O novo amor

Não dava mais pra disfarçar. Estava estampado no rosto dela. Um sorriso diferente. Um olhar mais atento, com mais brilho. Um perfume novo. Uma roupa mais sexy. Uma maquiagem sutil, que demonstrava uma preocupação com a aparência.
Depois de 20 anos de casada, ela nunca havia se recuperado do dia em que ele chegou em casa dizendo: “ Aluguei um apartamento e estou saindo de casa”. Foi um choque. Nunca imaginou que se separaria. Achava que eram felizes.
Foram cinco longos anos de depressão. Longos anos de luto. Velava o marido vivo. Acreditava na volta e cada vez que encontrava com ele pensava que era o começo de uma nova etapa. Até aquele dia.
Não tinha mais motivos pra usar preto. Sentia vontade de se maquiar, se enfeitar. Voltar a ser mulher. Não sentia mais nada por ele. Guardava em um arquivo de sua memória os bons momentos vividos. O resto tinha deletado junto com seus sentimentos por ele.
Foi por isso, ou talvez porque havia chegado a hora certa, que um novo amor aconteceu. Terno e sereno. Mais maduro, mais forte e mais selvagem que o anterior. Sentia um fogo que consumia sua pele ao sentir a presença dele.
Procurava em sua memória se alguma vez o outro, o ex, tinha despertado tamanho calor em sua carne. Não encontrava a resposta. Talvez tivesse deletado junto com o sentimento. Talvez nunca tivesse acontecido.
Era tão ingênua. Será que alguma vez amou o marido? Será que uma simples feição e compatibilidade de gênios a tivessem enganado por vinte anos? Talvez só agora estivesse conhecendo o amor de verdade.
Não importava. O que sentia a deixava feliz. O passado lhe deixava tranquila. A vida nova lhe dava esperanças, lhe trazia paz e ao mesmo tempo inquietude. Lhe dava o elixir da vida eterna. Não que antes fosse infeliz. Com o outro, o ex, apenas vivia. Ou melhor sobrevivia as coisas do dia a dia. Com o atual se consumia em paixão. Agora sim, sentia vida correndo em suas veias.
Quanto tempo desperdiçou achando que sua vida acabara com o fim do casamento. Quantas noites deixou o travesseiro empapado de lágrimas por alguém, que hoje, ela nem tinha certeza de um dia ter realmente amado.
Agora sorria. Andava pelas ruas e percebia os olhares masculinos. Gostava disso. Em outras épocas se sentiria envergonhada. Agora não. Um alvoroço passava por seu corpo cada vez que era cobiçada por um olhar.
Acordava cedo antes pra preparar o café. Agora pra se enfeitar. Tomar um longo banho, se perfumar, escolher uma bela roupa e sair pra caminhar. Sair pra viver. Entrava e sai de lojas não com o puro sentimento consumista de outrora, mas com o desejo desenfreado de sentir-se livre, bela e feliz.
Não tinha mais vergonha de rir. Entendia as piadas e acha graça de si mesmo em outros tempos. Como pode viver tantos anos assim? Aprendeu com o novo amor coisas que jamais lhe passaram pela cabeça que poderiam ser feitas. E com o outro, só aprendeu as coisas que nunca mas queria em sua vida.
Não importava se duraria pra sempre. Não interessava se amanhã terminaria. Apenas o agora, o hoje, é que fazia sentido pra ela. Somente o amor novo, não por outro homem, mas por ela mesma, que significava alguma coisa naquela vida.

Você gostaria de ler? Preciso de opiniões…

Bonitinhos e Bonitinhas,
Esse post é um pouco diferente… Na verdade ele é uma enquete pra me ajudar. Então, por favor deixem seus comentários e respondam os mails… Assim eu posso ter uma noção.
Falando em mails, o pessoal que está recebendo o blog por mail e não quiser mais, basta me responder que faço e exclusão da lista. Isso vale pro meus amados professores do IPA que andaram recebendo sem eu saber…
A brincadeira é a seguinte… Vou postar duas opções de resumo de uma mesma história e é só o pessoal deixar sua opinião, sobre qual gostam mais e qual desperta mais interesse… Os dois são bem parecidos.
E aproveitando essa lenga, lenga inicial meus eternos agradecimentos a minha amiga Carla Mara que fez o primeiro texto e que no segundo usei quase tudo, acrescentando alguma coisa…
Aí vai as opções:
1)
Amar só se ama uma vez…frase dita por uma amiga de Suzana, personagem envolvente que vive um amor com Gabriel, mas como uma boa historia de amor existe o triângulo amoroso com Fabrício. Dois homens uma mulher e muitas situações vividas por todos. Amigas inseparáveis e uma frase profética. Suzana de olhos cativantes e um sorriso que ilumina tudo, se fez forte diante situações difíceis, ao seu lado Fabrício, no seu coração Gabriel e na cabeça o desejo de ser feliz que transbordava de seu olhar.A previsão feita por uma cigana demorou, mas Suzana teve a prova que era verdade. Demore o tempo que for preciso, mas uma história de amor, sempre tem final feliz, mesmo quando as esperanças não existem mais, mesmo quando um amor vivido fique somente em nossas mais doces lembranças, ou nem tão doces assim.Destino, se você acredita nele! Não desperdice sua chance…Amar só se ama uma vez…
2)
Amar só se ama uma vez… Era assim que Laura, melhor amiga de Suzana via o amor. Pra Suzana isso não fazia o menor sentindo, até que Gabriel aparece em sua vida. Suzana, uma mulher envolvente, que vive todos os dilemas femininos e Gabriel um rapaz comum, como todos os medos masculinos. Mas como uma boa historia de amor existe o triângulo amoroso com Fabrício. Dois homens uma mulher e muitas situações vividas por todos. Situações comuns, do dia a dia de qualquer pessoa, que entre os três tomam vida e cor.
Amigas inseparáveis e uma frase profética. Suzana de olhos cativantes e um sorriso que ilumina tudo, se fez forte diante situações difíceis, ao seu lado Fabrício, no seu coração Gabriel e na cabeça o desejo de ser feliz que transbordava de seu olhar.
A previsão feita por uma cigana demorou, mas Suzana teve a prova que era verdade. Demore o tempo que for preciso, mas uma história de amor, sempre tem final feliz, mesmo quando as esperanças não existem mais, mesmo quando um amor vivido fique somente em nossas mais doces lembranças, ou nem tão doces assim. Destino, se você acredita nele! Não desperdice sua chance…Amar só se ama uma vez…
E aí gostaram? Não gostaram? Acharam qual mais interessante? Postem seus comentários…

Momentos

Tudo aconteceu tão rápido que Marcela nem entendeu. Foi como um suspiro, um espirro ou um piscar de olhos. Um momento apenas. Sentada no metrô, voltando pra casa, lendo um livro, como todos os dias uteis. Era apenas mais um dia de trabalho. A recém segunda feira. Tinha uma semana inteira pela frente.
A porta do metrô se abriu na estação. Um milhão de pessoas entraram. Outro milhão saíram. Marcela seguiu sentada. Sem tirar os olhos do livro. O rapaz do seu lado se levantou. Uma senhora sentou. A senhora ficou resmungando algo bem baixinho.
Marcela perdeu a concentração e resolveu prestar atenção nas lamurias da senhora. Deveria ter uns 80 anos. Estava bem vestida. Cabelos bem penteados e presos num daqueles coques de vovó. Usa um óculos grosso na ponta do nariz. E resmungava baixinho.
O ouvido de Marcela se esforçou ao máximo pra entender o que a velhinha dizia. Mas quanto mais ela tentava menos conseguia. Foi nesse momento que ouviu assim: “Marcela toma cuidado com o homem do outro lado”
Ela virou pro lado, viu o homem. Um homem bem arrumado com um jornal na mão. Voltou a virar pra senhora e lá já estava outra pessoa sentada. Olhou novamente pro homem e ele também havia sumido. Um milhão de pessoas descendo e outro milhão subindo no metrô. Não viu mais os dois.
Será que tinha imaginado? Talvez andasse tão cansada que andava delirando. Como a senhora saberia seu nome? E qual o perigo que o homem apresentava? Tentou esquecer lendo seu livro mais um pouco. Levantou. Um milhão de pessoas subindo e ela tentando descer.
Foi caminhando pra casa como todos os dias. Meio desconfiada, a todo minuto olhava pra trás. Teria ficado paranóica com a senhora? Meteu a mão na bolsa pra pegar a chave. A bolsa estava vazia. Não tinha chave, não tinha carteira, não tinha agenda, não tinha celular. Não tinha nada.

A solidão que socializa

Todos os dias, muitas pessoas, pelo mundo, se conectam à internet. Pessoas das mais variadas idades, raças e classes sociais. Algumas em busca de informação, outras atrás de seus recados e contatos ou, ainda, à procura de companhia e relacionamentos.
“Eu entrei na ‘net’ para descansar um pouco do trabalho. Estava me sentido sozinho e carente aqui”. Declarações como essa, do programador de informática Felipe*, 32 anos, são comuns aos usuários de chats, as são salas virtuais onde pessoas se conectam para conversar.
Os usuários entram para “arejar a cabeça”, entram em função da solidão que sentem. Recorrem à internet por motivos variados, mas todos os entrevistados confessam o sentimento de carência, seja ela amorosa ou não. É a falta de algo que leva essas pessoas a buscar algo no mundo virtual.
A busca pode variar entre amor, amizades e sexo: “procuro sexo. Procuro mulheres lindas e maravilhosas sedentas por sexo seguro. Sou casado, mas sou sincero. Só saí com umas quatro mulheres daqui em três anos, porque tem todo um trabalho de convencimento e não quero me expor. Não quero amantes, só casos. Saídas de,no máximo, uma vez”, afirma o contador Tom*, 40.
Garotos de programa usam o meio virtual para promover seu emprego e aumentar a “carteira” de clientes: “faço programas há um ano e meio. Só atendo mulheres. Conheço elas pelo chat e, se rolar um clima, saímos. Eu não sou daqueles que chegam, vão tirando a roupa, sobem pra cima da mulher, ficam transando, mal e porcamente, 15 minutos e vão embora… Eu procuro conversar antes, tomar um drinque, um banho a dois bem legal, uma massagem de repente! Eu já tenho outro emprego, não cobro caro. Gosto mesmo é do momento, da satisfação. Gosto que a pessoa com quem estou se sinta legal. Grana eu deixo em segundo plano”, brinca Guilherme*, 31, “lover”, como ele se denomina.
Bruno*, 27, está apaixonado. Faz um mês que fala todos os dias com a sua “namorada virtual”. “Ainda não nos conhecemos. Mas, só de telefone, gastei R$800 este mês. Estou sendo correspondido e tenho muitas expectativas quanto a ela. Acho que 90% das pessoas, na net, são
sinceras. Teve uma vez que saí com uma mulher que dizia ter 33 anos e, no final, me confessou que tinha 40. Apesar disso, acho que as pessoas são sinceras sim”, afirma.
O funcionário púbico, Leonardo*, 37, procura relacionamentos casuais na internet. Ele acha muito difícil encontrar algo sério. Sempre é sincero, pois para ele, mentir é perda de tempo e dinheiro. “É uma minoria que mente na net, mas sempre tem, pois a internet favorece isso já que as pessoas se escondem no anonimato”, observa. Saiu com, aproximadamente, 160 mulheres através de chats, mas se envolveu somente com duas. Ele desabafa: “não tenho orgulho disso. Queria ter acertado de primeira”. Ao final da entrevista, Leonardo revela: “man”, tenho
sempre cerca de seis em contato para sair. Mais de seis é difícil de administrar”.
A internet virou uma opção, para conhecer pessoas, quando se tem pouco tempo livre com a vida tumultuada dos tempos atuais. “Eu considero a internet, hoje, um meio bem viável de se conhecer pessoas legais. Principalmente, pra mim que, atualmente, tenho pouco tempo livre, pois o escritório e a faculdade me consomem, praticamente, 80% do meu dia útil de segunda a sexta”, afirma o formando em Direito, Gustavo*, 25.
Nem todos têm experiências positiva na internet. O agente publicitário, Luis*, 43, recém separado, não encontrou o que esperava. “As pessoas não são o que dizem ser. Até as fotos enganam”, reclama.
O estudante, Carlos*, 18, tornou-se um viciado em relações virtuais “um dia, recebi um telefonema a cobrar. Era uma menina. Gostei da voz dela e tudo mais. Então, comecei a puxar papo e fiquei um tempinho conversando com ela só por telefone. Nesse meio tempo de conversa, mudei bastante. Algumas coisas para melhor, outras nem tanto, mas mudei”. Depois disso, Carlos ficou fascinado por conhecer as pessoas “de maneira interpessoal e, logo após, pessoalmente”. O estudante continua: “mas, no caso da internet, só me encontrei uma vez com alguém. E pode ter certeza: é super desagradável, porque daí caí na real que é só pela ‘net’ mesmo a ‘paixão’. Chegando pessoalmente, tem que olhar nos olhos e aí há falsidade. Palavras e frases formadas saem do nosso controle”. Questionado sobre a sinceridade no mundo virtual, ele comenta: “quando as pessoas mentem é porque estão com medo de serem reconhecidas na rua. Na internet, as pessoas e, principalmente, os jovens se abrem sobre sentimento e dúvidas que têm e que não conseguem tirar com pais ou irmãos mais velhos. E mentem, também, quando se sentem enganados”.
Difícil mesmo foi conseguir depoimentos de mulheres. Diferentes dos homens,pelos chats, elas não contam suas histórias a outras mulheres. Nem dão chance de entender o que a reportagem queria. Todas as mulheres foram abordadas fora do mundo virtual, e só se abriram porque existiam laços de amizade com a repórter.
A professora Fernanda*, 26, seguidamente, conhece pessoas pela internet: “sempre que vou sair com alguém, deixo o número do celular com uma amiga, e combino de ligar duas horas depois do encontro para ela saber que está tudo bem”. A estudante Rejane*, 24, não pensou em nada: “saí com um cara, nem pensei nos riscos que estariacorrendo. Ele é conhecido de um amigo, mas nem nos conhecíamos, e tudo foi combinado pela internet. Graças a Deus que ele era uma pessoa legal”,lembrando.
Não foi dessa vez…
“Estava, um dia, batendo papo num chat para passar tempo. Conheci um cara e, em seguida, trocamos o e-mail do MSN . Passamos a nos falar sempre por ali. Uma semana inteira e, quanto mais ele me contava sobre sua vida e seu jeito, mais eu me encantava. Ele insistia para a gente se conhecer, mas fiquei receosa. Afinal, nunca tinha conhecido alguém assim, pela internet.
Eu estava muito curiosa e confesso que apaixonada por ele. Mesmo sem conhecer pessoalmente, sonhava e fantasiava coisas com ele. Acabei topando sair. Fomos num barsinho bem conhecido e tomamos uma cerveja. A conversa rolou como se nos conhecêssemos há anos. Cada minuto que passava, ficava mais fascinada por ele e saímos juntos todos os dias naquela semana.
Quando chegou sábado, ele disse que iria viajar, e eu mandei uma mensagem para o celular dele toda apaixonada. Meu celular tocou e eu atendi toda feliz. Mas não era ele e sim a namorada. Fiquei muito triste e confesso que com bastante receio da internet”. (Mariana*, 26, estudante).
Foi dessa vez…
“Tudo começou quando eu não queria mais sair. Só ficava em casa, no computador. Já tinha conhecido vários rapazes, mas sempre dava um bolo e saía fora. Um dia, conheci uma pessoa que me chamou a atenção com suas brincadeiras. Marcamos de ir ao cinema uma semana depois que falamos na internet. Foi legal. No início, parecia que ele era muito tímido, mas não era. Era muito apressado e, com isso, eu já queria ‘dar um fora’ nele no terceirodia. Só que, depois de conhecer melhor, não queria mais sair de perto dele.
Ele era muito companheiro, carinhosoe romântico. É difícil ver um homem assim. Começamos a namorar. Foi seis meses só de alegrias. Depois veio um presente, mas que deixou o Pedro* bastante nervoso.
Eu engravidei. Ficamos com medo. Pedro* falava muita besteira e coisas que me deixavam triste. Depois que ele viu a primeira foto do bebê, ficou todo animado e esqueceu tudo que havia falado e pensado em fazer.
O tempo passou e chegou a hora do Matheus nascer. Foi uma loucura. O Pedro* estava trabalhando e eu com ele. Chegamos ao hospital em cinco minutos. Foi muita loucura e correria, mas o Matheus nasceu. Pedro*, que é branco, ficou mais branco e o médico não queria dar o bebê
para ele segurar.
Depois, Matheus foi crescendo e queríamos ter nossa casa. Foi um bom tempo de espera, procurando e vendo o que dava para pagar. Mas conseguimos e, hoje, temos nossa casa, nosso carro zero Km e nosso filhão, que, com um ano e quatro meses, está mais esperto do que o pai.
Às vezes, da vontade de ir embora, de volta para casa de minha mãe por causa de umas briguinhas. Mas daí, bate uma saudade… Dizem que um casal tem de ter brigas, né?”. (Bianca*, 21, estudante).
Palavra de especialista

“O relacionamento on-line é, hoje, uma realidade e penso que vai continuar”, afirma a psicóloga Nair Teresinha Gonçalves. Segundo a terapeuta, as pessoas sempre buscam um relacionamento, e a internet dá uma resposta mais imediata a esse desejo. Mas é muito importante que se construa pontes entre o mundo virtual e o mundo real.
A busca exagerada por alguém pode demonstrar uma insatisfação consigo mesmo. “Possivelmente, as pessoas, que ficam sempre buscando, não encontram satisfação num espaço próprio, sentem-se inseguras. Então, estão sempre buscando fora delas e nunca se satisfazem”, alerta Gonçalves. “Isso torna as relações frágeis quando elas acontecem, pois há uma idealização da outra pessoa e uma crença de que ela vai resolver todos os problemas”, completa a psicóloga.
Um aspecto negativo, apontado por Gonçalves, são as personagens criadas: “o ideal é que as pessoas se mostrem, como são, na internet. As pessoas que não se mostram, geralmente, têm uma carência muito grande, uma auto-estima baixa, não se aceitam, gostariam de ter uma outra vida. Então, se reinventam”.
A reinvenção de si mesmo, como a psicóloga chama, demonstra uma insatisfação com a vida e dificuldades para mudar o que não se gosta: “é importante a pessoa se dar conta do que a está abafando, oprimindo e porque ela não põe em prática seus desejos”, aconselha.
O perigo de se criar personagens é que, na hora de se estabelecer um relacionamento real, eles não vão em frente: “a pessoa com quem se está conversando recebe as informações e cria uma imagem do outro. Apaixona-se por essa imagem. E, quando vê, não é nada daquilo. A imagem desmorona na primeira troca de olhares, inclusive pela mentira. Elas enganam o outro, mas, principalmente, enganam a si mesmas”, comenta a terapeuta.
As paixões virtuais ocorrem por novos paradigmas como explica Gonçalves: “para entendê-las, é preciso que se crie novos paradigmas, porque se ficarmos presos ao olho no olho, atração física, tom de voz, não vamos aceitar as relações amorosas pela web”. Segundo a terapeuta, o que possivelmente existe, na internet, é a cumplicidade, a troca de confidências, as fantasias compartilhadas. Não existe a presença física.
“A internet está aí, e possibilita que as pessoas se conheçam e construam vínculos,antes de uma relação real. Abre caminhos, abre portas”, afirma Gonçalves.
* Todos os nomes são fictícios para preservar a privacidade dos entrevistados

Sa iba quando procurar ajuda
– Quando você substitui o mundo real pelo virtual, epassa mais tempo na internet do que em outras atividades, deixando de lado outros compromissos.
– Quando você se descreve diferente do que você ou sua vida é realmente. Isso é um alerta para si mesmo.
– Quando não consegue estabelecer pontes entre o mundo real e o virtual.
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Matéria publicada na Revista Universo Ipa Ano 1, Edição 2, Dezembro de 2006
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Que saudades daquelas correrias pra cumprir prazos! E saudades dos meus coleguinhas tb!
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Ilusões

Ele não sabia o que fazer. Só agora a ficha caia. Ela nunca gostou dele. Mas era status, glamour e dinheiro. Tudo um jogo. Enquanto ela não conseguia o que queria ele servia. Depois um chute na bunda.
Tudo foi tão lindo, pelo menos pra ele. Como se conheceram. Como se amaram. Como ela topou todas as pedras daquele caminho. Ela era tão dedicada, tão companheira, gostava de tudo que ele gostava.
Ele não media esforços pra agrada-la. Shows, teatros, jantares em restaurantes bons, viagens. Tudo que ela queria. Cursos, roupas, jóias. Ela merecia.
Deixou por ela o amor da outra. Abriu mão da família, dos amigos sinceros, de tudo. Ela era especial. Era tão sincera, amava tanto ele, capaz de tudo por ele.
Agora isso. Formada, mestrada e com escritório próprio não precisava mais dele. E ele ali… Sem saber que rumo tomar.
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Esse caso até da uma certa vergonhasia alheia, né Rani?
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Pior é que as vezes é bem assim e só eles não enxergam…
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Noites de verão

Ele disse que a acompanharia até em casa. Não era longe, algumas quadras e a noite estava realmente agradável. Quente mas não insuportável. Iluminada mas não tanto. Com um leve cheiro de chuva mas não de temporal.
Fazia horas que quando os dois se olhavam faíscas saiam. Conversavam, brincavam e trocavam vários elogios. Ela estudava lá. Ele trabalhava. Agora chegava o final daquele ciclo em sua vida. Estava fazendo o vestibular e o cursinho faria parte do passado dela. Era aquela a última chance de se verem.
Ele estava indeciso. Deveria ou não? Afinal era sua aluna. Mesmo que nunca mais desse aula pra ela, sempre teria sido sua aluna. Mas estava tão linda. Um vestido curtinho, todo colorido, de alcinha. Dava pra ver bem suas curvas. Os cabelos amarrados em um coque totalmente despenteado que salientava sua nunca.
Foram caminhando. Conversando sobre as coisas mais diferentes, sem se quer se tocarem. Até que chegou a escadaria. Um beco do caminho. Estreito e escuro que parecia ter sido colocado ali propositalmente. Enquanto iam descendo as escadas, ela escorregou. Ele segurou. Pronto o mundo parou.
Da mão estendida segurando ela, o abraço. Do abraço apertado, o beijo. Do beijo quente e molhado, a chuva. Sim, aquela chuvinha de verão. Que mal molha, mas refresca. Que te dá uma sensação de alegria.
Foi assim que se amaram. Pela primeira e única vez. Na escadaria do beco, há luz da lua e com a chuva lavando suas almas. Nunca mais se viram. Nunca mais souberam notícias. E nunca esqueceram aquela noite de verão.
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Bom fim de semana! Tô indo viajar! Só não podia deixar essa ideia fugir!
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Por falar em ideia: ela perdeu ou não o acento na reforma “burrográfica”?

“Desentimentalizada”

Passei o dia tentando escrever algo e nada veio na minha mente. Nenhuma frase. Nenhuma linha. Nada. Olhei os mais variados sites, liguei e desliguei a televisão e mesmo assim nenhuma ideia. Um total branco invadiu meu cérebro.Nem das coisas antigas gostei. Todas pareciam cafonas, repetitivas e feias.
Então resolvi escrever sobre isso. A ausência de ideias e sentimentos. Porque são os sentimentos que me fazem escrever e se não escrevo me sinto “desentimentalizada” (acabo de inventar uma nova palavra!).
Amanhã vamos pra Bagé. Dessa vez a gata fica, mas o cachorro vai. Vamos comemorar o aniversário de um aninho do nosso afilhado e aproveitar pra tornar oficial esse apadrinhamento, já que qualquer dia ele está se formando e continua pagãozinho.
Então por isso fico alguns dias fora do ar. Mas prometo voltar com novos causos e novas prosas. Ou velhas… Desde que me despertem algum sentimento!!!

Sou marciana, e daí?

Eu confesso. Sou marciana. Nasci em outro planeta e vim muito pequena pra Terra. Como uma forma de experiência me mandaram pro Brasil. Já que todos meus irmãos E.T.s sempre vão pros Estados Unidos e ficam presos na área 51. Então como forma de me deixar próxima dos maninhos, embora longe fisicamente, me implantaram numa filha gaúcha, na capital cujo o DDD também é 51.

Me adaptei bem a maioria das questões humanas e brasileiras. Aprendi a amar a minha terra, tomar chimarrão, ter orgulho da Revolução Farroupilha e ter uma pontinha de intenção separatista. Isso como gaúcha.

Como brasileira aprendi que pra tudo tem um jeitinho, que futebol, samba, cerveja e bunda são paixões nacionais. Descobri que batalhar, correr atrás de sonhos, acordar cedo e ser vencedor são características desse povo que sofre por não saber fazer boas escolhas políticas. Porque não existe paisagens mais belas que as dessa terra e nem povo mais hospitaleiro e simpático. É meus irmãozinhos que estão em outros cantos do mundo dizem que tenho sorte. E acho que tenho mesmo.

A única coisa que não consigo me adaptar e que continuo me sentindo uma extra terrestre é com a questão das celebridades. Nesse ponto continuo vivendo em Marte. Nunca sei quem são os famosos da vez, as novas bundas e peitos da TV e muito menos os novos hits do momento. Sou capaz de passar na rua por celebridades antigas e não reconhecer. Imagina as novas.

Já até aconteceu. Estava eu indo cortar as jubas. Na época minha cabeleireira trabalhava num hotel famosinho de Porto Alegre. Tinha um certo alvoroço na frente, mas nem dei bola. Entrei no hotel e fui caminhando por salão. Nisso passa 4 meninos e uma menina, todos sorrindo. Ela me deu oi e eu retribuí sem saber de onde os conhecia. Cinco minutos depois soube que eu tinha cumprimentado a Luana Piovanni. E os quatro meninos nada mais eram do que Thierry Figueira, Marcelo Faria, Pedro Vasconcelos e um outro que nunca lembro o nome. Estavam lá em turnê com a peça dos três mosqueteiros.

Outra vez na praia. No Rio. Tô bem sentada e do meu lado uma dessas bundas famosas. Não me pergunta qual que não tenho nem ideia. No dia até fiquei sabendo, mas depois esqueci de novo. E no calçadão? Vários famosos desfilando e eu só me dou conta quando depois vejo alguém correr e pedir autógrafo. Porque até então eu estou concentrada tentando pensar de onde eu conheço.

Agora, imagina hoje, que a cada dia aparece uma nova celebridade instantânea. Não tem como saber quem são, o que fazem e de onde vem. Elas estão lá. Aparecem e desaparecem e acredito que sejam insignificantes demais pra arquivar em meu HD. Tenho muitas outras informações mais relevantes. Muitos fatos marcantes, muitas histórias vividas e pessoas que realmente valem a pena ser arquivadas.

Não sou uma total alienada do mundo das celebridades instantâneas. Elas passam pelos meus olhos. Mas se alguém me perguntar amanhã não tenho a menor noção de quem sejam. Olho, dou risada e deleto. Amanhã vai ter uma nova mesmo…

Sou marciana sim. E daí? Com tanta coisa pra me preocupar o que me interessa a quantidade de silicone de uma, a bunda de outra ou a “melhor banda de todos os tempos da última semana” ?
Os Titãs acertaram em cheio naquela música. E fazendo uma homenagem a eles termino com essa música que é uma ótima crítica a sociedade brasileira.

A melhor banda dos últimos tempos da última semana (Titãs)

Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.

O gênio da última hora,
É o idiota do ano seguinte
O último novo-rico,
É o mais novo pedinte

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então

As músicas mais pedidas
Os discos que vendem mais,
As novidades antigas
Nas páginas do jornais
Um idiota em inglês,
Se é um idiota,
é bem menos que nós

Um idiota em inglês
É bem melhor do que eu e vocês

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então

Os bons meninos de hoje
Eram os rebeldes da outra estação
O ilustre desconhecido
É o novo ídolo do próximo verão

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

Um dia normal

A cama estava quentinha. Os passarinhos mal haviam começado a cantar e a luz do dia a recém lançava seus primeiros olhares sob a terra. “Mais cinco minutinhos”, ela pensou e virou pro lado.
Meia hora depois Bianca deu um pulo da cama. Aqueles cinco minutinhos viraram meia hora e tinham lhe rendido uma boa soneca e um grande atraso. Corre pro banheiro, faz xixi, escova os dentes. Volta pro quarto, abre o guarda roupa. Tira tudo do lugar. Finalmente acha algo pra vestir. Voa pra cozinha. Precisa comer algo rápido. Tem um pão dormido em cima da mesa. Sai comendo pela casa enquanto volta pro banheiro, escova os cabelos, os dentes de novo. Pronto. Só falta os sapatos. Cata eles no armário. Um perfume. A bolsa, a chave de casa. Finalmente está na rua.
Passa no jornaleiro da esquina. Seu Venâncio é um senhor bem velhinho. Tem uma banca de jornais na esquina de sua casa desde que Bianca se conhece por gente. Enquanto ela compra seu jornal diário percebe que todos estão sorrindo de uma maneira estranha. Até o seu Venâncio. Sem entender a piada, mas atrasada demais pra se preocupar, ela segue em direção à parada.
O ônibus. Lá vem ele. Não adianta correr. Não vai chegar ao ponto há tempo. ” Era o que me faltava hoje”, pensou começando a ficar irritada com seu atraso. O que restava era chegar a parada, sentar e esperar.
Começou a ler o jornal. O próximo coletivo demoraria uns vinte minutos e enquanto isso ia adiantando sua leitura matinal. Enquanto lia não percebeu que cada um que chegava ali dava uma risadinha ao olha-la.
Lá vem ele. Sobe no ônibus, aquele empurra, empurra habitual. Achou um lugar ao fundo e sentou. Mais meia hora e estaria no trabalho. A senhora do seu lado não parava de rir. ” O que será que deu nesse povo hoje?”
Desce do coletivo, caminha duas quadras. Todas as pessoas estão mais felizes hoje. Todas sorriem, riem, dão gargalhadas ao passar por ela. ” Nossa! preciso ler o jornal com mais calma… Deve ter acontecido algo muito bom…”
Pronto. Finalmente chegou. Seu chefe vai querer arrancar seu fígado. Entra no prédio, sobe no elevador. ” O mundo está mais simpático hoje ou será que sou eu que sempre estou de mal humor e não percebo?”.
As risadas a seguem. Mesmo no trabalho, as pessoas mais antipáticas hoje estão tão sorridentes. Algo esta errado. Não é possível que tanta gente mude do dia pra noite. Bianca resolve ir até o banheiro, dar uma olhada no espelho pra ver se tudo está bem.
Diante do espelho, olha, analisa, se espreme, confere. Nada de diferente. Faz uma vistoria completa. O rosto está normal, a blusa também. O zíper fechado. Não há absolutamente nada de errado com ela.
Volta pra sua mesa. Trabalha normalmente até a hora do almoço. Sai pra almoçar. O povo no restaurante também está rindo a toa. Vontade de perguntar o que é. Mas Bianca, sempre foi tímida e mesmo curiosa não pergunta pra ninguém.
A tarde parece longa. Se arrasta mas as horas passam. Mais um dia normal. Saí do escritório. Caminha duas quadras. Pega o ônibus. Caminha mais três quadras. Chega em casa. Dá comida pro gato. Vai pro quarto. Troca de blusa. Vai tirar as calças. Precisa tirar os sapatos.
Os sapatos. Um preto e outro marron. Um com fivela dourada e outro com fivela prateada. Os saltos iguais. Mas a textura, a cor e a fivela. Não tinha como alguém não perceber. só ela não enxergou o motivo de toda humanidade estar tão simpática naquele dia. Agora era tarde.

Coisas da vida

Desde o primeiro dia em que se viram Fabiana pensava: “Como pode a gente não estar juntos?”. O engraçado é que eram amigos, parceiros em todos os sentidos. Eram colegas de faculdade, faziam todos os trabalhos juntos. Conseguiram estágio no mesmo lugar. Iam e voltavam da faculdade e do estágio sempre os dois. Gostavam do mesmo tipo de música, de filme, de festa, das mesmas bebidas. Acabara, tornando-se confidentes. Mas naquele dia viraram amantes. Tudo começou numa brincadeira sem nexo de amigos dançando. Uma noite qualquer, apenas mais uma festa. Uma noite linda.
Fazia tempo que Bernardo havia terminado um namoro longo e que havia abalado suas estruturas. Procurava, na verdade, ele um grande amor. Fabiana levava sua vidinha tranquila com um casinho pacato demais para a vida dela, sempre tão agitada.
Sei lá porque de uma dança juntos, passou a ser todas. Um abraço virou um beijo envergonhado na bochecha. E do beijo envergonhado as mãos se deram e das mãos saíram labaredas que chamuscavam o corpo inteiro. O beijo ardente aconteceu naturalmente e daí a saírem juntos da festa e irem pra casa de Bernardo foi simples. O complicado foi o acordar e se encararem. O que havia acontecido? Uma noite apenas?
A duvida agora pairava no ar. Como se olhariam, como seria o próximo dia? Ambos sabiam que não existia nada mais além daquele desejo. Poderiam manter uma amizade e o desejo latente sem se machucarem ou sem um dos dois se apaixonarem? As duvidas dela eram pertinentes as dele. Precisaria-se saber quem daria o primeiro passo, quem teria coragem de dar o primeiro oi. Quem fingiria que nada aconteceu?