Nervossismo não trabalhamos!

Por mais absurdo que possa parecer sou uma pessoa extremamente calma diante de coisas e momentos importantes. Apesar de estar sempre ligada no 220w e de não parar nunca em momentos cruciais surge e mim uma outra Luísa, calma tranquila e capaz de inclusive parar e ouvir as outras pessoas.


Quando fiz o discurso de formatura fiquei assim. Calma, dava uma tremidinhas na mão, mas consegui falar de cada colega (éramos 9) e transmitir a todos o que realmente eu queria falar.


Foi assim em meu casamento, enquanto todas as noivas do mundo se descabelam, choram, berram e tem crises de histerismo resolvi tudo na calma, entrei na igreja sem chorar e até consegui tirar sarro de uma madrinha no altar.


Em entrevistas de emprego também. Quando a maioria fica super nervoso e começa a gaguejar eu estou super calma dando risada e divertindo os entrevistadores.


Agora estou assim. É um momento importante da minha vida que se aproxima. Estou dando a cara a tapa para ouvir críticas, e sei que virão algumas ferozes, com o lançamento e a sessão de autógrafos do “Amar só se ama uma vez…”. Algumas pessoas me perguntam se estou nervosa. A resposta é não. Estou ansiosa o que é muito diferente. Outras me dizem que é muita coragem publicar um livro. Não é não. É tipo assim: escreva com o coração, peça para alguns amigos que consideras capazes ler e dar a opinião e não pensa muito. Vai lá e publica. Depois vê as consequencias. Foi assim.Não é coragem isso é atitude, impulsividade e vontade de dividir com os outros coisas que aches bacana.


Torço para que Suzana encante e traga alguma reflexão importante para quem a ler. Torço para que esse seja a primeira de outras tantas histórias que eu possa publicar. E apenas isso. De resto mantenho a minha calma natural diante de situações importantes em minha vida. 


Ansiedade 100%. Nervosismo zero. Quem sabe no dia em que eu sentar na poltrona do Jô eu fique nervosa, mas até lá mantenho minha calma e preparo o segundo livro. Que antes do que vocês imaginam estará estourando por aí.


Por enquanto quero curtir muito “Amar só se ama uma vez…” e ver todo mundo na feira do livro, agora sábado dia 30/10 ás 15:30 hs!

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O Rio Grande do Sul acordou cinza hoje…

O Rio Grande do Sul acordou cinza hoje. Um dia nublado, silencioso, com um vento frio que não permiti com que os pássaros cantem. Um sentimento de luto. Um grito trancado na garganta, uma vontade de reagir, um jeito gaúcho de ser que ficou de lado.


Os gaúchos acordaram tristes hoje. Velhos heróis se reviram em seus túmulos e concluem que tudo foi em vão. Logo nós. Seus herdeiros de sangue, de legado, os filhos dessa terra antagônica, de grandes paixões, de grandes ideais, de grandes símbolos, de grandes homens, cansamos de lutar.


Não somos mais gaúchos antes de brasileiros. Não somos mais chimangos ou maragatos. Não somos mais gremistas ou colorados. Não somos mais de direita ou esquerda. Não somos mais o estado celeiro do país. Não somos mais o Rio Grande do Sul símbolo de resistência no Brasil. 


Agora somos apenas mais um estadinho. Somos apenas mais um povinho. Somos apenas mais um. Não somos mais o povo heróico, aguerrido e bravo de Bento Gonçalves, Coelho Neto e  Garilbaldi. Não poderemos mais dizer que Anita, largou sua vida, sua terra e lutou bravamente para defender nossa gente, nossos interesses. Não somos mais os mesmos. Não temos mais tradição. Nos perdemos de nossa história.


Demonstramos nas urnas que somos um povo cansado de lutas. Um povo que perdeu seus referenciais. Uma cultura em decadência que não honra mais seus filhos ilustres. E se eu for falar de todos os lideres gaúchos e o que eles diriam nesse momento, me perderei em casos e histórias que no dia de hoje não fazem mais sentido.


Entendam que minha questão não é contra a vitória de Tarso Genro. Não. Parabenizo o futuro governador. Minha reflexão é sobre uma vitória esmagadora em primeiro turno. Primeiro turno. Assim direto, de cara. Sem lutas, sem chances, sem resistência do povo.


O mesmo estado que nunca reelegeu um governador. O mesmo estado onde sempre a política foi o assunto predileto dos almoços de domingo. O mesmo estado que sempre impôs resistências. O nosso estado de amores e ódios. O Rio Grande do Sul das tradições, das revoluções, das resistências.


Mostramos nas urnas o cansaço. Mostramos nas urnas que esquecemos de nossa tradição. Demonstramos nessas eleições que não somos mais resistentes. Não somos mais antagônicos.Não somos mais os mesmos gaúchos. Apagamos nossa história. Esquecemos nossas características e a partir de agora somos apenas números de uma maquininha do IBGE.


O dia 3 de outubro de 2010 entrará para a história de nossa gente. Será lembrado sempre como o dia em que os gaúchos mostraram que não são mais ou mesmos. O dia em que assinamos, de fato, o tratado de paz da Revolução Farroupilha. Será a data que lembrará que não somos mais antagônicos. Não somos mais resistência. E nunca mais poderemos dizer, com orgulho, que sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra.



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Mulheres & Sapatos: Um orgasmo quase sexual

A coisa é séria. Mulheres e sapatos tem alguma relação inconsciente, sobrenatural ou, me arriscaria a dizer, carnal. Sim porque não conheço uma representante do sexo feminino que não tenha verdadeira loucura por sapatos. Assim como não conheço uma mulher que não esteja “precisando muito” de um sapato novo.

Os pés, coitados, pedem piedade, sofrem, reclamam e nem assim conseguem escapar da irá dos bicos finos, da agressão dos saltos altos ou da tortura dos sapatos fechados. Um calor de 30 graus e eles lá, socados num sapato bem fechadinho só porque ainda não deu tempo de passar na pedicure.

Fora a questão do espaço e organização. Nunca é suficiente. Sempre falta um lugar para mais um parsinho. Só mais um, que se multiplica com a rapidez de coelhos na sapateira de qualquer um. E mesmo assim nunca se tem sapatos na hora de sair.


Comprar um sapato novo, para muitas, é quase um orgasmo sexual. Não sei qual é o fetiche. O que lá na cachola se movimenta, qual o hormônio que é liberado. Mas a verdade é que é um prazer inenarrável a compra de um novo par. os homens não entendem. Para eles é apenas mais um. Para nós, mulheres, é o sapato, que passa a ser mais um na semana seguinte.


Salto alto, salto anabela, plataforma, salto fino e rasterinha. Bico fino, bico arredondado, aberto, fechado, de tira e de presilha. Botas de cano curto, cano alto, salto fino, montaria, bico fino, plataforma, couro e camurça. Chinelo de praia, de festa, de andar em casa e de sair na rua.  E por aí vai a lista das nossas intermináveis necessidades de ter o que colocar nos pés.


E eles coitados, os pés, suplicam por um momento de liberdade. Por sentirem o chão, por andarem descalços na areia, por correrem na grana molhada e se deliciarem com o gosto do barro. Mas nós não pensamos neles. Só pensamos em exibir a mais nova aquisição da sapateira ou a mais cara. E nessa lógica absurda consumista e prazerosa o mais engraçado é que quanto mais caro é sapato, mais dói, mais aperta e mais a gente quer exibir. E pior que só a gente repare neles porque os homens mesmo não estão nem aí.


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Se é para amar que seja…

Se é para ser que seja bem feito. Se é para fazer que seja perfeito. Se é para ter que seja suado. Se é para comer que seja gostoso. Se é para comprar que seja valoroso. Se é para chorar que seja por um bom motivo. Se é para sorrir que seja por um motivo melhor ainda. Se é para namorar que seja romance. Se é para sentir que seja intensidade. Se é para acabar que seja definitivo. Se é para sofrer que seja por luto. E se é para amar que realmente seja para valer a pena.


Se é para dançar que seja enlouquecidamente. Se é para escrever que seja lindas cartas de amor. Se é para falar que sejam palavras doces. Se é para encher a cara que seja de alegria. Se é para conquistar que seja de verdade. Se é para enlouquecer que seja com amigos. Se é para viajar que seja para conhecer. Se é para trabalhar que seja com tesão. Se é para se estressar que seja pelas coisas que valem a pena.  Se é para pensar que seja reflexivo. Se é para estudar que seja algo que goste. Se é para se jogar que seja de cabeça. E se é para amar que seja alguém que mereça.


Se é para curar que seja para sempre. Se é para nascer que seja iluminado. Se é para morrer que seja de amor. Se é para agradar que seja sincero. Se é para estragar que seja consciente. Se é para sentir que seja intenso. Se é para ter saudades que seja de momentos bons. Se é para lembrar que seja das vitórias. Se é para reviver que sejam as grandes histórias. Se é para se inspirar que seja com o brilho do sol. Se é para magoar que seja uma lição. E se é para amar que seja infinitamente.


Se é para fugir que seja da dor. Se é para mentir que seja para rir. Se é para fofocar que seja sem maldade. Se é para enganar que seja a fome. Se é para invejar que seja um motivo para buscar. Se é para decidir que seja certeiro. Se é para errar que não seja por medo. Se é para arriscar que seja por inteiro. Se é para tentar que seja com tudo. E se é para amar que seja alguém que te faça sorrir.


E se não for nada disso não tem problema porque tudo isso é apenas mais um motivo para a gente viver. E se é para viver que seja amando.

Ai, ai… Onde está o meu direito de reclamar?

Estava participando de um desafio. O sexto desafio de escritores Literatura de Câmara. Um núcleo da Câmara de Deputados. O desafio funciona assim: a organização sugere o tema, você tem até uma determinada data para enviar o seu texto e depois os jurados analizam, fazem comentários e dão notas.


Na primeira etapa fiz o texto “Mudanças e Adaptações: uma questão cultural”. Na hora de ver os comentários percebi que havia um comentário que não era pertinente ao meu texto.  Reclamei para a organização e foi consertado.


Na segunda etapa escrevi o texto “Espelho, espelho meu, existe alguém mais fútil do que eu?”. Na hora de olhar meu comentários mais uma vez estavam errados. Só que dessa vez eram três comentários que não tinham nada haver com o meu texto. Como eu sei? Oras, falavam de elementos que não existiam no texto. Mais uma vez reclamei. A organização me respondeu que estava tudo ok. Olhei na página e nada. Continuava errado. Um comentário em especial falava de hifens e travessões. Elementos esses que não tem em nunhuma linha do meu texto.


A organização foi para um fórum de discussão falar que estava chateada das reclamações e  dos tons. Respondi no mesmo tópico que estava chateada pelos erros. Porque eu tinha colocado uma grande expectativa no Desafio e principalmente porque, para mim, estava muito complicado escrever por encomenda.


Fui humilhada, ofendida e atacada por inúmeros participantes do fórum porque estava sendo grosseira com a organização. Principalmente com um dos organizadores em especial que tinha acabado de fazer uma cirurgia e mesmo assim  continuava mantendo o Desafio e o conduzindo para dar chance de milhares de pessoas se aprimorarem na arte da escrita. Nossa! Como sou desumana, o cara se opera e eu não tenho a menor sensilibilidade. Em vez de ficar quietinha e achar o máximo os erros e as acusações que ele me fazia sem fundamento eu fui reclamar.


Não respondi mais no tópico. Não mandei meu próximo trabalho que estava pronto. Desisti do desafio.  Fiquei muito chocada com as coisas que foram escritas ali. Com os julgamentos que fizeram de mim. Com o direito que sentiram de me atacar e me dizer o que eu deveria fazer. Disseram que eu não deveria nunca mais escrever. Que deveria trabalhar com maquinas, porque não sei lidar com pessoas. Disseram que eu não era humana pois estava encomodando o organizador que tinha acabado de passar por uma cirurgia de redução de estômago. 


Lá na tal página onde estão publicados os textos, o comentário segue errado e ainda tem uma ressalva de que nenhum dos jurados quer mudar nada. O comentário fala de hífens que não são travessões. Se alguém achar eles no texto, por favor, me mostre que devo estar ficando maluca.


Ainda estou muito chateada com a situação. Ainda não digeri todos os insultos e mais ainda o erro que segue lá. Se o cara sabia que ia fazer uma cirurgia, porque não adiou o Desafio? Se ele não pode se encomodar porque reduziu o estômago? Porque não fica quieto na dele e não se mete a fazer algo que gera espectativa nas pessoas?


Não sabia que eu não podia reclamar. Não sabia que hoje quando se reclama se é insultada de tal forma. E por pessoas que se dizem escritores. Quem mesmo deveria trabalhar com máquinas? Eu ou eles que julgam sem olhar os dois lados? Quem não deve nunca mais escrever? Eu ou eles que estão de olhos fechados, vendados como cavalos conduzidos em carroças que não podem olhar para os lados? de certa forma percebi uma alienação geral, achando o cara lá o máximo e tudo que ele faz perfeito. Ou melhor um bando de pessoas sem popinião própria, que se dizem alguma coisa, puxando o saco de um outro cara babaca, que reduziu o estômago (devia estar muito grande pela ingestão de seu próprio mel já que ele é perfeito e não lida com pessoas como eu), se acha o máximo e ainda se intutula um “touro bravo” quando encomodado por reclamações a respeito de algo que ele faz com tanto amor.


Me chamaram de mimada sem me conhecer ou saber da minha história de vida. Quem são eles que apontam o dedo, caluniam e difamam alguém? Escritores, formadores de opinião, que sem nenhum escrupulo julgam. 


Posso ser tudo que me falaram. Posso ser mimada, posso não ter talento, posso até, quem sabe, dever trabalhar só com máquinas e nunca mais escrever. Mas sei quem sou. Onde estou, porque escrevo e tenho responsabilidade ao deferir qualquer palavra, pois sei da minha responsabilidade social como formadora de opinião. 


No fim de tudo ainda quero encontrar os hífens que não são travessões em meu texto. E também desejar, ao senhor organizador do estômago reduzido que a partir de agora tenha cuidado na ingestão de seu próprio mel, e que cuide da sua saúde, afinal touro tem bolas mas também tem chifres.


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Por favor, não pensem que tenho algo contra pessoas que fazem redução de estômago. Tenho contra pessoas que não sabem discutir, debater e perceber seus próprios erros. Tenho contra pessoas que se fazem de vítima e aproveitam situações adversas para se esconder e se achar no direito de humilhar outra pessoa. Tenho contra pessoas ignorantes, puxas sacos e sem personalidade própria. tenho contra a babacas que se dizem superiores aos outros. E por último tenho algo contra a todos que julgam o outro sem olhar os dois lados da história. Afinal toda verdade é relativa e toda história sempre é uma faca de dois gumes.





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Espelho, espelho meu, existe alguém mais fútil do que eu?

Indiscutivelmente, espelhos e mulheres podem ser os melhores amigos ou os piores inimigos. A futilidade feminina transformou a relação com um espelho em algo indispensável como se só nossa aparência contasse nesse mundo. Nada mais tem valor. Somente os conceitos estéticos. E ainda há quem diga que a celebre frase do poeta “as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental” tem realmente alguma ligação com o espelho.

“Espelho, espelho meu, existe no mundo alguém mais belo do que eu?” pobre da rainha da Branca de Neve que não entendeu que o espelho não estava falando apenas da beleza visual quando disse que a Branca era mais bela. Sim, porque convenhamos, de bela ela não tinha muita coisa, a pobrezinha.

A beleza que faz com que milhares de mulheres, e quem diria nesse novo século homens também, gastem todas as economias em botox, fios russos, plásticas, academias, alimentos orgânicos, lights diets e o escambau, tem muito mais relação com a baixa autoestima do que com beleza em si. Num mundo onde todos querem ser a nova Gisele Bünchen e ninguém quer Sócrates, Platão, Jesus Cristo, Einstein, Picasso ou Mozart sobram espelhos e falta conhecimento.

Nada contra as pessoas bonitas. Muito pelo contrário. Mas alimentar a alma deveria ser tão ou mais importante que alimentar o corpo. Pensar em malhar o cérebro deveria vir antes de aglomerar músculos, endurecer o bumbum ou colocar silicone nos peitos. Imagina se colocássemos cem miligramas no cérebro. Conhecimento e cultura, ainda não vem em pílulas que se toma no café da manhã. Ainda bem.

Esquecemos de olhar o outro. Só nos interessa o que é nosso. O que está em nosso espelho. O que vem do outro é lixo. Luxo só comigo meu bem. Entre tantas coisas que o espelho causa a individualidade, o egoísmo e a falta de solidariedade estão nele. Enquanto olhamos admirados e com tamanho amor para o nosso reflexo não percebemos a dor do outro. A beleza do outro e o mundo do outro.

Seres humanos, totalmente egocêntricos, egoístas, imaturos, incultos e imorais muitas vezes. Fúteis, sem metas na vida, com um amor próprio exacerbado e sem nenhum pingo de humildade e modéstia. Isso que nos tornamos. Seres individuais. Esquisitos, preocupados somente com a casca. Totalmente ocos por dentro.

Tudo culpa do espelho. Que um dia enganou os índios nas colonizações e hoje continua enganando todas as civilizações. Que um dia fez Narciso morrer seco e solitário e hoje continua causando o mesmo efeito em milhares de pessoas. Se o reflexo tem tanto poder não está na hora de usarmos ele para algo que realmente valha a pena e que não pode ser comprado em farmácias e clínicas?

Não sei não. Mas do jeito que vamos morreremos todos assim. Plastificados, com botox em todos os lugares possíveis, vazios por dentro, solitários e sem nunca teremos sentido o prazer de ver o sorriso no rosto de outra pessoa. Espelho, espelho meu, existe alguém mais fútil do que eu?

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Os fins justificam os meios?

Cheio de simbolismos, interpretações e reflexões a questão emblemática “Os fins justificam os meios?” Torna-se, às vezes, clichê por ser repetida como ditado popular e sem nenhuma reflexão. Ao falarmos da ética jornalística, baseado no código profissional e no filme “A montanha dos Sete Abutres” tentamos responder se realmente os fins justificam os meios ou se é a maior das falácias da sociedade.

O filme aborda de forma quase caricaturizada as concepções jornalísticas da imprensa marrom e que, por vezes, é praticada em toda a imprensa para vender as notícias. As lições ensinadas por Tatum, personagem principal do enredo, causam vergonha o que fez com que o filme fosse um fracasso de bilheteria na década de 50 e que sirva, hoje, de ponto de partida para a discussão do fazer jornalístico nas universidades.

Entre tantos artigos do Código de Ética dos jornalistas chama a atenção no Capítulo III, art.11º, inciso II, à regra em que fala que os jornalistas não podem divulgar informações de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em coberturas de crimes e acidentes.

Nesse aspecto se faz o contraponto entre o filme e o código de ética. Enquanto no filme Tatum faz de tudo para sensacionalizar e manipular a informação e a situação, tornado um espetáculo, um fato que poderia ter virado apenas uma nota de jornal, o código de ética ressalta que isso não deve ser feito. Mas o filme pode ser considerado um exemplo fictício. Se analisarmos a imprensa brasileira temos alguns casos recentes da espetaculização da notícia: Isabela Nardoni, João Hélio e, mais recentemente, Eliza Samudio.

Eugênio Bacci, em seu livro Sobre Ética e Imprensa (Companhia das Letras, 2008), faz a seguinte reflexão: “A propósito: onde é mesmo que ficou a realidade? Talvez logo ali adiante, detrás da profusão das imagens, às vezes sedutoras, às vezes chocantes, produzidas pelo espetáculo.” (2008: 198). A verdade que na interpretação de Tatum não é considerada notícia. A verdade que não pauta as redações, pois não vende. A verdade que é considerada em nosso código de ética primordial para o exercício da prática profissional. Essa mesma verdade com tantas facetas diferentes que não é noticiada, que é abandonada, não só pela questão comercial, mas também pela vaidade humana.

Entramos, então aqui, num limiar muito tênue entre o certo e o errado e principalmente na questão da natureza humana. Como diz Maquiavel a nossa essência é má. Ele que usa esse argumento em seu livro “O Príncipe” para embasar sua afirmação de que os fins justificam os meios. Voltamos então ao ponto de partida de nossa reflexão sobre o fazer jornalístico, o código de ética e a caricatura da imprensa no filme “A montanha dos Sete Abutres”.

Não podemos negar que o ser humano tem sim um grande interesse pelas tragédias, principalmente as individuais. Também não podemos, infelizmente, negar que a lógica das redações é pautada em cima do sistema capitalista de vendagem. Mas não estaríamos, nós, jornalistas e aspirantes, dando continuidade numa lógica irracional e que vai contra todo o nosso código de ética e aprendizado na universidade de que devemos tratar as fontes, histórias e notícias com respeito e humanidade? Num meio onde a verdade deveria reinar, ascende-se uma fogueira de vaidades, e no fim o que realmente vale é conseguir prender a atenção do leitor/ouvinte/telespectador de qualquer forma, mesmo que para isso seja necessário transformar sofrimento em espetáculo.

O filme ainda chama a atenção de que, muitas vezes, as personagens são seduzidas pela fama, dinheiro ou outros interesses que o repórter desperta e assim passam a fazer parte de bom grado do espetáculo, se desligando do sofrimento e obtendo vantagens. Sim Maquiavel tem razão à essência humana é má.

Mas os fins não deveriam justificar os meios quando a vida de pessoas está em jogo. A inversão de valores, a passividade da sociedade e a curiosidade dos homens é que faz com que se mantenha essa lógica maquiavélica e que continue se permitindo que isso aconteça. E claro a necessidade de sobrevivência dos jornalistas. Afinal, quem é que correrá o risco de utilizar a clausula de consciência do código de ética e ficar desempregado?
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Esse texto foi produzido para responder uma questão da disciplina de Ética Jornalística da faculdade de Comunicação Social, habilitação jornalismo da Universidade Federal do Pampa. Mas achei que cabia pública-lo aqui no blog. Fica a reflexão.
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Mudanças e Adaptações: Uma questão mais que cultural



Mudar é sempre um desafio. A mudança traz medo, necessidade de adaptação e a muita insegurança. Isso é fato e ninguém contesta. Há quem diga que mudar é bom, faz bem e da um ‘up’ especial a vida. Com certeza. Mudar o visual, cortar o cabelo, mudar para uma casa maior, um emprego melhor e até mesmo mudar de um namorado pé no saco para um cheio de amor para dar (até ele também virar o pé no saco). Mas até mesmo essas mudanças, que tem o seu lado positivo, trazem insegurança, medo e são desafiadoras
.
Qual a mulher que ao cortar seus cabelos não fica insegura até que alguém especial elogie? E terminar um relacionamento não exige uma grande força de vontade e não dá um medo danado do que virá pela frente? Mudanças são mudanças e sempre geram conseqüências e sentimentos conflituosos.

A adaptação é realmente a pior parte de qualquer mudança. Se adaptar a uma nova vida, um novo emprego, um novo alguém, um novo país, novos hábitos. Se adaptar a um novo seu eu que carrega todas as crendices, certezas, medos e angustias do seu eu velho e que precisa, mesmo assim, se adaptar aquela nova realidade.

Sou uma mulher andante, alguns diriam que sou cigana. Não tenho porto certo. E se estou aqui, amanhã posso não estar. Na hora da partida vem o medo, a alegria, a tristeza e a certeza de que havia me adaptado e ai começamos tudo de novo.

Nessas idas e vindas, mudanças e viagens, descobri que tão difícil quanto eu me adaptar é as pessoas do local se adaptarem comigo também. Olhares desconfiados, preconceito e muitas vezes uma dose de maldade e crueldade em fornecer informações.

Acabamos criando a necessidade de mascarar nossos sentimentos e crenças para conviver com pessoas que não são capazes de se adaptar a novidade. É sempre uma guerra perdida. Afinal é um contra o mundo.
Sou eu sozinha a lutar contra uma nação. Apenas eu a tentar mostrar para toda uma comunidade que o novo, o diferente, o estranho também pode ser normal. Eu perdida em uma nova realidade que não me da muitas possibilidades de crescimento num primeiro momento, mas que depois se desdobram e mil e uma oportunidades.

Jogada em um novo mundo me vejo perplexa e perdida até o novo virar o velho e o velho ser conhecido. E se me sinto assim me pergunto como não se sentem povos inteiros quando são invadidos, escravizados e desmoralizados pelas suas crenças ou raça.

Assim foi com negros, que foram forçados a serem escravos, a deixar sua pátria e se adaptarem a vida européia. Mas eles não mantiveram suas crenças? Claro que sim. Ou se não porque ainda haveríamos de ouvir falar da umbanda, da capoeira ou do preconceito que eles carregam contra o homem branco? Sim porque todo mundo conhece algum negro que seja tão ou mais preconceituoso que um branco.

E os judeus? Que foram escravizados, despatriados, assassinados em massa, repatriados e vivem em guerra por isso. Eles não continuam com suas tradições, casando entre si e acreditando que o filho de Deus ainda virá? Mesmo com todo o sofrimento seguem firme suas crenças.

 Os iranianos que em plena Era Informívera ainda apedrejam mulheres que traem seus maridos? Como julgar se é certo ou errado? Apenas é uma questão cultural. E não existe nada com mais força que a cultura de um povo.

Mas para que irmos tão longe se perto de nós, aqui mesmo, na esquina de nossas casas vemos modelos culturais tão distintos, dependendo da região do Brasil que seja os nossos vizinhos. Gaúchos, paulistas, cariocas, mineiros, paraibanos, amazonenses, cearenses. Todos iguais na nacionalidade, mas totalmente diferentes culturalmente.

Não há como julgar se as minhas, as deles, ou as de outros são as razões, a ética e os conhecimentos certos. A questão é cultural. E cultura passa de geração a geração sem ser questionada, afinal ainda cremos que os velhos são sábios e se são sábios como duvidaremos do que eles dizem?

Já diz o ditado: Política, religião e futebol não se discute. E se não se discute não se julga. E se não se julga apenas se aceita e respeita. Afinal a máxima humana é respeitar uns aos outros, independente de cor, raça, credo, sexo ou classe social.

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Crônica participante do Sexto Desafio de Escritores – Primeira Etapa.




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Sonhos insanos

A gente sonha com cada coisa que não tem fundamento. Sonhos eróticos, sexuais, abstratos, romanticos, terroristas, sem sentido e sem nexo. Não existe explicação para eles. E as vezes a gente fica se perguntando o que eles querem dizer.
Sonhos são apenas sonhos. Mas dependendo da intensidade eles parecem muito reais. Tão reais que as vezes ficamos em dúvida se foram apenas sonhos mesmo.
Outro dia tive uma noite assim. De realidade enquanto dormia. Quando acordei esqueci, mas bastou visualizar um dos objetos que estavam no sonho para me lembrar. E a lembrança foi tão forte que quando me lembrei fiquei obcecada pelo sonho e pelas coisas que aconteciam nele. E agora não tem jeito disso sair da  minha cabeça.
Sonhos são insanos. Não tenha duvida disso. Mas mais insano é acordar e permanecer sonhando. Ou pelo menos querer. Ou tentar a qualquer custo experimetar na vida real aquilo que aconteceu no mundo dos sonhos.

Como feijão com arroz…

“Eduardo e Mônica eram nada parecido. Ela era de leão e ele tinha 16. Ela fazia medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês. Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, de Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud. E o Eduardo gostava de novela e jogava futebol de botão com seu avô.” Ok. Essa é a música da Legião Urbana, escrita brilhantemente pelo Renato Russo. Mas essa é também a história de mais de um milhão de casais que conheço. ” E quem um dia ira dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem ira dizer que não existe razão?”.
Ela era uma mulher independente, mais velha, formada, de personalidade forte, com uma vida louca e agitada. Ele apenas um rapaz latino americano, adolescente, cheio de incertezas e que ainda tinha tempo para as coisas boas da vida, sem preocupações, sem maldades e sem nem noção do que seria o seu futuro. Com sonhos, planos e vontades mas nada que não pudesse mudar a qualquer momento.
Um dia se encontram. Em uma festa qualquer. Uma festa que poderia ser uma esquina, um bar, uma faculdade, uma escola ou dentro de um coletivo. Ele indo para o colégio ela vindo da faculdade. Enfim o lugar e as conjunturas do encontro não importam. O que realmente interessa é que eles se conhecem. E mesmo sem motivos nenhum trocam olhares, palavras, gestos e pensamentos. E assim aquelas duas pessoas, tão diferentes em seus mundos, de repente transformam um o mundo do outro e passam a coabitar num espaço paralelo criado por eles.
Crescem juntos. Constroem um futuro juntos. Aprendem um com o outro coisas diferentes. Dividem um teto. E assim a vida segue bela, iluminada e feliz mesmo com algumas tempestades. Não importa se a Mônica de nossos relacionamentos usa saia ou calças. Nem se o Eduardo é a Eduarda. No fim a questão é de que todos sempre somos diferentes. Sonhamos com romances e vidas perfeitas e nos fortalecemos com os abalos cósmicos.
E mesmo que no final da história o Eduardo e a Mônica se separem. Aquele capítulo sempre estará gravado em seus corações, marcado na sua carne e rabiscado em sua alma.
Mas Eduardos e Mônicas dificilmente se separam quando se encontram. Porque mesmo como tudo para dar errado, a combinação do arroz e feijão é temperada com o melhor condimento: o respeito.
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Homenagem especial ao meu “Eduardo” que mesmo com tudo diferente, veio mesmo de repente, uma vontade de se ver. E nós dois nos encontramos todos os dias e a vontade sempre cresce como tem que ser. E nós comemoramos juntos e também brigamos juntos muitas vezes depois. Mas todo mundo diz que ele me completa e vice-versa como feijão com arroz. E hoje faz oito anos da primeira vez que nossos olhos se cruzaram! Lindinho, te amo muito e hoje tenho mais certeza disso do que ontem!