A gente não tem jeito

A gente não tem jeito. Não sei se é um vicio, uma doença ou mania. Mas nesse aperta o laço e afrouxa a gente não se desgruda. Te mando embora da minha vida e você volta. Você me dá tchau e eu te dou oi. E nessa brincadeira mais um ano se passou.

Eu sigo em frente você freia. Você da as costas eu me jogo no seu caminho. Não entendo o que é isso que morde e assopra e não desenrola. Um caso de amor? Uma novela mal contada? Ou será que somos um filme de ficção científica? Talvez a gente não tenha mesmo jeito e esse seja o nosso jeito.

A vida passa, a gente se enrosca, se desgruda e se enamora. Tem outros, houveram outras e no final a gente larga tudo e se embola. Nosso jeito é sem jeito. O mundo desaba e a gente está lá, sorrindo, rindo e provocando um ao outro.

Seria mais fácil assumir que você nasceu pra mim ou que eu nasci pra você, vai saber. Seria melhor parar de fingir, admitir que no fundo é esse nosso jeito que deixa tudo estranhamente perfeito. Teu calor, meu amor, tua pele, minha língua, teu abraço, meu beijo, teu cheiro, minha boca… Nosso jeito perfeitamente imperfeito.

 

Não me diga isso…

Não diga que você não é capaz de mudar. Eu te conheço tão bem como me conheço e sei de tudo que você é capaz de fazer. Se for preciso você viaja até a lua e volta, dando piruetas, apenas para conseguir o que quer. Eu sei. Eu já vi acontecer. Então não me diga para apenas aceitar migalhas do que eu mereço ter.

Você diz que esse é seu jeito de amar. Mas minha memória não é curta. Eu lembro dos bilhetes de amor, das declarações públicas e privadas. De tudo que já transbordou de você. Estão gravadas em minha história, cada momento em que você me surpreendeu, me amou, me fez me sentir a mulher mais feliz do mundo.

Agora você diz que é assim. Que é isso que tem a oferecer. E acha que vou me contentar com tão pouco? Eu quero música de fundo, beijos calorosos, abraços seguros, palavras doces. Eu quero mais. Quero você sentindo, vivendo, de cabeça, com o corpo, a alma, a mente e o coração nesse lance. Que nunca foi só um pente. Eu quero mais. Quero tudo.

Se você só quer me oferecer isso, não espere receber mais do que oferece. É dando que se recebe. A vida funciona assim.  Não espere que eu resolva seus problemas, que me cale ou que aceite a miséria que achas que é tudo que podes dar. Eu sou a garota do muito mais. Quero flores, chocolates e corações. Quero amor que eu possa sentir, tocar, amar.

Eu te amo virou banal. Você fala da mesma maneira que diz que vai dormir. Eu preciso ver todo esse amor e não é me dizendo que é teu jeito. Ninguém muda ninguém, mas a gente muda o tempo todo sozinho. Eu só quero sentir todo esse amor… não ouvir. Sentir…  Apenas não me diga isso…

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Cansa pra sempre

Tem dias que cansa. Cansa o sol, cansa a chuva, cansa sentir. Cansa sorrir, cansa chorar. Cansa imaginar, cansa pensar. Tem dias que cansa se iludir, se desesperar, se machucar. Cansa fingir. Cansa amar. Tem dias que cansa odiar. Cansa persistir, cansa desistir. Cansa de todas as formas respirar. Cansa sufocar, a dor, o amor, a lágrima, o pranto, o sussurro, a vida.

Se eu cansei de tanto esperar e cansei de tanto tentar. Se eu cansei de amar, perdoar, fugir, mentir, iludir. Cansei de fazer meu coração se despedaçar. E de juntar os pedaços também. Cansei de quer ser alguém que não, ter algo que não é meu, fazer o que eu não quero. Apenas cansei.

Eu canso só de lembrar, de visualizar, de esperar, de acreditar. Canso de pedir, de tentar, de jurar. De sonhar. Canso de querer. Canso de me iludir. Canso de me vestir. E de me despir também. Canso das máscaras, das marcas, das cicatrizes tatuadas na pele. Canso da alma marcada, ameaçada, amedrontada.

E se eu não estivesse tão cansada eu diria com todas as letras que você deveria saber que tudo isso cansa. Cansa demais. Cansa a ponto de sugar a vida, de fechar os poros, de aniquilar a luz. Cansa mesmo. Cansa demais, cansa a mais, cansa pra sempre. Cansa de uma forma que não tem volta, não tem jeito, não tem mais nada. Cansa. Cansei. Cansou. Acabou.

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Não seja um dos porquês

Um dia eu tive uma amiga. Ela era linda. Tinha boas notas na escola. Se vestia bem e os pais dela a amavam muito. Eram parceiros, daquele tipo de pais que estão sempre presentes, participam de tudo e conversam com as amigas e amigos da filha abertamente. Eram os pais de toda a turma. A gente estava sempre na casa dela.  Acho que todas as meninas da nossa turma queriam ser ela. E todos os meninos, na idade que os hormônios estão a flor da pele queriam beija-la.

Eu não sei exatamente quando minha amiga deixou de sorrir. Mas ela deixou. Ela também parou de reunir o pessoal na casa dela. Começou a matar aulas frequentemente. Quando a gente ligava perguntando o que estava acontecendo, ela dizia que estava doente. Não se sentia bem. Estava gripada. Sempre tinha uma desculpa…

A gente tinha 13 anos. Não dava pra ficar preocupada e nem entender os sinais. Ela dizia que estava doente e a gente acreditava. Numa semana ela faltou a semana inteira. Resolvi sair da escola e levar meus cadernos para ela não ficar sem a matéria. Me lembro que quando ela abriu a porta, magra demais, pálida e sem nenhum brilho nos olhos eu pensei que ela realmente estava muito doente. Ela me abraçou de um jeito diferente. Por um momento sorriu como se a minha visita fosse a coisa mais importante do seu mundo. Eu fiquei feliz por isso, mas senti medo de pegar a doença dela e rapidamente me livrei dos seus braços. Eu tinha 13 anos.

Dias depois, ela me ligou. Me contou que andava muito cansada, que achava que ia morrer. E o meu contato com a morte era remoto. Não fazia sentindo alguém da minha idade estar doente a ponto de morrer. Eu disse para ela que era besteira. Que ela não ia morrer, que algum médico ia cuidar dela. Devia haver uma injeção, tipo benzetacil, que pudesse cura-la rapidamente. Ela riu. Disse que doía demais. Que não queria mais viver. Que queria se matar. Eu não acreditei. Eu tinha 13 anos.

Naquele mesmo dia, a noite, quando seus pais chegaram do trabalho, encontraram minha amiga dormindo, dormindo sem pulsação. Sem coração batendo. Sem expressões faciais. Encontraram minha amiga morta, com uma cartela de antidepressivos tarja preta, que haviam sido receitados para ela, pelo médico que deveria cura-la, vazia.

Eu fui um dos porquês. Seus pais foram um dos porquês. O médico foi um dos porquês. E todos os nossos amigos que não ligaram, não visitaram, não ouviram, foram um dos porquês. Você que acha que depressão é mimimi, é drama de adolescente, de mulher, de homem, de gay, de pessoa, é um dos porquês. Você que desmerece, ofende alguém na escola, na rua, no trabalho, por ser ou de ser,  gay, negro, vadia, imbecil, incompetente, é um dos porquês. Você que tem empatia seletiva ou que não tem empatia pelo próximo é um dos porquês.

Não importa no que você acredita. “Amar ao próximo como a si mesmo”, “É dando que se recebe”, “O Universo devolve tudo em dobro para você”, todos os lemas de religiões, seitas e crenças, fala sobre a mesma coisa: empatia. Você pode até não concordar com o próximo, você pode ter opinião diferente do outro, você pode até não gostar do comportamento da outra pessoa, mas não seja um dos porquês. Depressão não é tristeza. É doença. Suicídio não é chamar a atenção. É um ato de desespero de alguém que está tão doente que não vê outra saída.

Não seja um dos porquês. Se você não consegue falar nada que realmente possa ajudar, não fale. Avise as pessoas próximas de quem está sofrendo. Mas nunca menospreze a dor do outro. Não seja um dos porquês. Guarde sua opinião, sua falta de empatia para você mesmo e não seja omisso. Se não pode ajudar, não atrapalhe. Não seja um dos porquês.

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* O caso relatado nessa prosa é ficção. Mas poderia ser real. A opinião expressa é totalmente sincera. Não seja, realmente, um dos porquês. E se você está achando que o mundo está pesado demais para viver ligue para o Centro de Valorização da Vida (144) ou converse com alguém. Se precisar eu estou aqui, estou do seu lado e totalmente disponível para ajudar.

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Medo de nós dois

Esse é o problema das coisas ditas e não ditas… não se pode voltar atrás nas palavras e nem disfarçar os efeitos que elas causam. Algumas vezes de alegria, outras de tristeza e vezes que perfuram até as entranhas. Não se pode dizer e muito menos fingir que não foram pronunciadas.

O problema é que tudo que se diz carrega um acúmulo de coisas não ditas… um acúmulo de sentimentos não impressos e de vontades não expressas… eu não disse nem metade do que eu realmente tinha vontade. E sabe por que? Seria cruel demais da minha parte.

Quando eu disse “não te quero mais” eu quis na verdade dizer “larga tudo e vem pra mim”. Quando eu disse “quero ficar sozinha” isso não incluía ficar sem você. Quando digo “você não tem que viver na minha confusão” eu penso “tenho medo que você me abandone”.

Entre as coisas que digo e que faço tem um abismo. Porque eu sou assim. Confusa e perturbada, ainda mais quando se trata de você. Quando puxo conversa eu quero que você me de corda, mesmo que eu tenha dito que eu não quero mais.  Eu sei. É difícil de entender. Eu falo uma coisa, faço outra e quero que você adivinhe a próxima jogada. E fico frustrada quando você faz o que eu falo e não o que eu penso.

Eu te afasto por medo. Medo de mim, medo de nós, medo do nada e do tudo que você significa. Eu te afasto pra me proteger. Pra te proteger e no final eu só nos magoo mais. E eu não entendo essa sua mania de obedecer tudo que eu digo. É tão difícil entender que te quero mais do que qualquer coisa?

Eu digo não querendo dizer sim. Eu digo vá querendo que você fique. Eu digo te odeio querendo dizer te amo. Nem eu entendo. Quando você está aqui eu quero que se vá e quando você se vai eu quero que você volte. E então eu fico sozinha, fechando os olhos para imaginar você voltando, ouvindo as mesmas músicas repetidas pra me lembrar de você, para te ouvir cantando e tudo que eu consigo pensar é que você vai voltar…

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Teus olhos

Nada enxergo além do brilho dos seus olhos. O escuro me cega e uso o tato para perceber a proximidade de nossos corpos. Mas seus olhos, seus olhos iluminam a noite e me permitem ir além do que as trevas. Encaro-os. Sorrio. Eles sorriem de volta. Não é preciso que exista nada além do que o brilho dos teus olhos.

Um brilho de promessas fáceis, de palavras que não precisam ser ditas, de ligações que não são dessa vida. Um brilho que me acolhe, me acalenta, me embriaga e me apazigua. Um olhar que me diz muito mais do que qualquer outro. Que me arrepia todos os pelos do corpo. Que me devora em uma piscada e me extasia em um segundo.

Teus olhos me dizem mais. Dizem palavras que eu sei que não serão pronunciadas. Fazem juras que me deixam confusa, que não julguei que ouviria dos teus olhos. Iluminam meu caminho e ainda assim me dizem não. Não para o que não pode ser sentido. Não para o que precisa ser evitado, não para que a proximidade dos nossos corpos virem rotina. Eu sei, você sabe. Mesmo que teus olhos digam o contrário.

Olfato, tato, audição, paladar e visão. Te conheço pelo cheiro, pelo toque suave em minha pele, pelos teus gemidos contidos e pelo gosto dos teus lábios. Mas é o teu olhar que me revela mais de ti. Teu olhar que me diz sim. São teus olhos que me contam as histórias que quero ouvir. De ti. De mim. De nós.

Alguém como você

Eu queria encontrar alguém como você. Alguém que fosse capaz de ler minha mente nas entrelinhas da vida. Que fosse capaz de me dizer o que você dizia, de me curar com um sorriso e me trazer apara a realidade com uma palavra. Alguém que não tivesse medo de seguir em frente. Eu queria encontrar alguém como você. E que ainda assim fosse diferente.

Não me diga que eu estou fechada. Estou aberta. Mais aberta do que um dia eu estive antes de você. Eu procuro, converso com as pessoas, perco horas tentando fazer com que despertem algum tipo de sensação que me agrada. Que consigam conectar sua alma a minha, nos diferente níveis que conseguimos. Estimulo ações, provoco reações. Uso todas as minhas armas: bom humor, sarcasmo e ironia. Me entrego por inteiro, deixando que vasculhem minha vida, meu passado e meus medos. E no final, termino a ligação por falta de conexão.

Eu preciso de alguém como você. Alguém que seja capaz de sacudir minhas estruturas, de tomar conta dos meus pensamentos e de minhas canções. Alguém que seja atrevido, que não tenha medo de me dizer o que eu preciso ouvir. Alguém que mesmo longe esteja sempre perto. Alguém como você.

Não tente mudar o rumo dessa prosa. Eu não estaria a procura de alguém se você não tivesse fechado as portas. E as janelas. Eu sei. Não fui eu que deixei o barco a deriva, que nublei o sol ou ofusquei as estrelas. Eu sei. Sei que sente tanta falta como eu sinto. Não era a hora. Ou era. Sabe-se lá quais os planos malucos da vida para nós. Mas eu queria alguém como você e que ainda fosse diferente. Alguém como você que ficasse em minha vida para sempre…

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Nasci mulher

Talvez a gente se questione e escute algumas piadinhas no dia de hoje perguntando porque as mulheres tem um dia internacional da mulher. Quem sabe daqui mais uns anos, com a deturpação total dos fatos, digam que isso foi inventado pelas feminazis. Ou talvez a gente nem tenha mais um dia da mulher ou quem sabe mulheres na sociedade. Afinal enquanto você lê apenas uma linha desse texto uma mulher foi agredida em algum lugar do mundo. Opa! Agora já foram duas…

Eu sempre ouvi que a mulher era o sexo frágil. Que mulher deveria ser meiga, doce e delicada. Que devia casar e ter filhos. Não devia namorar muito, nem usar roupas provocantes e muito menos falar palavrão. “Que feio! Você é uma mocinha!”, que atire a primeira pedra quem nunca ouviu isso ao falar um palavrão.

O fato é que ninguém diz que mulher tem escolhas, que a mulher poder ser e fazer o que ela quiser. E aí quando a gente levanta a voz dizendo que não quer ter filhos, não quer casar e quer ser astronauta todo mundo cai de pau. Se quiser fazer aborto então?! É pecado, é crime, é coisa de puta que não soube ficar de pernas fechadas.

Se eu digo que cantada é assedio vem dez com pau e pedra na mão dizendo que agora não podem mais flertar! Hey! Flertar pode, não pode é dar soco no olho porque a mulher disse não. Não pode é ouvir não e dizer “sei que ta fazendo cu doce”, não pode é gritar e chamar de gostosa a mulher que passa na rua…

Mulher sangra todo mês. Não só o útero que descama porque não houve concepção. Ela sangra na pele quando é agredida, sangra na alma quando é julgada. Sangra pra colocar o feijão em casa. Sangra pra estudar e ter um emprego que pague igual se ela tivesse um pau no meio das pernas. Mulher sangra porque nasceu mulher. Veio de fábrica, não teve escolha. Mulher sangra porque quer escolher, quer ser alguém, quer ter o direito de ser ou fazer o que quiser.

Então, se hoje, amanhã ou depois, perguntarem porque nós mulheres precisamos de um dia internacional, lembre-se que não haveria a necessidade se enquanto você leu esse texto 24 mulheres foram agredidas no mundo simplesmente pelo fato de serem mulheres e terem dito algum não ou feito uma escolha que contraria o que a sociedade machista diz. Opa agora já foram 26…

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As coisas acontecem porque tem que acontecer

Não sei por quantas vezes, repetitivamente, tentei acreditar nas suas palavras. Você que sempre me afirma “As coisas acontecem porque tem que acontecer’ não ouve o que sua própria voz fala. Não entende que ao me dizer isso e na frase seguinte dizer que precisa se afastar, que me manter por perto é perigo, é antagonismo puro, disfarçado de medo e sentimentos que estão além do que você possa realmente controlar.

Se as coisas acontecem porque tem que acontecer, nós acontecemos por que? Você impõem suas regras, me coloca de escanteio e me diz “precisamos de um freio” e eu entendo “eu tenho medo”. Você diz “Eu me envolvi demais”e eu entendo “eu tenho medo”. E eu também tenho medo. Mas, se as coisas acontecem porque tem que acontecer, eu prefiro em um milhão de vidas saber que deixei acontecer.  Ouvir “eu pensava em você o dia inteiro” e saber que a jogada seguinte foi mandar a bola para fora do campo, não é a minha opção.

Por que você não percebe que se as coisas acontecem porque tem que acontecer, nós acontecemos porque havia de ser. Nessas horas você me diz que as coisas acontecem porque tem que acontecer e age tomando atitudes que simplesmente evitam que as coisas aconteçam como devem.

Eu vejo medo, eu sinto medo. Eu entendo suas escolhas e aceito. Não serei eu a tentar te desvirtuar do que já foi decidido. Apenas perceba que as coisas acontecem porque tem que acontecer e que se acontecemos, por mais que a gente se afaste, tome decisões que levem para outras estradas e faça escolhas que mudem todo o percurso da jornada… ainda assim nós acontecemos porque havia de ser. Ainda assim, nós seremos nós, mesmo que em outro abraços, outras línguas, outros corpos. Ainda assim seremos sempre o que não aconteceu…

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Viver é assim

Minhas perspectivas mudam a todo instante. Assim como meus planos, metas e objetivos. Uma certa inquietude por tudo que ainda não fiz, não vi ou não realizei. Hoje aqui, amanhã nem Deus sabe. Em algum lugar diferente ou no mesmo lugar. Hora de começar e recomeçar. Momento certo para sair do habitual, da zona de conforto e zerar a próxima etapa desse incrível jogo de vídeo game chamado vida.
Não vejo isso de forma negativa. Que mal existe em estarmos sempre em movimento? Seja ele geográfico, físico ou mental. A possibilidade de poder mudar e fazer escolhas, certas ou erradas, é com certeza, o dom mais precioso da vida. Eu me vejo como em um grande jogo onde cada fase é uma cidade. E dentro dessa fase temos diversos chefões a superar. Se você se acomoda no jogo, não passe de fase. Se você se acomoda na vida não passa de fase.
Tenho um pouco de medo das pessoas que não se movimentam. que não se arriscam, que não se reinventam. Somos o nosso melhor quando passamos dos nossos limites e descobrimos que eles são maiores do que imaginávamos.  Somos a melhor parte de nós quando começamos tudo de novo, mais uma vez. E sem essa ser a última vez.
Mudar não é ruim. Ruim é não mudar. Se hoje eu penso assim, amanhã pode ser diferente. E isso em hipótese alguma significa que você não tem opinião. Significa que você sabe que tudo muda a todo instante no mundo. Mudar é bom. Pode ser dolorido, mas é bom. Começar do zero é bom. Pode ser trabalhoso, mas é bom. Arriscar é perigoso, mas é bom. Viver é assim. Complicado, cheio de expectativas frustradas, mudanças inesperadas, planejadas ou desejadas. Viver é assim, arriscar o tempo todo e mesmo assim, estar segura em cada canto. Mesmo que esse canto seja um lugar diferente.
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