Teorias sobre a decepção

O que define a decepção se não um vazio gigante, que não pode ser medido e muito menos percebido por outro alguém? Afinal decepção é o pior de todos os sentimentos. A decepção não tem volta. Em um segundo acaba com toda uma relação construída. Espatifa a confiança. Rasga o amor. Explode a amizade. Detona os sonhos e termina de vez com as possibilidades.

Uma decepção amorosa pode levar anos, ou até mesmo vidas, para cicatrizar. Mulheres se acabam por ela. Homens se tornam amargos. Não existe nada que alivie a dor e preencha o vazio. Nada nunca mais é como antes. Uma decepção amorosa acaba com as possibilidades do amor. Até que apareça alguém novo e faça a gente sonhar de novo.

Decepciona-se com coisas toscas e fúteis faz parte da vida. Um filme, um livro, uma música, uma festa. O sentimento de vazio é o mesmo de forma mais branda e obviamente sem marcas tão profundas. Há quem diga que nunca se abateu. Mas duvido da sinceridade dessas pessoas. Que confesse que já sofreu. Que admita que entregou. Que tenha mais cuidado da próxima vez.

Decepcionar-se com sonhos, crenças, ideologias também muda o vivente. Mas a mudança, e a decepção é claro, nesses casos pode ser positiva. Mudar não pode ser sempre algo ruim. Abre novas possibilidade.  Faz florescer flores e renascer conceitos. Nem tudo na decepção são só espinhos. Algumas nos fazem crescer.

Mas de todas as decepções a mais cruel é com amigos. A mais triste também. Acreditar em alguém. Contar seus segredos mais íntimos. Confiar. Estar presente e quando precisar não poder contar. Você que sempre está lá. Você que sempre esteve lá.

Mentiras decepcionam. Principalmente quando as mentiras vem de quem menos se espera. Quando elas são desnecessárias e não fazem sentido. Num mundo perfeito amigos nunca mentiriam.

Decepção dói. E dói demais. Mata a alma. Destrói a confiança e acaba em segundos com tudo que foi construído por muito tempo. Ah se eu pudesse evitar algum sentimento. De todos eles, dos mais sofridos e terríveis a decepção seria ele.

Não quero carregar marcas e cicatrizes. Mas como evitar? Como voltar a confiar? Como acreditar? Como não se iludir novamente? E o mais difícil: Como se entregar novamente?

Porque eu também não entendo…

Sempre existe um momento na vida em que podemos ou devemos tomar um rumo. Seja lá escolher a direita ou a esquerda. A saia ou a calça. A casa ou o apartamento. Casar ou comprar uma bicicleta. Não importa é uma escolha. Se entregar ou não. Se apaixonar ou não. Ficar brabo ou não. Chorar ou rir. Acertar ou errar. Pensar ou agir. Decidir.

Decidir pode ser fácil para algumas pessoas. Tomar atitudes. Agir. Dar opiniões. Demonstrar sentimentos. Racionalizar. Teorizar. Sentir. Impulsionar. Fazer. Estar. Ser. Viver. Num jogo de palavras que são mais que letras e que significam muito mais que frases soltas ou poetizadas em uma folha de papel. Sentimentos que transbordam entre as linhas de um caderno e nem é preciso uma caneta ou um lápis para se tornarem reais.

Realidade. Realidade vivida, sentida, entendida e perdida. Perdida nas horas, no tempo, nos medos que não paralisam porque nada pode esperar. A vida não espera. É cruel e não perdoa. Não da para esperar por milagres e muito menos sonhar em tempo integral. É preciso seguir. Seguir e escolher em que estrada se dirigir.

Sonhar é bom. E sem sonhos não iríamos a lugar nenhum. Não me entenda mal, por favor. Apenas e só apenas pense comigo, que é preciso sonhar e agir. Querer e ir atrás. Imaginar e concretizar. Pensar e agir. Viver, viver e viver.

Os medos não são ruins. Ter medo é mostrar-se sensível as conseqüências das nossas atitudes. É ponderar sobre o certo e o errado. Viver com cautela, mas não deixar de viver. Nunca deixar de amar, de sofrer, de perguntar, de escolher um caminho ou de se atirar de cabeça em sonho.

Realidade, sonhos, medos, decisões e escolhas. Agir. Ir. Ser. Estar. Viver. Amar alucinadamente. Enfrentar fantasmas e, se preciso, fazer tudo de novo, quantas vezes precisar para saber que  viveu. Que  pensou. Que  tentou. Que  amou. Que  chorou  de alegria ou tristeza. E mais que tudo isso: Que foi feliz.

Porque eu  não entendo que graça teria a vida se não fosse feita de tantas emoções, razões e possibilidades. Porque eu também não entendo que alguém possa passar por esse mundão de Deus e não sentir, em nenhum momento, que a vida é para arriscar. Que a vida é para aprender. Que a vida são as nossas escolhas, acertos, erros, derrotas, alegrias e tristezas. Que a vida vai, um dia, acabar e que a sensação de vazio é a pior de todas que um vivente suporta.

Respeite, please!

Existem pessoas de todas as formas e com todas as características. Respeitar a individualidade, os sentimentos, manias e opiniões dos outros é muito importante. Desde que isso não te atinja. Desde que o outro não invada sua vida, sua opinião ou seu espaço. De uma forma ou de outra mundos sempre se chocam e deixam marcas. A batida de dois micro universos causa conseqüências no macro e, algumas vezes, inclusive não tem concerto. 

Independente do que eu seja, pense, fale, respire ou queira dentro do meu mundinho, perfeitamente complicado e bagunçado, respeito pessoas que não comungam das mesmas perspectivas de vida que as minhas. Mas não aceito, de forma alguma, que não respeitem a minha imperfeição divina. Sabe aquela história de cada um no seu quadrado? Então. Fica na sua que eu fico na minha. E assim não causamos um novo big bang e nem realocamos milhares de constelações que brilham a nossa volta. Sim. Por que já percebeu que uma desavença nunca altera apenas a sua órbita e a do seu rival? Tira o prumo de todos a volta. Todos que convivem com um lado, com outro ou com as duas pontas do cabo de guerra. 

Na fila dos dons, valores, qualidades e defeitos que a gente passa lá em cima, antes de vir trabalhar aqui embaixo, deveria haver dose extra de respeito. Respeito pelo outro, respeito por si mesmo, respeito pela natureza, respeito pela vida e só para ter certeza que o vivente vai se dar bem uma dosesinha de respeito extra.

É talvez o mundo fosse um tanto apático com tanto respeito. Mas não. O ser humano tem o dom de complicar as coisas e, com certeza, mesmo com tanto respeito a gente ia dar um jeito de tumultuar tudo. 

Respeito não é gostar de algo. Eu posso não gostar de pessoas sonsas,mas eu as respeito, entende? Eu posso não aceitar que alguém ache que o Lula é um bom presidente, mas eu respeito. Alguém pode não gostar do meu jeito de ser, mas please, respeite.

As opiniões, por mais toscas que sejam, são de alguém. Cada um é o que é.  Deve saber a dor e a delícia disso. E os outros? Os outros que se danem e respeitem. Somos a construção de nossas vivências, experiências, estudos e educação. E não existe uma verdade absoluta. Cada um carrega suas verdades. Cada um sabe o que é o seu certo e o seu errado e isso independente de moral, ética e leis.  Aprendi que uma mesma coisa ouvida por duas pessoas pode ser entendida de forma completamente diferente.  Isso é diversidade. Isso é individualidade. 

Eu sou o que sou. Você é o que é. Não precisa gostar de mim. Eu não preciso gostar de você. Não precisamos nem falar sobre isso. Meu jeito é meu  e sou feliz assim. Seu jeito é seu e você é feliz assim. E se não for, mude. Mas, por favor, respeite.

Hoje não

Hoje eu não quero falar de nada. Não quero fazer piada. Não desejo que alguém ria ou chore lendo algum conto meu. Não quero despertar sentimentos e nem escutar meu coração. Não quero ouvir. Não quero ler. Não quero saber. Hoje eu não quero nada.

Acordei cinza. Acompanhando o tom do dia e para celebrar a minha tristeza me vesti de acordo. Com tons  sombrios. Esperando que o sol volte a brilhar e que eu volte a querer saber, ouvir, ler, escrever e dizer.

Hoje não. Hoje vou acompanhar a nuvem carregada que paira sobre a cidade. Que paira sobre o meu espírito e que me impede de respirar. Só por hoje eu realmente não quero e me dou esse direito. Deixa eu ficar cinza e espere, com paciência, porque amanhã o sol volta a brilhar, eu volto a sorrir e transformar sentimentos em palavras.

A solução dos problemas masculinos

Não havia nenhum indicio que ela me daria bola. Bem pelo contrário. Em minhas primeiras investidas, diretas, sarcásticas e apimentadas,  ela sempre tirava o corpo fora. Arranjava um jeito de me cortar ou desconversava. Mas eu não desistia.  Quando quero uma coisa sou persistente e manipulador. Talvez um pouco inconveniente muitas vezes. Mas não desisto. Só desisto quando consigo ou perde a graça.
O problema é que ela não perdia a graça nunca. Ao contrário. Cada vez aumentava mais o meu desejo e a vontade de possuir de qualquer forma aquela mulher. E aos poucos ela foi abrindo brechas e do jeito cruel e seco de me cortar passou a dar trela. Em algumas vezes se arrependia e sentia-se assustada voltando a estaca zero. Mas aquilo só me enlouquecia mais.
Não sei quando foi, mas um dia, depois de tantas insistências ela cedeu. Cedeu não seria bem a palavra, mas me deu a chance de sentar em um bar e conhecer mais do meu objeto de desejo. Foi nesse momento que a coisa piorou. Ela deixou de ser um par de lindos seios robustos e exuberantes para se tornar uma mulher com pensamentos fortes, vida decidida e lindos e profundos olhos. Uma personalidade marcante, cheia de vida ‘causos’ e prosas. Me perdi. Nas histórias, na bebida e na imensidão dos seios dela.
Não tinha hora em que eu não pensasse nela. Não havia minuto em que eu não ligasse tentando implorar pela sua companhia. A resposta era sempre a mesma: Um não bem redondo e uma risada gostosa, meio nervosa e bem caliente que só aumentava mais a minha libido.
Os dias passando, o desejo aumentando, as conversas mudando. Um clima rolando no ar. Não conseguia mais entender e, apesar de não gostar de mulheres fazidas, ela ficava me enrolando e eu adorava aquilo. Quanto mais corda eu dava, mais ela me enrolava, mais eu gostava  e sentia que a minha hora ia chegar. Cedo ou tarde ela ia se entregar.
O máximo que consegui foi um beijo. Um beijo e sentir bem de perto a temperatura, muito alta, de seu corpo.  Um beijo e o gosto da sua boca. Um beijo e o cheiro de sua pele. Um beijo e o pulsante coração que batia em seu peito tremulo. Um beijo e um sussurrar de prazer enquanto lentamente tocava seu corpo. E parou por aí. Nada mais. Nenhuma chance de leva-la para o tão sonhado colchão redondo de um motel.
Depois do beijo as coisas mudaram de lugar.  Ela disse que me queria. Que precisava viver aquela história e que o beijo não saia da cabeça dela. Depois falou do medo de se envolver, de se machucar e todos aqueles papos que só mulheres dizem e que homens não conseguem entender. Ou pelo menos fingimos que não entendemos.
Ela começou a me procurar e eu comecei a tirar o corpo fora. E confesso que ao encontra-la em algum lugar ficava nervoso e não sabia como agir. O que se passava comigo afinal? Não seria mais fácil simplesmente resolver essa história como tantas outras? Satisfazer o desejo dela e o meu?
Ela tentou. Desistiu e tentou de novo. E foi assim que ela tirou meu chão. Foi assim que ela me deixou sem saber o que pensar e com uma vontade danada de encher a cara e esquecer o mundo real.
Não consigo entender se a amo ou a odeio por isso. Me colocou na parede, falou tudo que realmente sentia e queria. E a única coisa que ela pedia era uma resposta sincera. Levei dois dias para digerir todas aquelas informações. Um surpresa extrema. Fiquei sem reação. Só consegui pensar em o quanto me senti pressionado. O quanto não esperava conhecer alguém tão sincero, real e intenso em minha vida.
Se sinto algo por ela? Óbvio e claro que sim. Visivelmente me transtorna a presença dessa mulher. Mas não consigo saber o que fazer, como reagir e de que forma agir.
Tenho medo de encara-la. Tenho medo de como essa história pode terminar. Não consigo pensar. Algo ficou inacabado. Algo que talvez nem tenha começado. Ainda não sei que respostas dar a ela. Ainda não sei o que fazer. Não sei como agir e se eu topar com ela em algum lugar não tenho a menor noção do que fazer. E por mais que eu tente as palavras dela martelam na minha cabeça e nada novo e original me surge. Nenhuma luz. Nenhuma resposta. Tenho vontade de ligar, tenho vontade de dormir. Preciso me desligar dessa história.  

Por isso, seu garçom, enche o copo mais uma vez

Teoria sobre a intensidade dos sentimentos

Estar apaixonada é a melhor coisa que existe na vida. Não interessa por quem, pelo que, quando, onde e como. Amar algo. Sentir aquele frenesi. Se sentir viva. Sorrir sem motivos. Ficar eufórica com uma música, um olhar ou um simples pensamento. Se jogar de cabeça sem pensar em mais nada. Sem conseqüências, sem prudências, sem medos.
A intensidade do sentimento paixão é tão forte que não tem como medir. Só em loucuras. Quanto mais apaixonado, mais loucuras o vivente faz. Mais se joga de cabeça, mais irracional fica e muitas vezes nem consegue depois se encarar no espelho lembrando das besteiras que fez.
Sentimentos são intensos mesmo. Não importa se eles são bons ou ruins. Sempre são intensos. E pessoas que demonstram toda essa intensidade são mais divertidas. Chamam mais a atenção e, normalmente, parecem mais felizes que as pessoas meia boca.
Nada contra o time do meia boca. Até porque alguns deles tem traumas incríveis, por outras experiências vividas, e esse meia boca pode, as vezes, ser uma pessoa super bacana, disfarçada e mascarada de pessoa comum.
Fala sério. Quantas vezes você topou com uma pessoa super intensa e ficou encantada? Quem são seu ídolos? Quem é aquela pessoa que deixa você completamente fora de si? O cara mais badalado? A mina mais sensual? Sempre, sem excessão são pessoas intensas.
Pessoas meia boca passam desapercebidas pelo meio da multidão.  Tá certo que o que pode ser intenso para mim pode ser meia boca para você e vice e versa. Mas o que importa é que seja intenso para cada um. 
Ser intenso é sentir tudo. É dar espaço para que as sensações sejam únicas. É não ter medos de se arriscar. É viver a vida, de forma leve, sorrindo e agradecendo por cada sentimento. Os bons e os ruins. Porque são os ruins que fazem a gente crescer e ser mais intensa nos bons.  A intensidade dos acontecimentos depende muito das suas escolhas. E suas escolhas dependem dos sentimentos vividos.  Tudo é um ciclo e quanto mais intenso ele é, mais você terá a sensação de ter vivido de forma plena.
Portanto, você que lê toda essa insanidade sobre sentimentos, intensidade e vida neste momento, pare e pense: Quanto intenso são os sentimentos? Quanto feliz você é? 
Tente ser intenso. Tente sentir tudo que realmente sente. Tente não ter medos. Se jogue de cabeça. Seja apaixonado por tudo a sua volta e acredite: Só vivemos uma vez e quando não abrimos a porta para as oportunidades que nela batem, não se terá outra chance. Não daquele jeito. Não daquela forma. Não com aquele sentimento.Não com toda a intensidade.

Essa noite sonhei com você

Essa noite sonhei com você. Era um sonho mas poderia ser real. Nós dois, sem nenhum preconceito, sem medos e vergonhas. Simplesmente juntos. Sem pensar no futuro, no depois, no dia seguinte. Apenas vivendo o momento, deixando tudo fluir naturalmente. Sem pressões. Com a leveza do amor puro e genuíno. Com a calma inocente de duas crianças e com a maturidade persistente de um homem e uma mulher. Éramos nós. Somente nós em meu sonho e não existia passado ou futuro. Somente aquele momento.
O sonho era tão real que senti seu cheiro. Senti o gosto da sua boca e por um segundo quase acreditei que era verdade. O toque da sua mão, a sua voz sussurrando em meu ouvido meias palavras que se misturavam a sua respiração ofegante e as batidas aceleradas do meu coração. Impossível aceitar que era apenas um sonho. Tão real, tão vivo, tão verdadeiro. Minha pele arrepiada ao seu toque, meus pensamentos confusos libertos, eu ali entregue a você.
Algumas pessoas acreditam que as almas se encontram enquanto dormimos. Só poderia ser isso. Tão bom te sentir perto. Me sentir tua, pelo menos por aqueles instantes do sonho. Estar ali, contigo e somente contigo. Por poucos segundos de tanta intensidade. Nós dois.
Quando acordei, ainda assustada, pensando que estavas ao meu lado, ainda sonolenta, sem entender que parte da nossa história eu não me lembrava, percebi que era apenas um sonho. Ou talvez o mais real desejo do meu ser nesse momento.

Cuida de mim…

Então em 2007 ( acho que foi, mas se eu estiver errada me corrijam…) tivemos, eu e a incrível turma de jornalistas recém formados que eu fazia parte, que fazer um curta metragem para uma das disciplinas da faculdade.
Escolhemos uma história bem cliche. Daquelas com um mocinho, uma mocinha e um cafajeste (nossa e o Ismael Moreira se saiu muito bem nesse papel… hahahahhaha) História água com açucar, melodramatica e tudo mais. Nada original em termos de romance, mas totalmente diferente de tudo que já se viu por aí.
Procurando as trilhas do curta, Carlos Tiburski descobriu um grupo, que era pouco divulgado na época e que meio que continua assim até hoje. E assim, com a descoberta desses caras bárbaros, surgiu em nossas vidas a trilha tema do curta: Cuida de mim, do Teatro Mágico. Achamos tão bacana a música, a letra e tudo mais que escolhemos por o mesmo nome do curta. Afinal tinha tudo haver com as ideias que tinhamos em nossas mentes de diretores, atores e roteristas. A porra toda deu muito trabalho, mas o resultado foi melhor do que esperavamos. Ao fim e ao cabo chegamos a conclusão de que como profissionais da area de cinema somos otimos jornalistas. Mas isso já é uma outra história.
Enquanto eu escrevia a história, passava o tempo todo ouvindo a música dos caras para me inspirar. Era bacana. Eu conhecia a letra, o sentimento e a melodia de trás para frente. Hoje enquanto procurava uma certa inspiração meus ouvidos captaram ao fundo uma cantoria muito conhecida. Era Cuida de mim… E não deu para evitar de escrever sobre isso. Sobre essa musica que tem tudo haver comigo, com a minha historia e com certeza com a tua também. Sim, por que não? Todos em algum momento da vida passamos por situações de se auto analizar, de se perceber  tentar entender os vários movimentos desordenados da nossa vida.
“Para falar a verdade, ás vezes minto. 
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto. 
Pra dizer as vezes que as vezes não digo. 
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo. 
Tanto faz não satisfaz o que eu preciso. 
Além do mais quem busca nunca é indeciso. 
Eu busquei quem sou. 
Você para mim mostrou que eu não sou sozinho nesse mundo. 
Cuida de mim enquanto não esqueço de você. 
Cuida de mim enquanto finjo que sou o que eu queria ser. 
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você.
 Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo. 
Basta as penas que eu mesmo sinto de mim. 
Junto todas, crio asas, viro querubim. 
Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir. 
Sou calor clarão e escuridão que te faz dormir. 
Quero mais quero a paz que me prometeu. 
Volto atrás se voltar atras assim como eu. “
No fundo todo mundo quer alguém que cuide de si e alguém para cuidar. Todas as pessoas tem essa necessidade e não da para negar isso. Eu quero, você quer e com certeza a pessoa aí do lado também quer. Mas a música dos caras vai muito além disso. Ela fala de se reiventar, de admitir quem se é. De se conhecer e entender o que se sente, faz e escolhe. Porque a vida é feita de escolhas, de provas e de sentimentos. Eu escolhi e você? Vai demorar muito tempo para decidir?  A vida passa rápido demais para se perder tempo pensando. Enquanto a gente pensa as oportunidades passam e não existe outra chance. 

Teoria das Comparações

Comparar é muito feio mas é inevitável. Isso é fato. Comparar o ex com o atual. O trabalho novo com o antigo. O salário das pessoas. Comparar o potencial das coisas, pessoas e animais. A inteligência. Os filhos. As pessoas. Os ambientes. Por mais feio que seja a gente sempre acaba comparando. As vezes guardamos nossas comparações e conclusões apenas para nós mesmo. Afinal comparar é um ato arrogante, mesquinho e comprova que não temos sensibilidade emocional para entender que cada um e cada coisa tem seu jeito. 
Outras vezes resolvemos por a boca no trombone e divulgar para o mundo inteiro nossa comparação e ouvir as críticas de cada um pelo nosso ato demoníaco de realizar uma ação sem a menor utilidade e que só traz mal estar as pessoas. Fala sério. Você nunca comparou nada nem ninguém? Sabia que a resposta seria essa portanto, não se sinta mal, apenas aceite que a comparação é inevitável e faz parte da natureza humana.
Eu ando num momento, que embora resista a fazer comparações, elas são inevitáveis. Começando de novo numa faculdade novamente, fica impossível não realizar essa ação. Colegas, professores, turmas, laboratórios, estacionamentos e até o cafezinho passam pelos meus mais doentios pensamentos de comparação. E sabe que cheguei a algumas conclusões e teorizações interessantes sobre meus objetos de estudo. Sim. Após alguns anos praticando a arte de comparar clandestinamente e tão alucinadamente como um vício resolvi teoriza-la.
Quanto mais comparamos mais perto do significado de igualdade eu chego. Se comparar é inevitável, achar semelhanças e coincidências nos objetos de estudo é quase como dizer que um mais um é dois. Isso é fato e posso comprovar cientificamente. Quem sabe meu estudo não entre para a história e as próximas gerações falem da teoria da comparação assim como hoje falam da teoria da informação ou da teoria da relatividade.
Quando comparamos o ex e o atual namorado. Sempre percebemos que eles tem algo em comum. Não? Claro que sim. Eles sempre gostam de futebol, não entendem quando queremos algo, não sabem discutir o relacionamento e nunca atendem nossas necessidades de carinho e atenção. Da mesma forma os representantes do sexo masculino podem reclamar que todas são enroladas, não falam diretamente o que querem e que tem crises de bipolaridade.
Meu mais recente objeto de comparação são as turmas de faculdades. Sim, porque não? Convivo com 4 turmas diferentes em uma mesma faculdade. Fora as outras turmas que já passei e que já passaram por mim. Em todas as turmas sempre tem aquele que sabe tudo e que quando começa a falar não para mais. Sempre tem aquela menina linda. Sempre tem o pessoal cuca fresca. Os esquentadinhos. As que não calam a boca um minuto falando coisas que não tem nada haver com as que estão sendo ditas na aula. Os meninos apaixonados pelo futebol. As gurias apaixonadas pelo BBB. Sempre tem o cara aquele que é amigo de todo mundo. Inevitável não comparar. Inevitável não marcar essas figuras para sempre na nossa mente. Inevitável não viver intensamente cada momento compartilhado.
E sabe o que é mais bacana? É comparar e tirar o melhor que cada experiência pode dar. É comparar e poder dizer que ambos os objetos de estudo são muito interessantes e podem ser muito bem utilizados. É comparar e sentir saudades daquilo que é passado e ter a sabedoria de aproveitar bem o que é presente. É comparar sem maldade e sem preconceitos. É comparar só por esporte. Só para ter a certeza de que as coisas seriam muito ruins se não houvessem histórias para se comparar…

Cartas II – A que nunca enviei…

Já que a primeira foi um sucesso e depois dos inúmeros mails que recebi pedindo mais aí vai… Hoje é a carta que nunca enviei. Sabe aquela que você escreve, coloca tudo para fora e guarda a sete chaves? Bingo!  Espero que se deliciem e mandem mais… Adoro receber os mails!

Fulano,

Então, você sabe que sou neurótica com coisas não faladas. E na real passei a manhã matutando as coisas que você falou ontem e que para variar eu não consegui falar na hora. Faço isso melhor no papel, então aqui vai  uma enxurrada de sentimentos, medos, incertezas e seguranças… Sim seguranças.

Sábado passado, quando saí com a Beltrana, ouvi de uma criatura a seguinte frase “Você nunca vai dar certo com alguém. Não da para te levar a sério…” Na hora fiquei mal. Depois, pensando friamente, cheguei a conclusão de que não sou mesma para ser levada a sério. E isso não me atucana. Estou e sou muito feliz desse jeito.

Ontem quando você tocou no lance de levar a sério travei. Justamente porque não sei se quero levar algum relacionamento a sério na minha vida novamente. Levar a sério para mim, talvez pelos fantasmas do passado, significa stress e não é isso que eu quero.

Quando disse que você é o cara que sempre sonhei estava falando muito sério e uma das coisas que mais gosto é que não há motivos para haver stress entre nós. Adoro estar com você. Te beijar, dormir abraçado, nossas conversas… Enfim adoro sua companhia. Mas adoro também a minha liberdade, sair com as amigas, ir para um bar com colegas de trabalho e poder dizer a hora que eu quero “dane-se o mundo!”.

Não tenho planos e nem os faço para o amanhã. Aconteça o que acontecer quero que quando acabe, acabe de forma com que sempre a gente lembre um do outro com carinho, respeito e com saudades de algo que foi muito bom!

Não quero que você me leve a sério, até porque se algum dia isso tiver que acontecer vai ser naturalmente. Só peço que não me sacanei e siga sendo sincero e falando tudo na lata.



                                                                                                                                      Siclana