Category: Causos
Expressões Femininas – O dicionário que todo homem deveria ter…
Achei isso numa comunidade que participo no orkut. Infelizmente não tem o nome do autor. Ou melhor da autora, porque só pode ter sido uma mulher que escreveu. Não sei bem como, mas parece que essa pessoa desconhecida traduziu todas as minhas expressões… E tenho quase certeza, que a maioria das mulheres usam com os mesmos significados. Eu sempre costumo dizer que uma mesma frase pode ter muitos sentidos e tudo depende de quem está nos ouvindo. Então aproveitem para rir um pouco…
Será?
Eu estava pensando, como a Sabrina consegue ser tão sexy e descolada com qualquer homem. Não é possível. Ela sempre que encarna num carinha, em uma festa ou num bar, no fim da noite, no mínimo o telefone ela trocou. Isso quando não sai com ele.
Tudo bem. Ela também não é exemplo, nessa área de relacionamentos, porque é tão solteira quanto eu. As historinhas dela não duram duas semanas. Não vão adiante porque ela gosta do jogo. A Sabrina é assim. Conquista o moço, aproveita um pouquinho e quando percebe que ele está na palma da mão ela da um belo de um chute na bunda do coitado.
Nossa grande diferença é essa: ela sempre conquista. Nunca levou um pé na bunda, apesar dos milhares que já deu. Está sempre pronta para o novo amor e jura que se apaixona por todos eles. Eu demoro a me apaixonar e estou sempre esperando o fora. Nesse ponto a Sabrina é meu exemplo de mulher. Mas só nesse ponto.
Eu não quero ficar como ela, cada semana com um carinha diferente e sempre jogando, buscando e tentando encontrar minha alma gêmea, se é que esse papo de alma gêmea realmente existe. Para mim bastava uma pessoa. Aquela pessoa especial, que eu me apaixonasse, que me desse dor de barriga só de pensar nele e que todos os dias estivesse me esperando em casa ou que eu ficasse esperando.
O meu amor não precisas ser perfeito. Eu sei que ele vai ter alguns defeitos, como todo mundo. Mas os defeitos dele serão tão mínimos perto da imensidão do meu amor que eu não vou perceber. Tanto faz se ele for, alto, baixo, loiro, moreno, olho azul, olho castanho… Ele só precisa me amar, amar o Fred e ser um cara bacana e leal. O resto não me importa.
Quanta besteira eu estou pensando. Devo estar em TPM ou em TPV (tensão pré – vôo). Ou quem sabe os dois. Porque se fosse só isso que eu esperava de um companheiro já teria parado de procurar a muito tempo. Não é tão simples assim. A pessoa certa é muito mais que isso. Nem eu sei descrever direito. Se eu soubesse, provavelmente já teria a encontrado.
Ele tem que me surpreender. Não precisa ser todos os dias. Mas sempre tem que ter algo novo, que me faça perceber o quanto vale a pena. Precisa ser uma pessoa com objetivos, futuro e que saiba a importância de compartilhar uma vida. Tem que gostar de gatos. Me aceitar do jeito que eu sou. Compreender minhas crises de humor. Minha TPM, meus choros compulsivos e mesmo assim me achar linda.
Ele não precisa ter nenhuma habilidade especial. Apenas me amar. Gostar dos meus amigos. Saber se divertir sozinho. Pessoas que sabem se divertir sozinhas são muito mais felizes. Igual ao meu amigo Júlio. O Júlio é assim. Se diverte sozinho, adora gatos, tem uma baita paciência comigo e está sempre pronto para me incentivar. Nossa! Além de tudo ele é muito mais gato do que eu poderia imaginar para mim.
Jesusssssssacendealuzzzzzzzzzzzzzz! Imagina! O Júlio. Que bobagem essa. Ele é simplesmente um amigo. Nunca passou disso. Mesmo a Rosana sempre dizendo que ele sente algo por mim. Será? Poderia ser ele a minha alma gêmea, a metade da minha laranja, o cara certo? Ali, todo esse tempo dando sopa… Não! De jeito nenhum… Ele nunca me deu bola, nunca me deu um motivo para eu achar que poderia rolar.
Se fosse ele seria tão bom. Pensar nele assim está me deixando nervosa. O Júlio é lindo. Nossa! Faz aquele tipo de homem forte, mas não sarado. Alto, boa pinta, podia ser modelo. Se veste super bem. Uma vez pensei que ele era gay. Nunca vejo ele com ninguém e as poucas vezes que falamos sobre isso ele disse que amava muito uma pessoa, que não sabia dos sentimentos dele, porque ele tinha medo de estragar tudo. Será? Será que essa pessoa sou eu? Não. Não pode ser.
Se bem que ele sempre está disponível quando ligo. Não perde uma oportunidade de me ver. De fazer algo comigo. Odeia quando falo de outros caras e sempre acha defeito nos meus pretendentes. Mesmo dando aula o dia inteiro, em duas faculdades diferentes (O cara é um gênio com trinta anos já tem mestrado e doutorado e escreve uma coluna diária para o melhor jornal da cidade), ele sempre me liga, nos meus intervalos para saber se estou bem e se o vôo foi tranquilo.
Preciso de uma reunião com minhas três consultoras para elas darem um parecer sobre toda essa loucura. E talvez deva marcar algo com ele. Mas algo diferente, especial, um jantar romântico a luz de velas com muito vinho barato para deixar de pilequinho logo e ele confessar seus sentimentos.
E se ele disser que tudo isso é uma loucura da minha cabeça? Um momento de carência compulsiva, obsessiva, que necessita, de algum modo, encontrar alguém para chamar de seu? Ou pior se ele brigar comigo e nunca mais quiser me ver? Quem vai me fazer sentir querida, aí? Melhor desistir dessa ideia maluca. Nada de jantar romântico. Nada de falar com as meninas. Deixa isso quieto que é melhor.
Voltando a minha metade da laranja ela tem que ser… O Júlio! Aí, agora essa coisa não sai da minha cabeça. Preciso achar um outro objeto de desejo e rápido. Para não comprometer minha amizade com ele. Que tal o novo co-piloto da nossa equipe? Ele parece ser um cara bacana. Está sempre de bom humor e acredita, piamente, que eu sou a melhor aeromoça da equipe. Imagina eu ser a melhor, com medo de voar. Isso me faz pensar que eu sou muito fingida.
Engano todo mundo. Essa desculpa de ritual de decolagem e aterrizagem, que preciso fazer, segundo a minha Mãe de Santo, que nem existe, foi a melhor coisa que pensei. Posso ficar aqui, sentadinha, pensando esse monte de besteiras e coisas sem nexo, ou totalmente nexadas (Será que o Júlio gosta de mim?) e assim dissimular meu medo e afasta-lo de mim.
O novo co-piloto. Quem sabe se eu estabelecer intimidade ele me convida para sair. Assim tiro essa ideia absurda do Júlio da cabeça e arranjo um novo romance. Vou fazer isso. Conversar mais com ele. Fabricar alguma intimidade, me atirar e arranjar um programa para o final de semana. Nossa. Tinha esquecido que combinei de viajar para a praia com ele. Sim. Com o Júlio. Jesussssssss acende a luzzzzzzzzz, please!
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Já que a Marjore agradou tanto mais um continho dela… A Rádio me consome muito tempo e nem sempre dá pra escrever… Mas sempre vai com muito carinho pra vcs…
Marjore Fernanda Imaculada dos Santos Reis… Não tão Imaculada
Marjore Fernanda Imaculada dos Santos Reis. Sem brincadeira esse é meu nome. Não tenho bem certeza o que passou na cabeça da minha mãe para fazer isso comigo, muito menos na do meu pai para concordar e pior ainda, na do escrivão para permitir tamanha maldade com uma criança. Não tem uma lei que proíbe de registrar as crianças com nomes esdrúxulos ? Se não tem deveria ter.
Marjore eu gosto. Não tem nada haver comigo, porque parece ser uma pessoa forte, guerreira, segura e bem sucedida em todos os aspectos da vida. Mas eu gosto. Dos Santos reis é sobrenome não tinha o que fazer a não ser nascer em outra família. Agora alguém me explica o que Fernanda Imaculada está fazendo aí no meio? Que diabos exatamente significam eles perdidos entre Marjore e dos Santos?
A senhora Regina, minha mãe, diga-se de passagem, me contou uma vez que ela queria Fernanda, meu pai Marjore e a minha vó Imaculada. Como eles não chegavam num consenso resolveram por os três sendo que a ordem era pela idade de cada autor. Teria ficado Imaculada Marjore Fernanda. Mas na hora de registrar o seu Gilberto, meu pai, achou que a ordem deveria ser hierárquica para criança. Ou seja, eu primeiro devo respeitar ele, depois mamãe e por último a vovó. Ainda bem que só tomei consciência disso depois de adulta. Imagina a confusão que seria na cabeça de uma criança.
Na escola era aquele deboche só… Na infância porque Majore não era comum. Na pré adolescência porque Marjore Fernanda não combinava e na adolescência por causa do Imaculada. Nem preciso explicar. Imaculada gerava muitas risadas entre os garotos na época. Não que alguém não fosse mais imaculada na minha turma, mas só de estar ali no meio do meu nome era um delírio juvenil.
Enfim é isso que diz na minha identidade. Sou aeromoça, tenho 26 anos e sou solteira. Capricorniana com a lua em câncer e o ascendente em virgem. O que faz de mim uma mistura de pessoa teimosa, insegura, chorona e perfeccionista. Morro de medo de voar, de baratas e da solteirice. De medos eu não posso falar. Gosto de sorvete de melancia, do meu gato Frederico e de acordar sem despertador.
Sou solteira porque quero, eu acho, pelo menos. Tem vários carinhas por aí querendo sair comigo. Só que nenhum é o príncipe dos meus sonhos. E os que poderiam ser o meu amado não me dão bola. Há uma certa discrepância nisso. Sabe aquela história do João que gostava da Maria que gostava do Pedro? É mais ou menos assim que tem funcionado comigo. Bianca diz que é uma questão de tempo. Que tem um homem especial reservado para mim no universo. Sabrina diz que o problema é que sou muito perfeccionista e que os homens são todos iguais. E a Rosana diz que eu não consigo estabelecer intimidade com os homens quando estou envolvida emocionalmente. Pra mim, nenhuma delas tem razão. Mas me conforta acreditar nas teorias da Bianca.
Eu já tive namorados. Claro, nenhum romance muito longo. Já chorei bastante por alguns e já dispensei uns quantos. Sou normal. Os que terminaram comigo cada um por um motivo, mas no fim sempre vinham com aquela desculpa esfarrapada de que o problema não era comigo e sim com eles que eram complicados e não mereciam uma pessoa tão bacana como eu. Claro que usei essa desculpa também. Acho que é a forma de dizer, sutilmente, que não se quer nada com a outra pessoa, mas sem destruir sua auto estima.
Pensando nisso me senti um pouco cínica e ao mesmo tempo com a auto estima destruída. Sim. Por que quando usei essa desculpa achava o cara um babaca, um chato, um metido, um escroto, ou sei lá qual outro defeito. O que será que os caras que me deram esse fora, realmente, pensaram sobre mim? Acho que quando chegar em casa vou ver de quais ainda tenho telefone e ligar para saber qual era o meu defeito. Não posso passar o resto da vida pensando que existem pessoas por aí que me odeiam. Principalmente caras com quem tive alguma coisa.
Não tem muita logica nisso. Eu sair ligando para todo ex que me deu um fora para saber o que ele realmente pensa de mim. Também não me importa. Preciso parar com essa mania de ficar pensando o que os outros pensam de mim e me preocupar com isso. Cada um é livre, graças a Deus, para pensar o que quiser do outro e se cada pensamento meu pudesse ser ouvido por outras pessoas, nossa… Não posso nem pensar nisso. Seria uma lista de coisas tão horríveis que aconteceriam em minha vida.
Eu não teria meu emprego maravilhoso, porque todos saberiam que tenho medo de voar. Eu nunca teria dado o primeiro beijo porque todos saberiam que tenho um certo nojinho dos germes e bactérias que vem da língua do outro. É claro, a delicia de um beijo supera o nojo, mas isso não faz com que segundos antes do momento eu deixe de pensar nas porcarias que estão lá.
Falando em porcarias, não posso me esquecer de limpar o banheiro do Sr. Fred. Aliás, acho que está na hora de uma boa faxina na casa e um banho no gato. Posso aproveitar e dar uma faxina geral em mim. Claro o que está aparente está sempre em ordem, mas e o ques está escondido? Nunca se sabe quando vou tropeçar no príncipe encantado perdido por aí. E se pintar algum convite melhor estar preparada do que pensando porque não me depilei.
Essa história de se concentrar em coisas da nossa vida ajuda mesmo. Vou comprar mais dessas revistas. Quem sabe elas possam lucidar outras áreas da minha vida e resolver todos os meus problemas. Uma poderia me dizer como achar o meu homem. Outra como se livrar das manias, dos quilos a mais, de gente chata, a fazer sorvete de melancia em casa, a matar baratas. Gostei disso. Vou procurar mais revistas dessas no free shopping. Aterrizamos!
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Pronto tá ai a atualização prometida! Já tinha escrito um outro conto com essa personagem.
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Levantando vôo
Droga! Todo mundo diz que se tem que começar pelo começo. Mas qual será o começo? Sou solteira. Se bem que minha amiga Sabrina, super segura, descolada e sexy diz que isso é a conseqüência. Sou aeromoça e morro de medo de voar. Minha amiga Bianca, que é totalmente zen e ligada as coisas espirituais, diz que isso é carma. Morro de medo que alguém na companhia descubra, porque esse é o melhor emprego que eu já tive.
Faço de dois a quatro vôos por dia e sempre durmo na minha cama. Quer dizer, sempre é exagero, mas quase sempre. Isso porque eu faço vôos nacionais, que normalmente são curtinhos. Já fiz vôos internacionais mas passei tão mal que inventei uma desculpa para só fazer os curtinhos. A desculpa colou e aqui estou eu.
Pensando bem, dormir sempre na minha cama não é uma grande vantagem já que durmo sozinha. Sozinha quero dizer sem um corpo masculino, que me desperte desejo. Normalmente Frederico dorme comigo. Só que ele é apenas um gato cinza e peludo, sem raça definida. Me faz companhia mas não supre meus desejos.
Frederico deve pensar que tenho sérios problemas. E quem não tem? Ele me olha como se estivesse analisando e julgando meus atos e comportamentos. Certo. Talvez quem realmente julgue sou eu. Mas como não julgar? Minhas variações de humor, as crises de choro e euforia. A neurose pela limpeza em uma semana e o desleixo total em outra. O guarda roupa que se trasporta para cima da cama em questão de segundos e demora dias para voltar ao seu lugar. E tudo isso ele ali, assistindo e analisando. Garanto que se o Fred estudasse e falasse ele seria um ótimo psiquiatra.
Melhor do que o último que eu procurei, por causa da minha insônia de fim de mês, e que deu em cima de mim. Ele até era bem interessante e se não fosse o fato de me fazer pagar uma banana para conversar quarenta e cinco minutos e nesse tempo ter me dado duas indiretas e me convidado para jantar, com a desculpa de depois, quem sabe, conferir minha insônia. Bom, se não fosse isso talvez eu até tivesse saído com ele. Mas depois ainda me cobrar todo aquele dinheiro? Aí era abuso. Ou apelação porque fiquei com a sensação de estar pagando um garoto de programa. E se duvidasse ele até faria eu pagar a conta do restaurante ou pior, dividir.
É. Essa história de dividir a conta é pior do que pagar sozinha. Sou bem machista nesse ponto. Não me importo de pagar. Me importo com aquela situação do dividir. O meio a meio ou suas tequilas, minhas cervejas, me deixam atacada. Prefiro “na próxima você paga”. Assim já sugeri o interesse por um outro encontro e gera intimidade. Minha amiga Rosana diz que tudo é uma questão de intimidade. Quanto mais intimidade geramos com as pessoas a nossa volta, mais fácil fica a vida. Ela consegue ficar intima dos taxistas em dois minutos. Começa chamando de você, depois acha algo no taxi que tenha alguma semelhança com algo que ela conheça e pronto: Solta o verbo e consegue estabelecer a tal intimidade. Na maioria das vezes, com isso, eles lhe devolvem o troco direitinho.
Eu não sou boa em estabelecer intimidade. E muito menos em pedir meu troco de volta. Sei lá. Tenho essa coisa de achar que sempre estou incomodando os outros e que as pessoas estão me fazendo grandes favores. Tenho a capacidade de ficar mal com qualquer coisa que os outros digam. E nisso minhas três amigas são unanimes: baixa auto-estima.
Sim. Talvez eu sofra desse complexo. Não me acho feia. Mas também não me acho bonita. Sei que sou inteligente. Até um pouco demais. Penso tanto, em tantas coisas diferentes, ao mesmo tempo e fazendo uma grande salada de fruta na minha cabeça que ás vezes chega a doer. Sou boa no que faço. Pelo menos durante toda a viagem. Os passageiros só não podem contar comigo durante a decolagem e aterrissagem. Sempre estou com um casinho novo, ou algum cara dando em cima de mim. Sei que minhas relações amorosas não passam do oitavo encontro, mas ainda acho que o problema é deles e não meu.
Homens são muito complicados. Cheios de duvidas, confusões e teorias e ainda tem a capacidade de dizer que nós mulheres é que somos assim. Mulher quando gosta, gosta. Quando quer, quer. Já os homens… Eles nunca sabem se gostam a ponto de se comprometer. Nunca sabem se querem a ponto de perder o futebol. Se eu gosto eu quero compromisso. Se quero desisto até de fazer compras. E olha que desistir de fazer compras é algo muito importante. Apesar das compras serem a principal causa da minha insônia de fim de mês.
Mas voltando ao começo, pelo menos ao começo de todos esses pensamentos, essa revista que estou lendo, pela primeira vez me mostrou uma técnica que realmente funciona para se esquecer do medo. Ela dizia: Pense em várias coisas da sua vida, que a deixam triste ou alegre, não importa. O que interessa é você achar o começo, se concentrar nele e ir puxando pela memória tantas conexões quanto forem possíveis até o medo se dissipar. Melhor do que a técnica de contar ou de fazer mentalmente a tabuada.
– Marjoreeeeeeeeeeeeeeeee!
Pronto! Decolamos! Hora de voltar ao trabalho!
O escritório do chinês alemão
Não sei bem como tudo começou. Mas sei como terminou. Não os conheci antes, mas depois de um tempo convivendo com os dois posso afirmar com certeza: Algo ali não era normal. Existia algo diferente no ar. No principio achei que era maldade minha. Sempre fui desconfiada e preconceituosa.
Quando li o anúncio no jornal achei que era pegadinha. Estava desempregada há dois dias e não era possível que em tão pouco tempo tivesse um anúncio perfeito para mim. Pediam alguém que falasse chinês e alemão. Fosse boa com números, formada em relações públicas e com especialização em relações internacionais. Entre 30 e 40 anos, solteira, sem filhos e com disponibilidade para viagens. E melhor não tinha horário fixo e o salário era algo com quatro dígitos bem atraente.
Liguei na mesma hora. Mal falei pediram para falar duas frases em chinês e alemão e marcaram a entrevista para a tarde. Demorei a acreditar. Dois dias desempregada e já tinha uma entrevista marcada apara aquela tarde. Nem curti direito minha situação atual e nem deu tempo em entrar em depressão. Mas aquela era uma chance única e perfeita.
Demorei a escolher a roupa aquele dia. Precisava impressionar, mas não podia esbanjar e muito menos parecer fútil. Lembro que cheguei cinco minutos antes da entrevista e depois de uns vinte eu já estava preenchendo a ficha de funcionária e entregando minha documentação.
Meus novos chefes eram estranhos. Um alemão e o outro chinês. Mal se entendiam. Não compreendiam a língua um do outro, e mal falavam o português. Eram estranhos. Mas de alguma forma aquela sociedade andava de vento em polpa. Minha tarefa era falar com clientes chineses e alemães e oferecer nossos serviços de festa. Sim fazíamos festas em outros países. Festas brasileiras com mulatas, samba, churrasco e muita caipirinha.
Depois de fechar o pacote, acertar os detalhes, então eu passava o cliente para o seu compatriota e ele fecha os últimos detalhes. Algumas festas, talvez eu devesse acompanhar. Mas não sempre.
Tudo parecia normal. Mas eu sabia que havia algo errado. Algo que eu não compreendia. Ou pelo menos não queria ver. Sempre depois das festas algumas mulatas sumiam da agência. Não apareciam para receber seu pagamento ou simplesmente quando eram chamadas para outro evento desligavam na minha cara.
Depois de uns três meses aconteceu minha primeira viagem. Fui para Berlim. Acompanhei com muita atenção a montagem da festa. Durante todo tempo não consegui ver nada de errado. Percebi que todos se divertiam e que tudo foi muito bem. Depois de umas três horas de festa fui para o hotel. No outro dia cedo acompanhei todos os passos para desmontar equipamentos, a faxina do local e o embarque de todos que tinham ido comigo. Nada de anormal.
Passaram uns seis meses e me mandaram novamente para Berlim. Íamos fazer a mesma festa. Para as mesmas pessoas. Mas o cliente exigia minha presença. Achei normal. Talvez ele tivesse gostado do meu trabalho, da minha atenção. Achei estranho quando a ordem de pagamento entrou com o dobro do valor acertado. Meu chefe alemão disse que era um presente do cliente pelo ótimo serviço que estávamos prestando. De qualquer forma, lá fui eu para Berlim.
Organizei toda a festa. Acompanhei o inicio e como estava me sentindo muito cansada, resolvi ir para o hotel mais cedo. Quando estava saindo, o cliente me chamou e me ofereceu um drink. Por educação aceitei.
Não sei o que aconteceu depois. Agora estou aqui. Presa nesse quarto escuro, tentando não enlouquecer e quebrando a cabeça para ver uma alternativa de escapar. Virei uma escrava sexual. Fui vendida pelo meu chefe. Eu sempre soube que havia algo estranho. Mas nunca imaginei isso.
O tortinho
..
Quando Regina olhou novamente o menino realmente tinha um pequeno defeito no rosto, mas não deixava de ser um homem charmoso. Regina sempre brincava com a amiga que um dia ainda ia dar uns beijos no tortinho, quando estivesse bêbada.
Cuba Libre nunca mais!
A carteira
Somos lésbicas
Bianca e Márcia sempre saiam juntas. Freqüentavam uma mesma danceteria onde o namorado de Bianca, Renato, trabalhava. Iam lá dançavam, brincavam, bebiam e no final exaustas voltavam para casa. Todas as vezes que elas iam a danceteria havia um menino que ficava paquerando Bianca à distancia.
O menino era muito estranho, parava perto delas e ficava olhando para Bianca fixamente, fazendo caras e bocas. Mandava uns beijinhos, entortava a boca, dava umas piscadas e as gurias se divertiam com aquilo. Um dia ele tomou coragem, ou bebeu demais, e se aproximou dela:
-Você é tão linda e está sempre sozinha aqui. Por que?
Bianca não teve duvida, chamou Márcia a abraçou e disse:
-Eu nunca estou sozinha. Estou sempre com ela!
O menino olhou com cara assustada. Ficou emcarando as duas abraçadas e depois saiu correndo.
Depois de umas duas semanas um outro menino chegou perto de Márcia:
-É verdade aquilo que a sua amiga disse para aquele cara? – Apontando pro menino fissurado em Bianca.
-O que? – Márcia interessada em saber.
-Que vocês são lésbicas ?