Trabalhando na rádio agora e dei conta de uma coisa: Tudo é uma regravação, adaptação ou reforma de tudo que já existe. Sim. São raras as coisas novas, a maioria copia e não cria. Essas coisas modernas como sertnejo, funk e pagode, regravam grandes sucessos e o povo é tão inculto e que acha que é novidade. Aí eu me pego cantando sucessos, e eles acham que sou fão de pagode e sertaneja… hahahahahahhaa
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Organização
Levantando vôo
Droga! Todo mundo diz que se tem que começar pelo começo. Mas qual será o começo? Sou solteira. Se bem que minha amiga Sabrina, super segura, descolada e sexy diz que isso é a conseqüência. Sou aeromoça e morro de medo de voar. Minha amiga Bianca, que é totalmente zen e ligada as coisas espirituais, diz que isso é carma. Morro de medo que alguém na companhia descubra, porque esse é o melhor emprego que eu já tive.
Faço de dois a quatro vôos por dia e sempre durmo na minha cama. Quer dizer, sempre é exagero, mas quase sempre. Isso porque eu faço vôos nacionais, que normalmente são curtinhos. Já fiz vôos internacionais mas passei tão mal que inventei uma desculpa para só fazer os curtinhos. A desculpa colou e aqui estou eu.
Pensando bem, dormir sempre na minha cama não é uma grande vantagem já que durmo sozinha. Sozinha quero dizer sem um corpo masculino, que me desperte desejo. Normalmente Frederico dorme comigo. Só que ele é apenas um gato cinza e peludo, sem raça definida. Me faz companhia mas não supre meus desejos.
Frederico deve pensar que tenho sérios problemas. E quem não tem? Ele me olha como se estivesse analisando e julgando meus atos e comportamentos. Certo. Talvez quem realmente julgue sou eu. Mas como não julgar? Minhas variações de humor, as crises de choro e euforia. A neurose pela limpeza em uma semana e o desleixo total em outra. O guarda roupa que se trasporta para cima da cama em questão de segundos e demora dias para voltar ao seu lugar. E tudo isso ele ali, assistindo e analisando. Garanto que se o Fred estudasse e falasse ele seria um ótimo psiquiatra.
Melhor do que o último que eu procurei, por causa da minha insônia de fim de mês, e que deu em cima de mim. Ele até era bem interessante e se não fosse o fato de me fazer pagar uma banana para conversar quarenta e cinco minutos e nesse tempo ter me dado duas indiretas e me convidado para jantar, com a desculpa de depois, quem sabe, conferir minha insônia. Bom, se não fosse isso talvez eu até tivesse saído com ele. Mas depois ainda me cobrar todo aquele dinheiro? Aí era abuso. Ou apelação porque fiquei com a sensação de estar pagando um garoto de programa. E se duvidasse ele até faria eu pagar a conta do restaurante ou pior, dividir.
É. Essa história de dividir a conta é pior do que pagar sozinha. Sou bem machista nesse ponto. Não me importo de pagar. Me importo com aquela situação do dividir. O meio a meio ou suas tequilas, minhas cervejas, me deixam atacada. Prefiro “na próxima você paga”. Assim já sugeri o interesse por um outro encontro e gera intimidade. Minha amiga Rosana diz que tudo é uma questão de intimidade. Quanto mais intimidade geramos com as pessoas a nossa volta, mais fácil fica a vida. Ela consegue ficar intima dos taxistas em dois minutos. Começa chamando de você, depois acha algo no taxi que tenha alguma semelhança com algo que ela conheça e pronto: Solta o verbo e consegue estabelecer a tal intimidade. Na maioria das vezes, com isso, eles lhe devolvem o troco direitinho.
Eu não sou boa em estabelecer intimidade. E muito menos em pedir meu troco de volta. Sei lá. Tenho essa coisa de achar que sempre estou incomodando os outros e que as pessoas estão me fazendo grandes favores. Tenho a capacidade de ficar mal com qualquer coisa que os outros digam. E nisso minhas três amigas são unanimes: baixa auto-estima.
Sim. Talvez eu sofra desse complexo. Não me acho feia. Mas também não me acho bonita. Sei que sou inteligente. Até um pouco demais. Penso tanto, em tantas coisas diferentes, ao mesmo tempo e fazendo uma grande salada de fruta na minha cabeça que ás vezes chega a doer. Sou boa no que faço. Pelo menos durante toda a viagem. Os passageiros só não podem contar comigo durante a decolagem e aterrissagem. Sempre estou com um casinho novo, ou algum cara dando em cima de mim. Sei que minhas relações amorosas não passam do oitavo encontro, mas ainda acho que o problema é deles e não meu.
Homens são muito complicados. Cheios de duvidas, confusões e teorias e ainda tem a capacidade de dizer que nós mulheres é que somos assim. Mulher quando gosta, gosta. Quando quer, quer. Já os homens… Eles nunca sabem se gostam a ponto de se comprometer. Nunca sabem se querem a ponto de perder o futebol. Se eu gosto eu quero compromisso. Se quero desisto até de fazer compras. E olha que desistir de fazer compras é algo muito importante. Apesar das compras serem a principal causa da minha insônia de fim de mês.
Mas voltando ao começo, pelo menos ao começo de todos esses pensamentos, essa revista que estou lendo, pela primeira vez me mostrou uma técnica que realmente funciona para se esquecer do medo. Ela dizia: Pense em várias coisas da sua vida, que a deixam triste ou alegre, não importa. O que interessa é você achar o começo, se concentrar nele e ir puxando pela memória tantas conexões quanto forem possíveis até o medo se dissipar. Melhor do que a técnica de contar ou de fazer mentalmente a tabuada.
– Marjoreeeeeeeeeeeeeeeee!
Pronto! Decolamos! Hora de voltar ao trabalho!
O escritório do chinês alemão
Não sei bem como tudo começou. Mas sei como terminou. Não os conheci antes, mas depois de um tempo convivendo com os dois posso afirmar com certeza: Algo ali não era normal. Existia algo diferente no ar. No principio achei que era maldade minha. Sempre fui desconfiada e preconceituosa.
Quando li o anúncio no jornal achei que era pegadinha. Estava desempregada há dois dias e não era possível que em tão pouco tempo tivesse um anúncio perfeito para mim. Pediam alguém que falasse chinês e alemão. Fosse boa com números, formada em relações públicas e com especialização em relações internacionais. Entre 30 e 40 anos, solteira, sem filhos e com disponibilidade para viagens. E melhor não tinha horário fixo e o salário era algo com quatro dígitos bem atraente.
Liguei na mesma hora. Mal falei pediram para falar duas frases em chinês e alemão e marcaram a entrevista para a tarde. Demorei a acreditar. Dois dias desempregada e já tinha uma entrevista marcada apara aquela tarde. Nem curti direito minha situação atual e nem deu tempo em entrar em depressão. Mas aquela era uma chance única e perfeita.
Demorei a escolher a roupa aquele dia. Precisava impressionar, mas não podia esbanjar e muito menos parecer fútil. Lembro que cheguei cinco minutos antes da entrevista e depois de uns vinte eu já estava preenchendo a ficha de funcionária e entregando minha documentação.
Meus novos chefes eram estranhos. Um alemão e o outro chinês. Mal se entendiam. Não compreendiam a língua um do outro, e mal falavam o português. Eram estranhos. Mas de alguma forma aquela sociedade andava de vento em polpa. Minha tarefa era falar com clientes chineses e alemães e oferecer nossos serviços de festa. Sim fazíamos festas em outros países. Festas brasileiras com mulatas, samba, churrasco e muita caipirinha.
Depois de fechar o pacote, acertar os detalhes, então eu passava o cliente para o seu compatriota e ele fecha os últimos detalhes. Algumas festas, talvez eu devesse acompanhar. Mas não sempre.
Tudo parecia normal. Mas eu sabia que havia algo errado. Algo que eu não compreendia. Ou pelo menos não queria ver. Sempre depois das festas algumas mulatas sumiam da agência. Não apareciam para receber seu pagamento ou simplesmente quando eram chamadas para outro evento desligavam na minha cara.
Depois de uns três meses aconteceu minha primeira viagem. Fui para Berlim. Acompanhei com muita atenção a montagem da festa. Durante todo tempo não consegui ver nada de errado. Percebi que todos se divertiam e que tudo foi muito bem. Depois de umas três horas de festa fui para o hotel. No outro dia cedo acompanhei todos os passos para desmontar equipamentos, a faxina do local e o embarque de todos que tinham ido comigo. Nada de anormal.
Passaram uns seis meses e me mandaram novamente para Berlim. Íamos fazer a mesma festa. Para as mesmas pessoas. Mas o cliente exigia minha presença. Achei normal. Talvez ele tivesse gostado do meu trabalho, da minha atenção. Achei estranho quando a ordem de pagamento entrou com o dobro do valor acertado. Meu chefe alemão disse que era um presente do cliente pelo ótimo serviço que estávamos prestando. De qualquer forma, lá fui eu para Berlim.
Organizei toda a festa. Acompanhei o inicio e como estava me sentindo muito cansada, resolvi ir para o hotel mais cedo. Quando estava saindo, o cliente me chamou e me ofereceu um drink. Por educação aceitei.
Não sei o que aconteceu depois. Agora estou aqui. Presa nesse quarto escuro, tentando não enlouquecer e quebrando a cabeça para ver uma alternativa de escapar. Virei uma escrava sexual. Fui vendida pelo meu chefe. Eu sempre soube que havia algo estranho. Mas nunca imaginei isso.
Afinal, quem é que realmente quer ficar solteiro?
Teorias sobre o medo
De volta e de vez…
Depois de quase morrer sem net, sem vida social, sem computador, como presente antecipado de aniversário, tudo voltou a funcionar e amanhã volto a postar algo bacana!
A dependência virtual
Fim de Férias!
Não. Ao contrário dos boatos e da neurose geral meu sumiço foi apenas a falta de modem na cidade de São Borja e não a gripe suína. Mas soube de uma história em que as pessoas tinham até medo de ligar para o portador da gripe com medo da pessoa espirrar no aparelho e por meio dos cabos de fibras óticas da Brasil Telecom se contaminarem. O mais engraçado é que a gripe comum mata mais pessoas do que a suína. Mas o que vai ser fazer? O porquinho coitado já é comparado com tanta coisa ruim que mais uma, menos uma ele nem se importa.
E tirando a gripe, o retardo do reinicio das aulas (aff! O que se faz com filhos em casa por tanto tempo?) e o sumiço misterioso da governadora, o mundo segue ao normal e eu na minha necessidade diária de escrever e tentar colocar alguma cor diferente no seu dia.
Estou de volta. Com algumas novidades e notícias. Alguns sabem que participo de concursos literários desde o início desse ano. Pois bem depois de alguns concursos fui selecionada para sair em uma antologia. O conto “Carla” ficou entre os 30 melhores de 1749 outros contos que participaram do Concurso de Contos da Cidade de Porto Seguro e logo estará figurando em um livro. Consegui nesse período também registrar meu primeiro romance na Biblioteca Nacional e agora ele está em fase de avaliação pelas editoras. O que é um grande progresso.
Enfim minha secretária está dispensada do serviço e agradeço muito ela pela força que me deu nesse período de férias e novos rumos para minha carreira. Além é claro de agradecê-la por ser a musa inspiradora do conto que foi selecionado.
Então depois desse textinho de atualizações e novidades amanhã volto para postar algo novo e diferente para vocês!