmos sobre qualquer coisa. 

Sinto falta quando entro no carro, brigo no trânsito, escuto nossa música ou qualquer música. Sinto falta quando algo acontece, bom ou ruim, e não tenho você pra contar. Te procuro em tudo. Te vejo em tudo. Tudo me lembra você e mesmo assim ainda não estás lá.
Pego o telefone, procuro um sinal. Nada. Penso em ligar, em provocar ou mandar uma mensagem. Nada. Eu sinto sua falta e por mais estranho que isso possa parecer não é a falta de um amor. É a falta de um amigo. Eu sinto sua falta nos pequenos detalhes do dia a dia, nas pequenas coisas , na vida que segue, nas horas que voam e nos afastam ainda mais. 
Eu sinto sua falta e vou sentir eternamente. Não foi um amor que eu perdi. Foi um amigo e dói mais, sabia? Você sempre será o meu outro lado, a outra metade, a tampa do bule. Você é o cadarço do meu tênis velho, aquele todo desfiado, que da trabalho de entrar no buraco, mas que é perfeito pra fazer aquele laço. 
Eu sinto falta de você e nada no mundo vai mudar isso. Nem os anos, nem os novos amores, nem os velhos amigos. Sinto sua falta e mesmo que eu de as costas, ainda assim, eu saberei que essa saudades estará lá me lembrando que um dia vivemos tudo juntos.

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Vou te encontrar em outra vida

Eu quero te encontrar de novo em outra vida. Numa vida que não seja tão complicada. Numa vida que a gente não tenha tantos tropeços antes do nosso encontro. Em uma vida que a gente possa viver o que tivermos de viver. Sem cortes, sem outros, sem feridas e nem passados. 

Quero te encontrar em outra vida no início. Antes de aprender a brincar de amar. Antes de tocar qualquer outro corpo. Quero te encontrar em uma vida onde você seja meu primeiro. Meu único. Meu começo, meu medo e meu final feliz. 
Eu preciso te encontrar em outra vida  porque nessa simplesmente não deu. Você cruzou o meu caminho numa noite escura onde já não havia mais luz pra te enxergar. Não teve jeito se não te deixar passar.
Eu quero encontrar teu caminho. Em outra vida. E não quero me perder dele jamais. Eu te juro, em outra vida, a gente vai se encontrar e viver tudo que nessa a gente não pode. Tudo que foi nos tirado por um carro desgovernado. Eu quero te encontrar em outra vida onde a única estrada seja a nossa e só quem desfila por ela seja nosso amor. 
Eu preciso te encontrar em outra vida. Eu sei que só dessa forma meu vazio será preenchido e minha urgência esquecida. Eu preciso te encontrar em outra vida porque eu sei que nessa você já é o cara. Mas é tarde demais. 

Eu vou te encontrar em outra vida e sei que quando a gente se reconhecer, mesmo não entendo nada, a gente vai saber de tudo. Tudo que fala de saudade, de amor, de cumplicidade vai fazer o sentido que nessa vida não fez. 

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Irreversível

Você decidiu se afastar de mim e eu respeitei. E vou continuar respeitando a sua decisão. Sei que seu lado racional mandou você seguir esse caminho. Quanto mais distante, mais ausente, melhor. Eu entendo. E seu lado racional tem toda razão. Eu sei. Eu sei disso porque eu sou igual uma erva daninha, que vai se alastrando, aos poucos, silenciosa e sorrateira até que toma conta de todo o espaço e quando isso acontece é tarde demais e da muito trabalho se livrar. 

Você me cortou pela raiz antes que eu ocupasse um espaço ainda maior em sua vida. Sua vida perfeita, regrada, com objetivos a longo prazo. Mas uma vida vazia. Afinal, se ela estivesse perfeita eu não teria entrado, não é mesmo? Não do jeito que entrei. Não ocupando o espaço que ocupei e muito menos me espalhando do jeito que me espalhei. Mas você me colocou de lado e evitou que o dano fosse irreversível. Você não está errado. O caminho pelo qual a gente seguia podia ser muito arriscado, para você. 
Só que nessa história de me podar, você apenas esqueceu, que do outro lado, quem estava era eu. Uma pessoa que tem muitos sentimentos confusos, que carrega cicatrizes profundas, que se abrem com a maior facilidade do mundo em cada noite de temporal. Você esqueceu de tudo que foi lindo que a gente viveu e do quanto você me fez bem. Eu surto, eu sei. E você prometeu que estaria lá. E agora onde você está?
Eu ainda penso todas as noites que você vai me chamar. Ainda desejo teu corpo para me acalmar. Eu repito teu nome como uma oração. Não o dele, o teu. Eu ainda espero que em uma noite insone seja o meu nome que você vai balbuciar. Eu te sinto suspirando pela casa com pesar. Te vejo indeciso entre quem escutar. Eu te quero na minha rotina, nos meus dias, nos meus sonhos, dormindo ou acordada, pra poder me embalar. 
Eu brinco com as palavras, com os sentimentos, transformo eles em orações pra poder relaxar. Me sinto tão sem nada sem a tua voz, tão sem rumo sem a tua mão, tão fria sem a tua imaginação. Você decidiu se afastar de mim e eu não julgo, não condeno e nem tento evitar. Mas eu perdi, mais uma vez, a razão de viver e ganhei a maior fonte de inspiração: a solidão. 

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Talvez às vezes… E se nunca mais?

Às vezes a gente sente um medo danado de tudo que não viveu. Às vezes a gente antecipa o sofrimento por tudo que tem medo que vai acontecer. Às vezes fazemos planos bizarros pra sobreviver ao presente com esperança no futuro. Às vezes.

Talvez a gente nunca saiba se daria certo ou não. Talvez a gente nunca tente por medo de errar. Talvez a gente sofra demais por pensar. Talvez a gente só precisa deixar as coisas acontecerem. Talvez.
E se a gente não pensassem coisas ruins? E se a gente tentasse de vez em quando? E se a gente pudesse prever o futuro? E se a gente vivesse o presente? E se a gente apenas fosse a gente? E se?
Nunca mais eu quero pensar no que pode acontecer. Nunca mais eu quero sofrer sem saber se vou realmente sofrer. Nunca mais eu vou começar algo que tenho medo de terminar. Nunca mais eu vou me jogar de cabeça. Nunca mais eu vou me apaixonar. Nunca mais. 

Talvez às vezes… E se nunca mais?

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