O moço gentil

Não dava pra fingir que nada acontecia. Estava escrito na testa dela. Seu medo exalava pelos poros e o cheiro que todos sentiam denunciava sua angustia. Estava mentindo.
Não aguentava mais esperar. sabia que em breve todos descobririam. O que ia fazer? O que poderia fazer? O que realmente dava pra fazer numa situação daquelas?
Enquanto andava pelas ruas, apressada, Verônica não conseguia pensar em outra coisa se não em seu problema. Não podia voltar pra casa, não podia ir pro escritório, não podia ir a lugar algum em que fosse conhecida. Todos sabiam que ela estava mentindo estar bem. Fazia dois dias que carregava aquela angustia.
Quanto mais o vento batia em seus cabelos mais nervosa ficava. Mais medo sentia. Deveria ir a polícia? Deveria fugir da cidade? Mas pro onde iria…
Um hotel. No caminho dela, uma espelunca melhor dizendo. Se entrasse ali poderia pensar. Analisar e quem sabe encontrar alguma solução.
O homem da recepção, um tipo esquisito com uma camisa xadrez, um palito no canto da boca, uma barriga que não deixava a camisa ser fechada embaixo e um boné azul pedia sua identidade. Deveria dar? E se estivesse sendo procurada? O que devi fazer?
Por um minuto encarou o homem sem saber o que fazer. O homem olhava intrigado e ela olhava desconfiada. Entregou a identidade e pegou a chave do quarto. Subiu. Até que o quarto não era tão ruim. Sentou na cama e ficou ali pensando em tudo que tinha acontecido.
Ele era tão doce.Tão educado. Um verdadeiro cavalheiro. Naquele dia, sentado a mesa no café da esquina de seu trabalho, sorrindo pra ela e sendo tão gentil. Assim se conheceram e passaram a se encontrar todos os dias no mesmo horário no café.
Duas semanas que se encontravam quando ele convidou ela pra sair. Ela ficou meio insegura, mas que mal havia? se falavam todos os dias e ela era tão especial. sabia tudo da vida dele, sobre sua mãe doente, seu trabalho cansativo, sua ex mulher, seus filhos. Ela aceitou o convite.
Pontualmente no horário combinado ele estava lá. Disse que tinha preparado uma grande surpresa pra ela. Verônica o achou tão lindo e aquele ramalhete de flores. Quanto romantismo. Andaram de carro pro mais ou menos uma hora quando ele estacionou no pátio de uma casa magnifica.
Entraram. Tomaram vinho. Conversaram por alguns minutos. Ele pediu licença e em seguida o pesadelo começou.
Verônica nem entendeu quando ele voltou aos gritos, com um chicote na mão mandando ela tirar a roupa e chamando de vadia. Foi muito rápido. Ele veio pra cima dela. Ela tentou se defender. Ele começou a bater nela. Ela o empurrou. Ele caiu batendo a cabeça na quina da mesa. A poça de sangue se formou no chão. Ela ficou olhando, assustada, saiu correndo.
Pensou em tomar um banho. Precisava fazer alguma coisa, mas o que? Limpa talvez pensasse melhor. Encheu a banheira da espelunca. Não era tão ruim assim. Tinha uma televisão no banheiro. Resolveu liga-la enquanto relaxava.
Plantão da globo: Foi encontrado morto o mais procurado estuprador e torturador de mulheres do Brasil. A polícia ainda não tem pistas mas muitas mulheres estão querendo saber quem é o maior herói de todos os tempos. E no fim da reportagem a foto dele.
Ele. Aquele homem tão meigo. Aquele louco. Aquele que estava estirado no chão depois do seu empurrão.
Verônica saiu da banheira, vestiu-se, pagou a conta do hotel e foi a polícia. Era o certo a fazer.

Essa tal de TPM…

Eu vi. Sei que foi assim e mesmo que todos digam ao contrário. Abafem o caso eu vi. Naquele dia a patroa acordou surtada. Em vez de levantar, tomar seu banho e se sentar a mesa pra tomar o tal do “breakfast” enquanto lia o jornal, ela simplesmente saiu só de “pegnoir“, pegou o carro e sumiu.
Voltou quase na hora do almoço, com umas manchas roxas pelo corpo, toda descabelada e com um sorriso bobo no rosto. Nem tentou disfarçar pra gente. Até o jardineiro se benzeu quando ela passou.
Me chamou no quarto. Mandou eu pegar as duas malas grandes do depósito e por todas as roupas do seu marido dentro. Depois pediu que eu fizesse uma faxina pela casa e botasse todas as coisas dele num saco preto e deixasse junto com as malas. Assim eu fiz.
Na hora do almoço, quando ele chegou, ela estava vestida de gala. Com um vestido vermelho, as costas todas de fora, sapatos de salto fino, cheia de jóias, bem maquiada e com uma cara de deboche.
Ele nem teve tempo de perguntar o que havia acontecido. Ela já estava tocando todas aqueles enfeites caros nele. É. Aqueles enfeites que ela sempre dizia pra eu ter cuidado ao tirar o pó. Esses mesmos. Todos começaram a se espatifar no chão e a virar caquinhos.
E ele fazia uma dança muito esquisita, pulando de um pé no outro e meio que cantando: ” Para amorsinho! Não foi bem assim que aconteceu…”
Do outro lado da sala ela ria. Cada peça que atirava nele dava mais satisfação nela. E cada pedido dele fazia ela rir mais ainda.
Enfim ele resolveu sair. Pegou as malas, o saco preto e ia pegando o cachorro quando ela começou a jogar os vasos de plantas nele. ” As samambaias não”. Pensei, não falei. Conheço bem aquele ditado que diz que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. E além do mais ia sobrar pra mim. Ele desistiu de pegar o cachorro. Entrou no carro e saiu chispado.
Ela se sentou. Parou de rir. Ficou olhando pro nada e pediu uma taça de champagne. Tomou de um gole só. Jogou a taça no chão e começou a chorar. Ficou ali, sentada a tarde toda chorando. depois subiu pro quarto se arrumou e saio de novo. Desça vez com calça de brim, blusa e sapatos.
Voltou já era noite. Cheia de sacolas e de ótimo humor. Servi a janta e depois ela começou a me mostrar as compras. Trouxe até uma blusa pra mim e uma lembrancinha pra cada uma das minhas crianças.
Vai entender… eu não entendi nada. Mas também não perguntei. Só sei o que eu vi e foi assim. essa gente rica é mesmo engraçada. Ou será que ela tava com essa tal de “TPM”?

O sonho acabou

E o sonho acabou. A música mudou, a vida girou, a página virou. As coisas mudaram. Passou o verão, veio às chuvas, o frio. Tudo são fases. Tem dias que o mundo desaba na sua cabeça outros ele sorri, te convidando a viver, a sentir, a rir ou chorar.
Uma história de amor, um emprego, uma viagem, uma mudança, uma arrumação, mesmo que seja do guarda roupa, trazem sentimentos, ações e reações. Não tenho muito propósito, nem assunto, nem motivo, só lágrimas fugindo dos olhos. Não sei se estou triste ou feliz, só sei que mais um sonho se acabou. Outros virão, mais fortes, mais eternos, mais apaixonados e terminarão também. Porque a vida é assim. Feita de ciclos.
Eu queria ser perfeita, agradar a todos, entender a todos, aceitar todos, mas não sou. Ninguém é.
O que me resta é chorar pelo sonho findado, me permitir sofrer por ele, ficar de luto e esperar cicatrizar. Porque tudo cicatriza. Não há dor que seja eterna. Porque depois disso eu estarei pronta pra sonhar de novo, pra lutar de novo, pra me entregar a outro sonho, um sonho melhorado, aperfeiçoado e quem sabe infinito. Como dizia o poeta infinito enquanto dure. Milhares de sonhos virão, milhares se acabarão, milhares perdurarão, alguns por toda eternidade…
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Nada de novo… Esse texto é muito antigo.
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A falta de idéias ronda minha mente no momento. Pensamentos que não consigo traduzir se fazem presentes e bloqueiam minha escrita.
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Nada que não faça parte da vida adulta.
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Espero amanhã conseguir escrever algo novo.
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Aff! Os dias continuam cinzas e agora isso já está me encomodando…

Sempre se sabe

Ela soube. E bastou ela saber pro seu coração palpitar. Uma alucinação tomou conta dela. Por que? Pra que? Há mais de dois anos que tudo havia acabado, cada um seguiu um rumo. Ela estava casada e ele namorando. A vida de ambos continuava igual ela correndo atrás de segurança e ele atrás de aventura.
Mas ela soube, soube que ele havia voltado, soube onde estava e até o número do telefone descobriu. E aquele desejo, não de ter mas de saber, de ver, voltou à tona. Obcecada. Essa era a palavra usada na terapia. O que sentia era uma obsessão, uma doença como afirmava a terapeuta. Era como um vício, que é impossível largar, se desfazer, sem ajuda e sacrifício. Assim era o desejo. Não havia forma de curar aquela doença.
Ela chorava por dentro,no fundo não queria se curar, queria estar com ele, permanecer daquela forma viciada e obcecada ao lado dele, mas sabia que a dor era dividida. Ele sentia tanta falta dela que inconscientemente se fazia presente. Por amigos vinham os recados, as notícias propositais e a pedido dele.
Mas que a ela machucavam, aumentavam a necessidade da droga, do sentimento, do desejo. Decidido. Dessa vez ela diria. Botaria um ponto final. Afinal todas as histórias precisam um dia terminar e aquela se fazia presente justamente pelo inacabado, pelo não discutido e dito tantas vezes nas intermináveis sessões de analise.
Ligou. Ele atendeu. Ela desligou. Ele sentiu um arrepio, uma euforia incontrolável. Sabia que era ela. Ligou de volta e ela atendeu. Ele disse oi. Conversaram por horas. Ela marcou o encontro. Ele topou.
Não conseguiam se olhar tremia as mãos dela, suavam as dele. Também não foi preciso falar. No momento em que os olhos se encontraram os corpos falaram. As mãos se entrelaçaram, as bocas se uniram e a comunhão das almas… Aconteceu.
Depois de tanto tempo os cheiros, os gostos, os toques eram os mesmos. Eram aqueles que a faziam suspirar, os mesmos que o faziam perder o sono, a fome, o tino. Igual. As palavras presas na garganta se soltaram como gritos, gemidos, suspiros e delírios de amor.
Não era preciso palavras, elas estavam no ar, na alma, nos corpos e nas paredes daquele quarto. Ela soube. Só havia um caminho a seguir. Ele entendeu não havia como fugir.

A vida é justa no fim das contas…

Hoje vai chover. Depois de um longo tempo sem uma gotinha de chuva caída do céu. Hoje as nuvens vão desabar. Molhando a terra, a grama, dando uma certa paz e calma pra todos nós.
Detesto dias cinzas, mas esse, em particular ,se mostra um dia feio com muita alegria. A chuva que vai cair renovará esperanças, trará novas vidas, novas cores a uma terra sofrida. Essa chuva tão esperada e pouco prometida anuncia novos tempos, traz no ar cheiro de coisas boas. É a renovação de um ciclo.
No fim das contas a vida é justa. De uma forma ou de outra sempre nos ensina a valorizar o que não temos. A enxergar o outro lado da moeda e a aprender importantes lições.
A chuva… Lá vem ela. Vejo as nuvens se armarem, se encontrarem. Os sons do céu se aproximarem da terra e os clarões iluminarem tudo que está cinza.
Como posso eu ser egoísta e ficar triste diante de um espetáculo tão belo? Como podemos simplesmente associar dias cinzas a coisas ruins, se os dias cinzas são um fenômeno tão belo e, hoje em especial, trazem tanta paz pra nossa gente?
Chuva… Vem logo chuva… Molha essa terra, lava teus filhos, pufirica tuas almas…
A vida é justa sim… Dias de sol antecedem dias de chuva que antecedem dias de sol. É apenas mais um ciclo. Apenas mais um metáfora, apenas mais uma vez no fim das contas.
E pra que essa prosa não fique sem um causo lembro de todas as vezes que meu sol se escondeu, que o tempo fechou, que o dia nublou e que chorei. E agora dou risada, pulo de alegria e me pego sorrindo porque o dia esta cinza. Porque a chuva esta chegando e estou sentindo o cheiro da terra molhada, da grama agradecendo por essas gotas tão abençoadas.
A ameixeira balança, como se agradecesse o vento que sopra. a grama tão seca já parece se refestelar só com o barulho do trovão… Quem um dia disse que um dia cinza tem que ser triste?
O sol faz falta sim… Mas os dias nublados também. O calor tem seus atrativos. O frio suas seduções. Sempre dá pra ser feliz.
Avida é justa sim… No fim das contas!

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Minha amiga Nathália usou essa frase ontem em uma conversa sobre um assunto nada haver com esse. Mas foi o suficiente pra me dar conta de como, ás vezes, não exergamos as coisas óbivias… Pense você também…
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Muito obrigado mamãe!!!

Sexta- feira enquanto arrumava a casa fiquei pensando em quantos “tiques” herdei da minha mãe. Sim porque arrumar a casa é um ótimo exercício de reflexão. Penso muito, invento histórias, deixo a imaginação ir longe e voltar. Vou começar a fazer isso com um gravador. Assim as idéias não fogem.

Mas voltando as minhas reflexão sobre os “tiques” herdados de minha mãe fiquei viajando nisso enquanto arrumava o quarto de minha filha. Estendi os lençois, dobrei as roupas e pensei como a Eduarda podia ser tão bagunceira e descuidada com suas coisas. Exatamente nesse momento comecei a rir sozinha e me lembrar da minha mãe brigando comigo pelos mesmos motivos. Como eu era descuida e bagunceira. Vivia perdendo coisas e ela sempre brigando.

Sou uma mãe diferente da minha em muitos aspectos. Em outros nem tanto. Gosto da minha casa, gosto de arruma-la, de enfeita-la. Sinto prazer em estar nela. Brigo com a Eduarda pra cuidar das suas coisas, arrumar o seu quarto e guarda roupa, comer direito. Nisso sou igual a minha mãe.

Adoro cozinhar! tenho prazer em fazer comidinhas que os outros gostem! Sou uma pessoa simples, não muito vaidosa, sem muita pose e nisso sou totalmente diferente de mamãe!

Mas sou assim por causa dela. Ela que me criou, me educou, me amou e fez sempre o melhor pra mim. Me apoiou, me deu bronca na hora certa. Foi minha maior inimiga na adolescencia e hoje é a minha maior amiga. Minha fã número um e aquele colo que sempre esta lá.

Brigamos muito. Nossos gênios são muito diferentes mas é por ela ser do jetinho que é que me deixou livre pra ser eu do jeitinho que sou. Sei que algumas coisas ela queria que fossem diferentes pra mim, mas também sei que, mesmo não sendo exatamente do jeito que ela queria, ela se orgulha de mim e me apoia.

Muito obrigado mamãe! Muito obrigado por tudo. Pelas palavras de consolo, pelo apoio, pelos puxões de orelha, pelos colos, por sempre ter me amado tanto, por ter tanto orgulho de mim e por ser minha maior amiga!!!

Te amo mãe! Um feliz dia das mães mesmo estando longe de mim!

Da filhinha caseira que gosta de tudo arrumadinho igualsinho a ti!

Sinais de amizade

“Lu, sabe a que conclusão eu cheguei? Que o granulado é mais viajado que nós. Já morou no Rio, em Porto Alegre, São Borja e agora em Córdoba…”

Parece que conversa de louco, certo? Mas eu explico. O ano passado eu fazia negrinhos (jeito que o gaúcho chama brigadeiro) pro meu, na época, namorado vender pros amigos no alojamento (eles faziam um curso onde eram internos).

Quando o curso dele acabou saímos do Rio e fomos pra Porto Alegre. E todo o granulado que sobrou foi junto. Ficamos dois meses em Porto com o granulado e depois nos mudamos pra São Borja trazendo o bem dito.

Acontece que minha amiguinha que está fazendo intercâmbio em Córdoba, na Argentina, veio passar uns dias com a gente e comentou que lá o granulado era muito ruim. Na hora lembrei do meu e dei pra ela levar.

Assim, depois que ela voltou pra Córdoba, chegou a conclusão de que o granulado era mais viajado que nós. Ou melhor, mais viajado que eu. Porque ela foi em todos as minhas casas, as mesmas que o granulado morou.

Portanto, a partir de agora faremos saquinhos com o granulado que irão a todos os lugares que iremos conhecer um dia como símbolo da nossa amizade. Bobagem? Que nada. Tantas pessoas tem talismãs por aí, por que não podemos ter o granulado como nosso?

Tirando toda a brincadeira, isso me fez refletir sobre sinais de amizade. Sou uma pessoa de muitos conhecidos. Porém poucos amigos. Amigos mesmo, no sentido do dicionário. Aqueles a quem se confia seus maiores medos, suas maiores angustias. Aqueles que você pode contar a qualquer hora do dia ou da noite.

Nos momentos mais difíceis é que realmente vemos quem são nossos amigos. Quem faz a diferença em nossa vida. Quem vai ficar pra sempre apesar das distâncias, das barreiras e da falta de contato.

Meus amigos nem sempre sabem tudo que está acontecendo no meu mundinho. Mas isso não importa, porque a hora que encontra-los, depois de dez minutos de atualizações resumidas, parece que não deixamos de nos ver por um segundo.

Amizade é assim. Podem haver desavenças, opiniões contraditórias, vontade de mandar longe, mas eles seguem fiéis. E os que não seguem, bem esses nunca foram seus amigos. Talvez estivessem no caminho, mas por algum motivo pegaram um entroncamento errado.

Tem também aqueles que se afastam da estrada e voltam na próxima curva. O importante vai ser prestar atenção no próximo desvio. Se ele seguir junto aí sim, pode-se dizer que é amigo.

Meus amigos sabem que o são e pronto. Isso basta. Eu sei que sou amiga deles e pronto. Isso me basta. Não precisa disputar a amizade com um próximo conhecido do caminho. Sempre tem lugar pra todo mundo.

E pra essa minha amiguinha especial fica a mensagem: O granulado sempre será nosso símbolo!

A imprensa não poderia…

Dessa vez é um desabafo. Eu sei que não vou mudar o mundo com minhas críticas e teorias mas não consigo ficar parada. Me irrita, me congela e me deixa deprimida certas coisas…
Chegou hoje pra mim a noticia de um blog. Um blog de uma “donzela” que tem encontros sexuais com famosos pela internet. Ela usa o msn e a web cam ( web cam é uma camêra de vídeo que fica acoplada ao computador onde você pode tirar fotos, ver a imagem da pessoa do outro lado e, se tiver um programa, gravar vídeos.)
Os famosos, nem são tão famosos assim, pelo menos não figuram na minha lista de amigos. Mas são pessoas conhecidas pelo povo em geral.
Bom, essa mocinha criou um blog pra postar esses vídeos, fotos e conversas que ela tem pelo msn ou que recebe de outras pessoas desocupadas.
Até aí, cada um faz o que quer e publica em seu blog o que der na veneta. O que mais me indigna é a imprensa. O ibope que dão a ela. Os tais “famosos” fazendo escândalos. Querendo processar ela. Mas por que? Eles não fizeram sexo com ela pela web?
A imprensa aproveita tudo isso. E a menina ainda tem o topete de dizer que só dará entrevista na TV pro Fantástico. Juro que se o Fantástico chamar ela nunca mais ligo a TV na Globo. O que pra mim seria o fim da televisão, já que em São Borja é o único canal que pega sem parabólica.
Tantas coisas legais pra se noticiarem, tantos exemplos positivos pros nossos filhos e os meios de comunicação só querem os circos. “Ah… Mas o povo gosta de circo”. A população gosta de circo porque eles estão acostumados com isso. Não existem outras coisas. Tanto é que quando existem eles rapidinho aprendem a gostar do que é bom.
Você não acredita? Então olhe os exemplos a sua volta. Olha os cursos que são criados em favelas, morros e vilas e que nos revelam verdadeiros talentos.
Eu sonho, utopicamente, em ainda ver na TV programas culturais e que realmente alimentem as pessoas com coisas boas. Nos canais abertos é claro. Porque de nada adianta ter esses programas em canais fechados.
Acredito que um dia revistas, que não sejam só de fofocas, estarão disponíveis a todos. Os jornais terão mais conteúdo, menos violência.
Utopia, pura utopia. Mas não é por isso que não vou usar esse espaço pra falar da minha indignação. Pra falar que os maus exemplos estão aí sendo transmitidos, enquanto os bons exemplos tem grande dificuldade de aparecer apesar de existir em dobro.
Sim. Ela pode fazer o que quiser. Sim. ela tem o direito de ser famosa. Não. A imprensa não deveria colaborar com isso.
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Me recuso a citar o blog ou pagina do orkut dela. Estaria eu sendo hipócrita e ajudando a promove- lá. Por isso não citei seu nome.

Boa noite Cinderela

Moreno, alto, bonito sensual. Talvez ele fosse a solução dos problemas de qualquer mulher. Só tinha um defeito: era covarde. Não conseguia levar nenhum relacionamento a sério e por isso sempre aprontava alguma coisa. Afinal, como um bom representante do sexo masculino, nunca conseguia acabar uma relação.Sempre foi assim e não tinha nenhuma desculpa esfarrapada como uma ex noiva maluca, alguma mulher que tivesse metido-lhe um par de guampas ou alguém que tentasse cortar seu mais precioso bem fora.
Todas que passavam por suas mãos sofriam. E não perdoava nenhum tipo de mulher: baixa, alta, magra, gorda, loira, morena, branca, negra ou oriental. O que passava por perto ele traçava. Traçava e depois, quando o caso ia ficando sério caia fora. Morria de medo que algumas dessas mulheres engravidasse ou só estivesse atrás de dinheiro. Por isso fez vasectomia e andava sempre como uma maloqueiro. Mas como era charmoso e sedutor, apesar de sua aparência, elas sempre caiam na sua conversa mole.
Foi pela internet que tudo mudou. Renata, uma menina loira de olhos azuis, muito bonita, com curvas perfeitas, entrou em contato com ele. Ela o seduzia a cada frase e ele ficava cada vez mais enlouquecido pra conhece-la. Todas as noites se falavam pela internet. Ele insistia que queria vê-la e ela negava-se a dar um telefone. Moravam em cidades diferentes, mas isso não fazia diferença. Rafael era capaz de ir a qualquer lugar pra conhecer aquela guria. Depois de muitas conversas e dele já estar bem envolvido um dia ela apresentou, pela internet mesmo, um amigo pra ele. A desculpa era que esse amigo tinha a mesma profissão que ele.
Rafael, que já não saia mais de casa, já não pegava mais nenhuma mulher e nem aprontava nada, ficou amigo do tal amigo dela, só pra lhe agradar. Renata vivia falando dele, de suas qualidades, de como era querido e tudo mais. Rafael ouvia mas só queria mesmo saber era de traçar a mocinha.
Chegou a oportunidade. Ele iria fazer um curso na cidade dela. Marcaram um encontro. Numa praça. Ela não apareceu. Mas seu fiel escudeiro sim. Deu uma desculpa esfarrapada pra Rafael e combinou de irem numa festa a noite, onde com certeza Renata estaria.
Rafael tomou banho, se perfumou, checou o hálito várias vezes. De hoje Renata não escaparia e ele ficaria livre da obsessão pela menina e poderia voltar a sua rotina de garanhão.
Na festa, nada de Renata, seu amigo dava desculpas de que ela chegaria a qualquer momento, enquanto os dois iam bebendo. Lá pelas tantas Rafael começou a ficar zonzo. Não diferenciava mais as imagens e nem sabia o que estava fazendo direito.
– Eu sou a Renata!
Como? Estava beijando o amigo dela. Mas ele dizia que era a Renata? O mundo apagou ao seu redor e de nada mais Rafael lembrou. Só de acordar, no outro dia, com uma enorme dor de cabeça, uma dificuldade de movimentos e ao lado do amigo dela.
Nunca mais foi o mesmo. Nunca contou o acontecido pra ninguém. Deixou de ser galinha. Casou-se e até meio broxa ficou. Anos mais tarde descobriu que tinham lhe dado, naquela noite, um “boa noite Cinderela”. E que havia caído num golpe antigo. Mas igual nunca contou pra ninguém…
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Em tempo: Depois da minha indignação em ” As pessoas tem mais que…” Olhem o vídeo desse jornalista: http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspxuf=1&contentID=59705&channel=47
Concordo em número, gênero e grau com ele!
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Tenho recebido bastantes elogios! Obrigado a todos e continuem comentando! Só assim eu sei se estou no caminho certo!!!

O encontro

O encontro impossível aconteceu. Anos mais tarde no aeroporto, na Ilha do Governador. Enquanto o avião se aproximava com a vista deslumbrante, das primeiras horas da manhã na Baía de Guanabara, ela lembrava-se da última vez que tinha estado ali e, por um segundo seu coração acelerou: “Bobagem”, pensou.

Ela vinha, ele ia. Se esbarraram por acaso na banca de revistas. Ela comprava uma revista política, ele uma playboy. Sem querer trombaram. Ele pediu desculpas sem prestar atenção. Ela sem levantar a cabeça disse: “não foi nada”.

A voz que ecoou no tímpano dele fez seu coração disparar e suas mãos suarem frio. Lembrou da última vez que havia sentido isso. Olhou rápido, mas ela estava de costas. “Só porque estou aqui meu inconsciente está tentando me pregar uma peça”, pensou ele ingenuamente.

Dirigiu-se ao caixa, ela parou na fila atrás dele. Achou familiar o jeito do moço da frente, mas nem perdeu tempo em associar ao presságio que havia sentido no momento em que o avião pousava. Ele pagou e ia sair quando de novo a empurrou.

Virou-se para, novamente, pedir desculpas e seus olhos pararam atônitos, imóveis no que estava vendo. Ela mal conseguiu pensar, naquele momento só conseguia enxerga-lo, mas parecia que não estava vendo. Ele sorriu e a cumprimentou. Ela não sabia se o abraçava ou se sentava a mão em sua cara. Dez anos! Dez anos fazia que não se viam, que não tinha notícias dele.

Ele convidou para tomar um café, ela queria atirar o café nele. Pensou em porque não se encontraram mais, lembrou de como foi a despedida e suas pernas amoleceram. O que ele fazia ali, agora? Perguntou. Ele ia viajar a trabalho, mas seu vôo estava atrasado, e só sairia a noite. Ela estava chegando a trabalho, mas sua reunião só seria no outro dia. tinha se adiantado em função do caos aéreo.

Parecia um dejavu. Foram passear pela Ilha, cenário da grande paixão que haviam vivido tantos anos antes. Ele sorria e contava suas viagens. Ela queria saber porque ele nunca havia lhe telefonado, mas não tinha coragem.

Andaram por aquele recanto tão abençoado por Deus. com cheiro de mar e jeito de cidade pequena, que nem parecia fazer parte da agitação do resto da cidade.

Foram a praia da Bica, caminharam olhando o movimento e jogando conversa fora. A todo momento ela não entendia o que estava acontecendo e por mais que quisesse refletir, ele falava tanto que a deixava confusa em seus pensamentos. Por sua vez, ele pensava que quanto mais falasse menos chance daria pra que ela questionasse o que havia acontecido.

Lembraram do dia que passaram juntos, daquela mesma forma, se conhecendo ao acaso. dentro do aeroporto, dividindo uma mesa, na praça de alimentação. Era final de férias de verão. Ela tentava voltar pra casa, ele tinha um congresso. Ambos precisavam pegar o avião, mas nenhum dos dois havia conseguido.

O aeroporto lotado. Ele sentado tomando chá mate e comendo pão de queijo, ela de pé com uma bandeja de fast food, procurando lugar pra sentar. Ele convidou, ela aceitou. Começaram a conversar. Primeiro reclamaram dos atrasos nos vôos. Depois sobre a vida, piadas e amores. O vôo dela foi anunciado. Só partiria no outro dia. Chamaram o dele. Só de madrugada. O que fariam?

Resolveram passear pela Ilha do Governador pra se distrair. Depois de tantas risadas e conversas ele falou: ” Foi amor a primeira vista”. Ela concordou. Amaram-se até a hora do vôo dele. Mil promessas e juras de amor trocadas. Ele ligaria assim que voltasse do congresso. Ela esperaria ansiosa.

Voltou para sua cidade e contava para as amigas que não acreditavam em tamanha loucura. Com o passar do tempo, as amigas passaram a sacanear ela: ” Você imaginou tudo isso”. Ele nunca ligou.

Depois de tanto recordarem ela criou coragem e perguntou: “Por que você nunca ligou?”

“Perdi o guardanapo”, foi só o que ele disse. Ambos deram risadas. trocaram beijos e abraços, juras e promessas e voltaram pro aeroporto.

O vôo dele foi anunciado. Despediram-se. Ele saiu. Ela pegou um táxi. Ele pensou: “Não peguei o telefone dela”. Ela sorriu: ” Mais uns dez anos e encontro ele de novo”.