Novos Infinitos…

Não me pergunte o que deu errado. Eu acredito, sinceramente,  que não houveram erros. Não assim , não fundamentais, a ponto de colocar tudo que vivemos na lata do lixo. Nossa história foi nossa história e como dizia o poeta, infinita enquanto durou.  E ela durou. Tivemos tanta sorte de nos encontrarmos pelo caminho e termos construído algo juntos.  Mas o seu infinito chegou ao fim. 
Sentiremos saudades e lembraremos com vontade de várias coisas. Das risadas casuais, das brigas esporádicas, dos ataques de loucura ao ver baratas passando a caminho do quarto. Vamos sentir saudades do calor um do outro, do conforto conhecido dos braços, das frases feitas, das palavras perfeitas, dos costumes já tão rotineiros.  Mas será uma saudade gostosa, como das coisas da infância que sentimos, mas sabemos que não voltarão.

 Não tente procurar motivos. Eles não existem. Apenas foi uma estrada que findou e continuarmos juntos seria arriscado para tudo que tivemos. Um último “eu te amo”, mais sincero que talvez todos os outros. Um último “se precisar estou aqui” e cada um segue seu rumo. A gente vai se perguntar se foi a decisão certa. Vamos pensar em ligar mil vezes para contar qualquer besteira e ouvir a voz tão familiar.  Mas a gente sabe que foi.

Não foi o amor que acabou. Ele não acaba nunca. Tudo que vivemos, compartilhamos e criamos sempre vai estar lá. Ele só mudou de forma e agora não é mais suficiente pra que a gente divida o mesmo espaço, a mesma vida. Sem se confrontar com situações onde nos sentimos completos estranhos. Com silêncios desgastantes e vontades controversas. 
Podemos dizer que vencemos. Afinal, antes que tudo rolasse ladeira baixa, saímos de cabeça erguida, com um breve aceno, um selinho discreto e seguimos em frente. Não houveram erros, tropeços ou faltas irreparáveis. Houve apenas um sentimento que um dia foi fogo, virou brasa e se apagou. Mas as cinzas sempre vão estar lá pra nos lembrar do que fomos um dia. 

Então meu amor, não procure motivos, não perca tempo tentando encontrar erros. Não tente adivinhar como seria se seguíssemos a mesma estrada. Aconteceu o que deveria acontecer. E foi lindo, eterno, infinito… enquanto durou. Mas agora a gente diz “fica bem” e segue por novos rumos, procurando novos infinitos…

Eu não posso fazer isso… com você

Eu me apaixonaria fácil por você. Não fosse seu nome, sua aparência, sua semelhança de personalidade e até o signo igual ao dele. Eu viveria essa história eternamente. Mas eu não posso fazer isso… com você.
Eu me apaixonaria fácil e não seria nem um pouco difícil acontecer o mesmo com você. Instintivamente eu sei os caminhos do seu coração, as coisas que você quer ouvir e como te agradar, seduzir e provocar. Mas eu não posso fazer isso… com você.

Eu me apaixonaria fácil por você e viveria essa história mil vezes. Te levaria a viajar comigo por lugares que você nunca imaginou. Te mostraria coisas que você nunca sonhou. Te daria prazer da forma como você acha que é impossível. Mas eu não posso fazer isso… conosco.
Seria fácil, simples e tão complexo que assusta. Nos faz temer, pensar em o que acontece, em o que de fato nos liga e o por quê. Eu me apaixonaria fácil pela nossa história. Seria divertido, leve e casual. Uma eterna paixão de verão. Mas eu não posso fazer isso… conosco.
Você tem uma vida inteira pela frente para viver suas aventuras. Tanto ainda para conhecer, descobrir e amadurecer. Você se apaixonaria fácil por mim. Se sentiria o cara mais sortudo do mundo por me ter ao lado e me exibiria como um troféu, uma estatueta do Oscar e ainda assim eu seria mais que feliz. Mas eu não posso fazer isso… comigo.
Você se apaixonaria fácil por mim. Cada marca do meu corpo te seduz, cada cicatriz da minha pele te encanta. Cada ferida aberta da minha alma você quer curar. Você quer cuidar de mim, me proteger e idolatrar como eu queria que ele fizesse. Mas eu não posso fazer isso… comigo. 

A gente se apaixonaria fácil um pelo outro. Entre tantas neuroses, confusões e caos  seríamos a calmaria do mundo. Nós perderíamos a noção do tempo em conversas cheias de duplo sentido e tudo pararia de girar quando nossas bocas se encontrassem e nossos corpos se tocassem. Mas eu não posso fazer isso…  Não com nós dois. 

E se eu te der a mão?

De repente eu estou no chão. Completamente destruída. Você me destruiu sem ao menos me dar sinais de que isso poderia acontecer. Foi assim, rápido e certeiro e eu já estava lá, quebrada, tentando encaixar os pedaços que se estilhaçaram na queda. Eu não previa. Você não previa. Não foi premeditado. Só aconteceu. O que eu faço depois disso? Como eu levanto, ergo a cabeça e olho em frente novamente?
Eu sei que as marcas que carrego das guerras que travei te encantam. Não deveriam, são elas que me deixaram ser assim, uma pessoa que tem mais medos e amarguras do que boas recordações. Elas te seduzem, fazem você querer me abraçar. Mas eu não quero seus abraços por isso. Eu prefiro ser a pessoa que eu queria ser do que ser a que você descobriu. E ai agora que você me enxerga por inteiro, mesmo vendo todas as sombras que escurecem os meus dias, mesmo sabendo que eu não sou quem você pensava, você estende a mão e procura me acalentar. Mas eu estou no chão e não sei como me levantar.

Eu queria ser a pessoa sorridente que você imagina. A pessoa profunda, extremamente simpática e fácil de conversar, linda, provocativa, que tem um tesão de outro mundo e se importa com as pessoas que você descreve. Mas essa não sou eu. Isso é o que você quer enxergar em mim. Eu sou aquela outra, que te fez ficar uma noite de chuva inteira acordado porque estava com medo. Que queria morrer na semana passada porque tava chateada, que fica neurótica se não correr ou movimentar o corpo quando acorda porque não consegue lidar com a sua própria existência, que tem mais cicatrizes e feridas do que você pode imaginar que alguém aguentaria. Eu sou a pessoa que você quer cuidar porque você conhece todos esses lados tristes. Você não teria como se apaixonar por quem eu sou. Você só pode se apaixonar por quem você enxerga. Até eu me apaixonaria. Mas essa é uma imagem que você construiu de mim o que não faz com que eu seja assim na realidade. 
Então mesmo contrariando todas as possibilidades, você se apaixona por mim e me destrói. Me destrói porque eu não estou pronta pra isso. Eu não estou pronta pra ser quem você precisa que eu seja. E eu não consigo entender porque você se apaixona por quem eu sou. Eu estou no chão. Sua mão está estendida, seus braços prontos para me aparar, mas eu tenho medo. Muito medo. Eu quero pegar a sua mão, me aconchegar no seu abraço e deixar sua boca acalmar meu corpo sedento por você. Mas eu tenho medo. São tantas feridas ainda abertas. Eu quero ser quem você acha que eu sou, mas olho para os lados e penso que se eu te der a mão qualquer caminho que a gente siga, nos leva para um final onde alguém sai muito machucado.

Eu tenho que escolher entre meu medo e minha alma sóbria e sua mão estendida, seu sorriso que colore meu dia, suas palavras fáceis que me fazem enxergar o quanto as coisas poderiam ser diferentes. Não seria egoísmo meu deixar você ficar? Ta certo que ninguém te convidou a entrar e que você foi arrombando todas as portas e trancas e se instalou ali, dentro de mim, do meu corpo, da minha mente, do meu coração. E eu preciso escolher. Eu estou no chão. Sua mão está estendida, seu sorriso quase apreensivo mostra que você também te medo. Seus olhos brilhando me dizem que confia em mim, confia em nós. Eu te dou a mão e a energia que emana das nossas mãos unidas me dão esperança de que é possível ser feliz de novo.

Tempestade de verão

Eu queria ser como você e decidir as coisas de forma simples, sem criar mil teorias contraditórias na minha cabeça e nem confabular com meus outros eus o que deveria ser o certo ou não. Eu poderia simplesmente deixar as coisas acontecerem, sem criar regras, fantasias ou imaginar cenários. Mas eu não consigo. Cada frase tua chega como um emaranhado de túneis disponíveis para mim e eu não sei qual o caminho eu quero escolher. 
Meu lado racional diz para seguir o caminho seguro, me afastar enquanto é tempo. Meu lado emocional ascende todas as luzes verdes me jogando em teus braços e me entregando por inteira. E meu corpo arde de pensar na possibilidade das tuas mãos me tocarem. São dois eus indo ao teu encontro e apenas um tentando fugir. 

E será que só por que dois querem a mesma coisa a minha parte racional está errada? Ou será que por que eu tenho medos bobos e absurdos, tenho metas traçadas e uma vida toda planejada com começo, meio e fim, minha mente tenta me ludibriar dizendo que meu coração não pode ser ouvido? E os sinais do meu corpo? Devem ser ignorados?
Eu não sei a diferença do certo ou do errado nesse momento. O que eu quero e o que eu deveria querer, o que é minha vida com ou sem você. E eu não consigo parar de pensar no medo que eu sinto de mim mesmo quando penso em nós. Quando tento entender meus sentimentos, quando tento entender nossa história, só consigo pensar no que eu desejo e não nas consequências do que desejo.  Ao mesmo tempo em que parece tão errado te querer parece tão certo, natural, como deveria ser. 
Eu ainda tenho muito a viver, amadureço ideias e conceitos e me conheço um pouco mais a cada dia. Você entrou na minha vida como um lindo dia quente de sol e de repente me transformou em uma tempestade de verão, pesada, nublada, cinzenta e com muitos raios e trovões. Se nós fossemos eventos climatológicos você seria uma primavera e eu um furacão pronto pra destruir com tudo inconscientemente e com toda a plenitude de saber o que estava fazendo.

Eu só quero te devorar, te consumir, te sentir pulsar em mim e isso me consome as energias, me deixa exausto por lutar contra algo que parece ter uma força maior do que eu. Aconteça o que acontecer você bagunçou pra sempre minha vida e me deixou vivendo os momentos mais tensos e ao mesmo tempo os mais sublimes. 

Desculpe o transtorno, eu preciso falar de amor

Em tempos que pedimos desculpe o transtorno mas preciso falar de alguém e personificamos o amor com um nome eu peço licença e quero falar só de amor. Sem nome, sem rótulos, sem marketing ou qualquer outra intenção que não seja o próprio amor. 
Eu tenho 36 anos e já me apaixonei inúmeras vezes na vida. E mesmo depois de casada me apaixonei outras tantas vezes. Por coisas, por pessoas, por ideias, objetos, lugares e conversas. Me apaixono diariamente por coisas novas, por livros, por personagens, por séries, filmes e por tantas outras coisas que acontecem no dia a dia que eu nem lembro mais pelo que me apaixonei ontem. 

Você consegue se lembrar o que fez você se apaixonar pelo seu namorado de dez anos atrás? Eu me lembro. Foram os braços dele. Nossa foi paixão a primeira vista. Um calor me dominou e eu só consiga ficar imaginando aqueles braços me enlaçando e me apertando… Mas isso foi paixão, foi tesão, foi uma vontade maior do que meu consciente poderia dominar, foi química. Não foi amor. 
O que fez eu amar meu namorado de dez anos atrás (que é meu marido há 8 anos) foi outra coisa. Outras várias coisas. Foi seu jeito atencioso e preocupado. Foi o cuidado que tinha comigo, as conversas sem pé nem cabeça, os planos conjuntos, a teimosia dele. A mania de arrumar a cozinha mas deixar o guarda roupa de cabeça pra baixo. Sua total obstinação quando tem um meta e sua falta de foco quando tem que fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Foram suas piadas. Foram seus abraços. E até o seu ronco que me perturba a noite. 
Amor é conviver com cada qualidade e cada defeito e não querer mudar nada. Amor é construção, é tijolo em cima de tijolo. É cada ruga que a gente conquista junto. É cada abraço no final do dia. Cada vez que o outro está mal e a gente estende a mão. Amar é conviver e sentir falta não porque precisa, mas porque gosta. 
Outro dia uma amiga confessou que após 18 anos de casada quer se separar. Ela quer ser feliz e vê o relacionamento acomodado. Então questionei o que ela realmente buscava e ela respondeu que buscava reciprocidade. Que queria alguém que mostrasse a ela como ela era importante, que a fizesse sentir especial, amada, com pequenos gestos. Outra amiga se queixava do marido, dizia que não suportava mais. E quando a gente pergunta porque então não se separa a resposta é medo de ficar sozinha. 
E então eu fiquei pensando como pode ser amor? Como pode ser amor se o que nos une a outra pessoa é medo ou insatisfação pessoal? Como a gente pode amar se não começamos pelo ponto mais importante: amar a nós mesmos.  E ai veio o texto do Gregório, lindo, bem escrito, cheio de poesia e um baita marketing pro seu filme que estava sendo lançado. Então veio a reposta do Rafinha Bastos cheio de verdade e de boas doses de realismo e veio o texto de uma amiga, de outra amiga, de outro amigo e de uma porção de gente no Facebook. E eu continuei pensando afinal como pode ser amor. 

É difícil definir o amor. Quase impossível dar significado ao sentimento, traduzi-lo em palavras ou tentar explicar de forma didática. E cada um de nós tem o seu jeito de amar e demonstrar. Mas a gente sabe quando é amor. A gente sabe que não é só paixão, tesão ou química.  Então eu volto ao início desse texto e digo que eu me apaixono todos os dias, milhares de vezes no dia, por coisas, pessoas e conversas. Algumas viram amor e ficam pra sempre. Outras terminam da mesma forma que começaram. E quando é amor a gente só quer amar, sem querer nada em troca. Independente se for uma pessoa, uma coisa ou uma conversa. 

Eu preciso de você

Quase impossível me acostumar com a tua ausência. Acabamos de desligar o telefone e eu sei que serão apenas 3 dias mas porque já tenho vontade de te contar alguma coisa, fazer uma piada ou alguma provocação só pra ter o prazer de ti ver corando e necessitando de alguns minutos sentado pensando em qualquer outra coisa que não seja eu? 
Como é possível que em tão pouco tempo eu tenha me apegado a ti, quase como alguém que eu conheço desde criança? Como é possível que tudo me faça lembrar de ti e quando me lembro de alguma parte da nossa conversa um sorriso sempre escapa do meu rosto? E você sabe disso. Sabe que sorrio a cada mensagem que me envia, mesmo que ela seja só uma risada virtual. 

Eu fico me perguntando se essa afinidade absurda ( tudo que é absurdo é tão sexy, principalmente vindo de ti) é algo que nós criamos para preencher os vazios ou se é cósmico. Qual a probabilidade da gente se encontrar naquela conversa e nunca conseguir termina-la? Quais as chances da gente ter se esbarrado na vida? Como de dois mundos tão diferentes a gente de repente conseguiu fazer essa simbiose?
Tuas frases feitas parecem perfeitas e retumbam em minha cabeça me fazendo viajar até as estrelas sem sair do lugar. E são apenas frases. Imagina se fosse sua boca, seu toque, seu corpo. Melhor não imaginar… É essa nossa imaginação tão fértil que nos levou a trilhar um caminho sinistramente tortuoso e perigoso. A cada curva da estrada é uma nova sensação, cada pedaço da sua pele que eu desbravo insanamente numa urgência paciente de te conhecer por inteiro me traz uma nova febre delirante que transforma meu corpo em brasa. 
Você me faz enxergar, me faz querer ir além, desvenda partes de mim que nem eu sabia que ainda estavam lá. Você me convence de que a gente sempre pode mais, me dá amostras continuas de que é possível sentir intensamente cada toque da sua mão, mesmo que ele seja apenas na nossa imaginação. E eu sinto. Sinto e deliro, sinto e quero mais. Sinto e quero tudo com você. Eu sinto cada segundo, cada história que a gente cria com os detalhes elaborados cuidadosamente que me conduzem aos céus. 
Os cheiros, os ambientes, o barulho. Seus beijos, seus sussurros, seus gemidos, a maciez da sua pele, a brutalidade das suas mãos, seus braços que são capazes de me apertar em um abraço, seu corpo quente pulsando. Seu desejo latejante.  O suor que escorre de cada um de nós e se misturam numa combinação de sensações, emoções e cheiros. Inacreditavelmente eu me tele transporto em teu encontro, onde nossas almas se ligam e nossa imaginação vira o palco da fantasia mais real que criamos juntos. 
São apenas 3 dias de distancias e silêncios, eu sei. Mas eu tenho pressa. Eu quero tudo de você, tudo com você e quero sentir mais e mais a cada dia. Quero que todos os segundos do meu dia sejam inundados com a tua presença, que todas as noites sejam mal dormidas por estar nos teus braços. Eu quero você mais do que quero o ar pra respirar ou a água pra saciar minha sede. Eu preciso te sentir, preciso me perder e me encontrar na tua boca. Eu preciso de você. 

Positivo

– EU NÃO SEI! – Susana respondeu aos gritos, enquanto dos seus olhos jorravam lágrimas.
– Porra Susana! Como você não sabe? Algo tão simples de responder e você me diz que não sabe fazendo todo esse drama?
– Eu não sei Augusto. Por favor, vamos parar com isso. Eu não consigo lembrar.
– Susana… – Augusto deu um suspiro profundo em busca de paciência – Você precisa se lembrar onde colocou. Precisamos resolver isso o quanto antes. Quer que eu saia e compre outro?

– Qual a diferença para você? Você já decidiu o que fazer. Então nem deveria mais estar aqui. – Com fogo nos olhos Susana olhou para Augusto e para a porta do quarto.
– Nós vamos decidir juntos, já conversamos sobre isso. Apenas me diga onde está!
– Eu realmente não sei. Sai do banheiro e você chegou. Não consigo saber onde coloquei.
– Você disse que ia me esperar para fazermos isso juntos. Por que não esperou? Me parece que é você que já tomou sua decisão!
– Eu não decidi absolutamente nada. Você que foi embora com uma vagabunda qualquer! – As lágrimas voltaram a deslizar pelo rosto cansado.
– Eu não fui embora com uma vagabunda. Já te disse que tudo que aconteceu foi culpa de nós dois e eu precisava de um tempo para pensar. Não estou com ela. Mas isso muda tudo, Susana! Por favor! Me diga onde você colocou!
– Muda o que Augusto? – Interrompe Susana enquanto levanta-se da cama e parte para cima dele – Você acha que isso fará eu esquecer as vagabundas com as quais tu dormiu? Ou só quer conferir para saber se você irá ficar ou partir de vez?
– Pare! – Segurando as mãos dela enquanto tentam agredi-lo – A gente precisa saber Susana! Eu te amo! Sempre amei! Cometi alguns erros, você também! Mas precisamos resolver as coisas. Minha decisão está tomada, eu só preciso saber.
– Então me diga Augusto! Me diga a sua decisão!
– Então você sabe onde está?
Augusto solta as mãos de Susana e a encara por um segundo. Susana o observa como há muito não o via. Enquanto Susana investe para beija-lo, Augusto retira do bolso traseiro da calça jeans dela a fitinha de papel branca.
– Dois traçinhos! – Diz ele confuso.
– É positivo – Diz ela sorrindo.

Primeiro beijo

Se eu pudesse fazer o mundo parar de girar, se eu tivesse o dom de mudar distancias, se eu  criasse a máquina do tempo ou se eu fosse capaz de congelar as horas, em qualquer uma dessas situações, eu me prenderia a esse sorriso.  Eu não consigo olhar para os lados, meus olhos estão vidrados, em tudo que eu vejo é seu sorriso que enxergo.  Tímido, doce, intenso, com os olhos que carregaram tanta paixão, tanta curiosidade e uma certa tristeza que não é sua.
E eu preciso desse sorriso,  mais do que preciso de ar.  Eu quero saber tudo sobre você. Suas dores, suas marcas, suas vitórias e derrotas. Quero entender de onde vem essa tristeza no olhar, de onde vem essa voracidade familiar, o que seu sorriso não me diz, mas sei que lá está.
Meus olhos encaram a teus lábios, e eu só quero sentir o gosto da doçura que neles vejo. No canto da sua boca, o lábio superior mais arqueado, eu imagino um gosto de pimenta.  Minhas papilas gustativas se excitam com a possibilidade de uma mistura agridoce de sabores e sensações. Quente, frio, doce apimentado, úmido. Minha língua cria vida própria e umedece meus lábios, enquanto meus dentes a seguem nessa falta de controle e mordem. Você percebe. Será que me vê e me enxerga?
Não é só minha língua e meus dentes que me desobedecem. Meu olhos não conseguem desviar, minhas mãos começam a suar frio e meu corpo inteiro se ascende me deixando brilhante como uma noite estrelada. Seu sorriso tem malícia, não sei se você age por impulso ou pura diversão, mas o abre ainda mais, transformando todo o seu rosto em uma grande explosão de  felicidade e eu vejo em seus olhos fogos de artifício multicoloridos e eu… eu só quero fotografar esse momento para sempre.
Eu procuro traduções, significados e sinônimos para tentar controlar meus impulsos que me levam a te devorar, mas eu só encontro a vontade de te beijar. Se existe um paraíso Deus o colocou no teu sorriso. Se há um pecado original ele é sua boca. Se  existe inferno é a possibilidade de não ter teus lábios de encontro aos meus.  Eu imagino a cena e você percebe. Percebe e se diverte com a minha agitação. Um calor toma conta do meu corpo e então fico completamente ruborizada, coberta de vergonhas que você despe lentamente com o olhar.
Eu sei que é só um jogo, mas eu só quero que termine em empate.  Teu sorriso se apaga e seus lábios se contorcem. Será que entenderam o recado dos meus olhos? Você aproxima sua mão do meu rosto, desvio o olhar para baixo e você levanta meu queixo me fazendo encarar seus olhos. E quando nos encontramos em um olhar eu tenho a certeza que vou me arrepender por toda a vida por te beijar e eternamente se eu não provar teus lábios. Você afasta uma mecha de cabelo solto do meu rosto, acaricia minha face, e deslisa a tua mão para minha nuca. Meu corpo todo se arrepia, minhas pernas tremem e você me puxa. Aproxima a distancia entre as nossas bocas e então eu sei. Minha vida começou naquele sorriso.

Alguém especial

Às vezes a vida resolve te fazer uma surpresa e coloca no teu caminho de forma totalmente inusitada alguém que te fará muito bem. Pode ser que você conheça essa pessoa tropeçando na rua, de pé em um ônibus lotado no final do dia, sentado num banco de praça, numa livraria, num bar, num aeroporto, no Facebook quebrando o maior pau por política, aborto ou religião ou numa sala de bate papo. Não importa. Você simplesmente conhece ela.
E o engraçado é que você realmente conhece aquela pessoa. Faz meia hora que vocês conversam, mas tem tanta afinidade que, naqueles poucos minutos, você já tem certeza, que ela é pra sempre. Mesmo que um dia o pra sempre acabe. Sabe aquele lance de que seja eterno enquanto dure? A ideia é essa.

Vocês se conhecem, confiam um no outro. Existe uma intimidade que não é daquela pequena fração de tempo. Esse tipo de pessoa te faz acreditar que exista algo além. Te conforta que tudo que um dia você perdeu você irá recuperar. Que todos que um dia se foram um dia tu vai encontrar.
E quanto mais vocês se conhecem mais fortes ficam os laços. Quanto mais vocês se falam, mais cresce a sensação de bem-estar. Mais da vontade de falar, de estar perto, de ter por perto. Pode ser que seja só amizade, que seja paixão, que seja amor, que seja apenas química. Não importa. O que existe entre vocês é muito mais sólido que qualquer um desses sentimentos. É carinho puro, genuíno, inocente, com grandes doses de gratidão, muitas colheres de respeito, porção extra de confiança e um litro de intimidade.
Mesmo sem saber essa pessoa te fala a coisa certa na hora certa. Testa os teus limites de um jeito bom, faz você sorrir mesmo quando o mundo na volta desaba e te enxerga além do que aprece no espelho. Ela tem paciência no meio da tua crise existencial e te estende a mão num abraço gostoso, quente, apertado e aconchegante. Ela se torna a tua pessoa no mundo. Sabe aquela que você lembra quando sorri, quando chora, quando vê uma coisa engraçada, quando fica com raiva de algum absurdo? É ela.

 

Eu não sei se essa pessoa veio pra ficar, se sua passagem será rápida pela minha vida ou se ficará por um bom tempo. Não sei se causo o mesmo efeito nela, não sei se desperto tudo que ela me desperta, se aguço os seus sentidos como ela aguça os meus. Eu só sei que depois dela tudo é diferente. E isso é pra sempre. Mesmo que o pra sempre sempre acabe, ainda assim será pra sempre.

E se fosse amor?

Eu ainda penso todos os dias naquele exato segundo em que ela virou as costas e fechou a porta. Não consigo saber porque de todas as recordações que eu poderia lembrar, quando penso nela, é essa a imagem que salta em meus olhos. E após algumas lágrimas insistirem em derramar, escorrendo pelo meu rosto, as palavras dela ainda me cortam como um machado bem afiado em um tronco centenário. “Você não sabe o que é amor. Não sabe amar”. E se fosse amor o que eu sentia? 
Se fosse amor o que eu sentia eu não teria a deixado partir? Se fosse amor o que existia ela saberia? Se fosse amor o que acontecia eu saberia? E se ainda é amor? Quem disse que todas as pessoas amam da mesma forma? Quem pode me garantir que não era amor? Quem falou para ela que eu não a amava só porque não mandava flores ou não lembrava a data que nos conhecemos? Por que eu teria que escrever bilhetes românticos, sem nem ao menos saber escrever?
Se fosse amor eu teria sempre um sorriso bobo quando a via chegando, toda atrapalhada entre chaves, bolsas e sacolas, tirando os sapatos de bico fino antes mesmo de abrir totalmente a porta e conseguir entrar em casa. Eu tinha esse sorriso.
Se fosse amor eu riria de suas piadas sem graça, de suas caretas estranhas, de suas manias tolas, de seu jeito estabanado quando tudo escapava de suas mãos e um grito ecoava pela casa “Merda! Desculpa, desculpa, desculpa”. Eu ria tanto.
Se fosse amor eu contaria ansioso as horas pra receber seus telefones a noite em suas viagens de trabalho. Contaria nervoso os dias que faltavam para ela retornar para casa. Esperaria sofrendo cada minuto de atraso do pouso apenas para abraça-la e conferir que realmente ela estava de volta. Eu contei todos os segundos longe.
Foi amor. Mas não foi suficiente pra ela. É amor e sinto sua falta todos os dias. Eu só não sei como provar pra ela que mesmo sem flores, bilhetes ou declarações espalhafatosas nas redes sociais eu sempre a amei. Ela que não percebeu, que esperou um amor de cinema quando na vida real os gestos são bem mais sutis e o amor está em pequenos detalhes.