Saudades do Rio…

Ai que saudades do Rio de Janeiro! Saudades do calor. Saudades das cores. Saudades de sentir a brisa do mar. De ver as mulheres, andando de botas, apesar de estar fazendo 20 graus. O que pra eles é muito frio. Saudades de tomar café na padaria. De entrar na van e todo mundo conversar. Saudades até de pegar a Avenida Brasil e ficar duas horas nela pra andar 20 km.
Saudades de sentir a saudades que sentia quando estava lá. Olhar pros lados e ver o mais variado tipo de pessoas. Ouvir as minhas vizinhas de manhã cedo batendo boca. Saudades das feiras livres. Do mercadão de madureira. Do centro da cidade. Do cheiro de cultura e civilidade. Das feiras de livros nas praças. Saudades até das pichações e da sujeira.
Saudades da minha tia. Do escritório dela. Das conversas e da Yara. Saudades de passear na beira da praia de madrugada. De olhar as pessoas com aquela corsinha saudável de bronzeado leve. De ver os garotos surfando. As meninas paquerando. Saudades até de ouvir funk.
Saudades dos amigos de lá. Da minha casa cheia de gente. Das jantas, dos acampamentos. Da bagunça que faziam. Saudades de ouvir o Samuel contando das festas. O Ziane estudando. O Isaías saindo pra namorar. O Tolfo contando os dias e o Osni rindo. O Rossato batendo papos cabeça. O Freitas cozinhando. A Carlinha indo me visitar mais uma vez. E a baiana enlouquecendo com a janta. O Joka tomando banho na pia. A Ane e o Marcelo stressados. Tanta coisa naquele pequeno apartamento e a gente só querendo saber de ir embora.
Agora de nada adianta ter saudades. Tinha que ter aproveitado enquanto estava lá. Essa foi a lição mais importante que aprendi depois que sai do Rio. Viver, cada minuto sem pensar no próximo. Agora fico aqui. Pensando em quantas vezes a gente deixou de aproveitar e de curtir pensando em como seria agora.
Ainda volto pra lá. Não a passeio. Volto pra ficar. Morar. Ter a minha casa com a minha família. O que passou, passou. Não volta mais. Sinto saudades e sempre vou sentir. Mas tá tudo guardadinho dentro de mim. Numa caixinha especial da memória. Onde só guardo as coisas boas. Onde só fica o que realmente é importante.
Aí que saudades do Rio de Janeiro! E de tudo de tão bom que vivemos lá!

Será que curiosidade mata?

Sempre fui curiosa. De uns tempos pra cá ando mais do que o normal. Talvez porque me sinto meio excluída da vida dos amigos já que meu contato é somente virtual. Ou pode ser por não ter muitas ocupações. Quem sabe até pelo tédio. Afinal em São Borja não acontece muita coisa. Mas enfim…
Outro dia estava pensando se curiosidade realmente pode matar. Ando me consumindo pra saber uma fofoca. Que obviamente não posso perguntar direto pra pessoa e meus informantes não descobriram ainda. Já fucei orkuts, puxei assuntos, perguntei pra vários conhecidos e ninguém sabe me contar.
Tô assim. Curiosa pra caramba. Preciso descobrir e confesso que só tenho pensado nessa fofoca. Por favor, não pensem que sou fofoqueira. Não sou. Apenas gosto de estar bem informada sobre as coisas do mundo. Principalmente sobre o mundo das pessoas que gosto. Das que não gosto também, claro. Afinal tem um ditado que diz: “ Mantenha os amigos perto e os inimigos mais perto ainda”.
Se bem que a questão aqui não é sobre alguém que eu não gosto. Muito pelo contrário é sobre alguém que gosto muito. Mas não posso perguntar. Então, enquanto meus outros amigos não me contam, eu fico aqui, morrendo de curiosidade.
Exatamente por isso, fiquei pensando: “afinal como se morre de curiosidade?”. Lentamente talvez. Porque afinal ela vai aumentando a cada dia que não se consegue descobrir o que se quer. Porém, ela pode ser rápida. De tanto que ela cresce uma hora explode e você vai pros ares junto.
Fui pesquisar no Dr. Google quais seriam os sintomas da síndrome da curiosidade que pode levar a morte. Não achei resultado nenhum. Concluí então que não vou morrer, de fato, por tanta curiosidade e que posso continuar obcecada pela tal fofoca.
Só que nessa minha consulta descobri um site. Um site de um livro. O site do livro “Guia dos Curiosos”. Nunca tive em minhas mãos um desses. Só ouvi muitas pessoas comentando e algumas críticas positivas. Resolvi bisbilhotar então. Por pura curiosidade mesmo e fui no assunto preferido de toda a humanidade e do qual nunca sei nada: celebridades.
Não descobri nada de muito interessante. Fala lá da vida de um monte de gente. Umas até eu conheço de nome. Outras não tenho a menor ideia de quem sejam. Cheguei então a mais uma conclusão: Prefiro saber mesmo da vida dos meus amigos. Isso sim me mata de curiosidade… Ou pelo menos desperta ela, já que o Dr Google me garantiu que não posso morrer disso.

Onde estão nossos heróis?

Quando eu era criança meu pai e minha mãe eram meus heróis. Depois He-Man, She-Ra e outros ocuparam este lugar na minha vida. Na adolescência os Menudos fizeram de meus sonhos e ideais mais coloridos. Hoje não tenho heróis.

Meus pais e tios comentam de movimentos políticos e culturais. Contam de seus ídolos, seus revolucionários, seus líderes. Contam de seus movimentos, de suas lutas por liberdade, de suas batalhas pessoais e informais para mudar, para tentar construir algo melhor para as futuras gerações. Contam de seus heróis.

Onde estão os nossos? Minha geração não encontra mais referências, não encontra mais líderes, mais ídolos. Não tem mais ideais, está alheia às lutas. Está perdida. Onde estão nossos Getúlios, nossos Brizolas, nossos Bentos Gonçalves? Onde estão os nossos líderes?

Não existe ânimo de votar, não existe interesse político, não existe liderança de um povo. Será que nossa geração que um dia ouviu em sala de aula que era o futuro do Brasil, ficou sem futuro? Sem esperanças?

O cenário político atual desanima, mas desanima ainda mais a falta de motivação, a falta de responsabilidade, a falta de interesse de meus amigos. Entristece saber que nossos pais lutaram pelo futuro de nossa geração e que agora pensamos que política é uma coisa de velho, que é careta.

Estamos alheios, votamos por votar, votamos em quem nossos pais votam, ou então votamos em quem nossos pais não votam por rebeldia. Talvez a política do país seja velha, esteja ultrapassada. Talvez nossos políticos não estão sabendo nos cativar. Talvez, talvez. Mas talvez também nós não sabemos cativar a política, talvez nós estejamos errados não buscando líderes. Um povo sem líderes é um povo sem caminho.

Nossa geração está perdendo o caminho. Será que nossos pais eram assim? Será que tantas lutas foram em vão? Temos muitos questionamentos e poucas respostas, justamente porque não temos líderes.

Não quero um país assim, nem pra mim, nem para meus filhos. Não quero toda essa sujeira e hipocrisia no comando do meu futuro, porque meu futuro depende do futuro do país. Meu futuro depende das eleições, das decisões do povo, e principalmente das decisões (ou não) dos políticos escolhidos por nós.

Quando vamos crescer como seres humanos, evoluir e perceber que estamos todos nos mesmo barco? Um barco que está quase a deriva e que precisa de toda a força pra não naufragar. Um barco que precisa de um novo motor, que precisa de novos rumos e novos comandantes. E comandantes capazes de levar toda a nossa tripulação. Mas me esqueci… Nós não temos mais heróis.

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Aritgo publicado no Jornal Universo Ipa, Ano 1, Edição 3 de outubro de 2006.

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Depois de muitos mails, recados no orkut e conversas no msn preciso prestar um esclarecimento: O conto ” Diário de uma mulher que espera o fim” é apenas um CONTO. Baseado em uma amiga que está passando por uma depressão profunda e se tratando com um médico. A Primeira vez escrevi em terceira pessoa, como meus outros contos, mas não gostei do resultado. Então tentei em primeira pessoa e gostei muito… Mas estou bem, obrigado e não se preocupem. É apenas a personagem que está em depressão.

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Gostei tanto do resultado obtido que estou pensando em uma série assim… ” Diário de uma mulher que…”

De onde vem as ideias…

Muitas pessoas me perguntam de onde vem as ideias. Confesso que não sei. São assuntos com amigos, coisas vividas, fatos que aconteceram com outras pessoas ou vistos na tv, lidos no jornal ou em revistas. São histórias e sei que muitas pessoas se identificam com elas no dia a dia porque são coisas reais.
Sempre tive imaginação fértil. Minhas primeiras lembranças do meu mundo imaginário me remetem ao tempo de escola primária. Fui jogada da sacada da casa de mamãe pelo Nei. Verdade? Não, claro que não. Mas minha imaginação contava como se fosse. Eu joguei golfe por muitos anos. Vocês sabiam? Claro que não. Nunca joguei. Mas meus professores acreditavam que sim.
Depois com os amiguinhos eu fazia parte de um grupo de espiões infantis que tentavam salvar o Brasil de uma invasão européia. Mais tarde tive uma amiga que reencarnou o espírito da mulher do Drácula e procurava alguma coisa pra se libertar dele antes que ele a levasse embora. Tudo mentira. Tudo imaginação.
Quando se é pequeno a linha entre a imaginação e o real é muito tênue. Normalmente as crianças acabam sendo podadas pelos pais. Cada vez que inventam uma história são acusadas de mentirosas e isso faz com que a imaginação vá perdendo força e eles vão se tornando adultos.
Também fui podada muitas vezes, mas por algum motivo minha personalidade não aceitou isso. E continuei pensando nas histórias mirabolantes e vivendo em mundos paralelos. Com o tempo fui aprendendo a diferença entre o real e o imaginário. Entre a mentira e um causo. Entres histórias e estórias.
Na adolescência, fase em que a emoção está em voga e amores platônicos são um rio cheio de lágrimas, descobri o quanto aquele universo me atraia. Não o de namorar em si. Mas o de imaginar os romances. Os encontros e desencontros. Fantasiar os atos do ser desejado. Mesmo que na maioria das vezes ele não soubesse que era desejado.
Foi aí que comecei a escrever. Nesse momento percebi que gostava, de vez em quando, mais do mundo imaginário do que do real. Ganhei uma maquina de escrever (sou velhinha mesmo) do meu pai. Presente de quinze anos. Me grudava nela e escrevia telenovelas. Bobas, infantis, adolescentes. Mas que faziam todo sentido pra mim. Daquele tempo nada restou. Nem a máquina, nem as telenovelas e nem os amores.
Depois por muito tempo não escrevi. Só meus diários e agendas. Guardava sentimentos, emoções, fatos vividos. São o meu mais precioso bem. Porque um dia quando a memória faltar, lá estarão, todas as minhas recordações.
Voltei a escrever muito tempo depois. Talvez uns cinco anos atrás. Escrevi um romance. Com muita realidade. Uma história comum. De uma mulher comum. Com coisas comuns. Cheia de sentimentos femininos e masculinos traduzidos em palavras.
Depois disso veio a faculdade de jornalismo. Passei a escrever como aspirante a profissional. Matérias, trabalhos, muitas coisas envolvendo comunicação. Muitas crônicas e artigos. Com paciência conciliei as histórias, os contos e os trabalhos da faculdade e do estágio. Mas não mostrava pra ninguém. Tinha vergonha desse lado literário.
Agora publico, tudo aqui, no blog. Passo, as vezes, horas na frente do computador pra digitar algumas linhas e não gostar. Em outros momentos, sento aqui e tudo sai. até sem me dar muita conta do que estou fazendo. E no fim acabo gostando muito.
E as ideias? Comecei a prosa pra falar delas. Pois bem, elas vem da cabeça. Da rua. Dos amigos. Acredito mesmo que elas saem da vida. Da loucura do mundo que cada vez fica mais complicado e as pessoas tem menos tempo pra amar e ser feliz!

Diário de uma mulher que espera o fim

Algumas pessoas nascem pra ser infelizes. Talvez eu seja uma delas. Enquanto tento abafar meu choro ele ronca ao meu lado como se nada tivesse acontecido. Pra ele, realmente, nada aconteceu. Nada que abale seus sentimentos, suas masculinidade ou seu dia a dia.
Pra mim o mundo acabou de acabar. Uma sucessão de eventos que fazem com que cada amanhecer seja mais penoso. Que retarda cada vez mais a minha saída da cama na manhã seguinte. Só quando durmo estou em paz. Somente assim, dormindo, me esqueço do fardo que carrego de ser infeliz.
Em outros tempos vi a felicidade bater em minha porta. Deixei-a a entrar. Não entendo os motivos que fizeram ela partir. Nem exatamente quando ela saiu. Só sei que se foi. E nunca mais voltou. Sem deixar pistas fugiu da minha vida.
Aos poucos, tudo ficou cinza. Primeiro o lado profissional. O emprego que se foi. As decisões erradas e nada mais restava. Só sombras de um passado. Fantasmas que se tornaram assombrações. Depois de tantas batalhas, lutas e vitórias o nada. E com isso as contas que se acumularam, as dívidas que se arrastam e a impossibilidade de comprar um alfinete sem ajuda. Aqui aconteceu a primeira das mortes: a independência.
Depois os planos. Todos empacados ou jogados fora pela falta do dinheiro. Nada ia pra frente porque sempre esbarrava na mesma nota, ou na falta de notas… sem viagens, sem cursos, sem salão de beleza. Sem tudo. Ou com nada. Houve a segunda das mortes: a esperança.
Como se isso já não bastasse faltou a vontade de se arrumar. Pentear, escovar os dentes, tomar banho, se vestir, usar perfume, passar um batom. Pra que? Ninguém iria me olhar. As roupas não ficam bem. Todas velhas, desbotadas, apertadas. Melhor ficar assim. A terceira das mortes: a auto estima.
Com as mudanças os amigos também faltaram. De visitas e saídas restaram apenas os encontros virtuais. Minha voz pouco eu ouvia. Meus dedos aprenderam a falar. Cada vez com mais rapidez e agilidade pra não perder o assunto. Sempre sem o calor humano. Sem os olhares e trocas de reações: A quarta das mortes: a verbal.
Só me sobrava uma coisa: o amor. Esse caminhava bem. Me sentia segura, desejada e amada. Tínhamos diálogo. Um bom relacionamento. Éramos companheiros. Construímos uma história juntos. Galgamos degraus, pulamos pedras, movemos montanhas e chegamos ao topo. Era perfeito.
Foi aí que constatei meu fim e minha sina. Não nasci pra ser feliz. Porque o amor também fugiu de mim. Começou com a falta de assunto. Ele foi se afastando de minha vida e não deixando que entrasse mais na sua. Nos tornamos estranhos dividindo a mesma casa. As palavras trocadas era somente sobre contas, compras e uma banalidade ou outra.
“Eu te amo” passou a ser usado em momentos de pena. E não mais de carinho. Confesso minha culpa. Comecei a me afastar também. De tantas coisas que davam errado e sem encontrar seu apoio me isolei em meu mundinho. Não conseguia mais falar e como já estava me habituando a somente digitar ficava cada vez mais fácil esquecer o som da minha voz: A quinta das mortes: a indiferença.
Ainda dormimos na mesma cama. O ninho de amor. O contato físico. A união dos corpos. Nisso sempre fomos perfeitos. Os céus ficavam próximos da terra quando nos encontrávamos. O cansaço dele me tirou isso também. Cada vez mais escassos nossos encontros de amor se tornavam. Minhas investidas eram descartadas pois o sono o embalava. E quando me procurava, me sentia suja, usada, um objeto pra aliviar suas frustrações. A sexta das mortes: me tornei um ser assexuado.
A mim não restava mais nada. Nem prazer. O peso das desilusões tomou conta de mim. As portas e janelas fechadas me sufocam cada vez mais. Não consigo mais respirar. Não consigo mais me alimentar. Todas as possibilidades de ser feliz se foram.
Essa noite não foi diferente. Estou aqui. Estava aqui. Sedenta por amor, carinho, paixão. Uma palavra de esperança. Um abraço apertado. Um beijo apaixonado. Um pouco de prazer. Fui usada. Cumpri a minha função nessa relação.
Minhas lágrimas escorrem pelo rosto. Abafo meu choro. E ele? Ele ronca ao meu lado. A mim só resta ser o mais infeliz possível e esperar pela verdadeira e derradeira ausência de tudo: A morte. E que essa me seja leve já que a vida não foi.

Apenas um dia perfeito

Fazia muito tempo que ela não olhava pro céu. Não sentia o calor do sol em seu rosto. Não percebia o canto dos passarinhos e o som suave das ondas do mar. Não enxergava as cores da vida. Muito tempo em que não percebia que existia vida ali, em seu próprio corpo. Nada de novo. Nada de diferente. Tudo igual a todos os dias de sua vida. Mas ela resolveu olhar pro céu.
Olhar pro céu, sentar na areia da praia, sentir o sol beijando seu rosto e ouvir a bela canção dos pássaros ao se despedir de mais um dia. Só isso e apenas isso fez toda a diferença. Pensou em quantas vezes passava por ali, correndo, trabalhando, indo e vindo e que nunca tinha reparado em tão bela paisagem.
Lembrou de quantas vezes ele havia convidado pra se sentarem ali. Quantas chances teve de aproveitar aquilo com ele. Todas desperdiçadas. Onde estaria? Como estaria? Sozinho? Quantos momentos felizes postos fora por uma besteira. Poderia ligar. Fingir que nada queria só pra ouvir sua voz.
O sol ia se escondendo, dando lugar pra lua que nascia mais cheia e redonda que de costume. Como nunca tinha percebido tamanha beleza? Perdeu tempo demais da vida preocupando-se com coisas superficiais e que agora não faziam o menor sentido. Devia ligar. Dizer que sentia falta. Que precisava de seu colo, de seu ombro e de seu amor.
As ondas limpavam a sua tristeza num movimento continuo de ir e vir. Massageavam seus pés, aliviando as dores de mais um dia de salto alto. Não paravam. Não desistiam. Não se cansavam. Como ela se deu o direito de desistir? Do que se cansou se sempre teve todo amor e carinho que qualquer pessoa sonha?
Afinal de onde vinha a sua amargura? Fez escolhas. Não hesitou no momento de manda-lo embora. Botou sua carreira em primeiro lugar. O que queria afinal? Perdeu tempo demais com coisas banais. Apenas um abraço lhe servia agora.
Enquanto a areia ouvia suas lamurias pensava em como se sentia no ar com ele. Como qualquer momento era perfeito. Como se esquecia dela mesma, de seus problemas e acreditava ser alguém melhor. Tudo era diferente. Mágico. Devia ligar. Mesmo que fosse pra colher o que plantou.
Fechou os olhos. Imaginou como trilha sonora os passarinhos. O reencontro. As coisas que diria. O lugar era ali mesmo. Na praia, num fim de tarde, com o sol e a lua brigando pra ver quem iluminaria mais aquele casal feliz. As ondas banhando seus pés, lavando as amarguras do passado. A areia de testemunha.
Precisava ligar. Tentar. Mesmo que fosse uma última vez. Um último encontro. Só pra falar o que não foi dito. Ouvir o que antes não quis. Sentir o que sempre deixou de lado. Mostrar o que escondeu. Amar de verdade. Pra não perder a chance de ter apenas mais um dia perfeito.
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” Oh, it’s such a perfect day,
I’m glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on”
Bateu uma saudadesinha de algo que já passou e não volta. Que um dia se foi deixando um vazio grande mas as melhores lembranças possíveis. Mesmo das coisas ruins. Então num monento de total ins…PIRAÇÃO é pra vc! Pelo nosso sempre e eterno “Just a perfect day”!
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Meu castelinho de areia desmoronou…

Recebi um mail de mamãe outro dia muito interessante… São alguns ditos ( ou será ditados?) populares. Coisas comuns, dessas que a gente sempre cita em um conversa como se fosse uma grande verdade ou uma lição de vida…
Pois é… Fiquei muito triste com esse mail, porque tudo que julgava certo na minha vida desandou com ele… Nenhuma daquelas frases prontas, que fazem tanto sentido no nosso dia a dia, são verdadeiras…
De certa forma fiquei até com raiva desse professorzinho, um tal de Pasquale Cipro Neto, que acabou com a minha auto estima fazendo com meu castelinho de areia se desmoronasse em alguns segundos… E tudo isso por que? Só porque ele não tinha nada pra fazer e resolveu acabar com a alegria alheia…
Vocês acham que estou de sacanagem? Então olha só o que o infeliz causou na minha vida: O meu cabelo que sempre foi “cor de burro quando foge”, agora não tem mais cor… Porque o correto é “corro de burro quando foge”. Mas quem vai correr do próprio animalzinho só por ele estar fugindo? Eu daria passagem. Se ele foge algum motivo tem.
E a minha infância tão feliz brincando de declamar versinhos? Nunca existiu. Quando eu dizia tão sabiamente que “ batatinha quando nasce se esparrama pelo chão” eu estava falando uma mentira aos meus amiguinhos da pré escola. A verdade é que “ batatinha quando nasce espalha a rama pelo chão”. Que rama é essa que nunca me contaram antes? Aliás por que mamãe nunca me levou pra ver uma batatinha nascendo?
Essas duas constatações podem parecer poucas pra odiar esse cara. Então pense nisso. Passei a vida me gabando porque sempre falo o que penso. “ Quem tem boca vai à Roma”. Pois bem. Não adianta mais se ter boca, falar o que pensa. A verdade é que “quem tem boca vaia Roma. É. Do verbo vaiar. E Não de ir… E qual seria o motivo pras pessoas vaiarem Roma assim?
E eu que sempre fui “cuspida e escarrada” o meu pai, agora não sou mais. Isso também não existe. O que existe é “ Esculpida em Carrara”. E O tal do Pasquale até explica. “ Carrara é um tipo de mármore. Mas de mármore eu não tenho nada. Nem na minha casa.
Esse senhor até com o bicho carpinteiro acabou. Meus alunos que eu sempre repetia: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro…” Pois é. Nada de nadica de nenhum bicho carpinteiro, gente! O que se quer dizer na verdade é: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”.
Depois de tanta tristeza que esse senhor me deu só poderia terminar falando: “Quem não tem cão, caça com gato.” Mas até isso o cidadão me tirou. Não posso mais caçar com a Irís pois “Quem não tem cão, caça como gato… ou seja, sozinho”.
Meu mundo desmoronou e depois disso só alguns tranquilizantes e antidepressivos pra me fazer voltar a sorrir! Terei que reconstruir todos os meus conceitos e teorias. Rever meus paradigmas e dilemas. Só depois disso voltarei a ser uma mulher com sonhos. Uma pessoa com passado, presente e futuro e com uma nova cor de cabelo definida…

Por que é tão dificil acabar?

Um bar, bem frequentado, de uma cidade pequena. Uma mesa com 10 senhores. Eles tiram as alianças e partem pro ataque. Em outra mesa, três mulheres, a passeio na cidade trocando beijos cinematográficos, com alguns daqueles que guardaram as alianças no bolso. E isso é fato. É causo. Uma amiga presenciou a cena.
As mulheres desses senhores? Provavelmente em casa, cuidando dos filhos, preparando o jantar, esperando eles cheias de ternura, amor e prontas pra fazer uma massagem depois de um dia tão pesado de trabalho de seus cônjuges, que normalmente chegam cansados e de mal humor.
Sabe o que me deixa besta? É que esse, infelizmente, não é mais um de meus contos, inventados e imaginados com detalhes por minha mente fértil. Não. Esse é um causo real. Que aconteceu e que uma amiga viu.
Não existe justificativa. Não venham tentar me convencer de que esse senhores tem problemas em casa. Por favor nada de desculpas esfarrapadas de que eles estão tentando se separar e as mulheres ameaçam, surtam, não tem pra onde ir. Não me digam que isso é normal e que homens são assim. Não tentem me convencer de que isso não é uma indecência.
Não sou moralista. Não acredito que o casamento tenha que ser suportado mesmo que não exista mais amor, companheirismo e respeito. Claro, casei, como acho que todo mundo casa, querendo que seja pra sempre. Mas concordo com o poeta “que seja eterno enquanto dure”. Principalmente enquanto dure o respeito.
Homens assim são o que há de mais hipócrita, machista e desprezível em nossa sociedade. Não só pela traição a companheira, mas pelo fato de esconderem a aliança da nova conquista. Quer dizer, pensem comigo, eles não estão somente traindo a sua mulher ( o que já é na minha opinião é algo inominável) mas estão mentindo e traindo a si mesmos. Estão se enganando. Talvez fazendo bem pro próprio ego. E existem mulheres assim também. Sabemos de vários casos.
A questão é: Por que? Não deveria ser mais fácil, primeiro, resolver os problemas em casa e, se for o caso separar do que trair? Olha o trabalho de sustentar mentiras, vidas duplas… E a questão dos filhos? Que exemplos esse vão ter? Homens não acabam. Enrolam. Não terminam histórias. Esperam pelas mulheres. Por que é tão difícil pra eles terminarem?
O ser humano é complexo. Na maioria das vezes não se entende e dificulta sua vida ainda mais. Transforma as coisas simples em dificuldades. Interpreta os sinais do jeito que quer e sofre com o que não deveria. Tudo vira um circo e os palhaços somos nós mesmos.
Honestidade? Pra que? Passar a perna no outro é mais fácil. Culpa? Hoje existem bons remédios pra dormir sossegado. Amor? È mais rápido e fácil encontrar prazer. Em toda esquina, em qualquer bar. Mas aí a gente amadurece. Algumas pessoas se sentem pressionadas a casar. Ter uma família. E acabam fazendo todos sofrerem.
Não entendo certas coisas. E pra ser sincera prefiro nem entender. Espero que as esposas desses senhores do bar um dia descubram. Espero que um dia elas tenham coragem de sair fora e fazer com que eles sofram pelo o que jogaram fora.

A vizinha Santo Tomé

“Ola, que tal?”
Encontrei a primeira vantagem de morar em São Borja. A vizinha Santo Tomé de Corrientes da Republica Argentina. Sim. Porque existe outros Santo Tomés. Mas a da Província de Corrientes, Província pra eles é mais ou mesmo como os estados pra gente, é do outro lado do Rio Uruguai, que passa aqui na esquina de casa.
Enfim, a gente já tinha ido lá, logo numa das primeiras vezes que viemos conhecer São Borja. Tínhamos achado a cidade feia, pobre e sem nenhum atrativo exceto o cassino. Mas ontem fizemos uma excursão pelos mercados.
O peso está valendo 0,57 centavos, ou seja Um real equivale a 0,57 centavos de pesos. Existem coisas que são muito mais baratas do que aqui no Brasil. Compramos uma carne “muy guapa”, mas que não sei de que corte é, pela metade do preço que normalmente pagamos aqui.
Vinhos bons pela bagatela de 6 reais. Alvajores, que Meu Deus são um pecado de tão bons, por menos de um real. Doce de leite, biscoitos… Uma tentação pra qualquer regime. “Amarula” por 30 reais. Tá. Eu sei que muita gente vai pra Rivera trazer essas coisas maravilhosas… Mas eu não preciso viajar… é só atravessar a ponte. Da porta da minha casa até o primeiro mercado são 15 minutos de carro. Se eu estivesse em Porto Alegre era como ir até o Barba ou, se fosse no Rio, ir até o quartel do Paulo.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a diferença de preço nos produtos de higiene. Marcas conhecidas como Gillete, Nívea, Dove, Seda… Todas elas muito mais baratas que aqui. Um exemplo: desodorante, aerosol, nívea, pele sensível e que não deixa aquelas manchas brancas: 8,50 pesos. Em reais isso dá 4,76. As vezes nem os de roll on a gente compra por esse preço. Cremes anti rugas (não que eu esteja precisando), espumas de barbear, pasta de dentes, enxaguantes bucais, hidrantes… Tudo por quase a metade do preço daqui…
Fiquei pensando: Será que os argentinos são mais limpinhos que nós brasileiros? Sim, porque pro preço ser tão mais barato eles devem usar em grande quantidade… Ou o contrário… Eles são mais sujinhos e tudo é tão baratinho pra incentivar os hábitos de higiene neles…
De qualquer forma foi um prazer descobrir que na vizinha Santo Tomé é bom fazer compras, as coisas são baratas e sempre rende muitas risadas na hora das conversa com os “hermanos”.
De qualquer forma ainda temos que descobrir os prazeres do Cassino. Numa próxima visita a cidade vizinha eu conto pra vocês…

Sozinha

Hoje é um daqueles dias. Sabe aqueles dias que tudo te deixa triste? Que as roupas não ficam bem. Os sapatos apertam e a única vontade que se tem é de sair correndo ou dormir? Pois é.
Me sinto sozinha. Sinto falta da minha mãe. Sinto falta dos meus amigos. Sinto falta da minha vida.
É parece que até a minha vida me deixou sozinha. Eu não sou assim. Nunca fui. Sempre trabalhei, estudei, batalhei. Sempre fui festeira, saideira, conversadeira.
Agora não. Converso pelos dedos. Digito não falo. Não trabalho porque não acho emprego. Não estudo porque não consigo transferência. Fico em casa. Escrevo, invento, tento. Mas sinto falta de mim mesmo.
Eu sonho, viajo e acredito que é possível. Eu choro, me desespero e me doi o peito. Não gosto dessa vida que não é minha. Não quero ficar assim. Mas também não vejo o que tentar. Me consome por dentro essa angustia. Sei que fiz escolhas e não me arrependo delas. Não existe uma possibilidade, mais remota que seja, de se ter tudo?
A casa vazia. Escura. Uma bagunça. Se eu não arrumar quem vai fazer? Mas eu não faço nada. Então pra que por as coisas em seu lugar?
Só queria um colo. Colo de mãe. Só queria ir a aula. Só queria acordar pra trabalhar. Só queria fazer um happy hour com as minhas amigas. Fumar um cigarro com a Pati, beber uma cerveja com a Neneca. Por conversa fora com a Rani e a Naty. Só queria almoçar com o Nei. Ou quem sabe fazer uma baita festa com a Taty. Tão pouco o que eu queria. Tão longe de tudo estou.
Me sinto sozinha. Tô triste. Com vontade de chorar e mais ainda de sumir. Mas ainda bem que amanhã é outro dia e tudo isso passa.