O tortinho

Na primeira vez que Regina foi ao bar de Silvana, prestigiar o novo investimento da amiga, que já estava aberto há quase um ano, viu um homem lindo perfeito, com uns braços e costas que lhe chamavam a atenção. Ficou encarando o homem, mas ele não virava-se e Silvana percebeu para onde a amiga olhava. Quando Regina fez menção de seguir ele, Silvana lhe agarrou e deu grito:
-Não Regina, ele é torto!
-Como torto? Ele é lindo!
-Espera ele passar pelo outro lado.
..
Quando Regina olhou novamente o menino realmente tinha um pequeno defeito no rosto, mas não deixava de ser um homem charmoso. Regina sempre brincava com a amiga que um dia ainda ia dar uns beijos no tortinho, quando estivesse bêbada.
Muito tempo depois, um dia em que foi ao bar sem Silvana, ela ficou com o tortinho.
No dia seguinte a mensagem no celular era assim: “Sabe quem eu beijei ontem? Hehehehehe! O tortinho…”

Cuba Libre nunca mais!

Mônica estava em um daqueles dias em que não tinha certeza do que queria. Havia falado com seu ex marido que mais uma vez tinha tirado o chão dela. Resolveu sair com duas amigas, Dani e Viviane, e ir para um bar, em que tinha uma paquera em andamento. Mônica tomou duas doses de Cuba Libre e ainda estava de pé, achou que agüentava mais uma dose. Mera ilusão!
Estava ela dançando com Dani, sua amiga, quando se virou para o balcão para beber a outra dose. Quando voltou a dançar, Dani percebeu que havia algo errado com a amiga. Mônica não ficava de pé e nem reta, seus olhos reviravam de um lado para outro. Dani e Viviane resolveram levar ela para o bar de cima e deixaram-na sentada lá. Mônica não se mexia, na posição que as meninas largam ela, ela ficou.
Depois de um tempo Mônica juntou todas as suas forças e foi para rua, pois estava vendo que ia vomitar, mal saiu na rua e botou o mundo para fora e o porteiro gritava:
– Na laje não! Na laje não! Vomita na grama!
Quando Viviane e Dani chegaram na rua, o caso era sério. Mônica não parava de vomitar e não conseguia ficar em pé. As meninas então resolveram que estava na hora de levar ela embora, no seu estado caótico Mônica não sabia o que estava fazendo. Ao chegar em seu prédio, não conseguia caminhar, dava um passo e vomitava, outro passo e vomitava. As meninas a deitaram na cama e voltaram para o bar e Mônica repete até hoje: Cuba Libre nunca mais!!!!!

A carteira

Fazia horas que Pedro convidava Juliana pra sair de novo. Haviam ficado algumas vezes em festas, mas tinha alguma coisa que Juliana não gostava nele. E ela sempre cheia de coisas para fazer sempre dava desculpas esfarrapadas. Ela até achava ele bonitinho. Tinha um corpo bonito, fazia tipo, chamava a atenção. Só que não tinha assunto, parecia meio burrinho.
Enfim naquele dia estava meio carente, deprimida e sem mais nada para fazer, e acabou topando sair com Pedro. A coisa já começou mal, por que ele morava muito longe e pediu carona a ela de ida e de volta. Juliana ficou sem jeito de dizer não e foi busca-lo.
O papo no caminho foi uma total decepção. Ele era muito ingênuo e sem ambição alguma,. Não fazia faculdade, não pretendia fazer. Trabalhava em uma farmácia pretendia seguir lá o resto da vida. Seu sonho era virar gerente. Ela, ao contrário, estudava direito. Trabalhava em um escritório de advogacia, pretendia fazer mestrado fora do país e seu sonho era ter uma rede escritórios, um em cada capital do Brasil.
Foram para uma festa. Beberam alguns drinks. Dançaram bastante. Ele até se tornou mais interessante na . Afinal, não precisavam conversar. Só dançar, beber e namorar. Juliana pensava que já que ia aguenta-lo a noite toda, pelo menos iria tirar umas casquinhas.
A festa acabou. No caminho de volta ela ligou o rádio bem alto e foi cantando. Assim evitava a conversa e ele não perdia o encanto. Chegando na casa dele, ela pediu para entrar. Precisava usar o banheiro com urgência. A bexiga estava dolorida e não tinha outra alternativa.
Entraram na casa. Ela foi ao banheiro e quando saiu ele estava só de cuecas. Pegou ela de jeito e sem jeito ela não teve como escapar. As coisas foram esquentando e até que ele estava melhorando nos conceitos da moça quando… acabou. Exatamente. Acabou. Ele acabou. Para ela a coisa nem tinha começado. Mas o brinquedo de Pedro era tão minimo e sem agilidade que ela não sentiu nada.
Voltando para sua casa, depois de tantas frustrações, Juliana encontrou dentro do seu carro a carteira de Pedro. No outro dia cedo, Pedro ligou para saber se a carteira estava com Juliana. Ele estava trabalhando o dia inteiro de plantão. Não havia outra saída senão Juliana levar a carteira para ele. Chamou uma amiga para ir junto. Não queria ficar por lá.
Já no caminho resolveram ligar para Pedro para descobrir qual era a farmácia que ele trabalhava e como chegariam lá. Foi ai que viram a indiada que estavam fazendo. A farmácia era no fim do mundo, elas se perderam. Juliana uivava de tanta raiva, tinha vontade de enfiar aquela carteira goela abaixo de Pedro.
Ao fim e ao cabo cumpriram a missão de entregar a carteira, mas o ódio das duas se transformou em boas risadas e deboches sobre Pedro: burrinho, pobrinho, brinquedo pequenininho e nem sabe usar! Ninguém merece!

Somos lésbicas

Bianca e Márcia sempre saiam juntas. Freqüentavam uma mesma danceteria onde o namorado de Bianca, Renato, trabalhava. Iam lá dançavam, brincavam, bebiam e no final exaustas voltavam para casa. Todas as vezes que elas iam a danceteria havia um menino que ficava paquerando Bianca à distancia.

O menino era muito estranho, parava perto delas e ficava olhando para Bianca fixamente, fazendo caras e bocas. Mandava uns beijinhos, entortava a boca, dava umas piscadas e as gurias se divertiam com aquilo. Um dia ele tomou coragem, ou bebeu demais, e se aproximou dela:

-Você é tão linda e está sempre sozinha aqui. Por que?

Bianca não teve duvida, chamou Márcia a abraçou e disse:

-Eu nunca estou sozinha. Estou sempre com ela!

O menino olhou com cara assustada. Ficou emcarando as duas abraçadas e depois saiu correndo.

Depois de umas duas semanas um outro menino chegou perto de Márcia:

-É verdade aquilo que a sua amiga disse para aquele cara? – Apontando pro menino fissurado em Bianca.

-O que? – Márcia interessada em saber.

-Que vocês são lésbicas ?

O que você faria se fosse o fim?

O fim do mundo está próximo. Segundo o calendário Maia. Em 21 de dezembro de 2012 alguma coisa vai acontecer. Uma grande mudança. As leituras sobre as escrituras de Mostradamus também dizem isso.

Einstein disse: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.” E uma pesquisa realizada em 2008, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, afirma que 36% das 2,4 milhões de colméias foram destruídas pelos distúrbios do colapso das colônias. Não sei o que é esse tal distúrbio, mas sei que com isso muitas abelhas morreram.

E se eu continuar com essa lista de afirmações sobre o fim em 2012 vou longe. Teoria dos Papas, dos OVNIs, do I- Ching, e até a gripe suína pode ser usada como uma premonição do fim próximo. Isso sem falar nas questões númericas e coincidências que giram em torno da data escolhida: 21/12/2012.

Ceticismos e crendices a parte. Até agora o que me chamou mais atenção foi um norueguês nesse site: http://projectcamelot.net/benazir_bhutto.html. Ele afirma que faz parte do governo e, que por lá, estão sendo construídos tuneis e alojamentos subterrâneos, assim como em outros paises. E que todos os governantes sabem da ameaça que virá dos céus. Um tal de Planeta X, que provocará devastação e muitas mortes. Ninguém que estiver em cima do solo sobreviverá. É fato e bem conhecido que a pouco a Noruega inaugurou o “Cofre do fim do mundo”, que começou a ser construído em 2007 e serve para abrigar sementes de plantas para preservação. Será que é só um cofre pra sementes mesmo?

Não sei. Não creio no fim do mundo. Já se ouviu tantas profecias, histórias e teorias e nada aconteceu. Acredito que haverá mudanças sim. Não especificamente em 2012, mas ao longo dos anos. Assim como desde que conhecemos a história da humanidade houveram.

Doenças novas sempre aparecem e desaparecem. Aquecimento global, esfriamento global, mudança polar, tudo culpa do homem e suas experiências com a natureza. Nada que não seja consequência de nossos próprios atos.

Mas tudo isso me fez pensar: Se o fim está próximo o que eu realmente gostaria de fazer? E sabem a que conclusão cheguei? Eu apenas gostaria de viver. De existir. Existir como pessoa. Fazer a diferença. Produzir algo realmente importante. Não que eu não viva. Não que eu não exista. Não que eu nunca tenha feito algo de importante. Mas apenas isso.

Se o fim do mundo realmente chegasse eu queria poder contar ele. Queria poder escrever sobre ele e deixar de herança para os próximos. Afinal, sempre existirão os sobreviventes. Por mais fins de mundo, ou fins de Eras que se possa viver, sempre existe a continuação da raça.

Não deixar previsões apocalípticas para eles. Porque essas realmente de nada servem, a não ser gerar pânico e ansiedade. Mas deixar a história do que realmente nos aconteceu e porque aconteceu. Fazer com que entendam e aprendam com nossos erros. Nossa crueldade com a natureza e como esgotamos todos os recursos que ela nos oferecia.

Se existe realmente uma praga. Se existe realmente um grande parasita no mundo. Esse somos nós. Se o mundo realmente acabar em 2012, um dia quem sabe os sobreviventes vão achar no mundo virtual essa crônica e saber que nós fomos os culpados de tudo.

E você o que, realmente, faria se fosse o fim de tudo?

Teorias sobre a amizade

Amizade é um sentimento estranho. É como o amor. Ele chega, se abanca e vai crescendo com o tempo. Ou termina com uma desilusão. Mas se termina não era amor. Então se termina não era amizade.

As pessoas costumam se gabar por ter muitos amigos. Eu não. Tenho conhecidos e amigos. Amigos são aqueles, que você morreria por eles. Aquelas pessoas, que mesmo depois de uma briga, um puxão de orelha ou um arranca rabo seguem do seu lado. Pessoas que você fala “eu te amo”, sabendo que não tem nenhuma maldade nisso.

Amizade não é só para momentos ruins. Mas é neles que se vê quem realmente sempre está por lá. E nas horas difíceis que eles se mostram amigos de fato ou apenas conhecidos. E como sempre, depois da tempestade vem um lindo dia. É com eles, aqueles que estiveram durante a tempestade, que devemos brindar o sol.

Amizade não se garante pelo contato ou pelo número de vezes que se está junto. Amigos não precisam morar na mesma cidade, no mesmo estado e, nem, no mesmo país para continuarem sendo especiais. E nisso estou virando expert. Algumas pessoas eu posso passar anos sem ver, sem falar e até sem ter notícias. Mas basta cinco minutos de conversa para tudo voltar ao normal.

Amizade a gente escolhe a quem dedicar. E em alguns casos a gente nem sabe direito porque. Alguns amigos não tem nada haver conosco. Outros parecem ser iguaizinhos. Uns detestam tudo que você adora e você detesta tudo que eles adoram. Mas mesmo assim são amigos.

Tem vários tipos de amigos. Os confidentes, os pau pra toda obra, aqueles que são parceiros de aventuras e os que nos inspiram a ser alguém melhor, a fazer a coisa certa ou a olhar de outro ângulo.

Meus amigos são assim. Um pouco de cada coisa. Cada um do seu jeito. Uma mistura de tudo que há de melhor na vida. Pessoas quem me fazem bem, que me deixam feliz só pelo fato de existir. Meus amigos eu amo. Tento proteger, ajudar e, se preciso, puxo as orelhas. Dou risada e choro junto. Posso tomar uma cerveja ou uma copo de água. Ficar horas sem fazer nada, simplesmente em sua companhia e achar que foi o dia mais maravilhoso.

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FELIZ DIA DO AMIGO!!!! Aproveite o dia de hoje pra lembrar de todos que são especiais e não esqueça de dizer a eles! Afinal, amigos são presentes especiais de Deus em nossa vida!

Uma luz no fim do túnel

Começo a enxergar um pequeno foco de luz no fim do túnel. Pelo menos no Rio Grande do Sul. A mobilização em frente a casa da governadora foi o máximo. Sim. Isso mesmo. Considero como o primeiro rufar de tambores, os toques de acorde que poderão fazer o despertar de toda uma população do sono alienante que vivem. Pode ser e espero que esse seja o primeiro passo para uma mudança. Nada de reformas e sim mudanças. É o que todos nós precisamos.
Não sou, nem nunca fui, mesmo que alguns digam o contrário, anarquista. Muito menos a favor de greves. Principalmente quando era professora e eu tinha que recuperar os dias depois. Claro. Todos tem direito a ter uma categoria, mobiliza-la, fazer greve e exigir seus direitos. Esta na constituição. Porém todas as greves que presenciei no magistério gaúcho, enquanto fazia parte do quadro, foram burras. Greves que faziam dos professores reféns e que inibiam seus direito,s uma vez que depois a categoria tinha que recuperar.
Ao ler as machetes dos jornais gaúchos hoje e perceber o envolvimento do Cpers e de jornalistas e ver como a governadora ficou furiosa, juro. Por um minuto vibrei. E digo mais, se eu fosse sua vizinha processava ela pela perturbação da ordem. Afinal, governador é governador 24 horas por dia. Aceitou a responsabilidade no momento que se candidatou. Foi eleita. E agora que aguenta o barulho que ela mesma provocou. Para isso e, em função de uma sociedade democrática de direito, ela ganha muito bem. E tem uma casa ofertada pelo Estado dentro do Palácio Piratini. Sede do governo e de onde ela nunca deveria sair enquanto governadora.
Políticos que assumem cargos de alta importância são representantes do povo em tempo integral. Ela comanda o Estado e como poderá fazer isso se termina o expediente e ela quer ter uma vida normal. Ir para casa cuidar dos netos. Os netos. Por que os netos dela tem mais direito que todas as outras crianças do Rio Grande do Sul? Por que eles tem que ir a aula enquanto milhares outras não podem por condições precárias das escolas?
“Abram alas que minhas crianças vão passar” Não deveriam ser todas as crianças do Estado, crianças dela? Não é ela o grande maestro da orquestra Rio Grandense? “ Vocês não são professores. Torturam crianças”. Ela só pensou nisso agora porque mexeu com a família dela. Desculpe, senhora governadora, em quem eu votei, confesso, e muito me decepcionei mas a única torturadora de crianças aqui é a senhora. Que quer acabar com o Plano de carreira e fazer o professor ser o lixo da escória da sociedade. Tirar sua estabilidade, aplicar provas e nem ao menos dar condições para que ele se qualifique, se especialize e pior se motive.
Se seus netos ficaram nervosos e choraram saiba que a culpa é sua e não dos manifestantes. E que milhares de crianças ficam nervosas e choram todos os dias por sua culpa. Por não terem escolas decentes, por não terem o que comer, por não terem condições de aprender. Seus netos não são melhores do que qualquer outra criança do nosso Estado. E seus netos deveriam estar em segundo plano diante do compromisso que a Sra Yeda Crusius assumiu com nossa sociedade. Compromisso esse, que vale ressaltar, tem duração de 4 anos, 365 dias por ano e 24 horas por dia.
A minha outra categoria, que vale lembrar deixou de ser uma categoria depois da decisão do STF para se tornar um aglomerado de pessoas sem profissão mas com muita paixão, entrou na dança. Os jornalistas apanharam, foram empurrados e tiveram que aguentar o tranco da BM (Brigada Militar que equivale a Polícia Militar, aqui no RS). Tudo para poder exercer o direito de qualquer cidadão da liberdade de expressão e poder informar a todos nós o que aconteceu. Obvio que os policiais só agem assim porque alguém manda. E nesse caso quem mandou foi a chefe do nosso estado.
Quer dizer, depois de resolver que não vai assumir o compromisso que aceitou, concorrendo ao governo do Estado, de nos comandar 24 horas por dia durante quatro anos interruptos. Depois de decidir que é uma mulher normal e que quando acaba o expediente é apenas a Yeda. Depois de resolver acabar com a pouca coisa que resta ao magistério gaúcho. Depois de ser acusada de vários escândalos financeiros. Depois de defender somente os netos dela e esquecer todas as outras crianças do nosso Estado. Depois de tudo isso essa mulher se mostra mais fria e calculista mandam a Brigada Militar usar de força para evitar que as informações parem na imprensa. O que mais afinal, Sra governadora, podemos esperar?
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Saí do marasmo das minhas férias. Precisava dar esse recado. A Secretária volta a trabalhar na segunda e na outra semana volto a estar todos os dias por aqui…

Criança troca a diversão pelo trabalho

Trabalho infantil é proibido pela Constituição Federal, mas ocorre livremente pelos bares e ruas da Capital

Nos bares da Cidade Baixa, à noite, crianças circulam vendendo flores, figurinhas, panos de prato e engraxando sapatos. Elas vêm dos pontos mais variados de Porto Alegre. A maioria é menor de 13 anos e trabalha naquela zona devido ao movimento dos bares com mesas ao ar livre. “A gente não pode entrar nos bares e aqui tem um monte de mesinhas na rua, então é mais fácil de vender”, conta uma menina de sete anos que vende flores.

Algumas trabalham para ajudar no sustento da família, outras para sustento próprio, como conta um menino de 10 anos, que vende figurinhas. “Eu moro ali pelo viaduto; em abrigo não dá pra ficar porque a gente é maltratado, então uso o dinheiro para comer”.
Os relatos de maus-tratos são contestados pelo Conselho Tutelar. “A própria questão de horários e imposição de regras são vistos como maus-tratos”, contrapõe o conselheiro tutelar José de Freitas, 39 anos.

Lei x Realidade

De maneira geral, as crianças não atrapalham o comércio dos bares, mas muitos clientes acham inconveniente e outros ficam revoltados porque ninguém toma providência. “Essas crianças deveriam estar em casa brincando, é direito delas”, indigna-se Maria Santos, 29, funcionária pública e freqüentadora de bar na Cidade Baixa.

Há lei que prevê essa proteção às crianças. Segundo o artigo 60 do capítulo quinto do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), “é proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos e após essa idade somente na condição de aprendiz”. O artigo sete, inciso 33, da Constituição Federal, reforça a proibição do trabalho infantil noturno, insalubre ou perigoso.

Pais x Drogas

O garçom de um dos bares mais freqüentados do bairro, que não quis se identificar, conta que os pais controlam o trabalho de seus filhos. “Cuidado que se eles te virem vão querer saber o que tu quer com as crianças”, alertou à reportagem.

De acordo com o ECA, os exploradores do trabalho infantil têm como punição multa ou pena de três meses a seis anos de prisão. “Como as famílias não têm dinheiro e a prisão só faz com que a pouca renda que ganham páre, os juizes dão penas alternativas”, afirma o conselheiro tutelar, Fábio Valentte, 39.
“Os que não têm pai ficam, depois que a locadora fecha, sentados ali na frente cheirando loló e, algumas vezes, fumando maconha”, denuncia um morador da rua da República há 40 anos. “As drogas são uma forma de fuga da realidade, a pessoa deixa de sentir frio, fome e outros fatores que a incomodam”, esclarece o psiquiatra Reinaldo Alves, 45.

Como agem os orgãos competentes

Moradores, comerciantes e freqüentadores dos bares locais afirmam que nunca assistiram a uma ação do Conselho Tutelar na região de bares da Cidade Baixa. “Quinta feira passada eles andaram por aí, mas não fizeram nada com as crianças; elas continuaram trabalhando normalmente”, criticou o garçom.

Mateus F., 28. “Existe o Serviço Social de Rua, órgão responsável por fazer a abordagem das crianças na rua. Eles fazem o primeiro contato, criam vínculos e fazem o encaminhamento”, justifica o conselheiro tutelar, José de Freitas, 39.
O Serviço de Educação Social de Rua trabalha com denúncias feitas por telefone ou abordagens sistemáticas, que são mapeamentos de zonas problemáticas. “A Cidade Baixa está nessa abordagem sistemática, pois estamos a par das situações de trabalho infantil, mas apesar de todos os esforços, as crianças acabam retornando para a rua”, admite a coordenadora do Serviço de Educação Social de Rua, Maria Juracema Viegas, 56.

Faltam ações

Conforme moradores e trabalhadores dos bares e comércio da região, o número de crianças cresce cada vez mais. Eles afirmam que ligam seguidamente para o Conselho Tutelar informando que as crianças estão trabalhando e se drogando. “Eles passam com a Kombi por aqui, olham e vão embora”, relata o funcionário de um bar que pediu para não ser identificado.

O conselheiro tutelar Fábio Valente argumenta que a entidade “tem o dever de zelar pela garantia das leis do ECA, também cobrando uma ação da sociedade”. Todavia, a apuração de uma denúncia é feita por um conselheiro e um motorista. “Se tem uma multidão de crianças, precisamos da ajuda da Brigada Militar e, normalmente, eles fogem ao ver a kombi pois sabem que vamos voltar”, conta.
O Conselho Tutelar, ao receber uma denúncia, verifica sua veracidade e faz os encaminhamentos necessários, dependendo de cada caso. Esses encaminhamentos variam desde atendimentos especializados como médicos, psicólogos e escola, até envio do caso ao Ministério Público.
O trabalho do Serviço de Educação Social de Rua é pouco divulgado. “Fizemos uma vez um trabalho de conscientização para que as pessoas não comprassem nada de menores nem dessem esmola. Isto estimula a volta às ruas”, recorda Viegas.

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Matéria publicada no Jornal Universo Ipa em outubro de 2006. Quer ler na integra? Acesse: http://www.universoipa.edu.br/

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Pena que nada mudou pela Cidade Baixa…

Chutando Pedrinhas…

Ricardo teve todas as oportunidades de sua vida pra conquistar Cristina, mas sempre foi infantil demais para isso. Conheciam-se há alguns anos. Ele sempre arrastou uma asa para ela. Trabalhavam na mesma empresa, mas em estados diferentes. Comunicavam-se por telefone e internet e haviam se encontrado algumas vezes em reuniões e convenções. Todas as vezes que Ricardo ia ao estado de Cristina, procurava pela moça, algumas vezes ela saia com ele e outras dava o cano.

Um dia Cristina resolveu ceder ao galanteio de Ricardo. Saíram, tomaram alguns drinques e acabaram ficando juntos aquela noite. Cristina encantou-se por ele e ficou pensando porque tinha demorado tanto tempo a dar uma chance. O romance ia de vento em polpa e sempre que podiam viajavam para se encontrar.

Porém, um dia ele foi convidado para fazer um trabalho na África e passou seis meses sem dar noticias. Segundo ele lá não existe telefone, internet, correio e nenhuma outra forma de comunicação. Quando retornou ao Brasil ligou para Cristina e marcaram de sair. Ela não sabia muito o que ia acontecer, mas sabia que não queria ficar com ele. Já que ele havia dito que levaria mais dois amigos ela resolveu chamar suas amigas e foram para uma danceteria.

Chegando lá, Cristina deu de cara com Marcelo e suas perninha começaram a tremer. Fazia algum tempo que ela estavam e ela bem apaixonada por ele. Quando Marcelo a chamou para irem embora juntos, ela foi esquecendo completamente de Ricardo. Saiu e nem se lembrou de avisar as amigas.
Ricardo ficou muito indignado, pois jurava que levaria a menina para casa. Saiu chutando pedrinha, chorando e resmungando igual a uma criança que perde seu brinquedo favorito.

No dia seguinte, Ricardo estava com seu orgulho ferido e os dois amigos zoavam dele. Afinal ambos tinham saído acompanhados pelas amigas de Cristina. Ele para não sair por corno tentou resolver a situação humilhando Cristina e suas amigas. Ligou para a moça e disse que ele e seus amigos agradeciam e noite maravilhosa que as meninas tinham propiciado. Cristina que sempre foi ingênua para algumas coisas, principalmente com os homens, ficou feliz com as palavras de Ricardo e acreditou que ele não estava chateado. Ligou para uma de suas amigas para contar. A amiga ficou indignada e falou que na verdade ele estava puto e tinha tentado humilha-la. E pior ofendendo a todas.

– Ricardo? Cristina. Só quero te dizer uma coisa. Eu e minhas amigas ficamos muito felizes de ter divertido você e seus amigos. Mas fala a verdade… Você saiu de lá choramingando? Bem feito, porque a gente só da valor as coisas depois que perde.

A sina das sextas feiras

Uma folha de papel em branco. Eu olho pra ela e ela me retribui o olhar sem dizer nada. Deve ser por que é sexta feira. As sextas, eu já falei aqui, tem cara de domingo. Fiquei pensando sobre isso e descobri que é por vários motivos.

Eu não estou trabalhando, então pra mim, elas não tem cara de libertação. É dia de meio expediente no quartel, o que significa que o maridão vai chegar cedo em casa e vamos passear ou não vamos fazer nada. E o fim de semana é eleito, sem duvida nenhuma para se fazer coisas agradaveis. Que varia de ser humano pra ser humano. Por exemplo, o Paulo, adora limpar o carro. Eu adoro não pensar em nada.

Mas já teve épocas que a sexta tinha cara de libertação. Cara de “Eba! Fim de semana chegando”. Não que agora eu não comemore mais os dias de descanso. Mas comemoro de forma diferente.

Então para todo mundo que comemora a sexta como o dia da libertação, uma ótima sexta e um maravilhoso fim de semana!!!