Category: Causos
Virou rotina
Dar um tempo
Ausências
Depressão pós parto na machete do jornal
A onda perfeita
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No divã
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Bem feito…
A nossa sala de estar
Quando dói fundo no peito a tua ausência me encerro na sala de estar de minha memória e de lá acompanho um vídeo de nossos momentos felizes. Revejo cenas várias vezes seguidas. De trás para frente. De frente para trás. Não me canso. Fico por ali ouvindo nossos diálogos sem pé nem cabeça. Repito as frases feitas, que na tua voz eram perfeitas. Escuto tuas canções e declarações. Procuro os arquivos de texto e releio todas as cartas de amor. Lembro de cada detalhe do teu corpo, como um filme em 3D sinto teu toque, percebo as vibrações do ambiente e recorro ao olfato para me embriagar com teu cheiro.
Na sala de estar da minha memória só existe eu e suas lembranças. Todas arquivadas. Vez ou outra assisto uma de nossas brigas e dou risadas sonoras lembrando dos motivos bobos de cada uma delas. As vezes, consigo sentir o gosto dos teus lábios. Em outras sinto o peso do teu corpo. Consigo até ficar vermelha revendo cenas nossas de amor. Está tudo ali, catalogado, com datas, sentimentos, cheiros e gostos. Em uma ordem absurdamente desordenada que sem sentido nenhum faz todo sentido para mim.
Não sei porque você se foi. Não entendo dos planos divinos. Não conheço as regras do jogo. Fiquei com as lembranças. Me contento com elas. Aguardo o momento do acerto de contas e do nosso encontro pacientemente. Enquanto isso, sobrevivo, na sala de estar de minha memória. Essa sala que permite nossos reencontros. Este lugar tão meu que se tornou sua morada. Um pequeno espaço, iluminado com luzes mágicas, cheio de livros com nossas histórias e com aquele sofá, o nosso preferido.
Sei onde você está. Por que basta eu entrar na sala de estar para te encontrar. Só não sei porque você somente está lá. Você acabou sumindo em seu mundo ou neste mundo e de alguma forma nunca mais se encontrou. Se perdeu em planos, ideias e vidas que de nada acrescentaram em uma vida real. Assim, você partiu, indo embora, cedo demais. E agora vive somente na nossa sala de estar.
A história de nós dois
Eu gosto porque gosto. Sem motivos, explicações ou respostas aparentes. Gosto porque vai além dos meus sentidos, dos meus anseios e desejos. Gosto assim. De uma forma simples e complexa que me permite sorrir, chorar, entender e ser feliz.
Não é tua presença que faz a diferença. É tua distância. Não é aqui ao meu lado. É de longe que percebo a falta que me fazes. E mesmo que o tempo, Senhor de Tudo, insista em tentar provar ao contrário é ele, sagaz e rápido, que me mostra que eu gosto porque gosto.
Se as vezes um segundo parece uma eternidade ao mesmo tempo uma década parece um suspiro. Foi ontem ou foi hoje? É agora ou amanhã. Não importa. Tanto faz. Eu gosto igual. Com a mesma forma, intensidade e calor.E se gosto porque gosto, gosto mais porque não me é permitido escolher. São coisas que vem do coração. Começam não sei como, vem não de onde e se instalam não sei porque. Apenas eu gosto porque gosto.
Assim é a história de nós dois. Sem perguntas ou respostas. Sem explicações ou enrolações. Sem mistérios ou dúvidas. Sem espaço ou brechas para a distância pois foi ela que sempre nos fortaleceu e ensinou. E se tudo pode o tempo, e se dele somos reféns, porque não. Eu gosto porque eu gosto. Simples assim. Franco assim. Mesmo que o segundo dure a eternidade e a década dure um suspiro.








