Cartas I – A carta que nunca recebi…

Conversando com algumas amigas aqui na Rádio outro dia tive a ideia de iniciar um novo marcador no blog. Esse marcador será dedicado a cartas de amor. As cartas (ou mails) de amor que nunca escrevi, nunca enviei (ou não deveria ter enviado) e que nunca recebi.

 Vou começar com a que nunca recebi…. Espero que gostem e se quiserem podem mandar rascunhos que eu arrumo e coloco aqui…

Fulana,

Depois da nossa conversa de ontem eu precisava te falar mais coisas mas não consegui. E tu sabe porque e se não sabe é porque não quer. Garota, quando você vai acordar e perceber que eu AINDA TE AMO e que não adianta essa história de “a nossa hora já passou e bola para frente”. Eu sei que eu também fiz muita besteira e que tudo já faz tempo. Mas acredita que tu é a única mulher da minha vida e a única pessoa que eu consigo imaginar do meu lado para sempre.
Eu não posso mais ouvir tuas histórias. Eu não consigo mais ser o teu ex bonzinho, que te dá conselhos sobre o que fazer da tua vida, com o teu namorado ou com qualquer outro. Não dá mais. 
Não sei se tu te faz ou se no fundo tu sabe o que eu sinto e fica me provocando e castigando por aquela vez eu estar confuso e ter te dispensado. Não acredito que seja isso porque sei como tu sente. Sei porque somos parecidos demais e sinto da mesma forma que tu as coisas. Mas então eu preciso dizer com todas as letras que EU TE AMO, TE QUERO, TE DESEJO e se falo todos os dias contigo, sempre no mesmo horário, é porque eu PRECISO TE SENTIR PRÓXIMA. Não é bobagem. 

Se eu tivesse criado coragem antes, provavelmente, não teria se passado tantos anos. Eu tentei, lembra? Tentei algumas vezes, mas quando tu vinha com aquele jeitinho, me olhando com os olhos brilhando e perguntando “que brincadeira é essa?”. Eu perdia a coragem e dizia “te peguei”. Será que se eu tivesse dito que era sério a gente estava junto?
Aí mocinha. Eu não posso mais com isso. Nos últimos dias então, tu falando em terminar, o meu coração está parecendo a bateria da mangueira. Não quero te dar um conselho furado porque talvez seja a minha vontade e não a tua. Faço qualquer coisa. Mas de todos os motivos que nos separaram, e que depois tu cedeu para o teu atual, eu só não posso é largar meu trabalho… e tu sabe disso…
Sei que tu vai demorar demais para receber isso e talvez passe mais uns dois anos até tu ler. Tô mandando para o e-mail que eu sei que tu nunca abre pra ver se o destino está do meu lado ou não. Vou te dar um tempo, sumir uns dias. Só quero te dizer que eu tentei. Tentei esquecer, tentei namorar outras minas mas não rolou. E a minha cabeça sempre está onde tu estás.
O mais engraçado é que todo mundo torce pra gente acabar juntos. E as garotas falam que quando tocam no meu nome teu olho brilha. Eu sei que tu ainda gosta de mim. Eu sei que a gente fez merda e ficou enrolado numa confusão sem tamanho. Eu sei que tive medo porque tu era foda demais. Eu sei que nada vai mudar o que ja passou. Só que tu esta sempre falando pra eu ir adiante, para  virar a pagina que sempre tem mais historia… Eu sou o personagem de todos os teus contos, de todos os teus livros, tua inspiração e piração como tu vive repetindo pra mim. Então eu tenho que ser mais q o ex namoradinho que virou melhor amigo e que é a tua versão masculina.
Linda, nada disso tem ordem ou nexo só tem uma coisa: amor louco e doentio. Um amor por ti infinito. Eu só queria voltar o tempo e fazer tudo diferente mas não dá. 
Faz o que tu tem que fazer. Fica com quem tu tiver que ficar. Eu estou aqui e depois de todos esses anos to assumindo o que eu sinto e agora isso não é mais fofoca das garotas. Eu ainda sonho contigo e faço coisas que não da nem para falar.
Te amo, sempre te amei e só quero poder estar do teu lado, não como teu amiguinho. E se eu tiver direito a um unico pedido, fica comigo.
Depois de apertar o botão enviar  me afundo nas garrafas olhando o Guaiba e esse por do sol de Deus… Amanhã almoço com a tua amiga e conto da minha coragem extrema de mandar um mail para ti numa caixa que tu nunca abre. Ela vai ser a minha ajuda do destino.
Te amo Fulana.
Do teu Siclano.

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Gostou? Manda teus rascunhos que eu publico por aqui. Essa foi tirada do rascunho de um amigo que mandou muito tempo depois do que deveria e, infelizmente, não era para mim… Era para uma menina que não está mais nesse mundo, mas que deve ter recebido com muito amor essa declaração.

Teorias sobre o efeito da cervejinha em nossas vidas

Todo mundo gosta de tomar uma cerveja de vez em quando. Bem gelada. Nos dias quentes, depois de um dia estressante, para comemorar alguma coisa, para afogar as mágoas, enfim os motivos são variados e nunca, mas nunca, nos falta uma desculpa para dar um pulinho no boteco mais próximo e encher a cara.
Quem nunca encheu a cara uma vez que atire a primeira pedra. Quem nunca passou mal porque foi além da conta que julgue o seu irmão. Eu não me comprometo a fazer isso. E os meus amigos que o digam, mas me atrevo a, depois de tantos anos nessa vida de arranjar desculpas para poder tomar a danada da gelada, teorizar os motivos, escolhas e os tipos de amantes dessa arte. Sim porque encher a cara com glamour, ou sem, tanto faz, é uma arte.
A escolha do bar é importante de acordo com o motivo. Pense bem: uma comemoração na esquina de casa, ali na padaria, não tem tanta pompa como no bar da moda. Uma reunião de trabalho no buteco fica até chato dizer que estão trabalhando. Um encontro em um lugar muito silencioso fica constrangedor. Assim como um encontro em um lugar muito tumultuado atrapalha o clima.
O tipo de bar também define o tipo de bebuns que se vai encontrar. E os motivos pelo quais estão tomando a bendita. Tem o cara que toma uma ao meio dia só para manter o nível de sangue balanceado no álcool. Tem os que bebem no final do dia para relaxar. Tem aqueles que tomam umas só para dormir tranquilo. Os que bebem para esquecer, a turma do criar coragem e a patota da comemoração.
Uma vez conheci um cara que dizia que a gente só devia beber quando estava feliz. Assim se ficava mais feliz. Para ele, beber triste era só para ficar pior e ter ressaca moral no outro dia (Espero que ele ainda siga esse conselho). E cá para nós, não existe nada pior que a ressaca moral.
Nunca teve ressaca moral? Sorte sua. Mas pessoas que já passaram por ela dizem que não há nada pior. (Ok! Confesso já tive algumas vezes essa sensação…) Você acorda pior do que estava, com aquela sensação de ter feito besteira, de ter falado o que não deveria, sente-se humilhado e envergonhado. Todos os acontecimentos passam em flashs pela sua cabeça sem saber o que é real ou não. Normalmente isso acontece com quem bebe para afogar as mágoas. Afoga tanto que depois não há jeito de desafogar.
Tem também as pessoas que bebem para criar coragem. Um exemplo? Aquela mina linda que te da o maior bolão e você não sabe se encara ou não. Sente-se inseguro e perdido na frente dela. Não sabe como agir. Aí toma uma para criar coragem. Mas não foi suficiente e até criar a coragem de apertar a tecla verdinha do celular você já bebeu umas quatro ou sete. Aí você liga… Só que já está tão acima dos níveis considerados normais de bebedeira que não consegue falar absolutamente nada que preste e óbvio… acorda no outro dia com uma baita ressaca e pior… sozinho.
Tem aqueles que bebem tanto que não conseguem lembrar de absolutamente nada. Esses são engraçados. As melhores coisas acontecem nessas horas e eles não sabem. Só pelo que os amigos contam depois. Conheço uma menina que aceitou casar com o ex namorado, mandou o atual tomar no @# e não lembrava de absolutamente nada disso no dia seguinte. Sorte que o namorado da época achou bonitinho e nem soube do pedido do ex. Isso acontece seguidamente com as pessoas. É a chamada amnésia alcoólica e alguns usam de desculpa para retirar ou serem perdoados pelo que fizeram no auge do porre.
Os mais engraçados são os bebuns amigos em mesas de bar. Começam discretos, falando baixo e no final da noite estão cantando musicas bregas e antigas. Esses são divertidos de se observar e se você faz parte de um grupo desses saiba que és um privilegiado (Eu sou!).
O que importa, no fim das contas, é que todo, bom,porre deixa uma história para contar. E quem somos nós se não feitos de histórias, causos e prosas?
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Obrigada a todos aqueles que já encheram a cara alguma vez comigo que permitiram eu ter tanto conhecimento e poder fazer comparações! hahahahahhaha. No fundo o que mudam são as personagens, mas as histórias são muito parecidas…
Ganha um doce quem adivinhar quem foi a o cara e a menina que citados no texto!!!!

A história dos arrependimentos

Sabe aquele velho discurso que só podemos nos arrepender daquilo que fizemos. Que jamais podemos nos arrepender do que não fizemos por falta de coragem, por orgulho ou por medo. Tudo balela. Tudo mentira para encorajar.
A gente se arrepende sim. Das coisas que fazemos e das que não fazemos também… A gente se arrepende de compras, de decisões, de escolhas e também de ações. A gente se arrepende de coisas que não fez. Aquela viagem, aquela carta que nunca foi mandada, aquele beijo que nunca foi roubado, aquele pedido de demissão para arriscar, aquela declaração de amor…
Eu costumava dizer que não tinha arrependimentos. Que cada coisa que eu fiz na minha vida, certa ou errada, tinha me ensinado uma lição. Me mostrado um caminho novo e me feito crescer e amadurecer. Mas a gente muda o tempo todo nesse mundo. Cada dia é uma nova chance. Um novo recomeço ou apenas a mesmice de sempre só depende de nós mesmos.
Hoje eu tenho um arrependimento muito grande. De não ter falado o que eu deveria. De ter deixado um orgulho bobo, infantil e hipócrita me dominar. De não ter dado o braço a torcer quando deveria e de ter ido adiante sem perceber o quanto eu machucava os outros.
É. Eu deixei de falar o que deveria no momento certo. Inacreditável. Sem sentido e para todos que me conhecem sabem que isso parece impossível. Mas foi verdade. Deixei de falar par não dar o braço a torcer. Silenciei para provar para alguém que eu tinha razão. Razão em que? Esse sentimento besta de orgulho e prepotência me fez errar e hoje estou arrependida.
O tempo não volta mais. As palavras que eu não disse, nunca mais poderei dizer. O que eu devia ter feito e não fiz não será mais feito. E por mais que tudo isso faça algum sentido, nunca mais fará sentido porque você não está mais aqui. Você e só você sabe de tudo. E só você saberá, não importa de onde, o quanto sempre fostes especial demais para mim. E todas as coisas que neguei, não disse e não fiz quando deveria.
Então se arrependimentos matassem estaria contigo agora. Mas como eles não matam e sim fortalecem me sinto melhor do que ontem e com certeza, a cada dia, será melhor. E se vou ficar bem é por tua causa. E se só derrubei uma lágrima, uma única lágrima, forte, sincera e cheia de dor foi porque me ensinastes assim.
Não vou viver com esse arrependimento. Vou me erguer, como em tantas outras vezes me ergui com a tua ajuda. Levantar a cabeça, seguir em frente e acreditar que um dia a gente vai se encontrar de novo. Aprendi mais uma lição importante e embora muitos não acreditem sei que sempre estarás comigo e que um pedaço meu foi contigo.
Vou celebrar a vida e esse dom maravilhoso como sempre celebrastes. Vou amar enlouquecidamente tudo e todos seguindo o teu exemplo e a cada tristeza vou rir das pedras e tempestades desafiando – as como sempre fizestes. Tua passagem nunca será em branco. E mesmo depois que todos esquecerem ainda me lembrarei e levarei comigo a marca dessa linda história de amor, amizade, confiança e vida. E para sempre e todo o sempre serás o que sempre fostes em minha vida. E só nós dois sabemos disso, né?!
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Perdi um amigo, muito querido e especial ontem, ok? Por isso desde ontem o blog tem umas mensagens sem sentido!!!
Nunca deixem de falar o que sente as pessoas porque elas podem não estar no dia seguinte para ouvir!!!

Meu porto seguro, meu amigo, meu tudo!

Existem pessoas que chegam na sua vida para ficar. Nunca te abandonam não importa o que aconteça. Estão lá. Todos os dias. Te dando apoio, conselhos, te fazendo rir. São pessoas que amamos não importa a distância. Não importa a forma. É um amor puro, livre e que sempre está aberto.

Meu porto seguro é você. Não sei como aguentarei passar as semanas sem falar contigo. Sei que eu aguentarei. Por ti. Por tudo que me ensinastes e por todas as chances de ser feliz que tu me permitiu.
Sim. Já sei a solução.Nos falaremos em sonho. Nos falaremos diariamente. Lembra aquele tempo em que nossos sonhos sempre se cruzavam e no outro dia comentavamos? Então voltaremos a ter esse tipo de comunicação.
Enquanto estiveres dormindo, em tempo integral vou dormir o maior tempo possível para estar contigo. Mas não quero que fiques aqui por minha causa. Se for a tua vontade parte. Seria muito egoísmo meu, mais do que já tive durante todos esses anos, de te querer aqui.
Ficarei bem. Pode ter certeza. Vai doer mas eu vou ficar bem. E para sempre você será o meu mais amado amigo, mais leal e mais especial.
Fica bem, tá? Eu também vou ficar. Depois daquele porre homérico com smirnoff Ice…

Amor a primeira vista

Quando vi pela primeira vez Laura brincando no ‘playground’ eu deveria ter uns oito anos. Ela havia recém se mudado para o prédio e, seus olhos cor de jabuticaba me conquistaram naquele momento. Eu passava os dias e as noites falando na menina nova do prédio, meus pais achavam uma gracinha um menino daquele tamanho apaixonado. Riam e contavam para os vizinhos. Até o dia em que entrei dentro de casa, todo suado da pelada com o Dé e o Cris, e vi Laura brincando com Natália, minha irmã, na sala. Minha barriga embrulhou e passei a tarde dentro do banheiro. Minha mãe ficou preocupada e me levou ao médico, que disse que isso era normal e passava com a idade. Ele tinha razão, nunca mais me tranquei no banheiro, mas ainda sinto a mesma dor todos os dias quando a vejo acordando ao meu lado.

Dé, Cris e eu tínhamos a mesma idade. Éramos colegas de aula, vizinhos e melhores amigos. Do outro lado do nosso sexteto estavam as meninas, que povoavam nossos sonhos mais perturbadores e faziam com que nossos dias tivessem mais cor e sentindo: Natália, Laura e Giovana. Natália era minha irmã. Laura a menina nova do prédio e a Gio era irmã do Dé.

Éramos seis, seis amigos, irmãos, companheiros de aventuras infantis e descobertas juvenis. Botávamos fogo no prédio, fazíamos o sol sair nos dias de chuva e o dia amanhecer mais rápido nos finais de semana de acampamento. Assim a vida correu e a infância passou intensamente de uma forma tão saudável, que mal notamos que nossos interesses estavam mudando. As brincadeiras de pegar deram lugar as de verdade e conseqüência, as fitas vídeo game cederam espaço para os vinis e as horas jogadas passaram a ser horas dançadas. Os acampamentos permaneceram, não mais com a ingenuidade infantil e sim com a malícia juvenil, e foi neles que fizemos nossas maiores descobertas sobre a vida adulta, amor, sexo e amizade.

Os acampamentos sempre eram momentos nossos. Longe dos pais e dos olhares atentos dos seguranças e vigias, podíamos experimentar sensações e realizar descobertas que faziam a diferença na volta para casa. Foi num desses acampamentos que pedi a Laura em namoro. Os olhos dela brilhantes, seu sorriso largo de canto a canto irradiaram uma luz em seu rosto que eu nunca tinha visto.

E a resposta foi mais do que meu coração podia prever: “achei que você nunca ia pedir”. Ela encostou a boca na minha e senti pela primeira vez o gosto doce de seus lábios. Um arrepio percorrendo a espinha e minhas mãos suando frio. Só percebi o momento em que ela saiu correndo, com as bochechas coradas gritando para minha irmã e para a Gio que estávamos namorando. E as três juntas pulavam e comemoravam.

Chegando em casa Laura contou aos seus pais, que acharam uma gracinha no inicio, mas depois botaram vários obstáculos para os acampamentos seguintes. Estávamos na época de descobertas, tudo era muito saudável e permissivo enquanto éramos crianças e amigos, no momento que crescemos e passaram a nos enxergar como adolescentes, meus pais e os dela, passaram a impor limites, e maldades, nos nossos programas. Eu tinha 15 anos e Laura treze.

Foram nossos pais que despertaram nossa sexualidade e desejos. Nosso namoro, antes, não passava de andar de mãos dadas, abraços e ‘selinhos’ na porta de casa antes de ir dormir. Em minha cabeça não se passavam coisas como passar a mão nela, dar beijo de língua, transar ou dormir junto nos acampamentos. Muito pelo contrário, eu respeitava a Laura, pensava nela como algo intocável, que de tanto amor jamais poderia ser desrespeitada. E mesmo que eu tivesse quinze anos, não pensava em sexo e nem em outras meninas. No meu mundo, nos meus sonhos só existia Laura.

De tantos conselhos que meu pai e minha mãe me davam sobre como se namora e o que eu poderia fazer ou não com ela, meus desejos e anseios foram ficando cada vez mais fortes. Passei a sonhar com Laura beijando todo meu corpo, com ela se despindo para mim e pedindo que eu a possuísse. Sonhos que me davam medo e faziam eu acordar melado, como todo garoto cheio de hormônios que se preze. Se meus pais soubessem o que despertaram em mim…

Enquanto eu pedia conselhos aos meus amigos, que tinham menos experiência que eu, Laura pedia conselhos às meninas, que como meus amigos não sabiam nada da vida, pois os pais dela também falavam sobre como uma mocinha deveria se comportar, enfatizando as “coisas” que ela não devia fazer. Pois eram essas “coisas” que Laura mais queria fazer.

Assim passamos os primeiros seis meses de nossa vida juntos. Desejando o que nossos pais falavam que não podia ser feito porque ainda era muito cedo e nos comportando como deveríamos. Foi ela que deu o primeiro passo.

Estávamos acampando. Ela chegou perto de mim. Eu estava sozinho na volta da fogueira, estava frio e a lua fazia questão de iluminar pouco, apesar de estar redonda e cheia no céu. Laura me abraçou e ficou ao meu lado olhando as labaredas incandescentes do fogo, sem falar absolutamente nada. Notei que suas mãos estavam tremendo e que seu sorriso tinha algo de duvida e vergonha.

Não tive tempo nem de perguntar, quando virei o rosto ela já encostava sua boca doce na minha. Não como os ‘selinhos’ costumeiros, com paixão, força, desejo muito medo. Senti, de repente, sua língua adentrando em minha boca e pedindo que a minha percorresse a sua. Senti meu corpo vibrar, o desejo do proibido aumentar e se misturar com a vontade de conhecer cada detalhe de seu corpo. Sem perceber minha mão, tocou seu rosto e do rosto desceu para o pescoço, para os braços, para as pernas, conhecendo e sentindo cada detalhe daquela menina, daquele ser mágico que me fazia ter dor de barriga desde os oito anos.

O Cris chegou correndo e no susto paramos. Nos olhamos com aquele olhar de satisfação e culpa e ela sem graça e corada saiu correndo, sorrindo e, entrou na barraca da Gio. Naquela noite dormi sorrindo. Não poderia haver pecado num ato de amor, não podia haver nada de errado no que havíamos feito, afinal foi lindo.

Ao acordar no dia seguinte, Laura havia mudado. Continuava sendo a garotinha linda dos olhos jabuticaba, mas agora parecia uma mulher, uma mulher que eu desejava com toda a força do universo e que me olhava com outros olhos também. Eu só conseguia imaginar quando eu ia tocá-la novamente, quando a beijaria daquela forma de novo e me preocupava se ela também estava sentindo toda aquela vontade que eu.

Minhas angustias logo se desmancharam, bastou eu chegar perto dela que o beijo aconteceu naturalmente, com a mesma intensidade, mas sem detalhes, afinal todos estavam olhando. Foi assim que nosso romance começou a esquentar e os meus sonhos a ficarem mais apimentados.

Com tantas emoções foi natural começar a falar de sexo. Estávamos namorando há dois anos e Laura sentia-se preparada para aquele passo, que ela mesma dizia ser o mais importante de sua vida. Mais uma vez a iniciativa partiu dela.

Organizou tudo. O acampamento. A saída de todos pra uma trilha pra que nós dois ficássemos sozinhos. Ela me chamou pra deitar um pouquinho na barraca. Começou a me beijar com toda aquela vontade, calor e amor. Foi juntando cada vez mais seu corpo no meu., deixando suas mãos passearem pelo meu corpo e pedindo que as minhas fizessem o mesmo. Começou a tirar minha roupa e exigia que eu tirasse seu vestido.

Assim, dessa forma, me pegando de surpresa, nossos corpos se uniram e tornaram-se um só pela primeira vez. Nossos suores se misturavam enquanto fazíamos juras de amor eterno. A barraca de repente ficou com um perfume diferente e nossos corpos, ali, nus, adormeceram extasiados de paixão e ternura

O engraçado é que mesmo depois de 15 anos casado com Laura. Ainda sinto o mesmo perfume todas as vezes que nos amamos. Percebo o mesmo brilho em seus olhos e continuo venerando-a como a primeira vez. Aprendi a controlar a dor de barriga. Mas não enxergo um dia da minha vida sem ela. Sem seu amor, seu sorriso e sua companhia.

Eu já falei que eu odeio as terças feiras???

Eu já falei que eu odeio as terças feiras? Pois é. Eu odeio. Na segunda eu já começo a ficar estressa porque sei que o outro dia será terça. Tá. Eu sei. É óbvio. Sempre depois da segunda é a terça. Mas meu ódio mortal passaria se toda terça fosse feriado.
O meu problema com as terças não tem nada haver com o problema do Garfield com as segundas. Terça é o dia mais atrapalhado da minha semana. Sempre as mil e uma atividades normais das produções de programas, redações de notícias, seleção e edição de reportagens, a mesa do pastor. Isso é o normal… Mas aí vem o problema da terça: A sessão da Câmara de Vereadores. Todas as terças almoço correndo para chegar lá a tempo e ouvir tudo o que eles tem a declarar. Tudo e um pouco mais… Até aí ok. Faz parte da minha labuta. O problema é o depois.
Depois desse dia corrido, chato e estressante eu não tenho com quem fazer um happy hour pra aliviar a pressão. Sério. É por isso que eu odeio as terças feiras. Podia ser a Tati para tomar uma tequila no bar do tio. A Neneca, o Marcelinho e a Terroriza para tomar umas quatro ou sete moderadamente afinal é dia de semana. A Naty para sair para jantar e dar muita risada ou até mesmo qualquer um do IPA para ir até o posto.
Aff… Tem gente que quer tanta coisa: ganhar na mega sena, casar, comprar um carro… Eu ó queria tomar umas biritas depois do expediente as terças feiras!

Ao meu afilhado com amor…

Sabe Joaquim. Hoje a dinda passou o dia pensando em ti. Não que não pense todos os dias, mas hoje foi além da conta. Depois que te vi pela webcam com o tio Bruno, ai na casa da vovó Tânia, fiquei babando demais. Os beijinhos que tu mandavas pela camera deixaram meu rosto todo babado… E como é bom sentir teu beijinho molhado! Você está agora com quase dois aninhos ( daqui a dois meses e vinte dias será seu aniversário). Mas ainda me lembro de você chegando no Rio, estendendo os bracinhos e vindo para o meu colo.
Foi na minha casa que você fez sua primeira arte, sabia? Abriu a tampa de uma caneta marca texto e, enquanto a mamãe, a dinda e o dindo fofocavam você se pintou todinho de amarelo. Ficou parecendo um pintinho.
Todas as noites, antes da dinda dormir eu rezo por você. Para que sempre tenhas saúde. Para que cresças feliz e para que a dinda possa te ver mais. Infelizmente, devido as escolhas profissionais do dindo e do papai a gente não pode ficar pertinho. Mas isso não importa porque sempre estás no meu coração e logo, logo, tu vais crescer e poderás ficar mais com a dinda e o dindo.
Meu amor por ti foi a primeira notícia. Não foi a primeira vista porque muito antes de te ver, de ter a honra de ser tua madrinha eu já te amava. Meu amor por ti é sem explicação. É sem noção e sem pedir nada em troca.
Acho que essa história começou antes mesmo de você ser um projeto de gente. Claro que como sempre é tudo culpa do dindo e do papai. Essa então mais culpa do teu pai. O teu pai é um cara pra lá de maneiro. Tua vó então nem se fala. Eles abriram as portas da casa deles para receber um bando de meninos que nem conheciam. Com um único objetivo: ajudar. E aí tem um outro culpado. O tio Alemão ( ele é muito querido, engraçado e tem jeito com as mulheres mas não siga os exemplos dele nunca, ok?). Foi o tio Alemão que levou o dindo para a casa da vovó Tânia e foi assim que começou a nossa história.
A gente passou por muita coisa naquele ano. O quanto a gente chorou… A dinda, a vovó, a mamãe… E mesmo que eles nunca confessem o papai e o dindo também choraram bastante (pode chorar, viu? Isso não é coisa de mulhersinha, isso é coisa de gente que tem coração e sentimento). Mas também tiveram coisa muito boas nesse tempo. E uma delas foi todo esse povo ter se conhecido. Os quitutes da tia Luizinha… Hummm… Dá água na boca! Mas a melhor coisa do ano de 2007 foi a notícia da tua chegada!
Veio um novo ano. 2008. Esse foi de esperas. Espera os feriados. Espera o Joaquim nascer (já te contaram como o papai fez para chegar no hospital?). Espera o Joquim ir para o Rio. Espera os casamentos ( a dinda e o dindo depois o papai e a mamãe). Esperamos tudo e tudo aconteceu. E tudo foi para o seu lugar e cada um para a sua cidade.
Em dois mil nove foi finalmente o seu batizado. Um dia depois da tua festinha de um ano. A dinda já tava achando que tu ia ser pagãosinho para sempre ou que antes do teu casamento ia ter que te pegar no colo… Tirando o teu choro o resto deu tudo certo.
É Joka. Um dia você vai ter idade para entender. Um dia será você passando por todas essas etapas da vida. E pode ter certeza, que não interessa o lugar do planeta que a dinda vai estar um pedacinho do coração dela vai sempre estar contigo. Sempre lembrando daquele gurisinho fofo todo riscado de marca texto, daquele meninho mandando beijinho na web cam e do bebê mais chorão do dia do batizado!
Saiba sempre que, mesmo longe em quilômetros, em pensamentos estamos sempre juntos!

Afinal, qual a verdadeira intenção do Enem?

Que a educação no Brasil é caótica todos já sabemos. Que são muitos analfabetos não é novidade para ninguém. Que o ensino público brasileiro é um verdadeiro circo de horrores já é piada ultrapassada. Que poucos tem acesso ao ensino superior é só mais uma estátistica desse quadro lamentável em que se enquadra toda uma questão cultural no país.
Aí veio o Enem com uma proposta de unificar o acesso as universidades públicas, garantir que mais pessoas tenham a oportunidade de cursar uma graduação e acabar com as longas maratonas de vestibulares realizados pelos estudantes. O Enem se desdobra em dois processos: O Prouni , sistema de bolsas integrais ou parciais em universidades particulares e o SiSU, sistema de seleção unificado para as faculdades públicas, onde todas as vagas estão a disposição dos estudantes.
O Enem já foi algo tumultuado.Primeiro roubaram a prova, surgiram teorias de que teria sido golpe de marketing do Ministério da Educação, outros diziam que foi só para adiar a prova. Enfim, o Enem acabou por ser adiado e realizado em dezembro.
Depois de dois meses saíram os resultados. Ninguém sabe bem como foi feita a correção e calculada as tais notas. Não existe onde a gente possa consultar ou reclamar da correção. É aceitar aquela nota e aceitar. Educação de qualidade 0 x Maracutaia brasileira 2.
Então,depois do resultado começa as incrições no SiSU. Nos primeiros dois dias impossível acessar o sistema. O Ministério da Educação só dizia que tudo estava funcionando normalmente e que não havia nenhum problema. Os estudantes, enlouquecidos, não conseguiam acessar de forma nenhuma. Respeito ao estudante 0 x Maracutaia brasileira 3.
O tal Sisu, dava a possibilidade das pessoas trocarem de curso e de instituição quando vezes achasse necessário, durante as inscrições, o que gerou um alvoroço total. As notas de corte, que não tem nada haver com as tradicionais dos vestibulares, subiam e desciam numa total desarmonia com a música que tocava.
Enfim, saiu o resultado da primeira etapa. Vieram os períodos de matriculas. Onde está os aprovados? Menos de 5% preencheram as vagas. Na segunda etapa, todos os não aprovados tentam novamente disputar uma das vagas que sobraram. Mas aí a grande surpresa… Todo mundo pode concorrer de novo. Aprovados, matriculados, reprovados, pessoas que passaram no Prouni… Todo mundo.
E para quem vem em ritmo de carnaval a festa rola solta no SiSU. Faça o que quiser. Pegue a vaga de alguém que realmente queira estudar. Num país que não dá valor para educação o povo é mal educado. Não tem consciência do que faz e muito menos do que quer. É bem típico de um governo onde o que reina são os ditados populares distorcidos, as piadas feitas em discursos e o tal descaso com um real crescimento. Num país onde existe bolsa família, vale gás e vale pica, quem vai saber o que é conquistar algo? No Brasil onde se esconde dinheiro em cuecas e meias, onde o mensalão é tão público que é o segundo salário de muita gente, onde ninguém é punido, só o ladrão de galinhas, para que haver regras no SiSU?
Se a intenção do Enem era dar mais oportunidades as pessoas de cursarem uma faculdade, essa passou longe. O que o Enem trouxe foi dúvidas, desgaste emocional e dificultou, e muito, o acesso dos estudantes a ter um diploma. Talvez, lá no fundo, a intenção do Enem é que todos no Brasil cheguem ao mesmo patamar de ignorância dos nossos governantes. Sem estudo mas nota dez em malandragem… Sabendo direitinho como sacanear o próximo e desenvolvendo o melhor do espírito de egoísmo do ser humano.
Enquanto isso, nesse exato momento, milhares de jovens tentam desesperadamente conseguir uma vaga, para realizar o seu sonho e poder melhorar sua condição de vida. Mas eu esqueci. Isso não interessa o governo… Quanto mais culto um povo mais difícil de manipular. E em ano de eleições o que vale é encher os olhos, dizendo que o sistema possibilita mais educação no país enquanto na verdade ninguém consegue sua vaga.

Chega! Eu não sou super…

Sabe quando dá aquela vontade de jogar tudo para o alto e sair gritando “Chegaaaaaaaaaaaa”? Então? Chega! Eu não sou perfeita! Chega! Não aguento mais tanto trabalho! Chega! Eu não quero assumir outra responsabilidade! Chega! Não estou nem ai para a grana! Chega! Eu não estou sempre de bom humor! Chega! Eu quero bem mais da vida! Chega Eu não acerto sempre! Chega! Eu tenho o direito de estar deprimida!
Pessoas como eu, ou como as outras pessoas me enxergam, estão sempre sobcarregadas. Acabam sempre com a responsabilidade de ser o lado forte de todas as relações. Sempre estão fazendo milhares de coisas e sorrindo para todo mundo. Não tem tempo ruim. Não tem nem chance, as vezes, de parar e respirar.
A verdade é que sou uma pessoa qualquer. Eu não sou uma super mulher. Não sou super nada. Sou comum e quero ter o direito de ser comum. Gosto dos desafios, mas quero ter a chance de dizer não. Aliás, dizer não, de vez em quando, é ser mais super do que dizer sempre sim. Dizer não é respeitar a si mesma e os meus limites. E dizer não sem culpa é a grande questão.
Poucas pessoas conhecem o meu lado sombrio. Poucos amigos sabem que eu choro de tristeza e desespero. Muitos poucos já viram eu com a calça velha de moleton e a camiseta surrada, a cara inchada, o nariz escorrendo e a voz embargada. Eu quero poder ficar assim mais vezes.
Quero ser fraca de vez em quando. Quero ser consolada em vez de consolar. Quero ouvir palavras amigas em vez de dizer. Quero ficar quietinha em vez de fazer barulho. Quero dormir sossegada o dia inteiro sem ninguém ficar cobrando porque eu não estou bem. Eu só quero ter o direito de, apenas por uns instantes, sair fora do mundo e entrar no meu mundo particular.
O meu mundinho perfeitamente desorganizado que é meu esconderijo pessoal. Eu quero ter esse direito. Chega de ser super. Chega de ser forte. Chega de ser perfeita. Eu quero poder errar e ninguém me cobrar. Eu quero ser apenas eu mesmas, com todas as delícias e desilusões que isso possa trazer.
Estar de cara lavada, roupa surrada e pés descalços e mesmo assim me achar sexy, linda e maravilhosa. Mandar alguém ir catar coquinho ou dizer ” Ema, ema, ema cada um com seus problemas” e não ser chamada de insensível, mal educada ou dizerem que eu mudei. É. Sim. Mudei. Cansei e agora chega!
Tô ocupada demais com a minha vida, meus sentimentos, meus problemas e, se quiser, deixe recado após o sinal, mas olha não dou nenhuma garantia de que vou responder a não ser que seja do meu interesse. E viva a teoria do desapego, do dizer não sem culpa e do olho por olho, dente por dente.
Por que? Só eu não posso ser egoísta de vez em quando? Olhe para você mesmo antes de me criticar e pense quantas vezes você faz o mesmo… Não precisa responder. Apenas refletir e seja muito feliz. Daqui a pouco essa fase passa e aí eu já perdi a chance de viver para mim.

Teorias sobre a confiança

Confiança é um sentimento que não surge. Ele vem aos poucos e vai ficando forte com o passar do tempo. Ou ele se perde no meio do caminho e fica quase impossível resgata-lo. Muitas vezes a gente tenta, tenta e tenta mais uma vez só para não perder de vez e mesmo assim não adianta.
Confiar em alguém é uma grande demonstração de amor, carinho e respeito. Confiar é saber que não importa o que aconteça, aquela pessoa, nuca vai te trair. Não fala de traições carnais. Mas sim das espirituais e emocionais. É poder falar a verdade em qualquer circunstância e não ser julgado por isso. É saber que sua verdade nunca saíra. Nunca vazará.
Confia-se em pessoas que fazem por merecer. Confia-se quando se sente um sentimento verdadeiro de lealdade e proteção. Confia-se quando se sente amor. Confia-se quando se pode confiar.
O problema é que leva-se muito tempo para se confiar em alguém e apenas alguns segundos para se perder a confiança. E não existe sentimento mais doloroso do que a traição de uma confiança. Não existe nada que machuque mais do que pensar que aquela pessoa que você confiava, acreditava e na qual era capaz de apostar toda as suas fichas, de repente botou tudo a perder.
Existe segunda chance quando se perde a confiança? Pode até ser. mas que demora muito tempo, isso demora. E as vezes não se tem, nem tempo, nem chance de voltar a confiar. As vezes o caminho é tão tortuoso e as feridas tão dificeis de cicatrizar que nunca se consegue resgatar a confiança.
Merecer a confiança de alguém é algo nobre. E nunca, de forma alguma, deve ser posto fora. Pense nisso dá próxima vez que estiver pegando uma estrada, sem volta, antes de trair quem confia em você.