Brasil – Argentina – Praguai

Não dá para deixar de dividir com vocês a nossa aventura entre Brasil, Argentina e Paraguai vivida nesse final de semana.
Tudo começo há umas duas semanas quando descobri que pela bagatela de 50 reais eu e o maridão, poderíamos ir e voltar, em um ônibus daqueles de dois andares, chiquérrimos da Argentina, de Posadas e depois pegar um outro “coletivo” e atravessar para Encarnacion.
Então na sexta feira fomos até Santo Tomé e compramos nossas passagens de ida e volta. Passamos na Aduana e perguntamos o que precisaríamos para ir até Posadas. O homensinho da Aduana disse que só identidade e fazer a migração avisando que iamos a Posadas. Nossa passagem era para o ônibus das 7:55, que para a gente é 8:55 já que eles não tem horário de verão.
No sábado acordamos as 6:50. Tomamos café, botamos o lixo para a rua. Pegamos o carro e nos fomos rumo a Aduana. Preenchemos a papelada e as 8:36 brasileiras, 7:36 argentinas estavamos na rodoviária prontos a embarcar no “coletivo“. Oito horas da manhã e nada do busão. Perguntei a vendedora de passagens e ela justificou que por ser período de férias os ônibus estavam atrasados.
As 8:40 o coletivo chegou. Haviam 5 pessoas para embarcar. Nós e mais três argentinos. Inclusive uma menina que tinham chegado a 5 minutos na rodoviária e acabado de comprar o passagem. O ônibus só tinha 3 lugares e entraram os três argentinos e nos deixaram do lado de fora. Na maior cara de pau fizeram isso. Foi um desrespeito enorme. E pior que queriam nos empurrar um outro coletivo que sai uma hora depois. Brigamos, gritamos, xingamos e conseguimos nosso dinheiro de volta. Fui para o carro já quase chorando, afinal era a nossa viagem para comemorar uma ano de casados.
Mas o maridão é o maximo. (Acho que foi por isso que casei com ele) e disse que iríamos e carro. E lá nos fomos nós. Indignados e entendendo porque os argentinos tem bem mais que nós. Bem mais que se &*@#$!!! Na ida fomos todo tempo comentando da falta de respeito e do preconceito que passamos. Bem indignados, porque ser maltratado pelos correntinos ( Santo Tomé faz parte da Província de Corrientes) é algo normal. Eles fazem questão de deixar bem claro que não gostam de nós, mesmo sendo a gente que sustente cidade deles.
Depois de 146 Km e duas horas de viagem chegamos a Posadas. O calor era insuportavel. Estava em torno dos 39 graus mas a sensação térmica no sol era de 50 graus. A fila de carros para atravessar para o Paraguai era gigantesca. Provavelmente uns dois kms. Estacionamos o carro. E fomos nos informar. Dava para ir a pé até a saída da argentina e lá pegar um onibus que ia até o centro de Encarnacion. Fizemos isso. Caminhamos até a Migração. Aí começou a diversão.
Depois de passar pelos agentes. Fomos pegar o tal coletivo. Sabe aquelas cenas de filme americano que mostra uma ponte para o México e as pessoas caminhando de um lado para outro na ponte e se atirando nos ônibus??? A cena era mas ou menos assim. Conseguimos entrar e aí passamos a ponte. Depois disso o ônibus para e aí fazemos a Migração no Paraguai. Os paraguaios desde o início se mostraram mais educados e simpáticos que os Argentinos. Subimos no coletivo novamente e aí fomos rumo ao centro de Encarnacion.
A cidade é bem pobre. E o rio Uruguai tomou conta de boa parte da parte baixa. Para ter uma noção no meio das ruas existem sacos de areia que formam mini pontes para se passar de um lado a outro e poder olhar todas as lojinhas. São milhares delas e no meio da ruas um monte de camelos todos cobertos com toldos formando uma grande passarela para o pessoal suportar o sol.
Após 4 horas batendo perna, entrando e saindo de lojinhas e comprando algumas muambinhas estavamos muto cansados, com dores por todo o corpo e completamente salgados e melados. Aí resolvemos fazer a o trajeto de volta para casa.
Nosso maior medo era a Aduana. Não que a gente tenha feito tanta compra que extrapolasse a conta, mas pelas inúmeras histórias de policiais argentinos que ouvimos por aí. Mas que nada foi super tranquila e já planejamos uma nova ida para lá… Mas no inverno!

Expressões Femininas – O dicionário que todo homem deveria ter…

Achei isso numa comunidade que participo no orkut. Infelizmente não tem o nome do autor. Ou melhor da autora, porque só pode ter sido uma mulher que escreveu. Não sei bem como, mas parece que essa pessoa desconhecida traduziu todas as minhas expressões… E tenho quase certeza, que a maioria das mulheres usam com os mesmos significados. Eu sempre costumo dizer que uma mesma frase pode ter muitos sentidos e tudo depende de quem está nos ouvindo. Então aproveitem para rir um pouco…

*”Certo*”: Esta é a palavra que as mulheres usam para encerraruma discussão quando elas estão certas e vc precisa se calar
*”5 minutos*”: Se ela está se arrumando significa meia hora. “5minutos” só são cinco minutos se esse for o prazo que ela te deu para vero futebol antes de ajudar nas tarefas domésticas.*
“Nada*”: Esta é a calmaria antes da tempestade. Significa que*ALGO*está acontecendo e que você deve ficar atento. Discussões quecomeçam em”Nada” normalmente terminam em “*Certo*”.
*”Você que sabe”:* É um desafio, não uma permissão. Ela estáte desafiando, e nessa hora você tem que saber o que ela quer… e não digaque também não sabe!
Suspiro *ALTO*: Não é realmente uma palavra, é uma declaração não-verbalque freqüentemente confunde os homens. Um suspiro alto significa que elapensa que você é um idiota e que ela está imaginando porque ela estáperdendo tempo parada ali discutindo com você sobre “Nada”.
*”Tudo bem”:* Uma das mais perigosas expressões ditas por umamulher. “Tudo bem” significa que ela quer pensar muito bem antes dedecidir como e quando você vai pagar por sua mancada. “
*Obrigada”:* Uma mulher está agradecendo, não questione, nemdesmaie. Apenas diga “por nada”. (Uma colocação pessoal: é verdade, a menosque ela diga “MUITO obrigada” – isso é PURO SARCASMO e ela nãoestá agradecendo por coisa nenhuma. Nesse caso, NÃO diga “por nada”. Isso apenas provocará o “Esquece”).
*”Esquece”:* É uma mulher dizendo *”FODA-SE !!”*
*”Deixa pra lá, EU resolvo”:* Outra expressão perigosa, significandoque uma mulher disse várias vezes para um homem fazer algo, mas agora estáfazendo ela mesma. Isso resultará no homem perguntando “o queaconteceu?”. Para a resposta da mulher, consulte o item 3.
* “Precisamos conversar*!”: Fodeu!!!, você está a 30 segundos de levarum pé na bunda.
*”Sabe, eu estive pensando….”:* Esta expressão até parece inofensiva,mas usualmente precede os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.

Saudades

Eu não tenho escrito muito. Com outras coisas na cabeça, outros trabalhos, e a minha eterna desorganização com o tempo não consigo parar aqui na frente. Mas hoje estava lendo o blog de uma amiga querida do passado e ela detalhou seu fim de semana. A casa na praia, o banho de mar e por um minuto me vi nas areias da Praia do Mar Grosso. Sentido aquele vento, que tem um nome especifico e que fugiu da minha memória.

Me imaginei caminhando no calçadão, tomando sorvete na sorveteria da professora de matemática ou comendo peixe no restaurante da esquina. Vendo o pessoal jogar volei ao lado da antiga escola. Encontrando amigos e quem sabe indo nua janta na casa de alguém.
Coisas que um dia fizeram parte da minha vida. Pessoas e lugares que consigo lembrar até do cheiro. Amigas, amigos e momentos que se eternizam na memória e deixo guardados em uma pasta segura com senha dentro do meu HD.
Saudades… De uma outra época, de uma outra vida, de uma outra Luísa. Imatura, impulsiva e completamente livre para voar. Alguém que já fui, que não sou mais. Uma pessoa que é apenas uma dentro dos inumeros papéis que já representei nesses quase trinta anos. E não somos todos assim? Formados por vários personagens que representamos ao longo da vida? E como cada fase, cada personagem deixa saudades Mas se ele foi embora, é porque outro surgiu e com certeza mais evoluído.
Mas que as vezes dá uma baita saudades… Isso dá…

Meus guardados

Li no blog de uma amiga que ela fez uma limpa nas ruas recordações. Diários e agendas, bilhetinhos, cartas, papéis de bala, pétalas secas… Tudo para o único destino que os guardados inúteis merecem: o lixo.

Achei a atitude dela muito corajosa. Uma fase nova, uma casa nova e espaço para novos guardados inúteis. Estou na minha quarta quinta casa agora e sigo carregando para cima e para baixo minhas caixinhas de recordações. Elas são cinco. Uma de carta, uma de fotos, duas de agendas, diários e pedacinhos de coisas importantes e uma de coisas da faculdade.
Não consigo me desfazer delas. São parte da minha vida. Da minha história. De quem eu sou hoje. Algumas coisas lá não tem boas lembranças, outras me deixam toda arrepiada só de lembrar. E algumas eu só lembro quando mexo nas caixinhas.
Hoje já não guardo mais as coisas. Uma que outra… Mas a maioria vai das minhas mãos direto pro lixo… Mas essas que estão guardadas, não sei… Um dia tomo coragem e faço como a minha amiga… Abro espaço pro novo…

Será?

Eu estava pensando, como a Sabrina consegue ser tão sexy e descolada com qualquer homem. Não é possível. Ela sempre que encarna num carinha, em uma festa ou num bar, no fim da noite, no mínimo o telefone ela trocou. Isso quando não sai com ele.

Tudo bem. Ela também não é exemplo, nessa área de relacionamentos, porque é tão solteira quanto eu. As historinhas dela não duram duas semanas. Não vão adiante porque ela gosta do jogo. A Sabrina é assim. Conquista o moço, aproveita um pouquinho e quando percebe que ele está na palma da mão ela da um belo de um chute na bunda do coitado.

Nossa grande diferença é essa: ela sempre conquista. Nunca levou um pé na bunda, apesar dos milhares que já deu. Está sempre pronta para o novo amor e jura que se apaixona por todos eles. Eu demoro a me apaixonar e estou sempre esperando o fora. Nesse ponto a Sabrina é meu exemplo de mulher. Mas só nesse ponto.

Eu não quero ficar como ela, cada semana com um carinha diferente e sempre jogando, buscando e tentando encontrar minha alma gêmea, se é que esse papo de alma gêmea realmente existe. Para mim bastava uma pessoa. Aquela pessoa especial, que eu me apaixonasse, que me desse dor de barriga só de pensar nele e que todos os dias estivesse me esperando em casa ou que eu ficasse esperando.

O meu amor não precisas ser perfeito. Eu sei que ele vai ter alguns defeitos, como todo mundo. Mas os defeitos dele serão tão mínimos perto da imensidão do meu amor que eu não vou perceber. Tanto faz se ele for, alto, baixo, loiro, moreno, olho azul, olho castanho… Ele só precisa me amar, amar o Fred e ser um cara bacana e leal. O resto não me importa.

Quanta besteira eu estou pensando. Devo estar em TPM ou em TPV (tensão pré – vôo). Ou quem sabe os dois. Porque se fosse só isso que eu esperava de um companheiro já teria parado de procurar a muito tempo. Não é tão simples assim. A pessoa certa é muito mais que isso. Nem eu sei descrever direito. Se eu soubesse, provavelmente já teria a encontrado.

Ele tem que me surpreender. Não precisa ser todos os dias. Mas sempre tem que ter algo novo, que me faça perceber o quanto vale a pena. Precisa ser uma pessoa com objetivos, futuro e que saiba a importância de compartilhar uma vida. Tem que gostar de gatos. Me aceitar do jeito que eu sou. Compreender minhas crises de humor. Minha TPM, meus choros compulsivos e mesmo assim me achar linda.

Ele não precisa ter nenhuma habilidade especial. Apenas me amar. Gostar dos meus amigos. Saber se divertir sozinho. Pessoas que sabem se divertir sozinhas são muito mais felizes. Igual ao meu amigo Júlio. O Júlio é assim. Se diverte sozinho, adora gatos, tem uma baita paciência comigo e está sempre pronto para me incentivar. Nossa! Além de tudo ele é muito mais gato do que eu poderia imaginar para mim.

Jesusssssssacendealuzzzzzzzzzzzzzz! Imagina! O Júlio. Que bobagem essa. Ele é simplesmente um amigo. Nunca passou disso. Mesmo a Rosana sempre dizendo que ele sente algo por mim. Será? Poderia ser ele a minha alma gêmea, a metade da minha laranja, o cara certo? Ali, todo esse tempo dando sopa… Não! De jeito nenhum… Ele nunca me deu bola, nunca me deu um motivo para eu achar que poderia rolar.

Se fosse ele seria tão bom. Pensar nele assim está me deixando nervosa. O Júlio é lindo. Nossa! Faz aquele tipo de homem forte, mas não sarado. Alto, boa pinta, podia ser modelo. Se veste super bem. Uma vez pensei que ele era gay. Nunca vejo ele com ninguém e as poucas vezes que falamos sobre isso ele disse que amava muito uma pessoa, que não sabia dos sentimentos dele, porque ele tinha medo de estragar tudo. Será? Será que essa pessoa sou eu? Não. Não pode ser.

Se bem que ele sempre está disponível quando ligo. Não perde uma oportunidade de me ver. De fazer algo comigo. Odeia quando falo de outros caras e sempre acha defeito nos meus pretendentes. Mesmo dando aula o dia inteiro, em duas faculdades diferentes (O cara é um gênio com trinta anos já tem mestrado e doutorado e escreve uma coluna diária para o melhor jornal da cidade), ele sempre me liga, nos meus intervalos para saber se estou bem e se o vôo foi tranquilo.

Preciso de uma reunião com minhas três consultoras para elas darem um parecer sobre toda essa loucura. E talvez deva marcar algo com ele. Mas algo diferente, especial, um jantar romântico a luz de velas com muito vinho barato para deixar de pilequinho logo e ele confessar seus sentimentos.

E se ele disser que tudo isso é uma loucura da minha cabeça? Um momento de carência compulsiva, obsessiva, que necessita, de algum modo, encontrar alguém para chamar de seu? Ou pior se ele brigar comigo e nunca mais quiser me ver? Quem vai me fazer sentir querida, aí? Melhor desistir dessa ideia maluca. Nada de jantar romântico. Nada de falar com as meninas. Deixa isso quieto que é melhor.

Voltando a minha metade da laranja ela tem que ser… O Júlio! Aí, agora essa coisa não sai da minha cabeça. Preciso achar um outro objeto de desejo e rápido. Para não comprometer minha amizade com ele. Que tal o novo co-piloto da nossa equipe? Ele parece ser um cara bacana. Está sempre de bom humor e acredita, piamente, que eu sou a melhor aeromoça da equipe. Imagina eu ser a melhor, com medo de voar. Isso me faz pensar que eu sou muito fingida.

Engano todo mundo. Essa desculpa de ritual de decolagem e aterrizagem, que preciso fazer, segundo a minha Mãe de Santo, que nem existe, foi a melhor coisa que pensei. Posso ficar aqui, sentadinha, pensando esse monte de besteiras e coisas sem nexo, ou totalmente nexadas (Será que o Júlio gosta de mim?) e assim dissimular meu medo e afasta-lo de mim.

O novo co-piloto. Quem sabe se eu estabelecer intimidade ele me convida para sair. Assim tiro essa ideia absurda do Júlio da cabeça e arranjo um novo romance. Vou fazer isso. Conversar mais com ele. Fabricar alguma intimidade, me atirar e arranjar um programa para o final de semana. Nossa. Tinha esquecido que combinei de viajar para a praia com ele. Sim. Com o Júlio. Jesussssssss acende a luzzzzzzzzz, please!

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Já que a Marjore agradou tanto mais um continho dela… A Rádio me consome muito tempo e nem sempre dá pra escrever… Mas sempre vai com muito carinho pra vcs…

O que importa?

Tudo bem. Faz parte do ser humano, ser confuso, vaidoso e extremamente viajante. Claro que, existem pessoas muito pé no chão e que não se deixam abalar por certos sentimentos e ilusões. Mas, felizmente ou infelizmente, eu não sou uma delas. Sou confusa. Sou viajante. Sou real e imaginária. E para ser bem sincera, adoro o mundo que habita minha mente. Ele tem muito mais graça, emoção e coisas acontecendo que o mundo real.
Na maioria das vezes, esses mundos não se conflitam. Fica cada um do seu lado, um dentro e o outro fora, sem se encontrarem ou se baterem de frente. Porém, como toda a regra tem sua excessão, uma vez que outra eles resolvem se misturar e saí correndo do mundo imaginário todas minhas personagens para bagunçar meu mundinho, quase perfeito, real.
Agora é isso. O que era de faz de conta virou real. O que nunca deveria ser dito foi falado. O que não passavam de meros sonhos e ilusões invadiu todos os meus sentidos e “eu vivo acordada pensando em você”. Aquele arrepio da espinha, passa percorrendo minhas costas e um sorriso bobo vive no canto da boca. Um brilho que vem do impossível mas tem reflexo no possível. Contradição de sentimentos, de vontades, de desejos.
Sempre fui assim. Em busca de uma vida tranquila e certinha. Por fora. Por dentro, algo me empurra para os sonhos, para os amores impossíveis, para o cheiro, sabor e toque de algo novo. O que faz todo dia eu sair da cama é esse tesão desenfreado por tudo que é novidade, por tudo que talvez nunca seja mas na minha cabeça já é. Não. Definitivamente não. Mas como fingir que não tem nada diferente? Como ninguém notar? Você está em mim assim como estou em você e não importa o que aconteça isso sempre será nosso. Ninguém nos tira.
Eu não quero mais acordar. Se for para esquecer eu prefiro não acordar. Deixa tudo como está e mesmo que me internem eu quero continuar vivendo com meus dois mundos em choque. Principalmente, porque você está no que não faz parte da realidade e sem você as coisas não tem mais a mesma graça. Afinal de louco e santo todo mundo tem um pouco…
Sem falsos moralismos, sem burocrácia, sem fingir que as coisas não acontecem, independente de nossas vontades. E mesmo que passe mil anos se tiver que ser será… Só não quero perder o que me faz tão bem e mesmo que isso se chame egoísmo, o que importa? Viventes são assim. E eu não sou diferente.
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Marjore Fernanda Imaculada dos Santos Reis… Não tão Imaculada

Marjore Fernanda Imaculada dos Santos Reis. Sem brincadeira esse é meu nome. Não tenho bem certeza o que passou na cabeça da minha mãe para fazer isso comigo, muito menos na do meu pai para concordar e pior ainda, na do escrivão para permitir tamanha maldade com uma criança. Não tem uma lei que proíbe de registrar as crianças com nomes esdrúxulos ? Se não tem deveria ter.

Marjore eu gosto. Não tem nada haver comigo, porque parece ser uma pessoa forte, guerreira, segura e bem sucedida em todos os aspectos da vida. Mas eu gosto. Dos Santos reis é sobrenome não tinha o que fazer a não ser nascer em outra família. Agora alguém me explica o que Fernanda Imaculada está fazendo aí no meio? Que diabos exatamente significam eles perdidos entre Marjore e dos Santos?

A senhora Regina, minha mãe, diga-se de passagem, me contou uma vez que ela queria Fernanda, meu pai Marjore e a minha vó Imaculada. Como eles não chegavam num consenso resolveram por os três sendo que a ordem era pela idade de cada autor. Teria ficado Imaculada Marjore Fernanda. Mas na hora de registrar o seu Gilberto, meu pai, achou que a ordem deveria ser hierárquica para criança. Ou seja, eu primeiro devo respeitar ele, depois mamãe e por último a vovó. Ainda bem que só tomei consciência disso depois de adulta. Imagina a confusão que seria na cabeça de uma criança.

Na escola era aquele deboche só… Na infância porque Majore não era comum. Na pré adolescência porque Marjore Fernanda não combinava e na adolescência por causa do Imaculada. Nem preciso explicar. Imaculada gerava muitas risadas entre os garotos na época. Não que alguém não fosse mais imaculada na minha turma, mas só de estar ali no meio do meu nome era um delírio juvenil.

Enfim é isso que diz na minha identidade. Sou aeromoça, tenho 26 anos e sou solteira. Capricorniana com a lua em câncer e o ascendente em virgem. O que faz de mim uma mistura de pessoa teimosa, insegura, chorona e perfeccionista. Morro de medo de voar, de baratas e da solteirice. De medos eu não posso falar. Gosto de sorvete de melancia, do meu gato Frederico e de acordar sem despertador.

Sou solteira porque quero, eu acho, pelo menos. Tem vários carinhas por aí querendo sair comigo. Só que nenhum é o príncipe dos meus sonhos. E os que poderiam ser o meu amado não me dão bola. Há uma certa discrepância nisso. Sabe aquela história do João que gostava da Maria que gostava do Pedro? É mais ou menos assim que tem funcionado comigo. Bianca diz que é uma questão de tempo. Que tem um homem especial reservado para mim no universo. Sabrina diz que o problema é que sou muito perfeccionista e que os homens são todos iguais. E a Rosana diz que eu não consigo estabelecer intimidade com os homens quando estou envolvida emocionalmente. Pra mim, nenhuma delas tem razão. Mas me conforta acreditar nas teorias da Bianca.

Eu já tive namorados. Claro, nenhum romance muito longo. Já chorei bastante por alguns e já dispensei uns quantos. Sou normal. Os que terminaram comigo cada um por um motivo, mas no fim sempre vinham com aquela desculpa esfarrapada de que o problema não era comigo e sim com eles que eram complicados e não mereciam uma pessoa tão bacana como eu. Claro que usei essa desculpa também. Acho que é a forma de dizer, sutilmente, que não se quer nada com a outra pessoa, mas sem destruir sua auto estima.

Pensando nisso me senti um pouco cínica e ao mesmo tempo com a auto estima destruída. Sim. Por que quando usei essa desculpa achava o cara um babaca, um chato, um metido, um escroto, ou sei lá qual outro defeito. O que será que os caras que me deram esse fora, realmente, pensaram sobre mim? Acho que quando chegar em casa vou ver de quais ainda tenho telefone e ligar para saber qual era o meu defeito. Não posso passar o resto da vida pensando que existem pessoas por aí que me odeiam. Principalmente caras com quem tive alguma coisa.

Não tem muita logica nisso. Eu sair ligando para todo ex que me deu um fora para saber o que ele realmente pensa de mim. Também não me importa. Preciso parar com essa mania de ficar pensando o que os outros pensam de mim e me preocupar com isso. Cada um é livre, graças a Deus, para pensar o que quiser do outro e se cada pensamento meu pudesse ser ouvido por outras pessoas, nossa… Não posso nem pensar nisso. Seria uma lista de coisas tão horríveis que aconteceriam em minha vida.

Eu não teria meu emprego maravilhoso, porque todos saberiam que tenho medo de voar. Eu nunca teria dado o primeiro beijo porque todos saberiam que tenho um certo nojinho dos germes e bactérias que vem da língua do outro. É claro, a delicia de um beijo supera o nojo, mas isso não faz com que segundos antes do momento eu deixe de pensar nas porcarias que estão lá.

Falando em porcarias, não posso me esquecer de limpar o banheiro do Sr. Fred. Aliás, acho que está na hora de uma boa faxina na casa e um banho no gato. Posso aproveitar e dar uma faxina geral em mim. Claro o que está aparente está sempre em ordem, mas e o ques está escondido? Nunca se sabe quando vou tropeçar no príncipe encantado perdido por aí. E se pintar algum convite melhor estar preparada do que pensando porque não me depilei.

Essa história de se concentrar em coisas da nossa vida ajuda mesmo. Vou comprar mais dessas revistas. Quem sabe elas possam lucidar outras áreas da minha vida e resolver todos os meus problemas. Uma poderia me dizer como achar o meu homem. Outra como se livrar das manias, dos quilos a mais, de gente chata, a fazer sorvete de melancia em casa, a matar baratas. Gostei disso. Vou procurar mais revistas dessas no free shopping. Aterrizamos!

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Pronto tá ai a atualização prometida! Já tinha escrito um outro conto com essa personagem.

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O mundo não é justo

Ele era só um menino. No meio de uma família conturbada, sem muita expectativa de vida e desde cedo passando por todo o tipo de situação. Uma mãe ausente, uma pai alcoólico e uma avó dedicada. Foi assim que ele cresceu. No meio de tanta violência, de tantas tragédias e de tantas histórias tristes, a dele tinha tudo para dar certo.

Foi assim que eu o conheci. Um menino ingênuo, infantil e muito bondoso. Sempre disposto a ajudar. Alguém que queria vencer. Que queria fazer a diferença. Moleque, claro, como todo bom guri de sua idade. Buscando um futuro. Sonhando com algo melhor.
Vou me lembrar dele sempre como o menino que era bom. Como o José no presépio vivo, como o aluno disposto a ajudar, como o meu modelo fotográfico pra minha primeira matéria no jornal a faculdade.
Dói pensar que essa história acabou. Provavelmente por sua imaturidade ou por seu medo. Uma festa, um cara bêbado, uma moto, um muro e uma blitz. Pânico. E com a sutileza de um segundo tudo escuro. Culpa? De ninguém. Culpa? De toda a sociedade. Culpa de todos aqueles que deitam suas cabeças no travesseiro e pensam que o mundo é assim mesmo.
Dezenove anos. Um futuro pela frente. Um vivente que queria mudar sua sorte. Renato Russo tinha razão… “Os bons morrem jovens”, entre tantas crianças que crescem nessa nossa sociedade hipócrita, que vivenciam situações de risco, que são empurradas para a marginalidade, ele tentava fugir disso.
O mundo não é justo. Ou talvez seja, quem sabe. As lágrimas que fogem dos meus olhos, não são pela perda, mas pela indignação da fatalidade, da tragédia e principalmente de pensar, que nessa sociedade tão torta, o medo de perder tudo, o preconceito e a vida valham tão pouco.
O mundo não é justo, ou quem sabe, talvez seja.