Justificativas

Acabou. The End. Ponto Final. Eu poderia me sentar e criar listas e listas de justificativas, que jamais fariam sentido para você,  para dizer a mesma coisa que consigo dizer com uma única palavra: FIM.  E de que adiantaria tentar justificar o injustificável se no final você não aceitaria nenhuma das minhas justificativas. A única pergunta que você se faz é Por que? E a única resposta que eu posso dar é Não sei.

Acabou por que o amor acabou? Talvez. Como você deixou isso acontecer? Não sei. Você não me ama mais? Sempre amarei. Poderemos passar dias e dias nesse jogo de perguntas e respostas e nada do que eu diga justificaria. E no final, tudo acabaria igual, só que com mais dor e mágoa, pois provavelmente tudo que eu diga, apenas vai te ferir mais.

Não se justifica o amor, assim como não se justifica a dor. Nada nessa vida é uma ciência exata de sentimentos, razões e emoções. A inequação é sempre imperfeita e o resultado impossível de se prever. Eu te amei. Te amo ainda, talvez. Mas o que se quebrou não se cola e, dentro dessa matemática perversa o resultado foi finito.

E como você poderia aceitar ou entender qualquer justificativa plausível se ainda está cego pelo que você acha que é amor, mas é apenas seu ego ferido. Vai… não estava mais bom fazia tempo. A gente só empurrava com a barriga porque procurava motivos pra ficar juntos. Justificativas.

Foi tudo um pretexto. Um sem razão inexplicável que nos aproximou. Por que agora precisamos de motivos para nos afastar? Algumas coisas na vida não tem justificativa. Principalmente o amor.

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O blog Causos & Prosas participa do desafio literário  365 dias de escrita. Este texto é parte integrante do desafio organizado  pela Editora Digital e Consultoria de Marketing para autores Escritor Publicado .
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Ninguém controla o amor

Se um dia me dissessem que eu escolheria controlar uma situação ao invés de vivê-la eu não acreditaria. Se alguma cigana previsse que em meu futuro eu me afastaria ao invés de me jogar eu daria uma sonora risada. Se nas runas ou nas cartas de um tarô minha sorte fosse sentenciada com   as minhas decisões eu duvidaria.

Logo eu que me entreguei tantas vezes. Eu que nunca pensei antes de me jogar de cabeça. Eu que fui a mais louca das criaturas, a mais intensa das mulheres e a mais alegre de todas as festas. Eu que curti cada história de amor. Que vivi cada paixão como se fosse a última e cada ultima paixão como se fosse a única.

O amor não é algo que se possa dar corda, configurar ou controlar. Ele entra na nossa vida sem que peça licença. Ele se apossa do que somos, do que temos e de tudo que queremos. A gente não decide mais nada, só quem fala é o amor.

E mesmo sabendo tudo isso, pela primeira vez, eu decido. Decido colocar um ponto final. Controlar meus impulsos, minhas decisões e não me atirar de cabeça. O amor eu não controlo, mais minha vida sim…

Um encontro com a água

Ele sentia a mesma sensação que sentiu 20 anos antes ali na beira daquele lago. Como era possível? Na época, achou que havia sido sonho, coisa de quem tinha tomado birita demais, mas agora estava totalmente sóbrio. Não era possível que fosse efeito de algum entorpecente.

– Se você realmente existe deixe eu lhe ver! Eu preciso saber que não foi um sonho e que você existe

Colocou os pés na beira da água e mais uma vez suplicou:

– Deixe eu lhe ver! Preciso de você! Nunca mais senti em minha vida o que senti naquela noite.

As águas começaram a se movimentar e ele percebeu que na outra margem, alguém parecia-lhe observar.

Apesar de achar que era um sonho, lembrava exatamente o que havia acontecido naquele mesmo local. Um gozo com tanto êxtase que nenhuma mulher que ele amou conseguiu proporcionar.

Avançou lentamente pelo lago até que a água cobriu suas partes íntimas.

– Mais… Eu lhe quero por inteiro – Um sussurro soprou em sua orelha e um arrepiou-lhe percorreu o corpo inteiro.

Apesar da temperatura gelada do lago, quase a sensação de estar dentro de uma geladeira, sentia todo seu corpo completamente rijo e latejante. Avançou lentamente e então começou a boiar.

– De costas – Outro sussurro – Quero sentir seu corpo em minhas águas – Disse a voz feminina que lhe seduzia – Por que demorou tanto tempo a voltar? Pensei que não gostasses de mim…

Quando ele pensou em responder, sentiu aquelas mãos lhe acariciando o corpo. Beijando lentamente, cada pedaço de pele que existia nele.

– Deixe-me te ver… – Suplicou como um gemido.

As mãos percorriam todo o seu corpo, o toque macio da água e aquela sensação de estar sendo tomado por todos os lados foi-lhe excitando cada vez mais. Então sentiu-a percorrendo a boca gélida em seu tronco, subindo e descendo, fazendo movimentos circulares até que foi totalmente envolvido. Gemeu de prazer e implorou por ela.

– Por favor, preciso te ver!

Enquanto ela o acariciava com uma das mãos, acelerando cada vez mais os movimentos, a outra percorria os braços e a boca cobria os lábios dele, ela foi se formando, dos movimentos do vento no lago, ela tomou forma e o encarou.

– Estou aqui. Abra os olhos.

Ele estava descrente do que via. Não podia ser verdade. Ela era formada de água. Seu olhos reluziam a lua, seu corpo transparente, cheio de curvas, fazia com que enxergasse a outra margem. Suas curvas bem desenhadas, remetiam as ondas de um oceano, que se movimentava cada vez mais rápido enquanto se entregava a ele.

Quando sussurrou no ouvido dele de prazer, se contorcendo e arqueando, seu corpo se desfez, com uma chuva de pingos coloridos e desformes para todos os lados.

Ele acordou com o sol batendo em seu rosto na margem do lago. Deitado, sem roupas e com a mesma sensação de 20 anos antes, sem os entorpecentes da época. Teria sonhado? Não tinha certeza. Mas voltaria ao lago para outra noite de prazer.

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Carta para um desconhecido

Querido Desconhecido,
Não sei quem é você, mas estou aqui. Hoje, amanhã, depois… a hora que você precisar. Estou aqui porque me importo com você, mesmo sem te conhecer. Estou aqui porque sei como o silêncio é tentador. Estou aqui porque quero um mundo melhor, onde nenhuma dor seja ignorada. Onde a gente possa olhar o outro e entender sua dor. Estou aqui se você precisar. Sua dor é minha dor. Estou aqui pra te ouvir, ou apenas pra te dizer, que mesmo o mundo sendo esse lugar cruel onde existam pessoas que não respeitam as outras, que só olham para o próprio umbigo, ainda assim o mundo é um lugar bom.

Eu tenho medo das atitudes que vejo diariamente pela vida. Tenho medo da falta da empatia, da empatia seletiva e de tudo que é reflexo dela. Respeito perdeu o sentindo há muito tempo. Eu não sei pelo o que você está passando, mas quero que saiba que sou solidária, seja lá que tipo de momento for.

A gente vê tanto riso, tanta dor, fotos compartilhadas, violências, abusos, uso indiscriminado de drogas e não percebe que ás vezes, só o que falta, é um pouco de amor. Amor próprio, amor pelo outro, amor pelo próximo, amor pelo desconhecido. E é isso que eu quero para o mundo: mais amor. Sem a gente ter que pedir, implorar, chamar a atenção. Quero um mundo onde eu e você, mesmo sem nunca termos nos cruzado, tenhamos amor um pelo outro. Amor, respeito, empatia e solidariedade. E é por isso que estou aqui é sempre estarei, se você precisar.

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A gente não tem jeito

A gente não tem jeito. Não sei se é um vicio, uma doença ou mania. Mas nesse aperta o laço e afrouxa a gente não se desgruda. Te mando embora da minha vida e você volta. Você me dá tchau e eu te dou oi. E nessa brincadeira mais um ano se passou.

Eu sigo em frente você freia. Você da as costas eu me jogo no seu caminho. Não entendo o que é isso que morde e assopra e não desenrola. Um caso de amor? Uma novela mal contada? Ou será que somos um filme de ficção científica? Talvez a gente não tenha mesmo jeito e esse seja o nosso jeito.

A vida passa, a gente se enrosca, se desgruda e se enamora. Tem outros, houveram outras e no final a gente larga tudo e se embola. Nosso jeito é sem jeito. O mundo desaba e a gente está lá, sorrindo, rindo e provocando um ao outro.

Seria mais fácil assumir que você nasceu pra mim ou que eu nasci pra você, vai saber. Seria melhor parar de fingir, admitir que no fundo é esse nosso jeito que deixa tudo estranhamente perfeito. Teu calor, meu amor, tua pele, minha língua, teu abraço, meu beijo, teu cheiro, minha boca… Nosso jeito perfeitamente imperfeito.

 

Acasos

Se caso fosse possível ao acaso sussurrar teu nome, tocar tua pele, sentir teu pulsar e me derramar em ti, eu pediria, por favor, não esqueça de tudo que vivi. Esqueça as marcas, esqueça o que já ouviu, apenas implore por uma noite qualquer em meus braços, em teus dedos, em sintonia lunar.

Uma noite em um rio ou uma noite chuvosa entre os lençóis. Apenas uma noite ao acaso,  só nós dois. Sem medos, sem mundos, sem paralelos. Reto e direto e caso algo aconteça que comece e termine, nessa única noite de sonhos, gemidos e delírios. Em uma única vida, única saudade, única vez. Uma noite ao acaso premeditado.

Se por imprevisto você esbarrar em mim, na rua, vestida de sorrisos e dissimulada de distrações, saiba que não foi o acaso. Saiba que foi previsível, pensado e manipulado por cada célula do meu corpo que clama por teu toque, teu beijo, tua saliva, por teu gozo e delírio. Saiba que acaso me queiras, eu me farei de difícil, farei milhares de jogos e no final você apenas saberá que eu te digo sim.

Não existe coincidências em nossa jornada. Tudo friamente calculado para que no final eu termine em teus braços, agradecendo aos acasos que eu provoquei para conseguir exatamente o que queria de ti. O teu eu, meu teu, alma, corpo mente e coração. Cada pedaço dominado pela saudade em todos segundos do que já foi ou do que ainda seremos. Lágrimas, suspiros, sussurros, sorrisos, beijos, paraísos. Tudo que sou, que somos, que fomos, que seremos. Tudo que o acaso permitir e que por acaso não posso ter… Você.

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Não me diga isso…

Não diga que você não é capaz de mudar. Eu te conheço tão bem como me conheço e sei de tudo que você é capaz de fazer. Se for preciso você viaja até a lua e volta, dando piruetas, apenas para conseguir o que quer. Eu sei. Eu já vi acontecer. Então não me diga para apenas aceitar migalhas do que eu mereço ter.

Você diz que esse é seu jeito de amar. Mas minha memória não é curta. Eu lembro dos bilhetes de amor, das declarações públicas e privadas. De tudo que já transbordou de você. Estão gravadas em minha história, cada momento em que você me surpreendeu, me amou, me fez me sentir a mulher mais feliz do mundo.

Agora você diz que é assim. Que é isso que tem a oferecer. E acha que vou me contentar com tão pouco? Eu quero música de fundo, beijos calorosos, abraços seguros, palavras doces. Eu quero mais. Quero você sentindo, vivendo, de cabeça, com o corpo, a alma, a mente e o coração nesse lance. Que nunca foi só um pente. Eu quero mais. Quero tudo.

Se você só quer me oferecer isso, não espere receber mais do que oferece. É dando que se recebe. A vida funciona assim.  Não espere que eu resolva seus problemas, que me cale ou que aceite a miséria que achas que é tudo que podes dar. Eu sou a garota do muito mais. Quero flores, chocolates e corações. Quero amor que eu possa sentir, tocar, amar.

Eu te amo virou banal. Você fala da mesma maneira que diz que vai dormir. Eu preciso ver todo esse amor e não é me dizendo que é teu jeito. Ninguém muda ninguém, mas a gente muda o tempo todo sozinho. Eu só quero sentir todo esse amor… não ouvir. Sentir…  Apenas não me diga isso…

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Romance Ideal

Eu pensei que você poderia ser. Ser aquele cara. Aquele que ia me livrar das sensações de ausência que os outros deixaram. Eu imaginei, por noites em claro e madrugadas sedentas, que você era o cara.  Aquele. O cara. O último. O certo. O ideal.

Eu idolatrei cada parte de você. Do seu corpo. Da sua alma. Do que eu queria que fosse o final. Não o final da história, mas o final da estrada, a linha de chegada redentora. O gol de placa. O final da busca. A busca pelo cara. Aquele cara.

Eu fantasiei por horas a fio. Construí cenários, cenas de conteúdo altamente erótico e abraços apertados. Você era o protagonista do meu romance ideal. Mesmo que você não fosse o ideal. Foram sonhos, acordada e dormindo, anos luz de energias emanadas, do meu corpo, do seu toque, da fricção causada por nós dois. Amores em claro, noites sombrias, tudo em preto e branco no contraste da tua língua na minha boca.

Eu só não sabia que você não poderia ser. Ou não queria saber, vai entender? Eu me apeguei a tudo, ao cheiro, gosto e maciez da tua pele. Eu me entreguei na tua mão. Deixei me manipular, me sentir, me fazer sentir. E em cada detalhe talhado como orgasmo em minha memória, você ocupou espaço. Por um tempo o vazio acabou, a distância se foi e a urgência acalmou. Na fração do segundo de um sorriso, um suspiro, um gemido ou um sussurro. Na medida dos pelos se ouriçarem e se tranquilizarem.

Então eu percebi. A urgência é minha. O vazio sou eu. A imperfeição se traduz em olhares que observam, atentos e serenos, cada movimento desse jogo de tabuleiro. Xeque-mate. Não foi você. Fui eu que idealizei demais.

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Cansa pra sempre

Tem dias que cansa. Cansa o sol, cansa a chuva, cansa sentir. Cansa sorrir, cansa chorar. Cansa imaginar, cansa pensar. Tem dias que cansa se iludir, se desesperar, se machucar. Cansa fingir. Cansa amar. Tem dias que cansa odiar. Cansa persistir, cansa desistir. Cansa de todas as formas respirar. Cansa sufocar, a dor, o amor, a lágrima, o pranto, o sussurro, a vida.

Se eu cansei de tanto esperar e cansei de tanto tentar. Se eu cansei de amar, perdoar, fugir, mentir, iludir. Cansei de fazer meu coração se despedaçar. E de juntar os pedaços também. Cansei de quer ser alguém que não, ter algo que não é meu, fazer o que eu não quero. Apenas cansei.

Eu canso só de lembrar, de visualizar, de esperar, de acreditar. Canso de pedir, de tentar, de jurar. De sonhar. Canso de querer. Canso de me iludir. Canso de me vestir. E de me despir também. Canso das máscaras, das marcas, das cicatrizes tatuadas na pele. Canso da alma marcada, ameaçada, amedrontada.

E se eu não estivesse tão cansada eu diria com todas as letras que você deveria saber que tudo isso cansa. Cansa demais. Cansa a ponto de sugar a vida, de fechar os poros, de aniquilar a luz. Cansa mesmo. Cansa demais, cansa a mais, cansa pra sempre. Cansa de uma forma que não tem volta, não tem jeito, não tem mais nada. Cansa. Cansei. Cansou. Acabou.

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Não seja um dos porquês

Um dia eu tive uma amiga. Ela era linda. Tinha boas notas na escola. Se vestia bem e os pais dela a amavam muito. Eram parceiros, daquele tipo de pais que estão sempre presentes, participam de tudo e conversam com as amigas e amigos da filha abertamente. Eram os pais de toda a turma. A gente estava sempre na casa dela.  Acho que todas as meninas da nossa turma queriam ser ela. E todos os meninos, na idade que os hormônios estão a flor da pele queriam beija-la.

Eu não sei exatamente quando minha amiga deixou de sorrir. Mas ela deixou. Ela também parou de reunir o pessoal na casa dela. Começou a matar aulas frequentemente. Quando a gente ligava perguntando o que estava acontecendo, ela dizia que estava doente. Não se sentia bem. Estava gripada. Sempre tinha uma desculpa…

A gente tinha 13 anos. Não dava pra ficar preocupada e nem entender os sinais. Ela dizia que estava doente e a gente acreditava. Numa semana ela faltou a semana inteira. Resolvi sair da escola e levar meus cadernos para ela não ficar sem a matéria. Me lembro que quando ela abriu a porta, magra demais, pálida e sem nenhum brilho nos olhos eu pensei que ela realmente estava muito doente. Ela me abraçou de um jeito diferente. Por um momento sorriu como se a minha visita fosse a coisa mais importante do seu mundo. Eu fiquei feliz por isso, mas senti medo de pegar a doença dela e rapidamente me livrei dos seus braços. Eu tinha 13 anos.

Dias depois, ela me ligou. Me contou que andava muito cansada, que achava que ia morrer. E o meu contato com a morte era remoto. Não fazia sentindo alguém da minha idade estar doente a ponto de morrer. Eu disse para ela que era besteira. Que ela não ia morrer, que algum médico ia cuidar dela. Devia haver uma injeção, tipo benzetacil, que pudesse cura-la rapidamente. Ela riu. Disse que doía demais. Que não queria mais viver. Que queria se matar. Eu não acreditei. Eu tinha 13 anos.

Naquele mesmo dia, a noite, quando seus pais chegaram do trabalho, encontraram minha amiga dormindo, dormindo sem pulsação. Sem coração batendo. Sem expressões faciais. Encontraram minha amiga morta, com uma cartela de antidepressivos tarja preta, que haviam sido receitados para ela, pelo médico que deveria cura-la, vazia.

Eu fui um dos porquês. Seus pais foram um dos porquês. O médico foi um dos porquês. E todos os nossos amigos que não ligaram, não visitaram, não ouviram, foram um dos porquês. Você que acha que depressão é mimimi, é drama de adolescente, de mulher, de homem, de gay, de pessoa, é um dos porquês. Você que desmerece, ofende alguém na escola, na rua, no trabalho, por ser ou de ser,  gay, negro, vadia, imbecil, incompetente, é um dos porquês. Você que tem empatia seletiva ou que não tem empatia pelo próximo é um dos porquês.

Não importa no que você acredita. “Amar ao próximo como a si mesmo”, “É dando que se recebe”, “O Universo devolve tudo em dobro para você”, todos os lemas de religiões, seitas e crenças, fala sobre a mesma coisa: empatia. Você pode até não concordar com o próximo, você pode ter opinião diferente do outro, você pode até não gostar do comportamento da outra pessoa, mas não seja um dos porquês. Depressão não é tristeza. É doença. Suicídio não é chamar a atenção. É um ato de desespero de alguém que está tão doente que não vê outra saída.

Não seja um dos porquês. Se você não consegue falar nada que realmente possa ajudar, não fale. Avise as pessoas próximas de quem está sofrendo. Mas nunca menospreze a dor do outro. Não seja um dos porquês. Guarde sua opinião, sua falta de empatia para você mesmo e não seja omisso. Se não pode ajudar, não atrapalhe. Não seja um dos porquês.

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* O caso relatado nessa prosa é ficção. Mas poderia ser real. A opinião expressa é totalmente sincera. Não seja, realmente, um dos porquês. E se você está achando que o mundo está pesado demais para viver ligue para o Centro de Valorização da Vida (144) ou converse com alguém. Se precisar eu estou aqui, estou do seu lado e totalmente disponível para ajudar.

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