Carta para minha versão mais nova

Luísa,

Se tem uma coisa que eu gostaria de te dizer hoje é que não desista dos seus sonhos. Eu sei que pode ser difícil e até parecer impossível, mas você está prestes a largar tudo que estás construindo para correr atras de coisas que vão te deixar infeliz.

Nada é fácil na vida e a pressão é grande pra gente fazer um monte de coisas, ter um monte de coisas e ser quem a gente não é, mas que a sociedade quer que seja. Não foi fácil até ai e nem vai ser até aqui onde estou. Mas tu vai abrir mão das coisas e deixar te enrolar na teia perversa das necessidades e das vontades e esquecer a essência. Aquela essência… a que agora eu luto muito para colocar ao sol, pois logo depois dai onde você está agora, você jogou a toalha.

Não é só uma distração escrever. É quem você é, é o que você faz e sabe fazer. Não é um passatempo. É importante. Você vai abrir mão de algumas coisas erradas e se jogar de cabeça em outras mais erradas ainda. E depois vai construir uma vida que você nunca quis. Pra quando chegar aqui descobrir que deveria ter ido por outra estrada.

Se em algum momento houver uma história nossa paralela, faz diferente. Segue esse caminho, esquece o resto e faz o que você gosta. Tira esse livro da gaveta. Publica ele. Não coloca fora teus escritos. Salvas todos em algum lugar. Imprime. Sabe aquele poema que você escreveu na quarta série sobre os jacarandás da tua rua? Tu nunca mais vai achar. E aquele livro da oitava série? Também estará perdido no beleléu do armário do escritório e mesmo desesperada pra encontrar, você não vai.

Guarda melhor essas coisas. Vão fazer falta. Muita falta depois. Não abaixa a cabeça, não deixa as pessoas te dizerem que isso não leva a nada. Ano que vem, caminhando pelas ruas de Niterói a noite, a tua prima Barbara vai dizer “eu sempre achei que você quisesse ser escritora”. Então?! Acredita nela e segue em frente.

08 Escrever é mais importante. Seja mais feliz, se preocupe menos com o ter e mais com o ser. A gente ainda vai muito longe juntas. Escrever vai te levar onde você quer e tem histórias incríveis para serem contadas. E sei que ainda contaremos muitas outras…

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Um brinde as voltas que a vida dá

Eu me escondi por ter medo de mostrar as minhas fraquezas. Me escondi porque queria me refazer. Gosto de ser inteira, de sorrir, de dar o meu melhor para quem cruza o meu caminho. Mesmo estando quebrada, eu sorrio.
Um sorriso frio, distante, fingindo. Mas um sorriso. Eu me arrebentava por dentro, mas nos lábios, na parte externa havia nos lábios aquela felicidade simulada, porque esse era o meu melhor.
Eu me escondi por não suportar a dor. Me mantive distante por não querer demonstrar a minha dor. Juntei os pedaços de mim mesma, do jeito que eu pude. Criei as redomas ao meu rador. Fugi. Sem vergonha de assumir eu fugi. Precisava me recompor, me reencontrar, me aceitar.
Eu carregava a vergonha dos abusados. Mesmo sabendo que a vergonha deveria estar no abusador. Sentia a humilhação e sordidez corroer minhas entranhas. Eu sabia que aquele sentimento não me pertencia, e por mais racional que eu tentasse ser, de alguma forma, eu não conseguia.
A culpa não era minha. Mas ela me dominava, me afundava, me sufocava. Eu sabia, mas não conseguia evitar. Só que o Universo cobra, cedo ou tarde, sua alta fatura. E um dia eu sorri. Um sorriso tosco, porém verdadeiro. A laço na corda que puseram em meu pescoço, com as voltas do mundo, parou no pescoço de quem quis me enforcar. E eu sorri, de verdade. De novo.
Ergui minha cabeça, juntei os meus cacos, guardei as minhas mágoas e sorri. Me refiz, não por inteira, não por completo, nunca mais serei. Mas eu sorri. Brindei as voltas que o mundo da. Brindei a justiça da energia. Brindei ao novo dia. Brindei ao meu novo sorriso. Um sorriso tosco, eu sei. Mas novamente verdadeiro.
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Previsão do Tempo

Tem dias que amanhecem cinzas. Mesmo que o sol brilhe pela janela, a chuva dos olhos não perdoa. Tem outros que nascem ensolarados e quanto mais chove na rua, mais nua fica alma. Dias de sol, dias de chuva. Momentos  que brilham, que escurecem.  A alma da gente não respeita a previsão do tempo e contradiz todas as orientações da mocinha da televisão.

Ontem ela avisou que deveríamos sair preparados. Sombrinha, capa de chuva, galochas e um casaquinho… O dia seria feio, chuvoso, sombrio. Mas a alma? A alma estava ensolarada, desprendendo de si um calor escaldante, estonteante. Não havia nuvem carregada que pudesse esconder o sol que nela habitava.
Pode chover todo dia, ou o dia todo. Tanto faz. Quando tem sol dentro da gente, tudo fica mais fácil. Pode ser também que ele brilhe lá fora, queime a pele com força, raiva, vigor. E aqui dentro desabe o mundo, chova uma tonelada de mágoas, ressentimentos e desilusões.  Acontece.

A previsão do tempo até pode acertar. São tantos equipamentos caros e estudos, que, ás vezes, acertam tudo. Mas e aqui dentro? Que equipamento ainda não inventado pode dizer qual será a previsão do tempo da sua alma?  Vem do fundo, de dentro mesmo, de coisas que eu nem lembro, que você não pensa mais, que fez questão de esquecer, mas que está lá. Está presente porque um dia você viveu, um dia você aconteceu.

Um dia de sol ou um dia de chuva, nada mais é do que um dia normal. Um dia que a natureza resolveu nos presentear com cores lindas ou lavar as nossas ruas. Agora a lama ensolarada ou chuvosa… ah essa não tem explicações. Elas acontecem e tudo bem, é normal. O que importa, de verdade, é saber que depois da tempestade o sol volta a surgir, mesmo que discreto e singelo e, pode trazer um arco-íris, com seu pote de ouro no final.

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Dona do meu tempo

Tic, tac, tic, tac, tic, tac… A folha em branco me encara. Totalmente alheia ao barulho do relógio que intensifica a minha ansiedade. Os segundos vão passando. Cada tic tac, é um segundo a menos. Uma palavra não escrita, uma frase não dita. Um tempo perdido.

Eu encaro com perseverança. Tento fingir que não escuto o seu barulho constante. Penso em tira-lo da parede ou arrancar-lhe as pilhas.  A folha em branco continua me olhando, afirmando que estou perdendo meu tempo. O que eu poderia fazer se não houvesse essa folha em branco em minha vida?
Mas e não é, de certa maneira, a vida uma imenso livro em branco em que cada amanhecer escrevemos novas páginas? Não seriam os ponteiros dos relógios nossos cronômetros diários que ditam o ritmo e findam a página? O tic tac se torna mais audível e enquanto me perco em pensamentos ele parece me desafiar. A folha segue em branco, o sol  dispara seus raios e convida pra vida. Sobre o que eu deveria estar escrevendo? Histórias de amor mal contadas, amores inacabados, contos de fada que não são reais?
O relógio segue me ditando o tempo. Meu tempo está se esgotando. Eu precisaria de mais segundos nessa vida desavisada para realizar todos os sonhos. Me torno escrava do tempo, quando deveria ele ser meu súdito fiel. De que me adianta seu desespero veloz em passar se não sou capaz de dizer como devo usa-lo? A folha em branco me persegue, igual ao constante movimento dos ponteiros do relógio. Não existe lógica. Apenas seu movimento. E eu… eu quero ser dona do meu tempo.

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Amor de Verão

Último dia de praia. O verão estava acabando.  O retorno para casa era inevitável. As aulas começariam, meus pais voltavam a trabalhar e a rotina que fazia com que o ano fosse enrolado e vagoroso iria retomar seu lugar em minha vida, me deixando mais uma vez, coberta pela sensação de vazio.

Só que esse ano o vazio seria maior. Alem da saudades da vida sem rotina, dos dias mais compridos e ensolarados, da brisa do mar e dos amigos da praia eu me consumia pensando que eu morreria sem ele.  Meu primeiro amor correspondido. Meu amor de verão.
Minha mãe passou as férias falando que era pra eu não me envolver muito. Que paixões de verão não subiam a serra e só serviam pra fazer a gente sofrer.  Mas se o preço a pagar por todos os dias felizes era o sofrimento eterno, eu pagaria.
Eu sabia que quando acabasse as férias, nosso namoro acabaria também. Eu morava em uma cidade e ele em outra. Eu estava indo para o primeiro ano do ensino médio e ele pra faculdade.  A gente teria outras experiências, outras histórias para viver e nada seria como nosso verão.  Ainda assim, eu queria me apegar a possibilidade de viver aquele amor a distancia e esperar os outros 10 meses do ano passar para reencontra-lo novamente.
Nos encontramos no final do dia, como em todos os outros dias do verão, desde que nos conhecemos, na pracinha. Tomamos um sorvete. Ficamos namorando, nos beijando e curtindo cada segundo que a gente podia. Ele quase não falou. Eu queria falar de todos os sonhos que tinha, mas me sentia uma menina boba, acreditando em contos de fadas.
Ele me levou até o portão de casa e me deu um último beijo. Mais demorado, mais carinhoso, mais doído. Uma lágrima insistiu eu saltar do meu olho. Filha única, sem pai, perdida na imensidão da minha tristeza e no vazio que aquele beijo já me provocava. Ele a amparou com um dedo carinhoso, sorrindo com um olhar triste. Não podíamos fazer promessas que não cumpriríamos. Um amor de verão. Com data para término, um promessa velada de um talvez no próximo ano e a certeza de que a vida continuaria apesar de tudo.  Eu entrei pelo portão, e fiquei observando ele se afastando. Cabeça baixa, mãos no bolso da bermuda, andar lento. Estava petrificada olhando a distância cada vez maior que seu corpo tomava do meu. Ele se virou, nossos olhos se cruzaram. Um beijo foi jogado ao ar, um sorriso iluminou a noite e eu soube, que nada faria ele deixar de ser o meu primeiro amor.

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Resoluções de Ano Novo

Enquanto olhava para o mar com o sol se pondo, pensava em todas as minhas resoluções de ano novo. Eram as mesmas que fiz nos 5 anos anteriores e nunca cumpria. Por que eu insistia se no fundo eu sabia que não iria fazê-las mais uma vez? Já era o segundo dia do ano, no primeiro a recuperação da ressaca, que eu tinha prometido a meia noite da virada que não teria, havia me impedido. E no segundo dia? A minha preguiça. Ela era crônica. Um empecilho que eu mesma colocava em minha vida e deixava que tomasse conta. Um eterno procrastinar sem motivos, apenas para que depois a culpa me consumisse.

A praia, ainda lotada, eram uma das resoluções. Me mudar em definitivo. Sentir a paz e tranquilidade, não daqueles dias de festas e verão, que o mar me trazia. Viver na praia,  inverno e verão. Desfrutar dos peixes, dos frutos do mar, da calmaria da vida de uma região de férias.  Acordar cedo, caminhar na areia,  me alimentar de forma mais saudável, dar valor as coisas simples e de quebra trabalhar menos e melhor.  Eu podia, eu precisava, mas eu adiava.
Quem sabe eu não poderia encontrar um novo amor?  Tantas pessoas soltas por aí, procurando algo diferente. Impossível que só eu tivesse o dedo podre na vida.  Morar na praia era um sonho. Ou a promessa de um novo começo. O que eu realmente estava esperando pra isso?
Meus pensamentos se perdiam e quanto mais o sol se escondia, mais vazia as areias ficavam e mais decidida eu estava  que, esse ano, de um jeito ou de outro, eu iria cumprir as minhas resoluções.  Talvez nem voltasse para a cidade. Bastava uns telefonemas, organizar umas coisas. Um caminhão de frete e pronto.  Por lá eu poderia ficar. Pra sempre. Criar minhas raízes, minhas histórias e viver novas aventuras. De que adiantava adiar os sonhos? E se amanhã eu não estivesse mais aqui para vivê-los? Era definitivo. Não voltaria pra não ter a chance de adiar, mais uma vez, meus planos.
Em meio a todos os meus devaneios, uma agitação nas ondas me chamou a atenção. As pessoas, que esvaziam a praia, começaram a regressar, aglomerando-se na beira do mar. Algo ruim havia acontecido, algo péssimo, por sinal. Afinal, o ser humano tem um doença chamada curiosidade mórbida.  Eu não queria ver. Não queria saber. Aquela cena não seria capaz de me tirar a decisão que eu havia tomado.  Mesmo assim, meus pés não me obedeceram e em poucos segundos eu me via, estirada na areia, com pessoas ao meu redor, algumas com a cara assustada, enquanto um homem, com braços fortes e colete salva vidas, me fazia respiração boca a boca e massagem cardíaca. Tudo ficou preto, os pensamentos confusos e quando abri os olhos, um sorriso tomou conta da minha visão.  Não existia mais dúvidas. Esse ano eu cumpriria as minhas resoluções e como uma segunda chance de vida, quem sabe de quebra aquele sorriso não poderia virar um novo amor.
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Fora do tom

De repente a gente descobre que não está mais na mesma sinfonia. Que em algum momento, sem perceber, ficou desafinado o dueto, perdeu o ritmo, a prosa e a poesia. A batida ficou fora do tom e tudo que era dança ficou estático. Isso aconteceu. Mesmo a gente imaginando que com a gente seria diferente.
Talvez fosse a rotina, a mesma música em repeteco constante numa play list desatualizada. Ou só mesmo nossos timbres que mudaram. Mais graves, mais agudos, mais distantes da melodia. Eu não sei você, mas eu, muitas vezes, sofro de uma roquidão severa que me deixa sem voz.  Aquela voz que um dia cantava sorridente encontrando a tua, hoje não quer ser produzida nas minhas cordas vocais.
Será que tem cura? Talvez algum doutor ajude. Ou uma nova droga, dessas que anestesiam, alivie. Quem sabe apenas o tempo possa curar tamanha afonia. Ou quem sabe o melhor é cada um cantar sozinho novas histórias desafinadas até se achar o embalo perdido. Eu não sei.
Não escuto mais a nossa música. E quando escuto me vejo irritada, com vontades de gritar e correr. E então a voz falha e eu só consigo sentar. Não deveríamos dançar? Quem sabe trocar a música, tentar novos ritmos de punkrock a MPB existem milhares de variações que a gente pode aprender. E a gente quer aprender? Eu não sei.
Só sei que nosso dueto está afônico, catatônico e desafinado. Só sei que nossas vozes não se encontram mais no mesmo tom. E eu quero encontrar o tom. Quero encontrar tua voz no final do dia e saber que ainda existe uma melodia pra nós.
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Chove…

Chove. Chove demais. Não são apenas águas que se condensaram em nuvens e resolveram cair no dia de hoje. São lágrimas. Chove o choro de uma multidão. Uma multidão que se angustia com tantas coisas que acontece no mundo a nossa volta. São lágrimas de uma população, que acorda cedo, passa o dia inteiro correndo atrás da vida, para no final do dia ligar a tevê e só ver injustiça. Choram pais, mães, irmãos e amigos. Chove lágrimas de amores interrompidos.
Chove tanto que parece que o pranto não terá fim. Não foi só mais um acidente aéreo. Foi um acidente provocado pela ganância. Não é só mais uma medida governamental que foi aprovada na calada de uma noite. São lágrimas por toda uma população sofrida que chora os desmandos de políticos mesquinhos. São médicos que faltam em hospitais. São filas que levam vidas. São crianças sem merenda. São pessoas sem abrigo.
A lágrima daquela mãe que perdeu seu filho, numa esquina da vida por conta de um tênis, numa encruzilhada por causa da bebida, numa sociedade pervertida, num hospital esperando atendimento, num acidente trágico ou não tão trágico assim. São tantas mães, tantas dores, tanto choro. São saudades transformadas em liquido, que transbordam dos olhos inconformados de quem nunca mais vai ver o sorriso da razão do seus dias.
São lágrimas dos filhos, que se escondem em cantos chorando a ausência do pai que nunca virão a conhecer de fato. Que não estarão presentes em formaturas. Que não serão conduzidas até o altar. Que não terão a alegria de lhes dar netos.  São broncas que não serão levadas, sorrisos não compartilhados, conquistas não realizadas.  Tantas dores que deságuam das nuvens.
O pranto das amadas deixadas, com suas histórias interrompidas, a vida de seus homens ceifadas. A chuva converte a dor, lava a alma, deixa tudo mais melancólico e em coro, entre lamúrias e sentimentos não entendidos, as nuvens carregadas, transportam suas dores, para os quatro cantos do mundo, fazendo com que o vento, quem sabe alcance, aqueles que se foram.
E em coro, de todos os lados, ouvimos um pensamento único, uma vontade crescente, uma chuva que insiste, que limpa e se espalha, que chora nossas tristezas e que de uma forma mais que urgente, implora “muda, mundo”. Porque se você não mudar a gente não vai aguentar.
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Sofro de distâncias

Hoje eu senti muita falta de vc. Em vários momentos do dia. Não foi chuva, não foram coisas ruins. Não foi carência. Foi saudades mesmo. Vontade de saber como as coisas estavam. De ouvir a tua voz falando qualquer besteira. De poder te provocar e rir da tua reação. Senti falta de te imaginar, deitado na cama, conversando comigo e me dando tapas na cara de realidade. 
Senti falta da tua insistência em tentar me mostrar que é assim. Que era pra ser assim. Que nada iria mudar. O dia inteiro tu rondou a minha cabeça. Confundiu a minha mente, ocupou meus pensamentos e eu só queria saber se está tudo bem. Por que eu sei que é tão errado assim querer te ter presente na minha vida e mesmo assim parece tão certo? 
Eu queria te imortalizar numa história e poder viver para sempre nela. Não uma história de nós dois. Mas uma história de todos. Você pode achar que é besteira minha, só carência ou qualquer coisa assim, mas quando eu penso qualquer besteira é a sua voz que vem em minha cabeça, tipo o grilo falante (mas com uma voz bem sexy) ou aquelas animações de anjinho e diabinho (você sempre é o anjinho), é você que diz que a minha vida é a continuação do que era antes. 
Que saudades são essas que me sufocam, apertam o peito e dão claros sinais de um princípio de infarte? Que vontade é essa de estar com você mesmo estando distante fisicamente? Que vontade de voltar a dormir minhas noites contigo, encaixada em você, sentido tua pele encostando na minha… Alguém uma vez disse que sofria de distâncias… eu achava besteira. Agora entendi que são muito mais que quilômetros físicos… as distâncias também são emocionais… estou sofrendo de distâncias, de abandono e de saudades.

Os guris da Miguel

Ontem passei caminhando por uma rua que há muito tempo eu não andava. Passei de carro algumas vezes, mas a pé talvez fizesse mais de 10 anos. Quando eu era guria, com meus 12, 13 anos muitas vezes eu ia caminhar ali. Dar uma banda, bater um papo com a gurizada que ali se amontoava. A gente chamava eles de “guris da Miguel” enquanto a gente era a “galera do CTG” ou “galera da Paulino”. 
Nossa turma tinha meninos e meninas. A deles só meninos. Acho que não moravam tantas meninas assim na rua, ou elas não se misturavam. Não me lembro de todos os guris da Miguel. Mas alguns deles eu guardo na memória, como o altão cabeludo que era DJ e fez uma festa no pátio da minha casa, com som, luz, pista de dança e a gente colocou mais de 100 pessoas no pátio. Amigos, amigos de amigos, amigos de amigos de amigos. E quando deu duas da manhã a mãe mandou baixar o som porque nossa vizinha era idosa e a gente obedeceu. Alguns trouxeram bebidas alcoólicas, outros estavam se pegando e todos se comportaram. 
Outro dos meninos da Miguel que eu lembro bem era o Lisarb. Foi a primeira vez que conheci alguém que não tinha um nome comum. Lisarb era Brasil ao contrário, o que prova que a geração dos nossos pais era muito mais doida que a nossa. 
Andar pela Paulino Teixeira com a galera ou passear com os guris da Miguel eram os nossos programas. Não os melhores, nem os piores. Eram o programa. A gente andava de dia, a noite, em bando e era tranquilo. Ninguém tinha medo. Às vezes um de nós era assaltado. Mas era raro. Ninguém nos matava por um par de tênis. A gente não tinha celular pra se comunicar. Então a gente caminhava e ia na casa dos amigos. 
Pela Paulino eu passo sempre. Não tem mais ninguém sentado no nosso muro ou reunido na rua conversando. Não existe mais uma galera, filosofando sobre a vida, contando piadas ou andando de skate. Também não existe mais o CTG. E ontem, quando passei na Miguel tive um quase djavu. No mesmo muro, encostados, conversando e rindo, uns 4 guris, enchiam a rua de vida e risos. E encheram meu coração de uma saudade gostosa. Os guris da Miguel ainda estão ali. Não são os mesmos, mas ainda se enxerga nas ruas residenciais de Porto Alegre um pouco de esperança de que a rua é nossa.