Afinal, o que é o amor?

Dizem os poetas que o amor é um sentimento sublime, que não tem explicação, que traz serenidade, que cega os olhos, que embebeda os amantes. Cantam os compositores que o amor é o amor, doce, suave, saboroso e doloroso. Blasfemam os insanos que é tudo culpa do amor. 


Os idosos comentam que sentem falta. As crianças acreditam que é um ursinho do pelúcia. Os adolescentes acham que morrerão de amor. Mulheres gastam toda a sua grana em compras para superar a perda de um amor. Homens choram escondidos por sua falta ou dizem que não amam. 


Ah o amor. Afinal de contas o que é amor? Como a gente pode saber? Não sei. Ninguém sabe. Todo mundo acha que conhece. O mundo inteiro acredita que entende. Nenhuma pessoa sabe explicar. Todos sabem amar.


Ah o amor. Afinal o que é o amor? Ele nasce com a gente e morre junto. Ou não. Ele chega devagarinho ou chega de soco? Talvez num cavalo branco. Ele começa no olhar ou termina por ele. Quem sabe o cheiro, o gosto, o tato dele… 


Ele é fogo, é calmaria, é sexo, é briga, é orgasmo, é dor, é colorido, incandesce, reluz e deixa a noite iluminada. Faz o dia amanhecer ensolarado. Ah o amor. Afinal, o que é o amor? 

Meu crime: twittar o que pensei

Eu estava com um assunto em mente bem bonitinho para postar nesse primeiro dia útil de 2011. Light, cheio de esperanças, desejos de um ano melhor e todos aqueles bla, bla,blas. Era bacaninha e valia a pena.


Mas quando eu abri meu twitter hoje vi que estava sendo acusada de criminosa, incitadora da violência e sendo chamada de degenerada, filha de pais degenerados e ainda sendo comparada a Mayara Petrusso ou aos meninos que espancaram homossexuais na Avenida Paulista.


Demorei um pouco a entender. Nem sabia o que estava acontecendo. Fiquei meio chocada nos minutos iniciais, até que minha ficha caiu. E depois dela cair comecei a rir. Vamos voltar no tempo e entender o que aconteceu para eu ser tudo isso de que me acusaram.


No sábado estava na minha bela casa, com a TV ligada e a o computador em punho. Fazendo coisas bem domesticas como costurar roupas e por a casa no lugar. A TV ligada mostrava a posse da presidente eleita Dilma. Ou melhor mostrava o show da Dilma.  Show no sentido de espetacularização. Milhões de reais gastos para montar o circo da posse de qualquer presidente. E, por favor, me entenda, não é porque é a Dilma, mas qualquer um que tivesse ganho a eleição teria tido o mesmo show. Esse fato já me revolta. Afinal, enquanto o salário mínimo aumenta 30 reais por falta de verbas do governo, se gasta horrores para fazer uma posse, 110 milhões para reformar o Palácio do Planalto para o novo presidente. E ainda por cima os senadores, deputados e vereadores tem aumentos significativos em cima dos impostos que nós pagamos.


Ouvindo e vendo isso na TV twittei: 110 milhões pra reformar o palácio do planalto, aumento para senadores, deputados e vereadores e o salário mínimo sobe só 30 pila?


E em seguida postei: Enquanto o povo passa fome se diverte com o show da Dilma! Parabéns Brasil!


Segui olhando na televisão o Show da Dilma e cada vez me revoltava mais. Afinal a imprensa toda fazendo um carnaval de uma coisa que deveria ser normal. Se somos uma democracia e de 4 em 4 anos mudamos de presidente, precisa isso tudo? Acredito que não. Se faz parte de nossa cultura deveria ser natural.


Não votei na Dilma. Não votaria nela. Tenho convicções e posições politicas bem definidas. E nem é por que ela é cobra criada de Lula. Porque acredito que ele fez um bom governo. Alguns escândalos, algumas irresponsabilidades, coisas que “nunca antes na história do Brasil” tinham acontecido. Mas para mim, veja bem, é minha opinião, um tanto quanto assistencialista demais o governo do Tio Lula. Não foi o primeiro e nem será o último. Infelizmente é mais fácil dar o peixe que ensinar o povo a pescar.


Bom, voltando as minhas twittadas, olhando todo o carnaval pensei e twittei: Confesso que eu estou olhando o show da Dilma esperando por algum louco acertar um tiro nela. #pqeusoudessas

Esse foi o motivo de ser chamada de tudo aquilo que falei lá em cima. Agora preste bem atenção no que eu vou dizer. Eu não mandei ninguém pegar uma arma e atirar na presidente eleita. Eu não incitei a violência. Eu não quero que a mulher morra. Por mim, ela que seja muito feliz, mas sim, não queria que ela fosse presidente do Brasil. Não acho ela uma pessoa realmente preparada, não acredito que ela servirá de fantoche do Lula e nem em todas as teorias que os grandes cientistas políticos espalham por ai. Usei essa figura linguagem de forma ironica. Mas enfim usei ela e agora sou chamada de criminosa.


Mas ai me pergunto. Sou criminosa por ter expressado virtualmente algo que passou na cabeça de milhares de pessoas. Algo que passa até na cabeça de quem faz parte do governo, afinal se não passassem não teria necessidade de uma esquema de segurança forte.


Em plena campanha, quando agrediram o Serra, os agressores foram chamados de baderneiros. E muitas, mas muitas, pessoas acharam lindo. legal e ainda disseram que deveriam ter batido mais no candidato.Para mim, isso sim é incitar a violência.


Os blogs que me acusaram e usaram o meu nome são http://cbjm.wordpress.com/ e http://www.blogcidadania.com.br/. O primeiro não tem o nome de quem os faz. Ou seja, é o blog que alguém que não tem nem coragem de mostrar a cara. O segundo é de um cara chamado Eduardo Guimarães que eu nunca tinha ouvido falar.


Antes de escrever esse post-defesa, fui dar uma navegada pelos blogs, até para ver se era coisa de gente séria, de bons jornalistas, de pessoas responsáveis. Não vou nem perder meu tempo tecendo conclusões sobre esses blogs/pessoas. Se quiserem os links estão ai para que cada um tire suas próprias conclusões. A única coisa que faço questão de falar é que bons profissionais sempre tem seu lugar ao sol e não precisam criar motivos e envolver outras pessoas para se promoverem. Respeito a opiniões diferentes faz parte da formação de um bom jornalista.


Sim eu pensei que poderia um louco atirar na Dilma. Não eu não incitei ninguém a pegar uma arma e matar a PRESIDENTA. Sim eu respeito a opinião dos outros. Não eu não tolero preconceito e falsas acusações.  


E se começamos o governo assim, com o silencio das ditaduras, e não o barulho da imprensa livre, começamos mal. Muito mal. Um curso de interpretação de texto, leitura e principalmente de saber ouvir não faria mal a ninguém.



Carta ao Papai Noel

Querido Papai Noel,


Esse ano me comportei direitinho. Ajudei o próximo, abri as portas da minha casa para a esperança e obedeci todas as regras de convivência e boa educação. Dei a outra face várias vezes. Acreditei no ser humano. Cumpri minhas funções e obrigações. Chorei algumas vezes, mas com certeza ri muitas outras. Fui feliz, fiz os outros felizes. Cresci como pessoa. Aprendi a ouvir mais do que falar e a sentir mais do que agir. 


Por todos esses motivos acredito que mereço que meu pedido de presente de Natal seja atendido. Pensei muito no que eu gostaria realmente de ganhar, mas não consegui chegar a um pedido único. Todos são grandes presentes. Então peço que o senhor decida qual é o melhor para mim.


Papai Noel, por favor, gostaria que nesse Natal as pessoas se preocupassem mais com o espírito de Natal do que com os presentes. Que ao ver o sorriso de uma criança todos se iluminassem e que ao ver o sofrimento de outro se compadecessem. Que ao olhar para o próximo se enxergue esperança e ao olhar para trás se tenha boas lembranças. 


Que ninguém passe o Natal sozinho e que, se sozinho, tenha boas companhias no coração. Que a esperança supere as tristezas, que o amor vença o odio. Que a coragem se sobressaia em relação ao medo. Que a humanidade pense em paz antes de guerra e que o respeito seja superior as diferenças.


Papai Noel, conheço seu bom coração e como te esforças para atender a todos. Mas se não puder atender nenhum dos meus pedidos anteriores, peço, com clemência, que pelo menos faças com que nenhuma criança esse Natal chore de tristeza e que todos se esforcem para que isso não aconteça. Que nesse Natal todo cidadão possa ser o Papai Noel de alguém, levando alegria e emoção a cada casa do planeta. Afinal com as crianças sorrindo, acreditando em você, sempre haverá esperanças de um mundo melhor.


Até o ano que vem!


Com carinho e desejando um ótimo Natal para vc!



Brincando de fazer notícia

Na aula de Comunicação Digital, meu professor, Marco Bonito fez um desafio: escrever uma matéria de algo que estivesse acontecendo em 2050. Viajei legal. Mas o resultado foi bom. Na hora das leituras éramos classificados entre apocalípticos, integrados ou neutros. Ok. esse papo acabou teórico demais. E só quem estudou teorias da comunicação entendeu, mas enfim, fui classificada como neutra, o que achei ótimo, porque realmente não gosto dos apocalípticos porque ficam falando que tudo é do demônio e também não sou adepta dos integrados que acham tudo lindo. (Bah, mas que forma mais tosca de resumir as duas teorias). O que interessa é que gostei da ideia. Confere ai:




Diário Digital

Ciberespaço, 26 de novembro de 2050.
Por Luísa Aranha
               
O Ministério da Cibernética anunciou hoje que concluiu o projeto “Cibercidadão”.  Desde 2035, quando foi iniciado, a população brasileira começou a ser cadastrada.  A estimativa é de que fossem necessários 25 anos para implantar os chips nos 260 milhões de cidadãos. “Levamos 10 anos a menos do que previa o projeto inicial. Isso é uma grande vitória do governo e da população”, declarou o Ministro André Lemos.
                Todo brasileiro agora tem um micro chip implantado na nuca. Através do QR Code é possível obter todos os dados genéticos, registros civis, históricos de saúde, escolares e currículo profissional do cidadão. Assim como sua ficha policial.  Sua localização também é facilitada em qualquer parte do planeta através do GPS e da conexão wi – fi em qualquer lugar.
                Desde que foi implementado o projeto, em 2035, o índice de criminalidade caiu em 95%. “A tendência é que agora, com a 100% da população on line esse índice se reduza para 0,01%”, afirmou o André Lemos.
                O projeto que teve início nas maternidades, delegacias e centros de detenção atingiu as zonas mais afastadas dos centros urbanos em cinco anos. “Nossa maior dificuldade foi convencer as pessoas mais idosas a inserirem seus chips, mas através do trabalhado sensibilizador de nossos agentes atingimos a meta dos 260 milhões de brasileiros em rede”, comemorou o Ministro da Cibernética, André Lemos. O próximo passo do projeto é inserir o sistema de ligações telefônicas através dos chips.


Desculpa para boi dormir: Cidade Maravilhosa cenário da hipocrisia brasileira

Sabe essa onda de violência na Cidade Maravilhosa e sua repercussão midiática me fazem refletir sobre vários aspectos.
O primeiro deles é a onda de twitters que vi sobre maconheiros. Que eles são os culpados pro toda a guerra civil que existe no Rio a quase 3 décadas. Fala sério, você acha mesmo que aquele piá, que está começando a vida e, que fuma um para fugir, um pouco da tortura de ser adolescente, é o culpado pelo tráfico gerar milhões de subempregos, fortunas e ter armamento melhor e mais moderno do que os da polícia? Para esses que pensam isso só tenho duas palavras: hipócritas e ignorantes.


Não estou fazendo apologia as drogas. Veja bem e leia novamente o parágrafo acima se você entendeu isso. O que quero dizer é que não é a maconha e nem o maconheiro que sustentam o tráfico e o crime organizado. Se existe o usuário é porque o sistema permite. E se o sistema permite é porque leva alguma vantagem.


A maconha é a droga menos vendida ultimamente. A mais barata e a que menos gera lucro. Não são os maconheiros que sustentam o tráfico no Brasil. Temos  a coca e o crack liderando disparado no ranking. Além do mais existe o cigarro, que é uma droga lícita e que é o mais consumido. Ai alguns dizem: “mas o cigarro é permitido, tem imposto sobre ele e é fabricado por indústrias”. Sim. Eu sei. Mas também sei que o cigarro é a droga que mais mata, mais vicia e mais agride o organismo e justamente por ela ser liberada ai não existe o problema. Só que se algum político falar em liberar o uso de drogas, toda uma parcela da sociedade moralista,  vem com um discurso, bem senso comum, e faz pressão. Então de quem mesmo é a culpa do crime organizado?


Então acompanhe meu raciocínio. Se o cigarro é droga e pode por ser liberado. Se maconha, crack, cocaína não pode por serem proibidos. Se todos fazem mal da mesma forma. Se os ilícitos geram a violência. Se ao falarem em legalizar gera polêmica. Se a maioria dos usuários de drogas tem entre 12 e 17 anos. Se a maioria dos usuários não tem emprego. Se a maioria enfrenta algum problema familiar ou social. De quem é a culpa mesmo?  


A culpa é do sistema. A culpa é dos mesmos políticos que você votou. A culpa é sua que mesmo que não seja usuário, pratica algum tipo de preconceito e torna alguém marginalizado. A culpa é da educação que se dá aos filhos. A culpa é da educação de nosso país que acredita que alfabetizar seja a mesma coisa que letrar. A culpa é de todos nós.


Não sou adepta a teoria da conspiração. Mas não acredito em coincidências. Acho muito estranho o governo do Rio de Janeiro ter lançado um plano de combate ao tráfico e a violência justamente após o lançamento de um filme que faz duras críticas ao governo e ao sistema. Que mostra a corrupção e como as eleições se configuram no Brasil. Que faz o cidadão refletir sobre o que está acontecendo em nossa sociedade. Que não teve medo de denunciar, mesmo que de forma fictícia, toda a organização de um sistema falido e corrupto.


Se o Rio de Janeiro está onde está é porque deixaram. Se o país está assim é porque deixamos. Nossa maior arma de guerra foi usada contra nós mesmos. Não sabemos votar, não sabemos escolher. Não sabemos usar nossa voz. Perdemos o que tanto lutamos para conseguir. E agora diante de tudo isso, culpamos nossos jovens que usam drogas. 


Por favor, menos hipocrisia e mais consciência. Menos discursos inflamados e mais ações. Menos acreditar que estamos no final disso tudo porque de uma maneira ou outra o sistema se rearticula e os mesmos corruptos ainda estão lá, posando de bons moços e ludibriando aqueles que não conseguem refletir sobre a verdade, tão estampada na cara, que chega a ser inacreditável.

O nexo sem nexo do amor

Não sei bem como tudo começou. Só sei que foi assim. Num belo dia de sol, em que as nuvens insistem em bloquear o seu brilho, e a chuva faz questão de deixar as calçadas escorregadias, tudo parecia nada e o possível era impossível.


Diante de tantas disformidades e reticências, ali, do outro lado da rua, parado, andando de um lado para o outro,  estavam todos tentando entender e compreender o incompreensível significado do amor dentro do complexo mundo dos sentimentos.


Passavam horas pensando, dialogando, confabulando sobre como conceituar o que na prática ninguém sabe teorizar. E de tanto pensarem perceberam, em um segundo, que não existia possibilidade de possibilitar tal conceito que na pratica se pratica de formas diferentes e diversas únicas e ilimitadas.


E foi assim, que de uma forma sem nexo, sem sentido e totalmente organizada e sentimental, que o amor tomou forma. Uma forma deforme, complexa e simples, lógica e irracional. Inexplicavelmente explicável. Racionalmente ilógica. Como somente os portadores dessa síndrome são. E, por favor, não ascenda a luz ao sair. É na penumbra da visão que o coração enxerga melhor.

Um sonho sonhado junto é possível sim. O Pampa Stock é a prova disso

O sonho de uma pessoa é apenas um sonho. Mas um sonho sonhado por muitos é possível. Vivem falando que a juventude não tem mais ideais, que não se mobiliza, que não existe lideranças e que viramos, todos, alienados de um sistema completamente hipócrita e sem sentido.


Concordo em partes com todas essas falas. Mas ontem e onteontem vi algo bem diferente disso. Vi o sonho de um grupo se materializar e da forma mais organizada e incrível. Era só uma gurizada, que fazia apenas mais uma disciplina para complementar a carga horária e poder, um dia, se formar na faculdade. A maioria deve ter entre 18 e vinte poucos anos. 


Tendo como mestre um professor, que foge um pouco dos padrões, e uma disciplina que muitos podem não levar a sério, essa gurizada mostrou do que é capaz.  O nome do cara é Cesar Beras. Ele criou uma disciplina totalmente nova no Brasil. Uma tal de Sociologia do Rock. E a história deu certo. Da disciplina criaram um festival o Pampa Stock. Foram atrás de apoio, patrocinio, ajuda pra tomar a coisa toda real.


Um sonho sonhado por muitos é possível. Eles ralaram pra caramba, mas foram lá e fizeram. E foi sucesso. E foi bacana. E foi lindo. E foi muito legal estar lá e participar. Ver a empolgação das bandas, o sorriso no rosto de todos que participaram, que organizaram e que trabalharam para a coisa toda fluir. Mesmo com as dificuldades, mesmo com os obstáculos, mesmo com a proibição de bebida alcoolica dentro do negócio pois era um evento da universidade. Rolou. Rolou e foi sucesso. 


O discurso inflamado do professor, a comemorção da equipe organizadora, a banda vencedora, o show de encerramento do Acusticos & Valvulados, tudo arrepiava e fazia a gente enxergar que é possível sim mudar as coisas quando se acredita. Mostrava que temos ainda um futuro e jovens que sabem o que querem e que quando querem fazem acontecer.


Não. Definitivamente ainda temos chances. E muitas. Basta deixar essa gurizada toda agir. Basta ter um professor que escute e incentive. Basta dar uma oportunidade. Não somos tão alienados assim. Não estamos sem lideranças e muito menos apáticos diante da realidade posta. Somos bem mais que isso e agora posso dizer com muito orgulho que faço parte dessa história e que um dia fui ao primeiro Pampa Stock.


Parabéns a todos que estiveram envolvidos no projeto. Parabéns ao Professor Cesar Beras. Parabéns aos colaboradores. Parabéns por mostrarem que somos bem mais do que podemos ser e que temos sim ideais.


Um sonho sonhado junto é possível sim. O Pampa Stock é a prova disso. 



Teorias sobre o preconceito

Há quem diga que preconceito não existe mais nos tempos de hoje. Há aqueles que defendem o direito de dar sua opinião sejam elas como forem, carregadas de ódios, de dúvidas, de conhecimentos distorcidos e meias verdades.


Preconceito é crime. Isso é fato. Mas o que não entendo é o que gera o preconceito. Não entendo mas teorizo sobre muitas hipóteses. A principal é o medo. Temos medo de tudo que nos é estranho, de tudo que não conhecemos, de tudo que queremos experimentar.


Medo gera ansiedade. Ansiedade gera sentimentos conflituosos. Junto a isso adiciona-se  um pitaco de ignorância (por favor, leia ignorância no sentido de quem ignora o conhecimento, não como pejorativo), sacode tudo dentro da caxola e pronto: nasceu o preconceito. Preconceito contra sexo, raça, cor, religião, opção sexual, profissão, classe social. Tem preconceito de tanta coisa que a gente se perde se for enumerar.


Vai entender. Preconceito vem do medo e vem da raiva. Só ai a gente já percebe que ele não pode ser bom. E não me venha, por favor, falar que sua religião prega o preconceito. Porque se ela faz isso, sinto em informar que ela não segue os mandamentos de Deus. Deus disse: “Ama ao teu próximo como ama-te a ti mesmo”. Ele não botou nenhuma cláusula de excessão na frase. Ou seja é para amar independente de classe, cor, sexo, religião ou raça.


Não tenha medo. Resolva seus conflitos antes de sair blasfemando por ai. Procure a raiz de seus preconceito. Veja de onde herdou esses conceitos. Olhe ao seu redor e perceba que somos todos iguais. Tenho orgulho em dizer que sou branca, tenho um pai de criação negro, uma amiga de infância judia e muitos amigos gays. Ensinei a minha filha a conviver com as diferenças e ela respeita a todos independente de sua cor, raça, religião ou opção sexual.


Liberdade de expressão é direito. Preconceito é crime. Ou seja, dois mais dois igual a quatro. Expressar opiniões preconceituosas é crime e nada disso tem a ver com Deus. Isso tudo são leis criadas pelos homens que cada vez ficam mais sábios, menos hipócritas que começam a entender qual foi a intenção do Todo Poderoso ao criar o mundo e pessoas tão diferentes umas das outras: o amor e o respeito.



Teorias sobre a perfeição

Não sou perfeita. E talvez em nem quisesse ser. Perfeição é muito mais um estado de espírito do que qualquer outra coisa. E coisas perfeitas me parecem, assim, meio sem graça. O bacana é o inacabado. O legal é o que ainda pode ser mudado. Perfeição é poder recriar a mesma coisa todos os dias acertando e errando. E achando todas as tentativas lindas. 


Hoje eu queria comprar um sitio. Abandonar tudo, viver no mato, sem pressão, stress ou tensão. Respirar ar puro, comer frutas direto do pé e pescar. Queria uma casa de campo onde pudesse curtir meus amigos, meus mp3’s, meus sites preferidos e nada mais. Seria perfeito. 


Perfeito mesmo é o imperfeito. É a loucura do dia-a-dia, o correr do tempo e a forma como tudo no final sempre se encaixa. Perfeito é tudo aquilo que está longe demais das mãos e dentro do coração. Perfeito é acreditar que da para melhorar. Que é possível mudar. Que sonhos sempre podem ser realizados e que o mundo gira no mesmo compasso para todos.


Perfeito são momentos.O corpo extasiado de prazer. Um sorriso delicado num momento inesperado. Um abraço demorado. Uma lágrima de emoção. O gosto da vitória. A conquista de um amor. 


Perfeito é saber que sempre da para recomeçar e que todos os dias podem ser especiais e terem seus momentos de perfeição. De resto é correr atrás, não para sermos perfeitos mas para vivermos esses momentos que tornam tudo mais feliz.



Tropa de Elite II – O inimigo agora é outro

Entrei no cinema ontem esperando ver o Capitão Nascimento (agora tenente coronel) entrando em várias favelas, combatendo o tráfico no Rio de Janeiro e aquelas cenas fortes que vi no primeiro Tropa de Elite. 


Imaginava que o filme, por ser o número dois, seria uma continuação do primeiro, na mesma linha, com um enrendo parecido e com bastante “pede pra sair”. Minhas espectativas eram altas, afinal só quem viveu no Rio, viu de perto o BOPE e viu o primeiro filme com olhos de quem vê um documentário entende o que realmente se passa por ali e vai muito além dos conceitos de direitos humanos ou guerra civil.


Mas quando cheguei no cinema e começaram as primeiras cenas do filme vi algo bem diferente: Uma crítica social muito bem feita. Um retrato da corrupção, do jogo de interesses políticos e midiáticos: Uma caricatura do Rio de Janeiro, com muita classe, bem construída e com personagens bem desenhados que lembram, e muito, personagens reais da vida dos brasileiros, mais especificamente dos cariocas.


Um policial corrupto que descobre que a favela pode deixa-lo rico e forma uma milicia, aproveitando o programa do governo de pacificação das comunidades. Um apresentador de televisão que se torna deputado e se junta ao governador na epoca das eleições e aproveitam as milicias para se reelegerem. Uma reporter que descobre o esquema e é morta. Um deputado que quer trazer a publico toda essa corrupção e por fim o Tenente Coronel Nascimento, que ao fazer a pacificação das favelas descobre que criou o monstro maior: as milicias.


A frase de abertura do filme que diz que qualquer semelhança com a realidade é mera concidencia e de que esse “Tropa”, ao contrário do primeiro, é totalmente ficticio, chega a ser um deboche, uma ironia do diretor do filme. Eu adoraria apontar e dizer quem é quem em todas as personagens “ficticias” do filme, mas se o Padilha não fez isso, quem sou eu para fazer…


Foi um filme que superou expectativas e que deveria ter sido exibido gratuitamente para todos os brasileiros antes das eleições. Um soco no estomâgo. Um choque de realidade. Muitos devem ter assistido e identificado as personagens. Muitos devem se sentir ofendidos com o filme. Sai do cinema refletindo sobre tudo que está subentendido nele e admirando a coragem de todos os envolvidos na produção e dos artistas por fazerem a caracterização de suas personagens de uma forma sublime.
E termino refletindo como o Tenente Coronel Nascimento: “E quem paga tudo isso?” e pensando sobre a musica que encerra o filme dos Paralamas do Sucesso: ” Eu vivo sem saber até quando estou vivo, sem saber o calibre do perigo, eu não sei da onde vem o tiro…”


——————–