Quanto estão lhe pagando para desistir dos seus sonhos?

Quanto estão lhe pagando para você desistir dos seus sonhos? A pergunta do filme Amor sem Escalas tem rodando minha mente nos últimos dias. No filme, George Clooney ganha a vida demitindo pessoas e em um determinado momento, quando está demitindo um funcionário ele questiona “quanto estão lhe pagando para você desistir dos seus sonhos?”

E eu me pergunto: quanto estão me pagando para eu desistir dos meus? Eu queria ser escritora, queria viver produzindo colunas, livros, novelas. Sonhava em ver uma história minha virar filme. Eu queria dar aulas na universidade, conviver com jovens, poder trocar experiências sobre o jornalismo e mudar o mundo. Quanto estão me pagando para eu desistir dos meus sonhos?
Me pagam bem. Eu diria que melhor do que eu imaginava. Mas não o proporcional as horas mal dormidas, ao stress, a falta de descanso ou a falta de paz. Viramos escravos do trabalho com a desculpa de que ganhamos bem e fazemos o que gostamos. Fazemos realmente o que gostamos? Porque o lugar que ocupo hoje, profissionalmente, nada tem a ver com os sonhos que eu abandonei.
Na relação entre o que você quer ser quando crescer e você cresceu e tem que pagar o aluguel, o aluguel sempre vence. E sem nos darmos conta, antes do sonho, pagamos o aluguel, a prestação do carro, a faculdade, a conta de água, luz, telefone, internet e o sonho vai ficando cada mais longe, distante, se perdendo em um abismo gigante chamado realidade. E quanto mais pagamos, mais queremos, mais consumimos, mais trabalhamos, mais longe ficamos daquilo que realmente a gente queria. Passamos a galopar na velocidade da luz em busca de mais e esquecemos porque estamos galopando. 
Eu queria voltar a escrever. Penso nisso todos os dias da minha vida. Na hora de dormir ideias borbulham na minha cabeça, mas me lembro que no dia seguinte tem alguma reunião, algum problema esperando e as ideias se desmancham. E a vontade de fazer o que eu realmente queria da lugar a necessidade de pagar a prestação da casa no final do mês. Mas meu sonho, segue ali, esperando a sua vez de ter asas esperando sua chance de aparecer na minha rotina, de se tornar parte de mim. E eu vou dormir pensando nele e nas contas no final do mês.

Das perdas que a gente tem na vida…

A primeira vez que me lembro de perder alguém foi com sete anos. Era pequena e não entendia ao certo o que havia acontecido. Estava tudo bem, eu brincava em casa. Minha mãe conversava com uma amiga na sala.  Tocou o telefone eu fingi que era secretária eletrônica e do outro lado da linha minha tia falou “chama a tua mãe”. Sem rir da minha brincadeira ou falar comigo. Percebi que era sério ao ouvir as reações da minha mãe. Alguma coisa tinha acontecido com meu padrinho. Algo sério mas ela não me falava o que. 

Em seguida chegou o meu pai de carro. Sai com ele para irmos ao aeroporto tentar encontrar minha tia que vinha com meu padrinho da praia. Era algo sério demais, pra vir de avião da praia… Mas ninguém me falava nada. Voltamos pra casa da minha mãe. Chegou minha tia, meu tio e minha prima do interior. Minha prima ficou comigo e com a minha mãe em casa. E meus tios saíram pro hospital pra ver meu padrinho. Minha prima chorava demais. Não estava acostumada a ficar sem os pais. Meu tio voltou e dormiu com ela. E eu dormi com minha mãe. 
No meio da noite eu acordei pra fazer xixi e meu padrinho estava no corredor. Ele me disse que estava bem e eu voltei a dormir. No outro dia pela manhã, quando acordei falei pra minha mãe que ele estava bem. Contei do nosso encontro no corredor. E ela me contou que ele havia morrido. Mas eu não fui ao velório. Eu fui passear com meu tio e minha prima e nos entupimos de doces e brinquedos. O dia foi muito divertido. Mas eu nunca dei adeus ao Dado. E última foto que eu tirei com ele foi no meu aniversário. E eu estava emburrada porque eu estava brincando e a minha mãe me fez parar pra tirar aquela foto. E ele estava lá com o maior sorriso do mundo. Sendo o melhor padrinho que eu podia ter. E eu nunca dei adeus a ele. 
Depois eu perdi outras pessoas. Um tio, a  única avó que eu conheci, outro tio. Até que chegou o dia de dizer adeus pro meu pai. Eu já tinha 24 anos. Já entendia melhor o significado da morte. Eu pude me despedir. Mas mesmo assim doeu. Mesmo tendo passado os dez anos anteriores me preparando para o dia em que ele morreria. Mesmo ele tendo contrariado todas as expectativas médicas. Eu não estava preparada. Apesar de sabermos que esse dia um dia chegaria, eu não pensava e nem podia imaginar que ele iria nos deixar. Mas esse dia chegou. E ele partiu, tranquilamente, deitado em sua cama, talvez do jeito que ele quiz, podendo ter fumado um cigarro antes de ir se encontrar com os seus lá em cima. 
Agora eu perdi de novo. Perdi um segundo pai. O meu pai preto, pai de criação, o meu nenei ou o Neiiiii, como todo mundo ouvia eu chamar. Eu não conheço a minha história sem ele. Desde que me lembro de mim como gente, das minhas primeiras e mais remotas lembranças de infância ele estava lá. Fazendo as minhas vontades. Batata frita quando eu me recusava a comer outra coisa. Raviollis de queijo para comemorar os meus aniversários. Me cuidado na piscina, me levando pra natação. Me levando em festas. Me buscando em festas. Me levando pra almoçar na minha vó. Recebendo os meus amigos. Dando palpite na minha vida, nos meus namorados. Me dando bronca por eu ser bagunceira. Arrumando meu quarto e escondendo todas as minhas coisas. Brigando comigo por eu andar pelada dentro de casa. Me mimando. E depois mimando a Eduarda e o Pedro Henrique. 
A gente brigou tantas vezes. A gente riu tantas vezes. A gente chorou um bocado juntos. Desde que deixei de morar em Porto Alegre cada vez que chegávamos era uma festa. Os olhos dele brilhavam. E quando eu  inventava de fazer surpresas ele era o meu cúmplice. Ele sempre foi. Até uma vez quando resolvi colocar uma barata dentro do ovo de chocolate de uma vizinha que eu não gostava ele foi meu cúmplice. Ele não tinha maldade. Era uma criança grande que ficava brincando de me dar sustinhos. Mesmo quando eu já tinha crescido e não achava mais graça. 
E na hora de levar a bronca da minha mãe ele me defendia. Me protegia. Ele me defendia de tudo e de todos. Eu sempre era a certa. Eu sempre era a melhor. Eu sempre era a mais bonita. E ele sempre foi o meu herói. 
Ele virou meu parceiro. Ia pras festas junto. Comprava vinho doce só porque eu gostava. Se tinha algo que deixava ele feliz era fazer a gente feliz. Mesmo quando ele estava ranzinza, reclamando da vida. Ainda assim ele fazia a gente feliz com uma nova invenção na hora do lanche ou com um almoço que a gente nunca esquecia e ele nunca mais fazia igual e fingia não lembrar da comida que a gente falava. 
Ele passou a vida dele conosco. Nos dedicou seus melhores anos. Nos amou. Nos aconselhou. Nos protegeu e principalmente fez a gente mais feliz. Ele era leal. Com quem eu vou ficar conversando na cozinha da minha mãe agora? Fumando um cigarro e perguntando o que eu devo fazer? Quem vai me dizer que os sapatos não combinam? Quem vai mandar eu trocar de roupa? Quem vai fazer o meu prato favorito? Quem vai me dizer como assa um peru ou como faz tal prato? Vai ser difícil, Nei. Vai ser difícil voltar pra casa e não te encontrar lá. Vai doer não dividir contigo tantas coisas que ainda vão acontecer nas nossas vidas. Mas eu entendo que era a tua hora e depois de tantos anos de amor, lealdade e gratidão seria injusto da minha parte não pensar que tu merece esse descanso. 
Fica bem que eu também vou ficar. Mas por enquanto ta foda. 

Parar e Respirar

Tem momentos na vida que só o que a gente precisa é parar e respirar. Respirar um ar puro, encher os pulmões de fôlego e a mente de cheiro de terra molhada. Ficar sem fazer absolutamente nada, deitada em um confortável sofá, com a luz desligada, ouvindo apenas o barulho da chuva. Sem pensar, sem dormir, sem sorrir ou se mexer. Apenas você e o nada.

Às vezes tenho a sensação, quando o dia acaba, que eu não fiz nada. Mesmo fazendo um milhão de coisas. Porque no fundo eu não fiz nada que me desse um momento de prazer. Tudo foi tão mecânico e orquestrado pela rotina que eu não sorri, pensei ou refleti. Apenas agi no modo automático. Não respirei um segundo se quer. Não ouvi a chuva, o vento ou os passarinhos. E mais um dia se passou e nada eu fiz. 
Eu só preciso parar e respirar. Colocar a bagunça em ordem e redescobrir o que me dá prazer nos pequenos segundos que temos pra sorrir. Eu só preciso ouvir a chuva, aspirar seu sentimentos e encontrar o tesão necessário pra continuar. Ou pra começar. Pra me reinventar…  mais um vez. 

Sobre copinhos e a modernidade primitiva

Um dia, se tiver netas, conversarei com elas sobre menstruação.  Teremos longos papos sobre TPM, sanguinhos, cólicas e choros. Contarei a elas sobre a ansiedade de esperar para “virar mocinha” e a tristeza de descobrir que aquilo aconteceria na minha vida milhares de vezes, uma vez por mês.

Provavelmente conversaremos sobre o assunto mais de uma vez. Em idades diferentes, com amadurecimentos, perspectivas e entendimentos diferentes. Algumas vezes deverei lhes contas casos engraçados, vergonhas e constrangimentos passados durante “aqueles dias”. Lhes falarei da minha primeira vez e de como minha mãe informou a toda família, nas escadaria de uma igreja, depois da missa de sétimo dia de uma tia do meu pai.  (É mãe, isso não foi legal!)
Vou contar para elas sobre os absorventes, que nem eram absorventes na minha primeira menstruação e sim “modess” que nem aba tinham. Contarei de como eles incomodavam e como sentíamos o mundo inteiro nos olhando por usa-los. Falarei da evolução. De como eles ficaram mais finos, cheirosos, menos agressivos e ganharam abas aderentes as calcinhas. Talvez lhes conte também sobre absorventes internos e sobre todas as minhas amigas que esqueceram de puxar a tal cordinha e depois entravam em desespero para tirar. Possivelmente, minhas netas ficarão imaginando como eram esses métodos estranhos, assim como eu imaginava as “toalhinhas” usadas pelas minhas avós.
Elas serão da geração do copinho. Ou do coletor menstrual, se preferir. Uma geração que achará bizarra a ideia de absorventes. Que terá um certo nojinho de usar algo que causa alergia, mal cheiro, faz sujeira, corre o risco de vazar e ainda agride a natureza. Tanto a feminina como o meio ambiente.  Não entenderão as nossas escolhas e vão se perguntar porque não aderimos o coletor menstrual antes.
Desde que aderi o copinho me pergunto isso todas as vezes que utilizo. Porque uma ideia tão simples, perfeita e primitiva levou tanto tempo para nos ser apresentada. Passamos anos sofrendo com alergias, vazamentos e desconfortos. Utilizando quilos de algodão, causando infecções em nossos próprios corpos, quando já haviam pensado na solução. Somos a geração dos descartáveis. Daqueles que pensam que nunca nada no mundo acabará. Que podemos consumir sem pensar. Absorventes são um exemplo disso. 
Sofremos pela nossa modernidade liquida, volúvel e descartável. Sofremos por acharmos que o mundo era assim mesmo e produzir lixo é nossa única saída (uma mulher de 35 anos que menstruou aos 12 e tem um ciclo de 4 dias, gastou, em média, 5500 absorventes na vida ou mais…). Ou consumíamos absorventes ou passaríamos manchadas e virando motivo de piadas (afinal, uma coisa biológica e natural ainda é motivo de vergonha e de piadas).

Até que um dia, em meio a tantas tecnologias, pílulas e absorventes de tamanhos, espessuras e cheiros diferentes, surge o coletor menstrual, se espalhando pelo mundo. Uma ideia tão simples que chega a ser primitiva e nos faz refletir sobre como nos falta simplicidade  na vida.

Uma angústia dentro de mim

Tem um angústia apertando meu peito. Não sei definir o que é. Mas sinto ela lá. Uma vontade de deixa-la transbordar pelos olhos, de mergulhar em sua dor e de deixar me sufocar. Ando passando noites em claro, tendo entender de onde ela vem e pra onde irá me levar. Um aperto no peito, uma dor na boca do estômago, um não sei o que. Um desanimo passageiro ou um eterno silêncio.
Outro dia uma mulher se matou. As pessoas que a conheceram ficaram chocadas. Comentavam que ela era uma pessoa forte, daquelas que lutava, tomava a iniciativa, colocava a cara a tapa. Colocou um bandido que invadiu a sua casa com uma faca pra correr e no outro dia foi trabalhar toda retalhada. E eu com meus botões fiquei pensando: Ela usava uma armadura. Todas as pessoas extremamente fortes que conheci na vida são assim. Poucos acabam realmente as conhecendo bem e descobrindo que por traz de tanta bravura existe um bichinho acuado demais e muito sensível que só é forte pra se proteger.
Eu não sou diferente de nenhuma dessas pessoas. Posso estar sempre com um sorriso no rosto, pronta pra dar a cara a tapa, levantando o astral dos outros, matando um leão por dia. Mas no fundo eu estou acuada. Estou assustada. Preciso vestir a minha armadura pra enfrentar o dia-a-dia. O sorriso, é a minha arma pra que ninguém saiba o que eu realmente sinto.
Quantas vezes você já parou pra se olhar no espelho? Não olhar o look, penteado ou alguma espinha que insistiu em aparecer bem no meio do seu rosto. Olhar e ver no espelho o que os outros enxergam quando olham para você? Pare e veja a imagem que você reflete. Depois, escute o que o seu coração fala. Se você achar que ambos não combinam, bem vindo ao meu mundo. 
A gente vive nesse mundo com tanto medo dos outros e de si. Dos julgamentos e comentários que se esquece que o único comentário que importa é o seu. O único julgamento que tem sentido é o da sua alma. Porque de resto, são apenas pessoas, acuadas como você tentando dar algum sentindo pra sua vida. 
Tem uma angústia apertando meu peito. Ela transborda pelos meus olhos e encontra eco em meus soluços. Ela me trava, me tira o sono e me faz dormir profundamente. Essa angústia não tem nome, não tem cheiro, cor ou melodia. Apenas aperta o peito e transborda nos olhos. 

Entenda

Entenda. Eu não faço por mal. É que essa angústia que embarga a minha voz, esses pensamentos que imundam meus olhos, essas dúvidas que apertam o meu peito e esse medo que sufoca a minha alma, precisam sair. E eles saem em forma de verso, formatados no choro e configurados na dor.

Não é sempre que eles transbordam. Mas quando acontece é preciso uma porção de paciência, uma pitada de carinho, um quê de respeito e uma enxurrada de amor. Só desse jeito a vazante da alma amança e no teu peito se transforma em calma. 
Entenda. Eu sou assim. Tenho essa necessidade exagerada de falar. De abrir as feridas ainda não cicatrizadas, de remoer velhas histórias, ouvir infinitas vezes a mesma melodia cansada que na minha voz soam mais desafinadas.
E quando a melodia se transforma em lamúria, eu não faço por mal. É só a tua voz dar o contraponto que tudo se transforma em poesia. E a canção se torna em serenata.
Eu só preciso de um tempo. Pra entender, pra aceitar e me resignar de que a vida da voltas e a nuvem pesada de dor e decepção de hoje se dissipará amanhã e é no teu peito que o sol aparecerá 

Perfeito

Pra ser perfeito

Tinha que ser imperfeito
Daquele outro jeito 
Que só você sabe fazer
Pra ser perfeito
Precisava de um quê de maldade
Um tempero de saudade
Uma verdade que só você tem
Pra ser perfeito
Não tinha outro jeito
Se não com o molejo
Que só você sabe ter
Pra ser perfeito 
Era preciso respeito
Um singelo defeito
Que só você tem
Pra ser perfeito 
Era preciso de novo
Deitar no teu corpo 
E ser perfeito outra vez…

Eu ando com saudades de casa

Eu ando com saudades de casa. Saudades da minha mãe e até da minha sogra. Ando com uma vontade doida de sentir o cheiro do Sul. Das lareiras acessas, do vinho tinto e de um bom churrasco.

Nunca pensei que diria isso mas até do frio e de botas de cano longo  eu sinto falta.

Eu sinto falta dos amigos. E me perdoem os novos amigos, mas aqueles de lá tem uma longa história comigo. 
Talvez seja apenas uma melancolia passageira. Ou poderia ser uma repentina falta de colo. Quem sabe não é só uma virose do tipo lenta. Mas eu sinto saudades de casa. 
Sinto falta da cidade baixa, do sotaque carregado e de poder pedir cacetinho, ceva e pagar tudo com pilas. Sinto falta do amigo punk, do sol do inverno e até dos dias cinzas. Sinto falta da vida do interior. E quem diria que um dia eu diria isso? 
Sinto falta de casa. Mesmo estando na minha casa. E não é engraçado esse paralelo complexo sentimento de dualidade? Conquistamos tanto fora de casa, na nossa nova casa, e ao mesmo tempo trocaríamos tudo para estar de volta naquela casa, que sempre será a nossa casa.
Eu ando com saudades de casa. E de tudo que guardo na lembrança como referência ao que sou e de minhas raízes. Eu ando com saudades de casa. Da minha mãe e até da minha sogra. Eu ando com saudades de mim e de tudo que faz parte da minha historia.

Sou mãe, mas…

Sou mãe, mas sou uma pessoa também. Sou mãe, mas sou uma mulher também. Sou mãe, mas tenho uma profissão também. Sou mãe, mas sou amiga também. Sou mãe, mas sou vaidosa também. Sou mãe, mas tenho TPM também. Sou mãe, mas não sou perfeita. Sou mãe, mas também erro. Sou mãe, mas…

A vida é cheia de mas… E a maternidade não seria diferente. Quem nunca ficou tão cansada que não teve vontade de fazer absolutamente nada? Quem nunca fingiu uma dor de barriga para ficar apenas 5 minutos trancada no banheiro olhando o teto.? Quem nunca ficou irritada com uma bobagem ou arte do filho e deu um grito? Quem nunca teve um acesso de choro repentino e sem motivo, só porque o bebê acordou de novo?

Queria entender da onde tiraram a teoria que mães são seres com super poderes e sem vida própria. Sem vontades ou desvontades. Queria saber quem foi o idiota que idolatrou tanto a mãe a ponto de nos deixar com um peso extra nas costas. Sim, porque além do peso da barriga durante os 9 meses e o peso de criar e educar uma pessoa pelo resto da vida nos ombro, ainda deu-nos o peso da perfeição.

Mães são perfeitas sim. Aos olhos dos filhos. Mas são seres cheios de pequenas e deliciosas imperfeições que a fazem única e singular. Mãe não é tudo igual. Mãe difere em um monte de coisas e cada diferença deve ser respeitada. Por isso o que serve para mim, pode não servir para você. E vice versa. E não tem como julgar quem está certa ou errada.

Mãe de comercial de margarina não tem graça nenhuma. Agora aquela mãe da vida real, essa sim, nunca será esquecida. E eu clamo por um mundo onde a mãe possa ser pessoa de carne e osso, sendo ela mesma e vivendo do jeito que quer, fazendo suas escolhas e permitindo-se ser feliz apesar de ser mãe!

Cansaço

Tem dias que bate um cansaço que não tem limites. Não é só cansaço físico, é cansaço mental. Um cansaço materno, um cansaço profissional, um cansaço matrimonial, um cansaço doméstico. Quem trabalha em home office, sabe que além de cuidar da casa, do marido e dos filhos ainda se tem que cumprir as funções profissionais e cuidar de si mesma. E normalmente o cuidar da gente é que fica de lado.

Sabe aquele sonho de ver aquele filminho?! Ou então ter tempo para arrumar as unhas, para dar um trato no cabelo ou até mesmo ir naquele médico que tem que olhar os exames que tu fez no ano passado?! Fica sempre em segundo plano. A primeira atenção sempre é dos filhos, atender as necessidades dele. a segunda prioridade sempre é o marido (porque mulher é um bicho burro) e obviamente a terceira prioridade é a sua vida profissional (afinal alguém tem que pagar as contas). Mas a gente também te que dar conta da casa, da louça, da vassoura, da roupa, do banheiro. de arrumar tudo (que os outros tiraram) no lugar.

E a gente?! A gente é quando der tempo. Dormir?! Só o mínimo necessário. Comer, quando da tempo e de preferência algo rápido que não suje a louça (se não você tem trabalho dobrado). E parece, que a vida vai passando, todo se dando bem e você ali, acabada, esgotada e sem ninguém te dar o valor devido.

E a coisa pode agravar se: você tem mania de limpeza e organização, se você já cansou de pedir ajuda e nem fala mais porque até isso cansa, se você está tão cansada que nem sabe se quer continuar no mesmo caminho.

Não são os filhos, não é o marido, não é a casa ou seu trabalho. A questão é você! Você saber lidar com as frustrações do dia. Saber que nem tudo que vou planejado da certo ou da tempo de fazer naquele dia. Saber que nem todo mundo valoriza acordos e combinações (principalmente o marido e os filhos) como você. Saber que você precisa sim de um tempo para fazer o que quer ou simplesmente não fazer nada. E saber se organizar para isso! 

A gente precisa sim de um tempo só nosso! Para fazer o que quiser e principalmente se cuidar. Cuidar do corpo, da alma e da saúde! Esquecer de todas as obrigações e relaxar. Ninguém aguenta o tranco 24 horas por dia e esse cansaço todo só se acumula e uma hora se volta contra a gente.

E eu vejo por ai mães toda hora reclamando desse cansaço. Vejo também que não tem jeito, ninguém tem uma fórmula mágica e cada uma tem que lidar com seus cansaços da forma como pode e da. E o que me consola é que não sou eu. Não estou sozinha. Estou no mesmo barco de milhares de mães, esposas, profissionais e donas de casa. Então se você também está nesse barco, saiba você não está sozinha.