A primeira benzetacil a gente nunca esquece…

Tive um gripão daqueles. Começou com aquela dorzinha no corpo e uma febrezinha de 37. Tomei tylenol. Uma semana e o resfriado evoluiu pra uma crise de renite aguda. Espirra daqui, espirra dali. Toma tylenol. Abafa bem. Não pega frio. Passou a renite veio a sinusite. Mais tylenol.
Passou a sinusite. Mas a febre começou a aumentar. Tem alguma coisa na minha garganta. Ta doendo. Mais tylenol. A febre sobe. Minha garganta começa a fechar. Não consigo engolir. Não consigo respirar. Tem duas bolas no meu pescoço. Quarenta graus de febre. Socorro! Preciso de um médico.
Certo. Muitas pessoas teriam procurado na crise de renite. Mas sou dura na queda. Já me acostumei com ela e com a sinusite. A questão é que, agora, o remédio tão bom pra sinusite só pode ser vendido com receita. E o meu acabou. Tinha pensado mesmo em marcar uma consulta e pedir uma receita, mas tava enrolando. Se não for pra conseguir atestado não sou muito a favor de ir ao médico.
Enfim. Liguei pro maridão pedindo socorro. Ele me prestou a solidariedade devida e me levou ao Posto de Saúde do quartel. Aqui, em São Borja, por ser pequeno não tem um hospital militar. Só um posto de saúde. Muito bem organizado por sinal.
O médico, clinico geral, muito atencioso. Não foi preciso muito pra constatar o meu quadro. Uma gripe mal curada que se tornou uma grande infecção na garganta. Com tudo que uma dessas tem direito: ínguas, placas, dor e febre.
A pergunta dele foi engraçada: “Queres ficar bem boa rapidamente, ou mais ou menos boa a longo prazo?” Não precisa pensar muito para responder. Claro, quero ficar bem boa e rápido. Resposta errada.
Ele me recomendou mais tylenol (pelo menos sei que estava no caminho certo). Também mandou eu tomar a droga do momento: Alivium e pra completar o tratamento uma dose única de benzetacil. Pode parar doutor. Benzetacil não. Nunca tomei mas tenho uma péssima experiencia com injeções na bunda.
Ele acabou me convencendo. Mesmo com as minhas lembranças ruins de injeção na região glútea, concenti. Ele me garantiu que era a melhor maneira e que sentiria as melhores rapidamente. Ficaria um pouco dolorida mas sem roxos ou buracos na pele.
Meu problema com as agulhas na bunda vem do tempo da gravidez. Estava com uma anemia forte e o obstetra me recomendou três doses de ferro. As duas primeiras foram tranquilas. O farmacêutico aplicou sem problema nenhum. Na última injeção fui procura-lo. Ele não estava. Só sua esposa. Acho que ela ficou com raiva porque eu pedi por ele e me deu a injeção de qualquer jeito. Passei seis anos da minha vida com um roxo enorme na bunda e pior minha bunda ficou deformada. Onde o ferro extravasou ficou um buraco.
Eu concordei com a aplicação da benzetacil. Preparação psicológica. Todo mundo sempre disse que era um horror. Tudo bem. É só uma injeção. Pense nos beneficios. Vou voltar a comer. A febre vai passar. As dores no corpo também. A liberdade em questão de dias.
Aí vem o enfermeiro. Fardado. Ok. Sei que muitas mulheres tem fantasias com homens de farda. Mas eu tenho um em casa. E cá pra nós, uma coisa é fantasiar uma relação amorosa com um fardado. Outra bem diferente é ele vir com uma agulha pra espetar na tua bunda. E sem nenhum sentido literal da coisa. Que constrangedor. Rolou até uma vergonhasinha. Um calorão. E posso afirmar que não foi pela farda e sim pela minha poupança. Olha que situação.
Ele me deu a injeção. Me avisou que ficaria dolorida e que seria bom fazer algumas compressas quentes na região. Confesso que a bunda está doendo. Não tanto quanto a garganta estava ou como a febre me incomodava. Não foi o fim do mundo. Estou bem. Voltei a vida. Dormi bem e só lembro da injeção quando vou sentar. Dos males o menor. Mais vale uma nádega dolorida do que uma garganta fechada.

Teorias sobre a vergonha

Vergonha é um sentimento estranho. Em algumas situações sentimos muito e em outras parece que ela nem existe. Poucas coisas me deixam envergonhada. Não sou daquelas pessoas que ficam vermelhas como pimentões (engraçado que o pimentão mais comum é o verde…). Mas rola uma queimação em saias justas.
Tem a vergonha do mico. Um tombo na rua, uma frase que não precisava dizer ou uma situação constrangedora como a bragueta aberta. Tive um professor de religião, no magistério, que uma vez passou a aula inteira com o passarinho aparecendo. E ninguém falou pra ele. Claro que rolou a vergonha de falar também. Mas quando ele se deu conta ficou num vermelhão.
Tem aquela vergonha sem vergonha do namorado novo. Passa rápido, mas no inicio da relação ela aparece por qualquer coisa. Um barulho estranho vindo do nosso corpo. Os cabelos desarrumados. Dos próprios defeitos. Depois fica tudo engraçado.
Tem a vergonha que incomoda. Eu, por exemplo, tenho vergonha de pedir coisas a outras pessoas. Tem gente que é de tirar a roupa em médico. Outras pessoas é de chamar atenção. Enfim, cada um sabe onde aperta o calo. Essa vergonha atrapalha. Faz com que o cidadão empaque em coisas simples.
E tem também a vergonha alheia. Essa a minha amiga Rani adora falar. É aquilo que outra pessoa faz e te deixa constrangida. Que faz você parar e refletir no absurdo, no mundo, no tudo e principalmente na falta de vergonha do outro. Que deixa sem chão e dependendo da situação pode até pintar o vermelhão. Ou o calorão.
Ultimamente ando sentindo muita vergonha alheia. Do nosso país, principalmente. Das pessoas que mandam nele. Que tornam o dia a dia do brasileiro insuportável e que ainda tem a cara de pau de usar como desculpa a constituição e os direitos humanos. Essa vergonha alheia que anda tumultuando minha vida tem me incomodado mais do que a vergonha de pedir coisas.
Mas sei lá. Estou começando a achar que a vergonha pode ser uma grande qualidade. Afinal se todo mundo sentisse um pouquinho de vergonha e bastante vergonha alheia as coisas não estariam desse jeito. Talvez esteja na hora do governo lançar pro seu auto escalão a bolsa vergonha. Afinal nesse país tudo acaba em bolsa. E da-lhe vergonha alheia pra nós reles mortais.

Nádegas a declarar…

Pensei, pensei, pensei e não encontrei nada pra postar aqui.

Acho que estou num momento de reflexão sobre minha vida e os caminhos que devo seguir profissionalmente.

Vou tirar o fim de semana pra avaliar.

Então prometo segunda voltar com novidades.

Ah… E como jornalismo é igual a culinária vou cuidar do meu feijão que a família é grande e tá com fome.

Afinal, não tenho diploma de nenhum dos dois. Mas posso fazer ambos. Foi o ministro que disse…

E só pra não dizerem que tô de sacanagem, fiquei pensando: eu não preciso de diploma pra ser jornalista porque isso é inconstitucional, vai contra a liberdade de expressão. Então posso falar o que eu quiser. Não preciso de ética, nem de inmparcialidade, nem de nada…

Então Srs Ministros do STF, por favor, vão tomar no …!!!!

Brasil dos Hípocritas: Jornalismo não é brincadeira de criança

Bom. Pelo menos agora eu não preciso voltar para a faculdade. Sou boa no que faço. Tenho o dom e experiência. O que mais me falta? Sou uma jornalista. Claro, por que não? Agora quando tiver que preencher formulários que perguntam a profissão, em vez de estudante vou responder: jornalista. Afinal não é o que eu quero ser?
Sinto pena que botei 3 anos da minha vida no lixo, estudando numa universidade, me qualificando e procurando me aperfeiçoar na profissão que escolhi. Também sinto muito por toda a incomodação que tive com “burrocrácia” esse ano pra tentar transferir e concluir a faculdade.
Fico penalizada pelo país em que vivemos. Mas, se para ser Presidente dele, não se precisa nem de ensino médio completo, por que se exigiria para outras profissões. Agora acho que quero ser médica. Vou em um hospital, arranjo um emprego e saiu medicando pessoas. Algumas eu posso até salvar, afinal minha intuição é boa. Mas antes disso vou matar umas quantas… Pra aprender é claro…
“Ah… Mas a medicina lida com a vida das pessoas”, o jornalismo também. “Ah… Mas o médico precisa estudar anos pra salvar vidas”. O jornalista também. “Mas não dá pra comparar… na medicina qualquer erro pode matar alguém”. E no jornalismo não? Qualquer coisa vinculada num meio de comunicação deve ser muito bem checada antes pra não causar alardes falsos. Se amanhã eu resolvo dizer que o Fulano estuprou alguém? Eu tô ferrando com a vida do fulano. Alguém pode se enlouquecer e matar ele na rua pela minha notícia.
Mas pensando bem eu quero ser Ministro do Supremo Tribunal Federal. Afinal se eles acham que um jornalista não precisa estudar por que eu tenho que achar que um ministro precisa. Garanto que eu faria um trabalho muito melhor por lá. Pelo menos tentaria não afundar mais ainda um país que já está no buraco.
Não. Essa revolta não é apenas porque eu estudei, tento voltar e quero ser uma jornalista com diploma. Essa revolta é porque esse é o Brasil deles. Um Brasil de hipócritas que continuam querendo um povo burro, fácil de manipular e sem preparo nenhum. E uma das melhores coisas é não qualificar quem vai mexer na cabeça do povo. Afinal, quer maior meio de manipulação de massas do que a imprensa?
Sinto muito. Pelo povo. Não é uma briga minha. Essa deveria ser a briga de toda uma sociedade. A briga de uma comunidade que, quer sim, pensar sozinha e lutar por seus direitos. A luta de pessoas que realmente buscam por igualdade e um lugar ao sol. Pessoas que respeitam os direitos do povo.
Só me questiono uma coisa: numa sociedade onde, cada vez mais, exigem qualificação para empregos com salários baixíssimos. Onde frentistas, atendentes de telefone, faxineiros, coveiros e lixeiros precisam fazer cursos de qualificação. Por que uma profissão que lida com a vida e forma opiniões não precisaria?
Vamos logo acabar com todos os cursos superiores, profissionalizentes e técnicos. Cada um faz o que quer. É só dar na veneta. Todo mundo brincando com a vida de todo mundo. Fazendo experiências e vendo no que dá. Jornalismo não é brincadeira de criança. É preciso ética, entender preceitos e acima de tudo saber o que se está fazendo.
Sinto muito Srs Ministros mas agora foi demais…

Diário de uma mulher que foi traída

A carta que eu nunca mandarei

Tem coisas que não deviriam machucar mas machucam. Notícias, novidades, alguma nova fofoca ou até mesmo uma velha história. Não deveriam machucar porque já se findaram. Se machuca, talvez seja pelo fato de não estarem bem resolvidas.
Sim. Nem todas as histórias quando acabam estão resolvidas. Algumas deixam marcas, cicatrizes e feridas que, apesar de parecerem fechadas, podem se reabrir a qualquer momento. E quando reabertas a dor é mais intensa e tão insuportável que, as vezes, parece que nunca mais se fecharão.
Não sei qual a tua razão pra fazer isso comigo. Não entendo tua necessidade de sempre me magoar mais. De me deixar a espera de algo que não vai voltar. De me torturar pelo teu simples prazer. Ou na verdade é teu medo de reagir a mim que faz com que hajas dessa maneira?
Não teria outra mulher a quem recorrer? Era preciso que fosse ela. Sabes que qualquer outra não me causaria tanta dor. Por que me mostrar? Para que te exibir, usando-a como troféu? Não te basta o fato de teres me arrasado. Me abandonado no momento que mais precisei. Isso não basta. Tua crueldade vai além disso. Tua necessidade de acabar comigo e qualquer rastro de mim nesse mundo é maior que qualquer coisa.
No dia em que tu saiu da minha vida prometi que nunca mais te procurava. E assim eu fiz. Mas tu não me deixas em paz. Manda recados, mensagens e sempre aparece onde estou. Não deixas que eu siga a minha vida. Mesmo tendo sido tu, que quisestes sair dela.
Não sei mais para onde ir. Pra qualquer lado que olhe te vejo. Tenho medo de sair a rua e te encontrar. De ir ao cinema e te ver lá, desfilando com ela. De ir ao mercado e dar de cara contigo na fila dos frios. Tento mudar minha rotina, meus caminhos, minhas lojas preferidas, os bares de sempre. Esqueci de tudo como tento esquecer de ti.
E ela que sempre foi passado. Ela que um dia tu me garantiu que nada significava. Que era apenas uma história antiga, sem importância, sem sucesso e sem nenhuma chance de volta. Ela que tu sabias que eu sentia ciúmes. Que me deixava insegura e que me magoava a cada contato. Ela que foi tua amante. Motivo de tantas brigas. É com ela que desfilas.
Te perdoei. Te perdoei porque me contastes arrependido. Naquele dia acreditei em ti. Que foi um engano. Uma besteira de um homem inseguro. Algo que te fez perceber o quanto me amavas. Foste tu que me falastes. Fostes tu que me implorastes perdão.
Mas agora não perdôo. Não suporto a ideia de toda aquela cena sem necessidade. Eu nunca descobriria teu caso. Depois de tanto me magoar e fingir me ajudar a superar, um dia tu arruma tuas coisas e te vais. Vais e não voltas. Me abandonas. Me deixas só quando estou frágil me recuperando de tanta dor.
Dor que tu mesmo causastes. Dor que me corroeu por dentro e me fez adoecer. Me fez recorrer a médicos, remédios, terapias e drogas. Fez com que eu não me reconhecesse no espelho e me sentisse na sarjeta. O lixo dos lixos. A escória das escórias. Emagreci, enfeiei, perdi a auto estima. Nada me restou. E quando começo a voltar a si. Inicío a jornada pra restabelecer minha vida me dás outra facada.
Por isso não perdôo. E não perdoarei mesmo que se passe mil anos. Já te consenti esse direito uma vez. E não sou eu, simples mortal que devo lhe dar novamente. Só queria entender. Só queria uma resposta: Por que, depois de tudo, logo com ela? Por que ela e não eu?

Teorias sobre o amor

Sabem todas aquelas teorias quando se começa um relacionamento? Aquelas que dizem indiretamente pra quem já não faz parte de sua vida “espero que você também encontre um amor sincero e verdadeiro”, ou então : “esse foi o eu te amo mais sincero da minha vida”, ou ainda, a melhor de todas “tenho certeza que nossa história é de outras vidas, somos uma alma só…”. Tudo balela.
O amor não é algo que acontece do dia pra noite. Ele nasce, cresce, se reproduz e se, se deixar ele morre. E a morte é rápida. Muito rápida, dependendo da circunstância. Ou pode ser lenta. Muito lenta como uma doença que come suas células.
Não enxergo amor à primeira vista. Acredito em atração ao primeiro contato visual. Desejo ao primeiro contato físico e encantamento ao primeiro encontro verbal. Aí foi plantada a sementinha. E como uma mãe que leva 9 meses pra se apaixonar e morrer de amor pela sua cria, o amor leva tempo pra ser construído. Pra amadurecer a ideia, ser aceito e então começar um ciclo de vida.
Quando era mais nova eu dizia a todos : “Eu não me apaixono. Eu amo…” . E isso se referia a todas as coisas da minha vida. Não só a namorados. Grande tolice de uma adolescente impulsiva. Ainda sou impulsiva e, as vezes, também me pergunto o que vou ser quando crescer. Mas a questão é que amadureci. E dessa forma meus sentimentos também amadureceram.
Hoje posso dizer que amo. E não da boca pra fora. E não imaturamente. Amo e cultivo o amor pra que ele permaneça em minha vida. Alimentando-o cada dia um pouco para que outros fatores não deixem meus amores adoecerem ou morrerem.
Mas também me apaixono um milhão de vez por dia. Me apaixono por coisas bobas. Que ou ficam e se tornam amores, como escrever , por exemplo, ou vão embora sem fazer falta. As que vão embora, fazem parte das teorias de inicio de relacionamento e as que ficam aumentam a cada dia.
O amor pode nunca ter um fim. Ele nos acompanha pra sempre e a gente só sabe que ele é amor de verdade quando, apesar de tudo, ele sobrevive. Atravessa a carne. Chega aos céus e volta a Terra em questão de segundos. E mesmo com desilusões, separações, dificuldades, pedras no caminho e montanhas enormes pra escalar, ele sobrevive. E sobrevivendo se torna mais forte. Mais impetuoso e mais tranquilo também.
Então, por favor, não me venha com balelas de inicio de relacionamento. Me poupe e poupe aos outros de acompanhar seu fracasso. E dá próxima vez que falar de amor tenha certeza. Aprenda a usar o verbo amar. E faça seu uso consciente. Por que hoje virou fácil demais dizer “eu te amo”, mas sentir são outros quinhentos.

Teorias sobre a raiva

Raiva. De todos os sentimentos que conheço, sinto e vivo o da raiva é o que mais me preocupa. Faz a gente ficar com vontade de ser cruel. De magoar o outro propositalmente. Simplesmente pelo fato de tentar aliviar a angustia que tranca a garganta.
A raiva pode nascer de um fato isolado ou de uma convergência de acontecimentos. Normalmente ela chega e invade. Não vem em doses homeopáticas como outros sentimentos. Ela chega, se abanca e fica um tempo ali. Te tentando a apunhalar o outro. Implorando pra que você comece a terceira guerra mundial. E pior: te encorajando a usar as armas mais cruéis.
Quem nunca se sentiu assim que atire a primeira pedra. Esse sentimento tão ruim pode surgir por uma pessoa, um fato, uma coisa, um lugar ou até mesmo, e talvez pior, por si próprio. E não adianta. Não tem meditação, mantra ou reza que faça ela sumir. Quando some, some. Ou então se mascara pra aparecer mais tarde, com mais força e maior virilidade.
A raiva consome. Faz com que todos os pensamentos sejam de vingança. Não encontra alivio enquanto não se expande pra fora do ser. Martiriza a todos, mas principalmente quem a sente. Vem e vai. Mas não passa. Não tem cura. E também não adianta disfarçar. Tentar esconder. Ela é tão poderosa que todos percebem que tem algo errado. Ninguém escapa de sua fúria. Percebem sua existência. Ela emplaca. E se acumula.
As vezes a gente nem sabe bem porque esta com raiva. Um prato cheio pra qualquer analista. Uma música ou uma imagem acabam trazendo ela de volta e nem se entende direito o que é. Em outras ocasiões ela até pode ser engraçada. Se parar pra refletir os seus motivos, você pensará em coisas tão bizarras que dará vontade de rir. Talvez esse seja um bom remédio contra ela. Não a cura, mas uma forma de remedia-la, uma vez que não dá pra previnir.
Todo mundo sente raiva um dia. Sempre tem uma primeira vez. E com certeza não vai ser a última. Não consigo descobrir o que a dispara. Tem pessoas que sentem raiva de personagens da TV. Outro dia vi uma entrevista da Letícia Sabatella. Ela contava que foi mal atendida numa loja e a própria vendedora admitiu que estava confundindo tudo. Que sentia raiva da personagem dela na novela.
Será que a raiva era da personagem ou de alguma coisa que essa personagem lembra e tem relação direta com a vida da vendedora? Nunca senti raiva de personagens de TV. Nem da Flora. E olha que ela era má. Por isso tenho tanto medo desse sentimento. Ele esconde fatos. Coisas que a gente nem lembra e joga toda a culpa em cima de coisas novas. Só pro seu prazer.
Se diverte fazendo com que a gente sofra. Se questionarmos e refletirmos sobre o que está acontecendo não entendemos. E quanto mais pensamos mais raiva sentimos. Do fato em si, da pessoa que o causou e de nós mesmos por não chegarmos a conclusão nenhuma sobre o que nos leva a sentir tanta raiva.
Tô com raiva. Não sei bem do que. Mas tô me consumindo por dentro. E você? Já sentiu raiva hoje?
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Tenho trabalhado em alguns contos inéditos pra concursos… Por isso aqui no blog a coisa tá mais restrita… Mas assim que me organizar volto a postar contos bacanas aqui…
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Depois do sucesso do conto “Diário de uma uma mulher que espera o fim” e sua repercussão entre os leitores, tô pensando em fazer uma série…
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Como sei que ” Teorias sobre a raiva vai virar polêmica, já estou elaborando uma outra série… “Teorias sobre sentimentos”…
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Uma ótima semana a todos!!! Muitas leituras gostosas, palavras bem escritas e caprichos na caligrafia!

Sonhos

Ela encontrou uma calcinha rosa, de renda, fio dental e um corpete preto com detalhes azuis no meio das roupas deles. Perguntou o que significavam aquilo. Ele como sempre desconversou. Saiu andando pela casa e resmungando que ela era muito ciumenta e lá vinha mais uma vez com suas acusações e insinuações.
Não dava mais pra aguentar aquele tipo de coisa. Qualquer pergunta que ela fazia era sempre a mesma resposta. Era muito difícil pra ele simplesmente responder. Falar a verdade ou só falar. Não conseguia. Ele sempre tinha que fazer o discurso habitual.
Ele voltou pro quarto e perguntou se ela não queria ir pra sala. Ela disse não. Iria embora. Não aguentava mais aquilo. Nunca mais queria vê-lo. Agora era realmente o fim. Estava cansada dos discursos, mais do que das mentiras.
Ele disse que não era nada. Tinham recolhido na campanha do agasalho e ele só pegou pra sacanear os colegas. Pediu desculpas pelos discursos. Mesmo assim ela saiu. Precisava de um tempo sozinha. Saiu do prédio e não entendeu o que aconteceu.
Quando raciocinou estava na frente de seu ex. Conversando. Não era qualquer ex. Era aquele que ela nunca mais queria ver em sua frente. Aquele que era tão ciumento, que via coisas onde não existiam. Como ela estava ali?
Ficaram conversando, saíram juntos. Ficaram juntos de novo. Ele confessou que nunca tinha a esquecido e que desde que romperam não houve ninguém sério. Jurou que havia mudado e aprendeu muito com o chute dela.
Mas algo estava errado. Aquela não era a vida dela. Voltar com ele? Como pode. Acabar com o amor da sua vida? Dizer pro outro que ele não significava nada. Não podia ser. Pensava tudo isso enquanto beijava o ex, agora atual namorado.
As coisas estavam esquentando entre eles. Deitados na cama, ela ouvindo as juras de amor dele, ele veio pra cima. Ela deu um pulo. Olhou pros lados. Seu namorado dormindo ali. Percebeu que estava suando frio, saiu da cama, lavou o rosto e tomou um pouco de água. “ Só um sonho… Um sonho não um pesadelo”…

O roubo das bicicletas

Quinta de noite o Paulo me convidou pra andar de bicicleta. Achei uma boa ideia. Desde que mudamos de casa aqui em São Borja nunca mais demos um passeio com as bicis. E elas já estavam mofando lá na lavanderia.
Pra quem não viu as fotos da casa ou não conhece, no pátio, nos fundos da casa tem uma outra casinha. Que nós adaptamos e fizemos de lavanderia e quarto de entulhos. Tudo que não usamos sempre fica lá. Coisas inúteis que trouxemos na mudança também. E outras coisas que ficam lá por falta de espaço dentro de casa. É bom ter um lugar assim. Pelo menos a bagunça acaba ficando longe dos meus olhos. O que nesse caso é muito bom, já que o Paulo é um tanto desorganizado.
Enfim. O convite foi feito na quinta de noite. Na sexta de manhã, quando acordamos. O Paulo foi até a lavanderia pra buscar umas ferramentas e grita: “ Amor, cadê as bicicletas?” Levei um susto. As três bicicletas não estavam mais ali. Tinham sumido. Evaporado, sem deixar rastros. Foram roubadas.
Não sabemos bem como aconteceu. Nem que horas. A única certeza que temos é que entraram em nosso pátio. Pelo muro ou pelas grades. Tiveram que pular porque não tem outro jeito. Carregaram as três bicicletas. Passaram elas pelo muro ou por cima das grades e saíram pedalando. Chamamos a Brigada Militar ( aqui no sul se chama assim a polícia militar. Não sei o por quê, mas é assim). Eles disseram que isso é comum na cidade. Mas que é muito raro eles entrarem dentro das casas, ainda mais com pessoas. Normalmente fazem isso em casas vazias.
Tudo bem. Mas essa noite qualquer barulhinho que eu ouvia eu ia ver o que era. Fiquei pensando como vou ficar quando o Paulo estiver de serviço. Qualquer coisa vou chamar a Brigada. Talvez eu fique conhecida por eles como a louca do pátio.
E aquela história de que moramos no interior e aqui é mais seguro? Tá certo. Se fosse na capital, talvez roubassem as bicicletas, os eletrônicos, celulares, cartões de banco e com muita sorte deixassem a gente vivo. Mas eu passei um ano morando no Rio. O carro dormia na calçada de casa e nunca, em hipótese alguma, buliram nele.
Já não tenho tanta certeza que o interior é mais seguro. Sei que violência esta em toda parte. E agora confirmo que está em toda parte mesmo. Também me dou conta de que ela é proporcional ao número de pessoas de um lugar. Mais pessoas, mais violento. Mais miséria, mais crueldade. Mas a questão que mais me preocupa é: Onde vamos parar? Se é que um dia vamos parar. As bicicletas são o de menos. Que a pessoa que levou faça bom proveito delas ou pelo menos use o dinheiro pra uma boa causa. E que os governantes se dêem conta que nada tá dando certo e cada vez a coisa tá pior.

Dia dos namorados… Quem é seu amante?

Não costumo colocar textos de outras pessoas no meu blog. Mas hoje é um dia especial. Milhares de pessoas comemoram ter alguém pra passar o dia dos namorados juntinho. Mesmo que o companheiro seja um sem vergonha, um agressor, um traidor, um nada ou um merda elas comemoram. Amanhã tudo volta ao normal, mas hoje é preciso estar com alguém. Outro milhão de seres humanos estão passando o dia de hoje deprimidos por não terem um alguém pra dividir a data. E pras essas qualquer pessoa servia. É só pra não ficar sozinho.
Tudo bem. Eu tenho alguém pra me trazer café na cama, me dar presente e me levar pra jantar. Mas já passei muitos dias dos namorados sozinha. Também já passei com pessoas que não valiam a pena e com outras que não queriam estar comigo. Teve até dia dos namorados, que mesmo tendo um eu passei sozinha. E uma vez passei com amigos. Fazendo a festa dos “desnamorados”. Esse ano acho que a data está mais cruel pros solteiros. Afinal caiu no meio de um feriado. E feriados são bons pra viajar com aquela pessoa de que se gosta.
Outro dia, em uma comunidade que participo no orkut, uma amiga postou um texto. O título era estranho, já que é uma comunidade de mulheres casadas. ” Quem é seu amante?”. Óbvio que todas foram lá espionar, nem que fosse pra saber da fofoca que alguma estava tendo um caso. O mais legal foi o texto que se seguiu:
Quem é o seu amante?

Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam.Geralmente são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores.Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme:”Depressão”, além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que elas não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que elas precisam de um AMANTE!É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.Há as que pensam: “Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!” Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é “aquilo que nos apaixona”. É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.

O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta.É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Podemos encontrar o nosso amante em nosso parceiro, que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto…
Enfim, é “alguém” ou “algo” que nos faz “namorar” a vida e nos afasta do triste destino de “ir levando”.E o que é “ir levando”?Ir levando é ter medo de viver.É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo e se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.Por favor, não se contente com “ir levando”; procure um amante, seja também um amante e um protagonista da SUA VIDA…Acredite: o trágico não é morrer; afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém.O trágico é desistir de viver; por isso, e sem mais delongas, procure um amante …
“PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA”.
(Dr. Jorge Bucay – PSICÓLOGO – tradução do original “Hay que buscarse un Amante”)
Então? Depois disso eu não precisaria falar mais nada. Mas como eu gosto de escrever e viajar em teorias necessito fazer algumas considerações:
Será que todos os dias não deveriam ser o dia do amante? Do objeto amado, da coisa que realmente nos da prazer?
Mesmo com essa vida corrida, será que não dá pra tirar dez minutinhos do nosso vida e dedica-los aos nossos amantes?
Alguém tem motivo pra estar deprimido em um dia, só porque dizem que é o dia dos namorados se tiver um amante?
Não vamos perder mais tempo. Pare de ler agora mesmo e corra atrás do seu amante. E nunca esqueça que todos os dias podem ser o dia dele. Basta você querer!
Um feliz dia dos namorados! Pros que tem, pros que não tem, mas principalmente pros que já encontraram seu amantes!