Outras vozes no jornalismo da capital

Constituindo novas opções de leitura, os jornais alternativos conquistam, cada vez mais, as ruas de Porto Alegre
Opção certa de leitura informativa, os jornais alternativos cada vez mais ganham espaço nas ruas de Porto Alegre. Criados por associações, grupos e entidades que querem dar seu recado à sociedade, hoje são contabilizados em mais de 100, apenas na capital.
O jornal Boca de Rua é um exemplo do crescimento da imprensa alternativa nos últimos anos. Lançado em 1999, é uma iniciativa da Agência Livre para Infância, Cidadania e Educação (ALICE). O jornal é produzido por moradores de rua em oficinas semanais. O trabalho é orientado por uma jornalista que diagrama, edita e corrige os erros de grafia, mantendo o estilo original das narrativas. As matérias normalmente são sobre a realidade da rua e afins. Os participantes do projeto ganham o jornal para vender nas ruas e o lucro fica para eles. É comum encontrar esses “jornalistas” vendendo sua produção em sinaleiras e outros pontos da cidade. A população colabora comprando. “Não perco uma edição, é uma leitura agradável e interessante”, conta Camila Soares, 19 anos, estudante de Pedagogia.

Outro jornal alternativo que ganha as ruas de Porto Alegre e também de outras cidades gaúchas é o Jornal do Nuances, escrito por participantes da ONG Nuances pela livre expressão sexual. O jornal traz matérias diversas, entrevistas com personalidades e denuncia qualquer tipo de preconceito.
Fundado em 1997, conta com financiamento público e sua arte-final e a diagramação são feitas por uma agência. Com distribuição gratuita e periodicidade bimestral, circula em Porto Alegre, Pelotas, Caxias do Sul, Santa Maria e outras grandes cidades gaúchas. Por ser uma publicação voltada para o público GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), algumas vezes gera polêmica. “O jornal trata da questão da sexualidade com uma linguagem bem aberta, provocativa. Publicamos uma edição, alguém levou para a praia e circulou na areia. Alguns pais viram que suas crianças olhavam, acharam que o conteúdo era imoral. Recebemos uma denúncia do Ministério Público da Infância e Juventude. Mas enfim, um jornal, como a gente vai controlar?”, declara Célio Gollan, secretárioda ONG Nuances.
O grande número de jornais alternativos desafia a teoria de estudiosos que previram o fim da mídia impressa com o advento da Internet. Estes veículos mostram que na sociedade há espaço para vários meios de comunicação. Os alternativos surgem como leitura complementar às publicações tradicionais.

Alternativos na história do país

No Brasil, os jornais alternativos surgiram na década de 70, durante a ditadura militar, como instrumento de denúncia e contestação, já que os jornais da grande imprensa omitiam informações.
O Pasquim, lançado em 1969, é ainda hoje referência de jornal alternativo. Editado por personalidades reconhecidas na mídia como Paulo Francis, Ziraldo e Millôr Fernandes, combateram a censura com bom humor, fazendo um contraponto à grande imprensa.
No Rio de Janeiro, circulam atualmente alguns jornais que ainda querem fazer oposição à grande imprensa como Bafafá, fundado em 2001, e o Correio da Lavoura, fundado em 1917.
Em Porto Alegre, o Coojornal foi o primeiro periódico alternativo a chamar atenção, produzido por jornalistas como Luís Fernando Veríssimo e Eduardo Bueno, marcando época.

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Matéria publicada no Jornal Universo Ipa, Julho de 2006. Quer ler todo? Acesse: http://www.universoipa.edu.br/

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Essa foi a primeira matéria valendo que fizemos no primeiro semestre da faculdade. Fiz em parceria com meu amigo Nataniel Corrêa. Foi uma loucura, uma correria e todo mundo apavorado! No final do ano, essa turma se forma. E olha que o pessoal achou que não passaria do primeiro semestre!

O fim do papel higiênico e outras conspirações universais

É triste. Mas o papel higiênico sempre acaba na hora errada. Quer dizer, errada pra nós porque para ele é salvo pelo congo. Imagina a felicidade que ele fica quando chega o fim do rolo naquele momento desagradável. A nós, seres humanos que o utilizamos, sobra a raiva e a humilhação de mais uma vez ele ter acabado. Quando ainda, por sorte, tem outro rolo no armário e o armário é perto da privada a humilhação não é tanta.

Mas e se temos que gritar para algum membro da casa traze-los até nós? E quando a porta está trancada e temos que levantar do magnifico trono pra destrancar? Ou a pior de todas: Quando acaba não só o rolo mas o pacote e o mercado mais próximo é a dez quarteirões? Assim sim. Isso é uma grande humilhação e uma conspiração dos rolos de papéis higiênicos contra nós, simples seres mortais.

Existem outras conspirações universais: as margarinas e manteigas, por exemplo, se uniram com os pães e bolachas e combinaram que todas as vezes, sem exceção que forem derrubados, devem cair com a parte gordurosa pra baixo. Só para encherem nosso delicioso lanche de sujeirinhas e poeirinhas do chão e assim não serem devoradas.

E o leite? Por que quando se fica encarando ele não derrama e é só virar o olhar por dois segundos e pimba! Sujou o fogão inteiro. E se demorar mais um segundo, ainda, demora horas pra limpar pois ele tem uma capacidade incrível de adesão ao fogão. Ambos se uniram contra as donas de casa e empregadas domésticas para dar mais trabalho.

Não acredita que isso seja conspiração? Pense bem. Você acha que as calçadas não combinam para que sempre que você passar, linda e maravilhosa, se sentindo o máximo, numa sapato maravilhoso, você torça o pé ou escorregue? É claro que elas combinaram isso. E pior: Tem umas calçadas que até parecem estar debochando de você.

Entre as conspirações universais também tem a rebeldia dos chuveiros elétricos. Eles insistem em queimar no dia mais frio do ano, sempre perto de eventos importantes, e quando já se está atrasada. Justo aquele dia, que você levantou com o pé esquerdo, o relógio não despertou, você não consegue pensar em uma roupa e está muito frio. Isso é sim uma conspiração.

Mas o pior de tudo é se acontecer num só dia todas essas tragédias: o chuveiro queima, o pão cai com a manteiga pra baixo, o leite derrama, acaba o papel higiênico, não só rolo mas o da casa inteira e por fim, você sai a rua, tentando fingir que nada aconteceu e leva um grande tombo da calçada assassina.

Isso é sim uma conspiração universal. As coisas se rebelam contra nós. E aí da gente que não faça muito carinho nelas. Aí a revolta pode ser fatal. Por isso que sempre tenho um rolo de papel escondido, não tomo leite quente, evito o pão com a manteiga, tomo banho frio e ando de tênis em calçadas estranhas. As conspirações estão em toda parte. E as paranóias também.

Férias

Pois é. Todo mundo merece umas férias. Um descanso. Eu também tô precisando. Por isso vou ficar umas duas ou três semanas fora do ar.
Mas não se preocupem não vou abandonar vocês, queridos leitorezinhos. Tenho uma secretária eficientíssima que postará algumas coisa que deixei preparadas para isso.
As postagens serão dia sim e dia não tirando é claro os finais de semana. Afinal até a secretária precisa de uma folga nesses dias…
Mamãe só vai ler essa postagem na segunda feira, mas de qualquer forma, quero deixar registrado que hoje é o aniversário dela, e é exatamente por isso que essa é a primeira postagem da secretária.
Estou indo pra Porto passar essa data tão especial com a minha mamãe e desejo tudo de bom para ela, por que ela merece e muito!
Parabéns Mamãe! Te amo muito e obrigado por tudo!
Bom fim de semana para todo mundo e espero que as postagens da secretária agradem e que ela faça um ótimo trabalho, não deixando ninguém na mão!!!
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Até parece que sou chique e famosa tendo uma secretária… hahahahahhaha! Brincadeiras a parte muito obrigado Carlinha por mais essa mão!

Nem sempre da para esperar

Tudo que ela queria era começar a viver. Passou a vida estudando, planejando e fugindo de romances, namoros e paqueras porque ainda não era o momento. Pensava em seus estudos. Não desperdiçava nenhuma hora se divertindo. Precisava se formar com louvor e ser a primeira da classe.
Sempre foi assim. Desde os tempos de colégio. Nunca tirou uma nota baixa. Nunca pegou uma recuperação e só matou aulas nas vezes que ficará muito doente e não conseguia sair da cama. E mesmo assim em 15 anos de estudos se contava nos dedos as quantidades de faltas em seus boletins.
Nas férias, ficava em casa estudando. Adiantando matérias do próximo ano ou revendo o que foi aprendido. Nunca pediu um brinquedo de presente. Sempre livros, apostilas e materiais escolares. Não tinha amigos e fazia todos os trabalhos sozinha. E quando era obrigada a fazer em dupla, ou em grupo, fazia sozinha igual e colocava o nome dos outros colegas.
Seus pais se preocupavam. Não acham normal toda essa obsessão. Levaram a menina à médicos, psicólogos, psiquiatras, terapeutas alternativos e até a centros espiritas. Todos, sem exceção, diziam que ela estava ótima e não havia nada de anormal.
Aquele, enfim, era o dia da sua libertação. Dia da formatura na faculdade de medicina. Estava com a residência garantida em um dos melhores hospitais da cidade. Era a oradora da turma e seria a única aluna a ser laureada.
Estava também cedendo aos amores. Havia um colega de faculdade, muito especial. Que sempre a paquerou e, ela decidiu, que após o baile, sairia com ele. Era o grande dia. Seus objetivos estavam conquistados e agora poderia sorrir e se divertir.
Saiu de casa, cheia de vida e esperança no novo começo, para se arrumar em um salão de beleza. Cabelo, maquiagem, depilação, mãos, pés e até uma massagem relaxante. Merecia aquilo. Parou na esquina para pegar um táxi. Não entendeu bem a correria das pessoas e sua volta. E tudo ficou preto.
No outro dia a manchete do jornal local era trágica: Menina morre de bala perdida horas antes da formatura.

A Fazenda

Eu confesso. Ontem a noite não tinha absolutamente nada para ver na TV e olhei a Fazenda. Lembrem-se que estou em São Borja e a Globo ou o SBT. Temos a SKY, como única opção de TV a cabo e ela não tem contrato com essas duas emissoras.

Certo. Tem vários canais na SKY, mas mesmo assim nenhum deles oferecia uma opção de programa, para eu ir me distraindo enquanto tirava a sobrancelha. Então acabei parando na Record e bisbilhotando o Reality Show dos famosos.

Nunca tinha prestado a atenção naquele programa e muito menos em seus participantes. Mas ontem quando olhei fiquei pensando: “Eu não conheço ninguém”. Certo conheço o Dado Dalabella, graças à personagem dele em Senhora do Destino e aos escândalos com a Luana Piovanni. Mas e o resto? Conhecia a Baby, dos meus tempos de adolescência quando ela apresentava um programa na MTV. Mas os outros são completamente anônimos para mim.

Tudo bem. Eu já confessei aqui que sou marciana. Mas pra não me sentir tão fora da realidade do mundo das celebridades resolvi pesquisar quem são os participantes. E depois da pesquisa cheguei a uma ótima conclusão: Eles continuaram a ser anônimos para mim. Afinal não fazem a menor diferença na minha vida.

Mas olha o gabarito e o currículo delas para ver se vale a pena perder tempo sabendo quem são: Mirella, mulher do Latino. Grande coisa. Danielle Samambaia, essa eu nem preciso falar. Celebridade por causa da bunda. Danni Carlos, cantora, fez sucesso com uma música apenas, só porque foi tema de novela. Eu até sei cantar a música, “Coisas que eu sei” e a maioria sabe. Mas garanto que muita gente não tinha nem noção de quem cantava.

Seguindo na lista de famosos temos Lucieli de Camargo. Famosa por ser irmã da dupla sertaneja. Fabiana Alvarez. Eu nunca tinha ouvido nem falar no nome dela, mas ela é atriz. Sim! Ela é atriz e foi cunhada da Lucieli. E pra completar o time feminino temos Franciely Freduzesck, que foi Miss e agora é atriz.

No segmento masculino temos Jonathan Haagensen, do filme Cidade de Deus. Fábio Arruda, que é consultor de estilo. Seja lá o que isso significa. Carlinhos, que era o mendigo do Pânico na TV. Miro Moreira, modelo. Pedro Leonardo, cantor sertanejo. E por último Théo Becker, também ator.

Todos, pessoas famosíssimas. Importantes na nossa sociedade e cheias de coisas boas para passar pros telespectadores. Não é de se admirar que com um time desse gabarito, a Record esteja conseguido bons índices de audiência.

Seguirão anônimos para mim. A Fazenda não entrará mais na minha casa. No meio de tantas coisas absurdas que vemos, ouvimos e presenciamos todos os dias na mídia desse país, me dou o direito de selecionar algumas.

Não preciso de celebridades instantâneas para viver. Necessito de cultura. Entretenimento de boa qualidade e educação. E acho que todo mundo precisa realmente disso. Cada um com suas escolhas e não julgo quem gosta desse tipo de diversão (?). Mas acredito que se pararmos de cuidar a vida desses ilustres famosos desconhecidos e prestarmos mais atenção ao redor o Brasil, ainda pode ter solução.

Flora

Flora sempre foi uma menina especial. Ao nascer, a enfermeira olhou e disse:
– Nasceu um anjo!
Sua pele alva, seus cabelos ruivos e seus olhos cor de água cristalina eram fortes traços de sua fisionomia. Ela nasceu em um lugar abençoado por Deus. Uma vila no meio do nada, entre um rio de águas claras e uma floresta verdejante. Um lugar esquecido pelo homem e pelo progresso. Onde as pessoas eram humildes e muito tementes a Deus.
Em pequena, seus familiares todos acham que a menina era louca. Não eram raros os momentos em que Flora era pega falando sozinha, ou dizendo coisas aos adultos que eram de se duvidar que uma criança fosse capaz de falar. Frases fora do contexto das conversas mas que faziam muito sentido para quem as estivessem ouvindo.
Bruxa, era apenas um apelido carinhoso para Flora. Com apenas nove anos de idade, conhecia ofensas bem mais sérias e até as professoras tinham medo dela. Seu dom, era visto como algo abominável, como coisa do demônio e ninguém entendia o que acontecia com a menina. Ela era incapaz de fazer o mal, mas mesmo assim tudo de ruim que acontecia na vila, diziam que era coisa dela.
Não foi surpresa para seus pais quando a menina foi expulsa da catequese e praticamente excomungada da vila onde moravam, depois de ter falado, ao único padre da região, que um dia todos saberiam as sem-vergonhices que ele andava cometendo. Tiveram que se mudar para uma região bem distante.
Mas não adiantava muito. Em pouco tempo os vizinhos percebiam que a menina era diferente, podia ver o passado, o presente e o futuro. Fazia adivinhações. Falava com os mortos. Sabia sempre o que dizer as pessoas. Dava bons conselhos e nunca errava.
E quando isso acontecia a família se mudava de novo. De alguns lugares eram expulsos. De outros fugiam no meio da madrugada, pois a imensa legião de seguidores e adorados de Flora não dava sossego.
Assim a fama da menina se espalhou por todos os cantos do planeta. De tanto se mudarem não existia mais lugares para onde ir. E no meio de mais uma fuga Flora empacou. Não queria mais fugir, se mudar, ou fingir que não tinha poderes. Simplesmente queria viver e seguir a vontade de Deus, fazendo o bem as pessoas com seu dom.
Foi assim que Flora passou a dar consultas. Tornou-se uma lenda nos quatro cantos do mundo. Para alguns uma bruxa, para outros a encarnação do capeta, mas para a maioria uma santa. Capaz de fazer o bem a qualquer pessoa que se aproximasse dela somente com suas palavras. E foi com suas palavras que ela mostrou a todos que o mundo podia ser um lugar melhor.

O Dermatologista

Marcela acordou naquele dia em uma grande depressão e decidiu que não iria trabalhar, que precisava e merecia um dia para rir. Fez várias coisas que precisava e buscou Paola para tomarem uma cerveja no meio da tarde… Sabe aqueles dias em que o calor está demais, o sol lindo, maravilhoso e quente pedindo um brinde, uma homenagem? Pois é, era um dia desses, um lindo dia de sol que merecia uma matação de trabalho e uma cerveja gelada no meio da tarde…
As duas tomaram apenas três latinhas, mas ficaram alegres, estava muito calor e ambas de estômago vazio. Alegrinhas um pouco demais, para quem tinha dermatologista meia hora depois…
Enquanto discutiam que Paola não necessitava de dermatologista e sim de um psiquiatra como Marcela a cerveja foi rolando… E pegando!
Marcela foi acompanhar Paola no médico. Chegando lá os pacientes que esperavam ficaram meio chocados de ver aquelas duas mulheres rindo sem parar e, sem nenhum motivos aparente. Na hora de entrar no consultório Marcela entrou junto.
O Médico achou estranho e o diálogo se deu da seguinte forma:
– Desculpa doutor, mas agente faz tudo juntas! – Disse Paola
– E o que a traz aqui?
– Essas manchinhas brancas que estão aparecendo…
– O médico examinou Paola e foi lhe prescrever o tratamento:
– A senhora toma alguma medicação?
– Não – respondeu Paola.
– Toma sim! O remédio da pressão – disse Marcela.
– A senhora não toma anticoncepcional?
– Não tomo e não pretendo tomar. Pra que eu precisaria? – Respondeu rindo e olhando para Marcela.
O médico olhou com uma cara muito estranha e seu pensamento foi lido pelas meninas…
“Que desperdício… duas mulheres lindas, gostosas… E lésbicas.”
As meninas saíram dando mais risadas ainda…

LUTO

O Michael Jackson morreu. Estou de luto. Nunca gostei dele, mas vou acampanhar a comoção mundial.
Sexta feira é um dia meio assim… Com cara de domingo pra mim…
Não precisa ter diploma pra ser jornalista. Estou de luto pelo povo.
Não sei porque as sextas a inspiração não vem.
O Presidente do Brasil é semi analfabeto e pode emplacar um terceiro mandato. Estou de luto permanentemente pelo meus país.
Será que é porque sexta tem cara de domingo que fico assim?
A gripe suína está chegando pertinho de nós. Estou de luto pelas vítimas e paranóica em solidariedade os milhares de paranóicos por aí.
Domingo tem cara de preguiça. Deve ser por isso que sexta feira eu fico assim.
De qualquer forma entre lutos, falta de ideias e sextas com caras de domingo, volto segunda…
Bom fim de semana!

Teorias sobre a indiferença masculina…

Quando a gente é pequeno e briga com algum coleguinha na escola, os pais e professores vivem nos dizendo que a melhor coisa é ignorar. Na melhor das hipóteses, esse conselho entra por um ouvido e sai pelo outro.
Na grande sabedoria de nossa infância, e na mais cruel das sinceridades, afinal, crianças não mentem, até aprenderem que isso é conveniente, o que fazemos mesmo é bater boca. Até deixarmos o outro humilhado ou até a gente sair machucado.
Vamos crescendo e seguimos ouvindo o sábio conselho: ignore. Ignore o outro, ignore o que te machuca, ignore quem te faz sofrer. Simplesmente ignore. Uma coisa que não é tão fácil pra alguns, mas que outros aprendem rapidamente.
Os que aprendem, de tanto ignorar as coisas, pessoas e sentimentos se tornam indiferentes. E a indiferença, pra mim, é o pior dos sentimentos. Principalmente quando se é atingido por ela. Grite, xingue, me fale tudo o que quiser, mas não seja indiferente.
Os homens, talvez pela diferença hormonal, tem uma grande facilidade e podem se tornar mestres na indiferença. Sabe aquela velha mania de mulher de discutir a relação? Pois é exatamente nesse ponto que eles demonstram suas habilidades na arte desse sentimento.
Ela, ali, desesperada, por um pouco de atenção, algum argumento que a convença de que vale a pena continuar aquela relação. Ele, do outro lado, inerte, indiferente, sem dar uma palavra e, provavelmente, sem escutar uma palavra.
Não tem nada que faça uma mulher ficar mais desesperada, paranóica e raivosa que a indiferença masculina diante de uma DR (discussão de relacionamento). E elas não perdoam. Quanto mais ele se mostra indiferente, mais elas berram, xingam, insistem em levar aquela conversa até o final. Se preciso envolvendo a mãe do dito cujo.
Eles se defendem. Muitos amigos me dizem que essa coisa de discutir relacionamento é um atributo feminino. Que praa eles não faz o menor sentindo. Porque ou as coisas estão bem e se segue como está. Ou elas não estão bem e se acabam.
Tão pratica a visão masculina, que chega a dar uma pontinha de inveja. Infelizmente mulheres tem hormônios diferentes e por mais que eles tentem explicar, nós nunca entenderemos porque o assunto relacionamento é um tabu.
Aprendi que para se manter um relacionamento é preciso que cada um ceda um pouquinho. Então nós mulheres poderíamos ceder nas discussões, faze-las menos vezes, evitarmos promover uma DR em épocas de TPM e eles poderiam ser um pouco menos indiferentes e manter um diálogo de cinco minutos, ao menos.
Seria uma grande conquista de ambas as partes. Talvez uma daquelas coisas que entrassem pros Direitos Universais. Mulheres tem direito a discutir a relação e homens direito a um pouco de indiferença, mas só um pouquinho…

Diário de uma mulher solteira por convicção

Acordei sem querer acordar. Minha cabeça doía e o teto do quarto parecia que ia desabar a qualquer minuto. Culpa da azeitona? Claro que não. Culpa do vinho vagabundo que aquele cara me ofereceu.
Ele era charmoso. Tinha um bom papo. Pelo menos foi isso que eu vi aquele dia no bar. Tudo aparência. O cara era um tremendo 171. Não era médico. E sim enfermeiro. Não morava sozinho e sim com a mãe. E não entendia nada de vinhos.
Não sei porque sempre me meto nessas roubadas. Qual é? Com tantos anos de experiência eu ainda não aprendi a separar o joio do trigo? As aparências enganam muito. Principalmente esses que parecem perfeitinhos demais.
Um cara que ainda esteja solteiro com 35 anos com certeza tem problemas. Sem nenhuma ex mulher e sem filhos? Ou o cara é gay ou mora com a mãe. E, sinceramente, prefiro os gays. Essa coisa de ficar morando com a mãe. É encrenca na certa.
Já é difícil manter um relacionamento a dois. Imagina a três? O problema deve ser meu. Sou muito exigente. Odeio sogras. Quero alguém que se torne parte da minha vida e não alguém que mude ela. Alias, adoro a minha vida.
Gosto do meu trabalho. Da minha rotina. De sair com as amigas. De poder ir e vir a hora que eu quero sem dar satisfação a ninguém. Gosto da bagunça da minha casa. Adoro comida congelada e só sinto falta de alguém mesmo no inverno. Provavelmente porque demoro a dormir já que não consigo esquentar os pés.
Então por que eu preciso de um namorado? Qual é a cobrança da sociedade? Não posso ser solteira, independente e feliz? Essa necessidade de ter alguém me incomoda. Minha mãe me cobra netos. Diz que daqui a pouco vou passar da idade. Tenho trinta anos e muita coisa pra fazer. Não preciso de filhos ou de um marido agora.
Ela tenta me convencer de que depois me sentirei muito sozinha. Não quero mais passar por essas tentativas só pra agradar meus pais e a sociedade. Quero alguém bacana. Alguém que não bagunce a minha vida, que, simplesmente, faça parte dela.
Não vou ficar pra titia. Uma hora aparece alguém e pronto. Tudo fica resolvido. Mas por enquanto vou aproveitar. Viver e me divertir. Namorar com muitos sem dor de cabeça. E, sem vinhos baratos, de preferência.