As pessoas tem mais é que…

Fico me perguntando por que tem tanta gente que perde tempo na vida se preocupando com a vida dos outros ou com coisas tão banais como ter sempre razão e estar sempre por cima.Futilidades a parte, porque ninguém é de ferro, passar a vida só se preocupando com isso é muita alienação.
Sou mulher, tenho as minhas futilidades e adoro jogar conversa fora e fofocar. Como diz uma amiga virtual, fofocas santas… Mas não deixam de ser fofocas. Agora passar o tempo todo falando de coisas e pessoas que não me dizem respeito e não tem nada haver com minha história… Bem aí já é demais!
E o mundo pegando fogo, a crise chegando, o país se abostando, pessoas morrendo de fome, de doenças, de tédio, de solidão e a criatura lá… Pensando no carro do ano, na vida da vizinha e no último lançamento do Armani…
As pessoas tem mais é que tomar no %#@!!! Tá na hora de acordar, de se dar conta da realidade, de olhar pro seu umbigo, pro seu rabo e tentar salvar alguma coisa. Seus filhos, por exemplo, que a cada geração nascem mais complexados, mais desorientados e chegam as escolas sem um pingo de educação. Sim, porque educação vem de casa… A escola é o local pra adquirir conhecimento, não educação!E sem falar que os casamentos desmoronam como se fossem construídos em cima de uma duna. Ninguém é de ninguém. Ninguém respeita ninguém.
Carácter? O que é isso? Onde se compra? Pra que serve? Custa caro?
E assim a gente vai… E assim a gente vai se afundando cada vez mais. Se alienando cada vez mais. Passando por cima de qualquer um pra conseguir o que se quer. Esquecendo que existe a lei do retorno e tudo que se faz, se paga. Mas se pode pagar a prestação não tem problema. Dá pra parcelar em quantas vezes as maldades? Doze vezes sem juros no cartão de crédito… Ah! Assim tá valendo!
Cada um cada um. Cada qual com sua sina. Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Eu é que não vou atirar. Mas aprendi a duras penas a separar o joio do trigo e selecionar meus amigos.
Aprendi que nada se consegue no mundo de hoje sem meia dúzia de gritos e que as pessoas só respeitam as outras assim.
Ainda sonho com meu mundinho perfeito. Onde a ganância fique de lado e de passagem pro respeito. Onde cada um faça o quiser da sua vida sem que outras pessoas com vidas vazias sintam inveja ou tornem tudo monstruoso. Ainda rezo todos os dias pedindo paz, comida, e amor pra humanidade. Ainda consigo dentro da minha casa fazer valer a lei da privacidade.
Ainda sou feliz, apesar de tudo que vejo a minha volta e apesar de todos os que não suportam isso. Penso logo existo. E existo plenamente porque minha consciência dorme em paz, sabendo que a minha parte eu faço e que respeito qualquer um pelo que é e não por suas escolhas. Pois nossas escolhas não são o que somos e sim fruto do que somos.
E você? sabe quem é ? Entende suas escolhas? Dorme com a consciência tranquila? Desejo que um dia você acorde sabendo tudo isso. Desejo que um dia você tenha o suficiente pra poder dormir em paz. Que um dia você acorde desse coma induzido por uma sociedade banal e alienante. Um dia… Qualquer dia… E que esse dia não demore muito… se não será tarde demais.
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Não! Isso não é pra uma pessoa específica. Isso é pra qualquer um e pra todos.
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Sim! Andei esse fim de semana muito indignada com a falta de respeito pelo próximo e com a ganância das pessoas.
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Não eu não tô de mal humor! hahahahahahaha
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Uma ótima semana pra todos, com muitas fofocas santas e com muito choque de realidade que é isso que tá faltando pra gente!!!

O diabo do piso branco…

Alguém sabe me dizer por que uma pessoa em sã consciência escolhe por piso branco em sua casa?
Tudo bem. Gosto é gosto. Não se discute, se lamenta. Eu não acho feio dito cujo. Nem de mal gosto só acho que ele não é prático.
Dizer que ele não é prático na verdade é ser contida demais. Falando sério ele é uma m$%#$! Com o perdão da palavra.
Todo dia você varre e passa pano úmido, depois varre de novo… Qualquer coisa que cai no chão aparece mais que o normal. O menor pingo de água vira uma tremenda meleca marrom. Além do que ele me faz perceber que logo, logo estarei careca porque a quantidade de fios de cabelo que vejo no chão já daria pra ter feito uns três mega hair.
E como ensinar ao pobre cão que após seu xixi matinal ele não pode entrar em casa sem limpar as patinhas? Porque veja bem: a grama está úmida e ele volta pra dentro de casa deixando um rastro. Sei exatamente onde o cachorro andou pelas marcas no bendito piso branco.
Pois é. Se só agora você se deu conta a casa inteira é assim. Não é só o banheiro ou a cozinha, não! É tudo!
Sem falar na hora de preparar qualquer refeição. Até as migalhas de pão reluzem como ouro. Lavar a louça pra que? Pra depois lavar o chão?
Se um dia eu for presidente do país mando proibir o uso do piso branco. Sem brincadeira! Ele é uma forma de escravidão moderna. Ele te escraviza. Você passa o dia limpando, varrendo, passando pano e quando pensa que acabou lá está em outro lugar uma mancha enorme. E graças a Deus eu não tenho TOC (aquela doença que fazem as pessoas fazer várias vezes a mesma coisa). Porque se eu tivesse TOC e o meu fosse mania de limpeza já teria surtado e estaria internada!
Não, não tem jeito… Ou encho a casa de tapetes ou vou parar no hospício!
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A casa que estamos morando não foi construída por nós. Se tivesse sido e eu tivesse escolhido o piso já teria cortado os pulsos!
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Juro que o dia que eu construir ou reformar uma casa vou por o piso cor de sujeira!
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Apenas mais um fim

Marina tinha um defeito. Era sincera demais. Não importava o quanto magoaria alguém, o que importava é que ela falaria aquilo que sentia ou que pensava. Raramente achava, sempre tinha certeza e suas certezas sempre se confirmavam.

Naquele dia sabia que Carlos mentia. E não havia nada que a magoasse mais do que a mentira de alguém. Principalmente se a mentira vinha de seu companheiro. Não tinha como provar que ele mentia, mas sabia que cedo ou tarde suas suspeitas se confirmariam. O que mais doía naquele momento é que a mentira era só pra tentar arrancar alguma coisa dela. Uma confissão que não existia, mas que Carlos acreditava. A história era evidentemente falsa. Não existia alguém no mundo que pudesse juntar os elementos dela a não ser ela e ele.

Não sabia como faria para provar que a história era falsa, mas sabia que iria provar. No momento sua maior dúvida era se valia à pena seguir com um relacionamento que não tinha mais motivos para ir adiante. Que estava saturado, sem tesão e sem algo que realmente desse emoção.

Já havia tentado inúmeras vezes renová-lo, mas não dependia só dela. Essa era a dúvida. À vontade de estar juntos não existia, de nenhum dos dois, existia o carinho, o amor… O amor? Mas e a vida seria só isso? Sem paixão? Sem tesão? Sem emoção? Será que o fim de todos relacionamentos seria assim, carinho, companheirismo e apenas isso?

Marina se recusava a acreditar, queria mais para si, queria uma vida cheia de emoções, com paixão, amor, e tudo que prometem os livros de contos de fada. Seria correr riscos chutar o balde e seguir a vida adiante? Ou deveria aquietar sua alma tão sedenta de emoção e se dedicar à vida simples, comum de um relacionamento pacato e cômodo?

Eram tantas incertezas, tantos questionamentos e Marina de nada tinha certeza. Queria muito que a vida tivesse vindo com um manual de instruções mostrando-lhe qual seria o passo certo em cada situação. Mas não veio, então a dúvida pairava no ar.

E a mentira? O que fazer com aquela mentira? Será que ele mentia por que queria, inconscientemente, provocar uma briga ou por que queria lutar por aquele amor? Era verdade que Marina tinha saído sozinha. Isso ela mesma havia confessado. Também era verdade que tinha ido ao Favorito, danceteria que sempre frequentava com suas amigas. Mas isso ela também havia lhe contado. Tinha tomado um porre, isso ela omitiu. Mas não encontrou ninguém, apenas dançou e deu boas risadas. E quando ela pensava em ninguém, era ninguém mesmo. De onde Carlos tinha tirado isso? Por que ele inventava essa história sem pé nem cabeça?

Marina olhava para Carlos e negava, via em seu olhar um misto de alegria e incerteza. Falava de suas frustrações e incertezas e reparava que quanto mais falava, mais os olhos de Carlos se embassavam. O que havia acontecido com eles? Onde haviam errado? Quando haviam se distanciado? O abismo que havia se aberto entre os dois, parecia agora muito maior do que no dia que Marina havia saído sozinha.

Parecia que os planos deles, como casal, haviam todos ficado em gavetas empoeiradas e com puxadores enguiçados. Eram tão felizes. Eram amantes, cúmplices, companheiros e amigos. Tudo havia ficado diferente de uma hora para outra e por mais que Marina refletisse não encontrava o momento exato daquela mudança.

Carlos foi embora sem falar uma palavra e de certa forma aquilo foi uma mistura de alívio e tristeza. Alívio porque estava cansada de discussões infundadas, e que acabavam sempre iguais. E tristeza por vê-lo indo assim, sem uma palavra, sem um beijo, sem um desejo de ficar. Seria a hora de terminar mais um relacionamento, será que não eram companheiros pra sempre?

No momento em que ele saiu Marina deixou uma lágrima rolar pela sua face, que foi amparada pelo seu ímpeto de lutar. Não pelo amor, mas lutar por si só, por sua vida e seu futuro. Não adiantava chorar. Não adiantava reclamar. A única saída era seguir em frente. Fosse com Carlos ou não, sua vida ainda tinha muitas estradas coloridas. E tudo isso seria apenas mais um fim.
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Como é bom termos pessoas que apreciam nosso trabalho! Depois do pau que deu no meu micro e que eu perdi todos meus arquivos, consegui recuperar alguns contos graças a essas pessoas fantásticas!!!
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Esse conto também é dos antigos…
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Amanhã tem feriadinho… Coisa boa! Mas depois desse feriado bom só em setembro!!!

Carla

Ela só tinha um sonho. Casar. Não pensava em mais nada, todo o resto era superficial. Estudava e estagiava, mas não tinha um objetivo profissional. Pensava no dinheiro também. Mal de toda sua geração que encontrava o mercado de trabalho saturado e o país em recessão. Gostava do que fazia, mas era preciso casar pra ser feliz.

O problema é que não tinha um pretendente e por isso passava horas em busca de um. Em sonhos, na rua, na internet. Onde quer que ela estava procurava por ele. O príncipe montado em um cavalo branco que arrebataria seu coração e a faria feliz pra sempre. O casamento já estava todo planejado. Vestido escolhido, igreja, recepção e buffet. Até a data ela sabia. Só faltava o noivo. Por isso a sua busca desenfreada.
Cada vez que um homem lhe dava bom dia ela se apaixonava.Não era feia, muito pelo contrário. Olhos jabuticaba grandes, atentos e brilhantes. Um brilho que vinha da alma que esbanjava ternura e inocência. Fazia o tipo ‘mignon‘, toda proporcional, com curvas delineadas e estruturadas. Cabelos compridos que o vento balançava. De longe lembrava um bonita índia, de perto mostrava toda a sensualidade de uma mulher latina.
Seu único defeito era sua maior obsessão: queria casar, precisava casar. Não enxergava a vida de outro jeito que não fosse casada. Não pensava em filhos e nem tinha vocação pra ser dona de casa, por isso estudava. Mas não queria ficar sozinha. E namorar não adiantava. Tinha que casar. Pensava, analisava, sonhava com o futuro, mas sempre e sem exceção estava casada.
Tudo bem, diz a lenda que toda a mulher sonha em se casar um dia. Ninguém criticava seu sonho, mas todos a sua volta achavam loucura planejar uma vida em função disso.
Em função disso e sem um noivo pré-definido. De tanto as amigas insistirem que era preciso um par pra todos os planos começou a apelar. Frequentou igreja e procissões de Santo Antônio sem efeito. Foi a centros espíritas tomar passes e ver se por lá conhecia alguém, de preferência encarnado, mas se estivesse do outro lado não tinha problema também. Foi a terreiros, macumbeiras, benzedeiras e cartomantes. Nada dava resultado.
Até o dia que leu um anúncio nos classificados. “Trago o seu amor de volta em três dias”. Não tinha um amor, mas não custava tentar.
Terreira Mãe Oxum de Macapá, em que posso ajudar? – A voz no telefone era acalentadora e transmitia muita fé.
– Eu li seu anúncio no jornal e queria ver se você pode me ajudar.- Nem ela mesma acreditou que tinha chegado aquele ponto.
– Qualquer que seja seu caso Mãe Oxum resolve. Não existe um amor que ela não consiga trazer de volta. – A mulher falou com tanta confiança que não tinha como não acreditar.
– Esse é o problema… – exitou e deixou a voz tremer- eu não tenho um amor. Mas quero um em três dias!- Tomou coragem e enfatizou.
-… A senhora gostaria de marcar uma hora pra ver seu caso?
Marcou a hora e aguardou anciosa a chegada do dia. Pensou em todos que haviam passado pela vida dela. Primeiro o noivo. Lindo, perfeito, tudo estava indo tão bem. Todo mundo comentava, só ela não percebia. Até o dia que chegou sem avisar e ele estava aos beijos com seu vizinho. Ela até pensou em relevar e casar mesmo assim.
Afinal o sonho dela era casar e se ele era gay isso não importava. Mas seu pai não deixou. Depois tiveram outros. O carteiro, o maconheiro, o entregador de pizza, o galinha, o advogado, o surfista… Só que no final todos davam o fora antes de marcar a data.
Dessa vez tinha certeza, a Mãe Oxum ia resolver seu problema. Em três dia ia arranjar um amor e daí tudo estava planejado: um mês namorando, noivavam por dois meses e casavam. Não tinha erro.
Chegou o grande dia. Meia hora antes ela já estava na sala de recepção do consultório de sua salvadora. Tinha se enfeitado toda, estava bem maquiada e cheirosa. Nem ela sabia porque tantos preparos, mas pensou que se a Mãe Oxum gostasse dela podia ajudar as coisa. Arranjar um amor quem sabe em vez de três dias em três horas.
Foi atendida. Não conseguia fazer as mãos pararem de tremer. Queria muito saber o que aquela mulher toda de branco tanto olhava nas cartas em cima da mesa. Muito ansiosa queria logo perguntar se poderia arranjar o amor mais rápido, afinal tudo já estava pronto pro casório, só precisava mesmo era do noivo.
Ficou com medo de atrapalhar a concentração da vidente e aguardou os minutos de silêncio como mais uma provação pra realizar seu sonho.
– Carla é seu nome, minha filha? – A voz da Mãe Oxum parecia meio assustada.
– Sim, sim… E então? Que dia posso pegar o meu amor? – Ela não se conteve mais e falou com grande exitação. A mesma de quem compra um carro zero.
– Pois é minha filha seu caso é mais complicado do que pensei. Não tem amor no seu caminho. – Disse a mulher com certa tristeza de quem não ia poder provar a eficiência de seus trabalhos.
– Como assim não tem amor no meu caminho? Eu quero um amor, foi isso que vim fazer aqui. Até me arrumei toda pra senhora gostar de mim e arranjar o meu amor mais rápido… Meu casamento já está todo pronto, eu só vim aqui porque preciso do noivo.- Carla se exaltou e até levantou e bateu com força na mesa.
– Carla, ?! – Perguntou Mãe Oxum e seguiu falando com um ar de quem estava vendo coisas além – Eu não disse que você não ia casar. Disse que não vejo um amor em seu caminho. Mas não se preocupe daqui a três dias sua vida vai mudar e ano que vem você vai estar casada.- A mulher sorriu e sem mais delongas despachou a moçoila.
Carla saiu aliviada. Afinal ela não queria um amor até o dia que leu o anúncio. Ela só queria casar e se ela ia conseguir fazer isso, o resto não importava. Ia esperar pra ver o que ia acontecer em três dias e se nada mudasse ia voltar na Mãe Oxum e pedir o dinheiro de volta.
Esperou paciente o primeiro dia e nada. No segundo acordou elétrica, mas nada ocorreu de novo.
No terceiro dia acordou pensando que aquele era o dia da virada. O dia que ia pegar seu marido.
Tomou um belo banho, se perfumou, botou seu melhor vestido e saiu pra rua. Era naquele dia. Sabia disso, a Mãe Oxum não ia deixá-la na mão. Foi ao banco. Precisava tirar um extrato e ver se o salário já tinha entrado pra cobrir o limite do cheque especial. Além do mais, o cheque do buffet de casamento ia entrar esse mês.
Caiu como uma folha de outono quando puxou o extrato. Seu saldo era de 3 milhões de reais. De
onde tinha vindo todo aquele dinheiro? O que ela deveria fazer? Teria sido usada como laranja em alguma corrupção governamental? Respirou fundo.
Pensou e rapidamente transferiu todo o dinheiro pra uma outra conta que tinha. Foi pra casa, pegou duas calcinhas, um sutiã e um casaquinho. Foi pra rodoviária. Comprou passagem pro primeiro ônibus que saia da cidade com o destino mais longe possível.
Depois de uma viagem de 6 horas rindo a toa chegou em outra cidade de onde comprou uma passagem pra capital. Na capital foi direto ao aeroporto. Comprou uma passagem só de ida pro Caribe.
Quando chegou no Caribe é que pensou no que havia feito. Tinha fugido com o dinheiro. Mas esqueceu do seu maior sonho: Casar.
Um mês depois de tanto procurar pelo Caribe, achou o cara certo. Bem apessoado, charmoso, um tipo “latin lovers”. Era esse seu marido. Comprou ele numa feira. Custou em torno de mil dólares, uma bagatela, como ela mesma pensava.
Voltou pra sua cidade, fez o casamento de seus sonhos e provou pra todo mundo que quem quer muito uma coisa consegue. Mesmo que custe uma bagatela.
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Esse conto estava guardado na minha caixinha de memórias… é bem antiguinho até…
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Uma bela homenagem a minha amiga Carlinha… que quer casar, mas não tanto assim…
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Ataque das aranhas malditas!

Pois é. Voltei pra casa e mal pude comemorar o retorno ao lar. Estava eu, bem bela, organizando as coisas, fazendo aquela geral, quando me deparo com um bicho muito assustador: uma aranha.

Mas não era qualquer aranha, era uma aranha daquelas: grande, marrom, sem pelos, com pernas que se dobram pra ela pular e venenosa. Não! Normalmente eu não tenho medo de aranhas, mato elas sem frescuras, mas dessas eu tenho medo.

Fiquei ali parada namorando a aranha e decidindo o melhor jeito de mata-la. Primeira tentativa ela pula pro outro lado. Saio eu correndo e gritando que nem uma desesperada.

Segunda tentativa: pego o cabo da vassoura e a distancia tento acerta-la… Outro pulo, outros gritos, mais uma vez eu corro. Diante dos meus dois ataques de nervos pego o telefone: ” Amor que horas tu chega em casa?”
A resposta não me agradou… Depois das 11:30 e pior eram só dez horas. Não podia eu ficar ali cuidando os passos da aranha. Resolvi fechar a porta do banheiro (ainda bem que aqui em casa tem dois) e seguir com meus afazeres. O amor chega, procura a aranha e nada… Ela sumiu! Aí meu Deus! Onde ela se escondeu?
O resto do dia transcorreu normalmente. Maridão foi viajar. Um curso em uma cidade próxima. E eu fiquei em casa com a filhota.

A noite, arrumando umas coisas na lavanderia com quem eu me deparo? Com a aranha. Não a mesma, mas da família dela certamente era. Talvez o pai porque essa era ainda maior e mais horrorosa que a moradora do banheiro… ” Eduarda me traz a vassoura rápido!’

De vassoura em punho, com o cabo alongador no máximo (que alias é uma ótima invenção pra pessoas altas como eu não ficarem com dor nas costas) lá fui eu tentar combater a maldita! Os gritos agora eram dobrados, afinal a Duda estava presente… Grita, corre, bate, pega o telefone, liga pra dois amigos, nenhum atende pra vir nos socorrer! Aí meu Deus!!! de onde surgiram essas aranhas?

Minha brava e heróica filha pega a vassoura. Uma porrada, um grito, outra porrada, mais dois berros, uma terceira porrada e… ” Ela está morta, ela está morta! ” Fecha as portas, apaga a luz e vamos dormir!

Nunca reparei mas será que existe veneno para aranhas??? Acho que estou precisando disso e com urgência…

Ah… E antes que alguém tire sarro, meu sobrenome é Aranha sim… Mas isso não significa que eu seja amiga ou parente dos insetos…

De volta…

Nossa! Uma semana em Porto Alegre e não deu pra fazer nada… hahahahahaha
Alguns amigos eu vi, outros não…
Mas a melhor parte de viajar é voltar pra casa. Tudo bem que São Borja nã é o bicho, mas minha casa é o máximo!
Seguir o nosso ritmo de vida, andar pelado dentro de casa, fazer as coisas na hora que dá vontade…
A casa da gente é sempre o melhor lugar do mundo! Ou pelo menos deveria ser…

Essa coisa que dói…

Uma amiga me falou: Caramba! Que saudades!
Saudades é uma coisa que procuro não pensar… saudades não se define, é um sentimento que pode doer muito, como pode trazer uma alegriasinha boba.
Minhas saudades as vezes doem. Saudades de amigos, pessoas que antes eu convivia todos os dias e que agora estão longe. Saudades da Rani, que sempre com uma doencinha nova e um caso de amor complicado me fazia alegre. Saudades da Naty e nossas conversas malucas, sem pé e nem cabeça que rendiam muitas gargalhadas. Saudades da minha turma de faculdade. Que é A TURMA e que sempre estava lá, noite após noite, brigando por uma causa nobre, correndo atrás de prazos, gravações, releases, pautas. Fazendo churrascos pitorescos que entraram pra história e que se os espetos falassem contariam muito sobre nós. Saudades dos professores, alguns mestres outros nem tanto, mas algo todos ensinaram. Das minhas saudades a que mais dói são essas.
Um dia, há muito tempo, encontrei amigos de uma outra época da vida e numa conversa saudosa chegamos a conclusão de que mesmo que voltássemos a viver no mesmo lugar, conviver com as mesmas pessoas, a vida não seria mais a mesma. Isso porque o tempo havia passado e o gostoso mesmo era ter saudades e lembrar com essa alegriazinha boba.
Claro que a minha saudades que dói também da uma alegriazinha, mas é diferente porque eles ainda estão lá e eu que não estou. Cada escolha é uma renuncia. Eu escolhi, eu renunciei. No tempo que estava com eles eu tinha saudades do meu amor e por ele escolhi me mudar. Não me arrependo mas será que não seria possível ter os dois???
Saudades é algo engraçado. Não escolhe a hora e as vezes faz a gente chorar. Saudades se sente de qualquer coisa ou de qualquer pessoa. Saudades se sente do que passou. Do que a gente lembra, do que a gente vive. A saudades pode atacar dois segundos depois de ter se visto alguém ou se passado por um momento.
A saudades é o sentimento mais confuso e complexo do ser humano… e o mais lindo também!
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Tá! Mal comecei a escrever no blog e já vou ficar fora do ar por algum tempo… Mas é por uma boa causa! indo pra Porto… Passar uns dias com meus amigos, família e curtir tudo que a terrinha natal oferece…
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Hoje comemoramos 4 meses de casamento!!!

Como cão e gato

Nem todos sabem, mas acabei de me mudar de novo. Posso dizer que nos último seis meses morei em 4 casas diferentes. E minha gata também.

Ela é um ser lindo, é vira lata mas tem pose. Como todo gato posudo, Irís, é muito antipática. Antes, quando morávamos no Rio ela era o ser absoluto e rainha da casa. Quando voltamos pra Porto Alegre ela teve que aprender a conviver com o Charlee. Ele é um linguicinha. É um cachorrinho amado e super, hiper grudado na minha filha.

Desde que chegamos em São Borja os dois disputam as atenções e brigam como cão e gato. O problema é que aqui eu ainda não estou fazendo nada. De manhã quando minha filha sai pra escola e meu marido pro trabalho eu só quero dormir mais um pouquinho… E esse é o problema.

A Irís me acompanha, mas o Charlee fica chorando pela casa ou pelo pátio. Então tive a ideia de por ele pra dormir comigo também.

Nos primeiros dias a gata se revoltava e ficava o tempo todo rosnando e o cachorro latindo. Só que hoje foi minha glória: Ambos dormiram um pra um lado e o outro lado.

Agora você pensa: Ah… Finalmente ela conseguiu dormir mais um pouquinho…

A minha glória acabou em 10 minutos quando o telefone tocou e eles já saíram correndo, rosnando, latindo… Quem disse que a vida de quem fica em casa é fácil????

Uma fumaça incoveniente

Eu sei. Fumar faz mal a saúde. O tabagismo, apesar de não ser considerado uma doença é uma das coisas que mais mata no mundo.

Tudo bem. O mundo seria muito melhor se ninguém fumasse. Mas também seria melhor se ninguém matasse, roubasse, consumisse drogas e se todo mundo usasse camisinha.

Parar de fumar não é fácil. Fumo há 16 anos. Já tentei parar inúmeras vezes. E não existe um amigo meu que alguma vez não tenha acompanhado uma tentativa frustrada de me livrar desse vício.

O governo aumenta o IPI do cigarro, alegando que é uma medida de saúde. Vários médicos conhecidos , que me desculpem devem estar levando algum por fora, alegam que o aumento do cigarro é uma forma de diminuir o consumo.

Nunca ouvi um absurdo tão grande quanto esse. Será que eles não sabem da existência dos cigarros do Paraguai? Será que eles não sabem que na fissura um fumante é capaz de fumar até bosta? Que qualquer bagana do chão serve?

Querem aumentar o imposto do cigarro? Beleza! Agora usem a verba gerada pra criar programas gratuitos em postos de saúde com equipes médicas especializadas pra ajudar os fumantes. Abaixem então os preços de adesivos, chicletes e antidepressivos usados no combate ao tabagismo.

Aí alguém me diz que o cigarro aumentou pra compensar os carros que estão com os preços mais baixos. E que isso é um benefício pra população brasileira.

Acordem! Enquanto todo mundo da classe média baixa se endivida comprando carro zero, a população mesmo fica mais pobre e morre mais rápido fumando cigarro do Paraguai. As empresas de transporte coletivo demitem funcionários e a indústria automotiva e tabagista também.

Que beneficio??? Não é o aumento do cigarro que vai fazer alguém parar de fumar. Não é se endividar comprando um carro zero que vai fazer o Brasil crescer e evitar demissões. E a tal marolinha cada vez fica maior. Tá quase virando Tsunami e só não vê quem não quer…

DESSA VEZ VAI…

Então mais uma vez eu começo um blog. Inúmeras tentativas que acabaram caindo no esquecimento. As vezes por estar de saco cheio, outras por estar cansada demais, largada demais, atarefada demais ou simplismente por seu burra demais…

Não! eu não me considero uma pessoa burra. Bem pelo contrário, me acho até inteligente demais. Claro que modestia nunca foi uma das minhas qualidades. Mas a questão é que passo as vezes muitas vezes planejando coisas que quando vejo de tão planejadas passaram da hora…

E aí eu me pergunto: Por que você não fez? Por que você não foi? Por que você deixou passar a hora?

As respostas são simples: Por comodidade. É ela que me comprometo a combater, é ela que não vai mais me fazer de escrava e ela que vou espantar todos os dias…

Prometo que de hoje em diante todos os dias terão um post, terão um assunto, terão uma frase que seja… E nada, nada vai me fazer desistir de sonhar, de escrever e de falar!