Gratidão

Queria eu poder resumir a todos os meus amigos meus sentimentos por eles em uma palavra. Mas a escolha é difícil. Poderia escolher amor, mas seria clichê. Poderia falar em companheirismo mas também não se adequa ao que quero traduzir. Poderia usar lealdade, confiança ou verdade, mas não expressa exatamente o que preciso dizer. Então escolho gratidão.

Sim. Gratidão. Eu sou grata pelos meus amigos. Não só por eles existirem na minha vida e por me aturarem nos momentos bizarros e insanos, mas por eles serem a minha história. São pedaços de mim e da minha vida, que juntos em mim formam o contexto de quem eu sou com todas as vírgulas, por menores, e notas de rodapé.
Gratidão pelos amigos que dividi a infância, que brincaram pela rua comigo. Que passaram as tardes quentes de verão na piscina. Que brincaram de bonecas, patins e vôlei na rua cheia de jacarandás. Pelos amigos que jogavam caçador, nos finais de tarde na praia, e enchiam meus dias de alegria. Gratidão pelos acampamentos no pátio de casa, por comer laranja na sombra das árvores. Pelas brincadeiras de pegar e esconder. Gratidão pelos amigos que dividiram comigo fantasias, histórias de imaginação fértil, onde éramos nós as personagens principais de roteiros adaptados.
Gratidão pelos amigos que dividiram comigo as dores e delícias dos primeiros amores, das reuniões dançantes. Do primeiro beijo, da descoberta de tantas músicas que cantávamos enlouquecidamente como se alguém pudesse entender o que de fato queríamos dizer. Gratidão pelos amigos que vagaram a noite comigo, tendo milhares de pensamentos sobre o futuro e a vida. Gratidão pelas cartas trocadas (antes da era internet) e por ter tantos bilhetes e papiros guardados para me lembrar desses momentos. Tantas fotos e recordações em diários e agendas, tantas histórias compartilhadas. 
Gratidão pelos amigos que dividiram  as salas de aula da vida, que me acompanharam no primeiro porre. Que fizeram tantas festas quanto se é possível imaginar. Que tem casos hilários para compartilhar. Que acompanharam minhas lágrimas, dúvidas e incertezas. Que me deram certezas que me acompanham até hoje. Que acompanharam minhas risadas, leram minhas histórias e tatuaram em meu peito seus nomes. 
Gratidão pelos amigos que foram se chegando depois, nessa vida andarilha, e que de alguma forma contribuíram e acrescentaram algo no meu ser. Gratidão pelos amigos que partiram, que se perderam. Que reencontrei. Gratidão por cada sorriso, que guardo na memória. Por cada puxão de orelha, cada lição. Cada mão estendida, cada cara amarrada, cada risada dada, cada ausência e cada encontro. Gratidão por cada um de vocês.  Cada um do seu jeito, cada um sabendo e gerindo uma crise, cada um apenas por sua particularidade. 
Se eu pudesse definir meus amigos em uma palavra seria gratidão. Se sou quem eu sou  é porque cada um deles, em algum momento da vida,  imprimiu em mim uma nova cor. Obrigada amigo por ser a minha história! 
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EM.PA.TIA – Substantivo feminino pouco praticado

EM.PA.TIA, substantivo feminino.

1. faculdade de compreender emocionalmente um objeto (um quadro, p.ex.).
2. capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela.
Do dicionário informal: Capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias. 
Lus.: Capacidade de se identificar com outra pessoa; faculdade de compreender emocionalmente outra pessoa.
De em+phatos(Gr)+ia(estado de alma)

Empatia. Está em alta. Pelo menos a palavra. Tem sido usada em vários sites, rodas de amigos, redes sociais. Pregada em campanhas. Está em falta no mercado. Parece um tipo de droga, daquelas raras de se achar nas farmácias.  A tal empatia, promete milagres. Iguais aqueles comerciais antigos de coscarque que prometia emagrecer rápido e de forma natural, sem esforço. Mas não sei bem porque eu só ouço falar. Ou melhor, só leio ela, sendo empregada em frases bonitas. Mas na prática? Na prática é outra história. E na maioria dos casos é mais apatia e antipatia. 
EM.PA.TIA. Capacidade de se colocar no lugar do outro. Não do irmão, da melhor amiga ou da sua prima. Do outro. Daquele que você não curte tanto assim. Não convive. Não conhece. Daquele que é completamente diferente de você. Aquele que viveu uma história completamente oposta a sua. Aquele que você julga. Que você crucifica. A pessoa que você condena. Empatia. 
Me colocar no lugar que quem eu gosto é fácil. É obvio que vou sentir as dores dos meus amigos e chorar o pranto dos meus amores. Não existe nenhum dúvidas que defenderei com unhas e dentes os meus. Que serei capaz das coisas mais absurdas para salvar os que me rodeiam. Não, isso não é empatia. Sinto muito avisar, amiguinho. Isso é amor. 
Mas empatia é amor! Sim, empatia é amor. Mas não pelo que eu já amo. Sabe aquele cara, que deixou umas lições bacanas pra caralho pra todo mundo? Quer dizer, nem todo mundo, pois tem os que não acreditam nele e nas suas histórias e ensinamentos. Mas que mais ou menos 2.4 bilhões de pessoas no mundo acreditam. Isso! Jesus! Então Jesus pregava o amor. Obviamente, qualquer um que já foi a uma missa, leu a bíblia, ou até mesmo só viu os filmes que passam na época da Páscoa, entendem isso. Mas não era esse amor que a gente está acostumado. Ele pregava, principalmente, a empatia. Sabe aquela parábola que todo mundo conhece e repete “Atire a primeira pedra quem nunca pecou”. Então, gente. Ele convidava as pessoas a se colocarem no lugar da Maria Madalena, antes de julgar. BINGO! Empatia!
Então, voltando a questão da empatia. Eu vejo muitos lugares, pessoas, manifestações falando sobre essa tal empatia. Mas e ai? Falar é bonito. Chega a dar esperança e vontade de crer na humanidade novamente. De tanto que está na moda falar de empatia, de respeito, de tolerância e de amor eu pego meu celular e leio no facebook “Mais amor sem favor”, “Respeite o outro”, “#somostodos…”e chego na rua e vejo as pessoas julgando umas as outras. Escuto conversas chamando de “viadinho”, “sapata”, “putinha”, “marginal” e milhares de adjetivos, que nem deveriam ser chamados de adjetivos, uma vez que adjetivo significa qualidade.
Ela foi estuprada. “Merecia! Tu viu o jeito que ela se comportava? As roupas que usava? Queria o que andando na rua sozinha de madrugada?”. Se nem o filho do homem todo poderoso do Universo, julgou a prostituta, quem é você para julgar as roupas/jeitos/hábitos de alguém? Você já se colocou, por um segundo que seja, no lugar dessa pessoa? Você conhece a história, suas dores, medos, crenças, sua trajetória? EM.PA.TIA.
E esse é só um exemplo. Mas a gente pode aplicar isso em coisas mais cotidianas e menos dolorosas. Aquela pessoa que faz uma barbeiragem no trânsito, te da uma fechada e tenta se desculpar. Como você responde? “Puta, cadela, cretina. Não sabe dirigir não pega o carro!”. É. Eu sei. Da até vergonha lendo assim. Mas atira a primeira pedra quem nunca reagiu desse jeito. E se ao invés de responder com tanto ódio no coração, a gente, apenas se colocasse no lugar daquela pessoa e perguntasse “você está bem?”. Aplicasse a tal da empatia. Porque eu não sei. E nem você. Mas pode ter acontecido n situações para que aquele motorista tenha perdido a atenção. Talvez ele esteja com tantos problemas e submerso em  complicações que tenha se distraído no trânsito. E se você aplicar a empatia você pode mudar o dia dele. E o seu também. 
EM.PA.TIA do dicionário informal: ato de se colocar no lugar do outro e sentir suas dores. Das redes sociais: palavra da moda, muito usada. Da vida cotidiana: Pouco utilizada. EM.PA.TIA. substantivo feminino. Mas que deve ser usada por todos. Praticada em todos os momentos. E  estudada como filosofia de vida. EM.PA.TIA. energia que você deve mandar para o universo para colher na sua vida. Não porque está na moda. Não porque é legal. Não porque todo mundo está falando nisso. Não porque é politicamente correto. EM.PA.TIA porque você quer ser uma pessoa melhor. Quer morar num mundo melhor e porque você acredita que se colocar no lugar do outro é o único jeito da gente realmente ter amor, respeito, tolerância e uma vida mais feliz. EM.PA.TIA se colocar no lugar do outro, sentir suas dores, chorar seu pranto, conhecer sua história e não julgar suas escolhas ou anseios. EM.PA.TIA ver o mundo pelos olhos de quem você julga e não pelo reflexo que você faz nos olhos dele. 

Juntando os cacos de mim mesma…

Estou juntando os cacos de mim mesma. Tentando montar o quebra cabeça no qual me parti ao me quebrar. São tantos pedaços, estilhaços e lascas que muitas vezes parecem faltar alguns tão pequenos que são impossíveis de se achar. Mas que fazem falta na hora de remodelar. A gente tenta colocar alguma coisa no lugar, mas parece que nada encaixa. É uma falta que não pode ser substituída. Uma dor que não pode ser digerida. Uma angústia que nada alivia. 
Parece estranho passar por isso mais uma vez e ter a certeza que o mundo acabou como tantas outras vezes. É um nervosismo, uma irritação continua. Uma insegurança. Uma mentira que se repete a cada “tá tudo bem”. Uma vontade de chorar. De gritar. De dizer que eu cansei, não quero mais brincar. 
Eu não sei. Eu tento colar os pedaços, montando o quebra cabeça que me tornei com essa queda. Mas a cola não gruda. As peças não se encaixam. Eu não sei. Porque será que de novo eu me sentencio ao mesmo erro. Onde foi que eu errei?  Faltam peças. Sobram estilhaços. Retratos emoldurados nas paredes que não refletem nem o que sou nem o que me tornei.Sobra angústia. Falta ânimo. Sobram tantas dores e faltam amores. Onde foi que parei?  Eu guardo pra mim tanta amargura. Sorrio para os outros. Finjo que já superei. Mas dói fundo na alma saber que nada mudei. Por que foi que eu errei?
Nos dias bons os planos e sonhos eu alimento. Mas não encontro o caminho para mantê-los. Nos dias ruins penso enquanto tempo perde-se sonhando. Alimentando ilusões e me questiono se a estrada certa tomei. Não quero ser aquela que sempre julguei. Não quero passar pelo que eu condenei. Não posso ser o que me tornei.  Se hoje eu quero chorar preciso arranjar os motivos pra sorrir. Se hoje eu quero fugir preciso encontrar os motivos pra ficar. Eu recoloco cada pedaço em seu lugar, monto o quebra cabeça e com uma habilidade dissimulada sorrio e digo ” tá tudo bem”.

Eu decidi ser feliz

Eu decidi mudar de vida. Ok, não foi uma decisão assim, assim… Foi meio que consequência de uma furacão que passou na minha vida profissional e em menos de uma mês me deixou desempregada e com uma mão na frente e outra atrás, cheia de contas para pagar e sem um puto no bolso. Mas não é da falta de grana que eu quero falar. E sim da minha decisão de mudar de vida. Já fazia algum tempo que eu me sentia cansada. Me sentia sempre irritada e na maioria das vezes, apesar de manter o sorriso amarelo de canto de boca, eu estava triste. Cansada. Destruída por dentro e exausta de remar, remar e remar e cada vez afundar mais. Eu queria um tempo. Mas não existia esse tempo. Até que por uma vontade do destino ou da crise, como quiseres, esse tempo veio de forma abrupta e devastadora.
Em outras épocas, eu estaria chorando. Pensando que meu mundo havia acabado. Que me jogar da janela seria a única alternativa. Talvez estivesse em total depressão. Mas dessa vez não. Talvez seja a maturidade, ou talvez seja todo o estresse e responsabilidade da vida profissional dos últimos tempo, não sei. Mas o fato é que estou, de certa forma, feliz. E muito. E, as vezes, consigo por alguns segundos até rir de estar desempregada. Ironias da vida.
Nas últimas férias em família que tiramos, dos 20 dias, 18 deles eu passei trabalhando. A distância. Grudada no celular, utilizando o bloco de notas pra redigir matérias, textos, respostas a imprensa. Resolvendo todos os problemas da humanidade, que insistiram em acontecer nos únicos 20 dias que me permite viajar.  Em um dos dias, a gente na praia. Meu marido tomando uma caipirinha, Pedro brincando com baldinhos e areia enquanto comia um pastel de queijo e eu? Eu grudada ao celular. Respondendo demandas por whatsapp. Naquele dia eu me dei conta que não queria viver assim pra sempre. Eu tinha sonhos? Onde eles pararam? Eu tinha vontades, eu vivia, eu era feliz. Onde estava esse meu eu? Com certeza, ali na praia, naquele momento, que ele deveria estar mais presente que o meu eu profissional, ele não estava. Aquilo não era vida.
Eu sobrevivia na selva de pedras do asfalto, sendo inundada por todas as coisas que eu queria ter e esquecia quem eu queria ser. Eu não conseguia enxergar o céu. Não conseguia respirar. Estava sufocada em trabalho. Claro, ele me dava dinheiro. E não é isso que gente adulta faz? Ganha dinheiro? Pra gastar dinheiro. Foi nesse dia na praia que eu descobri que eu não queria mais dinheiro. Eu queria ser, queria realizar. Queria me encontrar. Então acredito, que esse dia na praia, tenha sido fundamental para, hoje, eu não estar descabelada, deprimida e desesperada pelo desemprego que bateu a porta. Pois foi nesse dia que eu decidi que eu iria mudar de vida. Só estava esperando o momento para fazer isso. Só que nem sempre a gente consegue planejar, exatamente como será e ai o cosmos conspira ao seu favor (ou não) e da aquele empurrãozinho que você precisa.
Sabe aquela história de quando se fecha uma porta, sempre se abre uma janela? Pois é. Se a janela não abrir por vontade própria a gente arromba. Mete a cara pra fora e começa uma nova história.  E tem que ser desse jeito pra depois a gente não se arrepender do que realmente queria ser. Então eu decidi mudar de vida. Aquele dia na praia. E agora estou sendo o que eu quero ser. E fazendo o que eu quero fazer. Cuidando de mim. Me permitindo viver. Criando uma nova rotina, como novos hábitos. Mais saudáveis. Mais felizes.
Pode parecer babaca, mas agora eu medito. Treino todos os dias.  Faço refeições na hora certa. Eu almoço todos os dias. No último ano eu conto nos dedos as vezes que eu almocei, na hora certa e comi comida de verdade. Eu almoço, gente! E to achando isso o máximo. Resolvi cuidar de mim. Da mente ao corpo. Eu tenho rezado mais também. Agradecido mais que pedido. Claro, que a gente sempre pede algo. Mas tenho agradecido bastante. Eu tenho tempo de brincar com meu filho. E ele está mais calmo. Dorme melhor. Está até mais carinhoso e atencioso. Na minha nova rotina, ele me acompanha. Brinca comigo, ajuda a arrumar as coisas e da aquele tom colorido ao dia-a-dia. Eu voltei a escrever. A transformar sentimentos em palavras, a colocar para fora o que está aqui dentro. A colocar em prática meus projetos.  E vou parar de fumar. Estou me tornando uma pessoa melhor. Estou sendo ao invés de estar tendo.
Sei que vou ralar muito, correr atrás do que realmente quero. Tentar achar um lugar ao sol. Buscar novos horizontes. Sei que vou precisar de tempo e de espaço e que vai ter momentos em que vou me desesperar porque as coisas não andam como eu gostaria ou com a velocidade que eu necessito. Mas lembra? Se a janela não abrir a gente arromba? Então vou arrombar as janelas se for preciso e vou gritar aos quatro cantos, para que se espalhe com o vento que eu quero ser feliz!

Não abandone seus sonhos – Carta para mim

A carta que eu queria enviar para mim mesma quando eu fiz 15 anos

Hey novinha,

Não se afobe. Você tem a vida toda pela frente. Sabe esse seu namorado atual? Você irá terminar com ele. Seu mundo vai desabar e você achará que irá morrer de tanta dor e de tanto chorar. Você vai passar algum tempo remoendo todas as cenas de amor e as brigas e se perguntando porque sua vida é tão horrível, porque você é tão infeliz e o que você fez para merecer viver sem ele. Então um dia, isso passará. E uns dez anos depois você ainda irá lembrar dele. E não vai mais doer. Não vai mais pensar nas coisas ruins,  as lembranças serão divertidas e dos momentos bons. E só.
Então você terá outro namorado. E outro. E mais outro. E mais várias paixonites. Vários amores platônicos. Vários amores não correspondidos e alguns casos de uma noite (ou um dia) que serão os melhores da sua vida. Até que você vai conhecer ele. E não vai ser assim, aquelas coisas de filme. Vai ser normal. Vai ser tranquilo. Vocês vão brigar, se acertar e brigar de novo. Você vai chorar algumas vezes de raiva, outras de tristeza e mais algumas vezes por achar que ele não te entende. Você vai pensar em terminar.
Mas um dia simplesmente você vai descobrir que a única coisa que lhe acalma é deitar no peito dele. O único lugar seguro é entre os braços dele e tudo aquilo que um dia lhe falaram sobre amor não fará o menor sentido e ao mesmo tempo terá todo nexo. Um dia vocês vão casar, ou morar junto, ou simplesmente seguir namorando pelo resto da vida. Não importa a forma que vocês escolham. Mas será você e ele para sempre. E um dia o para sempre pode acabar, ou não. Tanto faz, porque você já aprendeu que a vida é assim e que sempre existe a possibilidade de novos amores.
Enquanto isso ocorre na sua vida amorosa, muitas outras coisas acontecem no seu mundo. Que podem não parecer importantes agora, mas que daqui há 20 anos você pensará e se arrependerá de não ter dado prioridade. Por que? Porque a vida de gente grande não é conto de fadas, não se vive só de amor e todo mês a gente tem que ralar pra pagar as contas. Porque depois que você encontrou ele, você teve filhos. E filho da gasto. Da alegria e muitas. Mas da gasto também.
O seu cabelo que está comprido, liso e virgem hoje? Você surtará algumas vezes na vida e vai pegar uma tesoura sozinha e corta-lo. Bem curto. Igual de joãozinho.  Eles vão crescer novamente. Você irá pintar de tantas cores diferentes, que talvez nem se lembre a cor dele de verdade. E não tem problema, é só cabelo. E não é só o cabelo. É o corpo, o tipo de roupa que você usa, as manias que tem. A gente só vai aprender a se maquiar depois dos 35 e nunca, mas nunca, vai aprender a andar de salto. Mas não te preocupa. Isso não fará diferença. Não pra gente hoje. Concentra no que importa.
Então lembra daquele sonho? Lembra aquilo que você queria muito ser, fazer? Não desista dele. Mesmo que todas as pessoas te digam ao contrário, corre atrás dele. Vai viver, vai descobrir como conquistar. Porque pode certeza, que se você fizer isso ai no passado, quando você chegar aqui no presente, você estará realizada e sua vida terá tomado outros rumos. Não vai ser fácil, eu sei. Com todo mundo te dizendo o contrário. As pessoas dizendo que isso não da dinheiro, que você precisa ser médica ou advogada, que isso sim que da grana. Mas o seu sonho é mais importante. O seu sonho vai te dar grana e vai te dar prazer, tesão em fazer algo que realmente te faz bem.
Sabe o que é mais engraçado? Depois de deixar seu sonho de lado e correr atrás de ter carro, casa e coisas, com os empregos que dão grana, você vai descobrir que nada disso te fez feliz e que a maior riqueza que a gente pode ter é ter paz de espírito. É viver do nosso jeito, fazendo o que a gente realmente quer fazer.  Mas aí… Aí já se passaram 20 anos e tantas oportunidades foram deixadas pra trás. Ainda da tempo, eu sei. Mas o tempo já não é mais o mesmo. O seu pique é diferente e ralar agora da muito mais trabalho do que dava quando você deveria ter escutado só o seu coração.
A gente leva tanto tempo para amadurecer e descobrir que no final das contas ser gente grande é só ser gente grande. Que ser adulta não tem graça e nem é de graça. Que a vida não passa de uma mesma rotina que todos os dias se repete e que se a gente não fizer algo por nós mesmos ninguém vai fazer. Então vai menina! Aproveita que você é novinha e vive tudo intensamente e comece agora. Aproveita que estou te mandando esse recado e absorve ele com sabedoria. Porque quando se passarem esses 20 anos que nos separam eu quero estar vivendo essa vida que você sonha ai no passado e quero ser essa pessoa que você queria ser.

No final do arco-íris

Hoje quando acordei estava chovendo mas havia sol. Ao fundo dois arco-íris apontavam para o norte. Eles apontavam o caminho. Tão cedo pela manhã, aqueles dois arco-íris me diziam que havia uma escolha a ser feita. Eu escolhi. Eu escolho ser feliz. Não importa o que esteja acontecendo, não interessa se o mundo desmorona na sua cabeça. Não importa quantas trovoadas  te ensurdecem. Sempre temos uma escolha.  
Na mitologia grega, o arco-íris era considerado um caminho criado pela mensageira Íris ligando a terra ao céu.  Na mitologia chinesa, o arco-íris era um ‘trincado’ no céu selado pela deusa Nûwa usando pedras de diferentes cores. Na mitologia indú, o arco-íris era chamado Indradhanush, significando o arco de Indra, o deus do relâmpago e do trovão. Na mitologia escandinava, o arco-íris era chamado de ponte de Bigröst e liga os reinos de Ásgard (lar dos deuses) e Midgard (terra dos homens). Para os cristãos e judeus o arco-íris é um símbolo da aliança de Deus com os homens na promessa feita a Noé que nunca mais Deus inundaria a terra toda.  E para os irlandeses os leprechaus (ou gnomos) escondem seu pote de outro em lugar secreto no fim do arco-íris (que é impossível alcançar). Por isso dizemos que no final do arco-íris existe um pote de ouro. E quantas vezes em crianças, não tentamos, de alguma forma, descobrir se o pote de ouro realmente estava lá?
Não importa no que você acredita, em qual das crenças e teorias você melhor se enquadra, a questão é que o arco-íris é um caminho, uma ponte, uma ligação que te leva pra felicidade, te leva para a riqueza. Não material mas espiritual. Naqueles dias cinzas, chuvosos, onde timidamente o sol começa a surgir, é o arco-íris que te arranca um sorriso. 
A gente pode até estar num dia cinza, chuvoso e melancólico da nossa vida. Pode parecer que nunca mais o sol vai surgir. Que tudo se perdeu, se acabou. Que a escuridão vai tomar conta para sempre e a vida não terá mais cor.  Mas ai, aí surge uma pontinha de sol, tímido, entre as nuvens mais escuras, e esse raio de luz, se mistura com aquelas tantas lágrimas de chuva e lá está: por alguns poucos segundos o seu arco-íris. Ele está lá para te mostrar um caminho, para que faças uma escolha. Ou a gente olha pra ele e sorri, deixando assim o sol entrar novamente ou a gente finge que não vê. E se fecha no tom cinza do momento. 
Escolha. Escolha ser feliz por aqueles poucos segundos das múltiplas cores. Felicidade não é algo que se encontra e nunca mais se perde. Felicidade é estado de espírito. É momento. É viver aquela situação feliz e depois guardar na memória para relembrar e ser feliz inúmeras outras vezes.  Somos feitos de momentos felizes, de arco-íris passageiros. E quanto mais a gente escolhe o arco-íris, mais a gente vive feliz. 

Bem feito…

Hoje aconteceu um fato com uma pessoa que me fez pensar “bem feito”. Eu sei, é errado. Peço perdão a Deus por isso e me penitencio. Mas fala sério?! Você nunca,  por um minuto, viu uma pessoa que te ferrou de alguma forma se ferrar e não pensou isso também? Somos humanos. Pessoas que guardam sentimentos, que carregam cicatrizes e que já foram atingidas por raios e trovões de tempestades que nem estavam na sua janela.
Eu não quero ser assim. Não quero pensar assim. Já fui muito de comprar briga que nem era minha, de me meter em histórias que eu não tinha nada a ver. De estender a mão para quem nunca tinha me dito um oi e me ferrar. Hoje eu sou mais da turma do “deixa disso”, essa treta não é minha ou do “deixa que digam, que falem, deixa isso pra lá, o que é que tem?”.
Nunca fui de guardar rancor. Não sou de querer cobrar das outras pessoas que elas tenham a mesma atitude que eu. Não espero que os outros façam o que eu faria. Não penso em ajudar o outro esperando algo em troca.  Mas as vezes, só as vezes, eu penso sim “bem feito”. E não consigo parar de pensar nisso.
O castigo vem a galope. De um jeito ou de outro a gente sempre fica pensando nisso, quando alguém que te fez o mal sofre algum mal. Um pensamento egoísta, eu sei. Serve de consolo, ou pelo menos, parece que de alguma forma, você foi vingada. Vingança é um prato que se come frio. Mas ele pode ser bem saboroso e doce como um sorvete. Ainda mais quando você não move um dedo para que isso aconteça. Parece baunilha com chocolate.
Não. Eu não quero ser assim. Eu nem quero saber o que de fato aconteceu. Eu nem quero que essa pessoa se ferre. Ao contrário. Desejo para ela toda a felicidade do mundo. Ainda mais se for bem longe de mim e para que nunca mais me enxergue. Desejo que sua vida seja plena, feliz, doce e maravilhosa. Para que assim esqueça toda a sua amargura e não precise descontar em mais ninguém sua infelicidade. Mas que foi bem feito, foi.
Eu quero ser uma pessoa melhor, que um dia possa se compadecer de pessoas como ela também. Mas neste momento eu peço a Deus que tenha piedade dela e de mim. Dela pelo que aconteceu. De mim por pensar “bem feito”.

Só mais uma de amor…

Eu paro, penso, olho e me desespero tentando encontrar uma forma de apagar meus erros e meus deslizes. Não tem como apagar. Não tem como mudar. Apenas mudar. Promessas de nada adiantam se as palavras forem jogadas ao vento. Não quero prometer. Quero fazer. Quero ser. Quero estar. Gosto das frases feitas de efeitos. Mas gosto mais dos gestos de amor. Sutis, talvez imperceptíveis para os de fora, mas grandiosos para os amantes.

Eu tenho tantas coisas para falar que nem sei bem por onde começar. Eu errei feio, eu sei. Tenho esse gênio horroroso e essa teimosia incorrigível de não aceitar mudanças em mim mesma. Muitas vezes você tem tanta razão que fico brava por isso procurando motivos para brigar simplesmente porque quero tua atenção! Juro que não faço por mal e demorei muito a me dar conta disso. Espero que não tenha demorado a ponto de perder o trem para sempre. 
A verdade é que a vida não é um conto de fadas. E as coisas não saem bem como pensamos e muitas vezes paramos de olhar as coisas boas só prestando atenção nas ruins. Mas isso porque temos essa tendência desprezível do ser humano de sermos pessimistas. Porque a verdade é que somos felizes com as pequenas coisas. Nos amamos e só precisamos nos encontrar de novo. Todo mundo passa por fazes e adaptações e nos não somos diferentes. Nem eu nem você. Precisamos nos preparar e aceitar as diferenças. As coisas que saíram fora do contexto e enxergar as coisas boas que apareceram no caminho. Não foram só pedras. Existiram muitas flores e é para elas que devemos olhar e sempre lembrarmos para cultivar em nosso jardim.
Lembra? Certeza de que será com você e sempre será com você. Não importa quantas brigas, quantas mudanças, enchentes ou tempestades! Será sempre e para sempre você. Nossos planos são em conjunto. Nossa vida é uma só. Nossas conquistas são em dupla. Causa inveja a quem não tem e não consegue. Ciúmes em quem é só. E raiva em quem não sabe amar. 
Mas no fundo todo mundo quer um chinelo velho para seu pé torto. Nos encontramos o nosso e não é qualquer unha encravada que vai fazer a gente por o chinelo no lixo. Principalmente porque aquele é o sapato que melhor encaixa. O calçado que menos aperta e que nos faz sentir de pés descalços. 
Eu não desisti de nada e muitas vezes me perco tentando recomeçar. Preciso da tua ajuda. Preciso do teu norte. Preciso do teu peito para me aconchegar. Dos teus beijos para me manter viva. Do teu corpo para me esquentar e do teu amor para me sentir mulher. Eu preciso porque quero e sei que tu também queres. Não existe amor que acabe do dia para a noite. Ele até pode esfriar, mas basta o reencontro. No momento em que os olhos se cruzarem, as bocas se encostarem, as mãos se encontrarem e os corpos se unirem o fogo se acende. Nada fica igual, E nada fica diferente. Tudo vira uma coisa só. Cicatrizes se transformam. E na orquestra magnífica da vida a harmonia surge nos mostrando que o amanha sempre será melhor.

Escolho o amor

Repasso em minha memória minha trajetória. Penso em todos os momentos vividos e busco entender onde me encontro. Qual foi a parte da história que adormeci e não vi acontecer? Onde deixei de ser a personagem principal para virar coadjuvante? Não me lembro, não me recordo. Em algum momento entrei no piloto automático e esqueci de viver. De reagir. De lutar. Puxo pelas velhas lembranças e nada me vem a mente. Parece que vive em transe nos últimos tempos. No lugar das memórias existe um vazio gigante. No lugar das boas recordações um borrão em preto e branco que deturpa o seus significados. 

Não sei o que me despertou deste estado de coma induzido lúcido. Talvez as lágrimas sem significado ou os tapas recebidos. Talvez até tenha sido, aquele sonho não realizado.  Talvez apenas fosse o momento. Uma vez, alguém me falou que apenas 10% do que acontece com a gente é responsabilidade de outra pessoa. Os outros 90% é como nós reagimos a esse 10%. Eu não reagi da melhor forma. Me deixei levar, me deixei abater, nunca divide as culpas, os erros. Só as glórias. Me vi sozinha. Estava sozinha. Sozinha e rodeada de uma multidão vazia. E hoje? Hoje tento reagir. Me reerguer, mentalizar coisas boas e afastar os maus pensamentos. Hoje. 
Em meu novo universo não existe erro que não possa ser perdoado. Não existe lugar pra mágoa, pro rancor, pra vingança. Existe apenas o espaço para acreditar que o mundo da voltas, e um dia, outros estarão em meu lugar. E não porque desejo isso, mas porque a história é cíclica. Porque por mais que a gente se sinta derrotado “não existe mal que sempre dure e nem bem que nunca acabe”. Lembre-se 90% é como você reage. Se eu reagir com amor, o universo me devolverá amor. Se eu reagir com rancor o universo me devolverá rancor. Se eu reagir com inércia o universo me devolverá inércia. Então eu escolho reagir. Escolho reagir com amor, com alegria e com paz, porque a inércia eu já abandonei. E a mágoa e o rancor não fazem parte da minha história. 
Das pedras do caminho eu faço a escada. Das lágrimas que rolam eu limpo a alma. Dos sorrisos que eu encontro eu me alimento. Das palavras de consolo faço minha oração e vou vivendo. Pedindo sabedoria e humildade para seguir o meu caminho, cumprir as minhas missões e lutar as minhas guerras. Implorando por um lampejo de esperança e agradecendo pela dádiva de ter acordado pro mundo. 

Tem dias…

Tem dias que a gente só quer se perder. Se jogar de cabeça em algo novo ou fazer planos mirabolantes de tudo que ainda não fez.

Tem dias que a gente só precisa cair na estrada, sentir a brisa do mar, o vento pela janela, olhar o sol e respirar o cheiro de terra molhada.
Tem dias que basta a gente acordar pra sonhar, pra mudar de vida, projetar uma realidade paralela onde somos apenas nós.
Tem dias que a gente precisa repaginar. Cortar o cabelo, cantar uma nova canção, ser uma nova história.
Tem dias que a gente só precisa fugir. Aceitar o passado, viver o presente e nem pensar no futuro.
Tem dias que uma xícara de chocolate quente basta. Um cobertor felpudo, uma comédia de amor e um abraço apertado
Tem dias que não é nada disso. Tem dias que é tudo isso. Tem dias…