Acordei com o pé esquerdo? Só pode…

Tem dias que a gente acorda assim. Com o pé esquerdo. Não tem outra explicação. Acorda as oito da manhã de um dia de férias em que se poderia dormir até mais tarde com o telefone tocando. E vejam só! É engano. Depois se tenta dormir mais, mas parece que o sono foi embora. A cabeça já começa a fervilhar, coisas a fazer, respostas sendo aguardadas, decisões importantes para serem tomadas. É porque mesmo em férias a gente nunca para.
Café da manhã, um banho para relaxar e a porta do box emperra. Não abre nem fecha. Aquele frio, você ali, nua em pelo como veio ao mundo, sem conseguir sair do box ou ligar o chuveiro porque quem vai acabar tomando banho é todo o banheiro. Tentativas frustradas de abrir a porta. Vontade de chorar. Ninguem mais em casa. Celular obviamente não está ali. Ai Meu Deus preciso de um cigarro!
Duas horas depois alguém chega em casa. Mais meia hora de tentativas até que a porta abre. Feliz você sai do banho dando risada. Se veste. Hora de retomar o dia. Onde parei mesmo? Certo. Coisas a resolver. Banco, pagamentos, chatices normais da vida de qualquer cidadão que ainda não tem grana pra ter uma secretária ou um office boy para essas “burrocracias”.
Consulta o saldo. Ué? onde está o dinheiro do meu pagamento? Não está. Entra em contato com a Agência, o pagamento está atrasado. Cliente não pagou ainda. “Sentimos muito mas em função disso o job será suspenso por tempo indeterminado”. Não sei se choro ou começo a rir.
Além de não receber ainda acabo de perder um frella. Bom. Muito bom. O que falta acontecer? Vamos lá! Já que não vou ao banco agora vamos secar os cabelos. Secador não liga, nada liga. Faltou luz. Vou até a sacada espiar estão trocando três postes na esquina de casa. Ok! Sem previsão de retorno. Vou chorar. Aposto que vou.
Vamos almoçar então? Quem come seus males espanjta, certo?! Errado. O fogão é elétrico. Preciso de fósforos. Não tenho fósforo em casa. É meio dia. Cidade de interior tudo fecha as onze e meia. Agora sim. Com certeza vou chorar.
Mas amanhã é um novo dia. Meu aniversário e as coisas só podem melhorar. Assim espero. Mas pra ter certeza vou cuidar pra acordar com o pé direito. O esquerdo nunca mais.

Traição

Eu confiei em ti. Acreditei. Te entreguei meus segredos mais obscuros. Abri as portas da minha casa. Do coração. Te acolhi no teu momento dificil. Entreguei a ti as chaves da porta. Fui leal. Fiel. Tua amiga. Não pedi nada em troca. Não seria eu. Apenas ofereci. E como que oferece pensei somente no teu bem querer.
Achei que era reciproco. Achei que era verdadeiro. Me enganei. Não quis enxergar. Fechei os olhos para não ver o que estava latente. Não pude imaginar que me apunhalarias pelas costas e ainda assim usufruiria da minha boa vontade.
Te dei razão. Tentei me colocar no teu lugar. E mesmo quando já estavas traíndo minha confiança dei a cara a tapa mais uma vez. Ainda assim acreditei, ou pelo menos quis acreditar que era passageiro.
Mas como um animal me sinto ameaçado, acoado e com medo de teus desatinos e destemperos. Da minha confiança e ingunuidade restou a humilhação. E mais uma vez a lição aprendida de que nem todos são merecedores de nossa confiança.
Assim sem olhar a quem eu estendi minha mão para ti. E dessa mesma forma, sem olhar a quem, me destruistes. Virar a página será fácil. Dar a volta por cima, engrenar de novo e curar as cicatrizes. O dificil será esquecer que um dia dei a você o meu mais precioso bem: a amizade.
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Teorias sobre o ciúmes

Meu cachorrinho, o Charlle, é uma das criaturas mais ciumentas que eu conheço. Ele tem ciúmes de outros cachorros, da gatinha e até mesmo de gente. É só alguém aqui de casa dar mais atenção para uma pessoa do que para ele que ele já vem correndo, latindo, abanando o rabinho e pedindo atenção. Se  gente chama a gatinha ele já vem, todo bobo e serelepe, fingindo que chamamos ele para ganhar atenção. Agora quando tem outro cachorro na parada, aí ele mostra seu lado mais ciumento. Late, fica brabo, quer briga e ainda por cima peita os grandões. Sim, porque ele é um cachorrinho pequenininho e metidinho.
Analisando o Charlle e pensando no ciúmes e nos seres humanos, me deparei outro dia com uma cena identica. Só que o protagonista, em vez de ser meu cachorro era um ser humano. E obvio os coadjuvantes também eram pessoas.
Ciúmes é estranho. A gente sente de coisas, de pessoas, de lugares. Sente ciúmes sem ter motivo.  Sente do que não deveria sentir e demonstra das mais variadas formas possíveis. Fica brabo, tenta chamar a atenção e tem até quem abane o rabinho que nem o Charlle.
Alguns dizem que uma pontinha de ciúmes é bom. Pode ser o tempero de um relacionamento.Outros dizem que significa demonstração de afeto. Ainda tem quem acredite que pode levar a crimes passionais.
O que mais me impressiona no ciúmes é como é difícil disfarçar e como se tende a nega-lo. Parece que ele é uma doença contagiosa, que agride, que mata ou que deforma. E não é bem assim. Ciúmes é como outros sentimentos. Ele existe e sua negação só o potencializa.
Sentir ciúmes é normal, natural e demonstra um sentimento de afeto. Sentimento esse, que se fosse tão horrendo o Charlle não abanaria o rabinho. Quer melhor prova de que é ingênuo do que essa?

Teorias sobre a Confusão

Nem sei bem sobre o que eu vou escrever. A confusão dos meus pensamentos se refletem nas minhas palavras e provavelmente vão transparecer nesse texto que ainda não tem nenhum objetivo ou assunto determinado. As vezes é assim. Começamos a falar por um  motivo e quando vemos estamos em outro bem diferente. Mas sempre tenho a sensação de que, de alguma forma, aquilo que saiu dos meus dedos agitados no teclado ajudou alguém. Ou simplesmente fez uma pessoa sorrir ou um leitor entender um fato novo ou um sentimento próprio.

Confusão é normal. Sempre existem momentos conturbados, seja na vida profissional, financeira ou amorosa. Com amigos, no trabalho ou com parceiros. Ela sempre está lá. E se alguém me disser, que neste exato momento, não existe nada que o deixe confuso eu jogo a toalha. Sem brincadeira. Desisto da vida, da brincadeira e de tentar desfazer as confusões antes de começar novas.

Ok. A confusão é normal. E já que ela é normal não existe porque se ansiar com ela.Uma hora ou outra ela se dissipara e como um perfume forte ficará no ar com um toque de brisa sutil e doce. Sem mais ela vai se embora e dá lugar a uma outra e nova problemática que terá um novo ciclo. 

Em meu mundinho perfeitamente desorganizado as confusões me tiram do rumo. Como um dor aguda e fina, que vai se espalhando pelo corpo e transformando cada célula boa em células doentes e em feridas que demoram a cicatrizar. 

Vivo intensamente. De forma impulsiva e sem pensar muito em conseqüências. E isso é totalmente diferente de ser um porra louca inconseqüente. Ou não. Talvez seja a mesma coisa. Não sei. Mas sei que aproveito cada emoção, sentimento e vontade. Me arrisco. Jogo tudo para cima e se precisar começo tudo de novo. Me atiro de cabeça, enfrento os obstáculos e se quebrar a cara tiro a poeira e sigo em frente.

No meu caso a confusão acontece em função dos outros. Quando dependo de alguém para tomar uma decisão. Quando não entendo os sinais. Ou quando simplesmente os outros não me dizem o que querem, sentem ou pensam.O mundo seria tão mais descomplicado se as pessoas realmente falassem o que passa pelas suas cabeças.

Cada confusão tem seu motivo,seu valor e sua intensidade. De diferentes formas elas nos ajudam a ir adiante e entender algum fato novo. Se as minhas confusões fossem diferentes das dos outros seres mortais me preocuparia mais com elas. Minhas confusões são iguais aos dos outros. E totalmente dependentes de alguém. Ou talvez apenas de entender o porquê as pessoas complicam tanto coisas tão simples de se falar, sentir e entender.

A primeira ruga a gente nunca esquece

Me olhei no espelho agora e lá estava ela: a ruga. Perto dos olhos, num cantinho discreto que ainda não chama muita atenção. Talvez ela já esteja por ali a alguns dias, mas foi hoje que a percebi. Efeito do tempo? Talvez. Até que posso pensar que ela chegou tarde, afinal os trinta estão batendo na porta e a pele seguia lisinha, com a mesma elasticidade de uma criança.

A primeira ruga para uma mulher é igual a primeira menstruação, o primeiro beijo, o primeiro sutiã, a primeira trepada ou o primeiro fio de cabelo branco: a gente nunca esquece. A primeira menstruação marca o inicio das mudanças corporais.O primeiro beijo o início da vida amorosa. O primeiro sutiã traz o peso da sexualidade. A primeira transa é o marco da vida sexual. O primeiro cabelo branco revela a passagem e o peso das responsabilidade. Mas  a primeira ruga?

A primeira ruga não mostra o início de nada e sim o fim. O fim da elasticidade da pele, o fim do vigor,o fim da auto estima. Deixei de ser uma menina. Agora sou uma senhora com todo o peso da palavra. Senhora lembra gente idosa. A ruga mostra isso. Ela, só por estar ali, presente, pode levar à depressão. Sério. Tem muitas mulheres que cometem o suicídio por causa delas.  Acabam com suas vidas financeiras para pagar um botox só porque são incapazes de conviver com a ruga.

Não sei se foi os óculos novos (outro sinal de que os trinta estão batendo na porta com fúria) ou se ela realmente nasceu nessa noite mal dormida. Dormi mal porque dei um mal jeito no ombro (Nossa! Os trinta vão derrubar a porta!). Enfim sendo os óculos ou a noite mal dormida ela está ali. Bem no cantinho do olho para me mostrar que o tempo passa muito rápido. Que a vida é uma só e que viver intensamente é o melhor que podemos fazer. Em vez de ficar deprimida vou agradecer. Afinal não é todo mundo que chega aos trinta com uma única ruga no rosto e com a sensação de ainda ter vinte! Obrigada senhora Ruga por me mostrar que vivo muito bem e que posso me orgulhar de você!

Encontros, Desencontros e Reencontros…

A vida é feita de encontros e desencontros. Não existe nada nela que a gente não possa classificar assim. Você encontra as coisas, se desencontra delas e as vezes reencontra. Coisas, pessoas e sentimentos. Tudo passa o tempo todo na vida assim.

Os encontros marcam etapas, fases e muitas vezes geram novas eras. Nem sempre boas, nem sempre ruins. Mas é a partir deles que coisas novas acontecem. Amores, amizades, romances e sentimentos.  Tudo depois de um encontro. Algumas vezes eles não são bons. Em outras eles são maravilhosos e breves. Alguns encontros duram por toda a eternidade. Outros não passam de uma vida.

Depois vem os desencontros. Você se perde daquele sentimento, daquela pessoa, daquela coisa que era tão bacana. Ou então você simplesmente foge de algo que não era legal. Isso também pode ser caracterizado como desencontro. Tem vezes que o desencontro faz chorar, faz sangrar e faz uma falta imensa. Pessoas caem em depressão. Os desencontros também ensinam lições. Quem nunca se desencontrou na vida de um grande amor, de um grande amigo de uma grande paixão? 

A melhor parte de toda essa novela é o reencontro. Reencontrar um objetivo, um amigo, um grande amor. Melhor ainda quando esse reencontro não é esperado. Quando a gente vê a coisa toda acontecendo e o destino armando para tudo dar certo. Sabe o mesmo lugar, a mesma musica, a mesma história e tudo sem querer? Pois é. Coisa de filme de amor, daqueles bem água com açúcar mas que deixa a alma leve.

Reencontrar é a coisa mais maravilhosa da vida e mais saborosa. E a história começa de novo. E  vida segue com um gostinho mais que especial. Alias, muito especial. E parece que aquele desencontro nunca existiu. E tudo fica tão certinho, perfeito e encaixado que você se pergunta porque houve um momento na vida que não queria mais aquilo.

E que  a vida seja assim de encontros, desencontros e reencontros para você também. E que de tudo isso fique sempre o doce sabor que se desmancha na boca, que faz as pernas tremerem e te deixe sem ar. Que sempre hajam encontros e que nunca lhe falte desencontros para saborear ainda mais o momento mágico dos reencontros.

Teorias sobre a decepção

O que define a decepção se não um vazio gigante, que não pode ser medido e muito menos percebido por outro alguém? Afinal decepção é o pior de todos os sentimentos. A decepção não tem volta. Em um segundo acaba com toda uma relação construída. Espatifa a confiança. Rasga o amor. Explode a amizade. Detona os sonhos e termina de vez com as possibilidades.

Uma decepção amorosa pode levar anos, ou até mesmo vidas, para cicatrizar. Mulheres se acabam por ela. Homens se tornam amargos. Não existe nada que alivie a dor e preencha o vazio. Nada nunca mais é como antes. Uma decepção amorosa acaba com as possibilidades do amor. Até que apareça alguém novo e faça a gente sonhar de novo.

Decepciona-se com coisas toscas e fúteis faz parte da vida. Um filme, um livro, uma música, uma festa. O sentimento de vazio é o mesmo de forma mais branda e obviamente sem marcas tão profundas. Há quem diga que nunca se abateu. Mas duvido da sinceridade dessas pessoas. Que confesse que já sofreu. Que admita que entregou. Que tenha mais cuidado da próxima vez.

Decepcionar-se com sonhos, crenças, ideologias também muda o vivente. Mas a mudança, e a decepção é claro, nesses casos pode ser positiva. Mudar não pode ser sempre algo ruim. Abre novas possibilidade.  Faz florescer flores e renascer conceitos. Nem tudo na decepção são só espinhos. Algumas nos fazem crescer.

Mas de todas as decepções a mais cruel é com amigos. A mais triste também. Acreditar em alguém. Contar seus segredos mais íntimos. Confiar. Estar presente e quando precisar não poder contar. Você que sempre está lá. Você que sempre esteve lá.

Mentiras decepcionam. Principalmente quando as mentiras vem de quem menos se espera. Quando elas são desnecessárias e não fazem sentido. Num mundo perfeito amigos nunca mentiriam.

Decepção dói. E dói demais. Mata a alma. Destrói a confiança e acaba em segundos com tudo que foi construído por muito tempo. Ah se eu pudesse evitar algum sentimento. De todos eles, dos mais sofridos e terríveis a decepção seria ele.

Não quero carregar marcas e cicatrizes. Mas como evitar? Como voltar a confiar? Como acreditar? Como não se iludir novamente? E o mais difícil: Como se entregar novamente?

Porque eu também não entendo…

Sempre existe um momento na vida em que podemos ou devemos tomar um rumo. Seja lá escolher a direita ou a esquerda. A saia ou a calça. A casa ou o apartamento. Casar ou comprar uma bicicleta. Não importa é uma escolha. Se entregar ou não. Se apaixonar ou não. Ficar brabo ou não. Chorar ou rir. Acertar ou errar. Pensar ou agir. Decidir.

Decidir pode ser fácil para algumas pessoas. Tomar atitudes. Agir. Dar opiniões. Demonstrar sentimentos. Racionalizar. Teorizar. Sentir. Impulsionar. Fazer. Estar. Ser. Viver. Num jogo de palavras que são mais que letras e que significam muito mais que frases soltas ou poetizadas em uma folha de papel. Sentimentos que transbordam entre as linhas de um caderno e nem é preciso uma caneta ou um lápis para se tornarem reais.

Realidade. Realidade vivida, sentida, entendida e perdida. Perdida nas horas, no tempo, nos medos que não paralisam porque nada pode esperar. A vida não espera. É cruel e não perdoa. Não da para esperar por milagres e muito menos sonhar em tempo integral. É preciso seguir. Seguir e escolher em que estrada se dirigir.

Sonhar é bom. E sem sonhos não iríamos a lugar nenhum. Não me entenda mal, por favor. Apenas e só apenas pense comigo, que é preciso sonhar e agir. Querer e ir atrás. Imaginar e concretizar. Pensar e agir. Viver, viver e viver.

Os medos não são ruins. Ter medo é mostrar-se sensível as conseqüências das nossas atitudes. É ponderar sobre o certo e o errado. Viver com cautela, mas não deixar de viver. Nunca deixar de amar, de sofrer, de perguntar, de escolher um caminho ou de se atirar de cabeça em sonho.

Realidade, sonhos, medos, decisões e escolhas. Agir. Ir. Ser. Estar. Viver. Amar alucinadamente. Enfrentar fantasmas e, se preciso, fazer tudo de novo, quantas vezes precisar para saber que  viveu. Que  pensou. Que  tentou. Que  amou. Que  chorou  de alegria ou tristeza. E mais que tudo isso: Que foi feliz.

Porque eu  não entendo que graça teria a vida se não fosse feita de tantas emoções, razões e possibilidades. Porque eu também não entendo que alguém possa passar por esse mundão de Deus e não sentir, em nenhum momento, que a vida é para arriscar. Que a vida é para aprender. Que a vida são as nossas escolhas, acertos, erros, derrotas, alegrias e tristezas. Que a vida vai, um dia, acabar e que a sensação de vazio é a pior de todas que um vivente suporta.

Respeite, please!

Existem pessoas de todas as formas e com todas as características. Respeitar a individualidade, os sentimentos, manias e opiniões dos outros é muito importante. Desde que isso não te atinja. Desde que o outro não invada sua vida, sua opinião ou seu espaço. De uma forma ou de outra mundos sempre se chocam e deixam marcas. A batida de dois micro universos causa conseqüências no macro e, algumas vezes, inclusive não tem concerto. 

Independente do que eu seja, pense, fale, respire ou queira dentro do meu mundinho, perfeitamente complicado e bagunçado, respeito pessoas que não comungam das mesmas perspectivas de vida que as minhas. Mas não aceito, de forma alguma, que não respeitem a minha imperfeição divina. Sabe aquela história de cada um no seu quadrado? Então. Fica na sua que eu fico na minha. E assim não causamos um novo big bang e nem realocamos milhares de constelações que brilham a nossa volta. Sim. Por que já percebeu que uma desavença nunca altera apenas a sua órbita e a do seu rival? Tira o prumo de todos a volta. Todos que convivem com um lado, com outro ou com as duas pontas do cabo de guerra. 

Na fila dos dons, valores, qualidades e defeitos que a gente passa lá em cima, antes de vir trabalhar aqui embaixo, deveria haver dose extra de respeito. Respeito pelo outro, respeito por si mesmo, respeito pela natureza, respeito pela vida e só para ter certeza que o vivente vai se dar bem uma dosesinha de respeito extra.

É talvez o mundo fosse um tanto apático com tanto respeito. Mas não. O ser humano tem o dom de complicar as coisas e, com certeza, mesmo com tanto respeito a gente ia dar um jeito de tumultuar tudo. 

Respeito não é gostar de algo. Eu posso não gostar de pessoas sonsas,mas eu as respeito, entende? Eu posso não aceitar que alguém ache que o Lula é um bom presidente, mas eu respeito. Alguém pode não gostar do meu jeito de ser, mas please, respeite.

As opiniões, por mais toscas que sejam, são de alguém. Cada um é o que é.  Deve saber a dor e a delícia disso. E os outros? Os outros que se danem e respeitem. Somos a construção de nossas vivências, experiências, estudos e educação. E não existe uma verdade absoluta. Cada um carrega suas verdades. Cada um sabe o que é o seu certo e o seu errado e isso independente de moral, ética e leis.  Aprendi que uma mesma coisa ouvida por duas pessoas pode ser entendida de forma completamente diferente.  Isso é diversidade. Isso é individualidade. 

Eu sou o que sou. Você é o que é. Não precisa gostar de mim. Eu não preciso gostar de você. Não precisamos nem falar sobre isso. Meu jeito é meu  e sou feliz assim. Seu jeito é seu e você é feliz assim. E se não for, mude. Mas, por favor, respeite.

Hoje não

Hoje eu não quero falar de nada. Não quero fazer piada. Não desejo que alguém ria ou chore lendo algum conto meu. Não quero despertar sentimentos e nem escutar meu coração. Não quero ouvir. Não quero ler. Não quero saber. Hoje eu não quero nada.

Acordei cinza. Acompanhando o tom do dia e para celebrar a minha tristeza me vesti de acordo. Com tons  sombrios. Esperando que o sol volte a brilhar e que eu volte a querer saber, ouvir, ler, escrever e dizer.

Hoje não. Hoje vou acompanhar a nuvem carregada que paira sobre a cidade. Que paira sobre o meu espírito e que me impede de respirar. Só por hoje eu realmente não quero e me dou esse direito. Deixa eu ficar cinza e espere, com paciência, porque amanhã o sol volta a brilhar, eu volto a sorrir e transformar sentimentos em palavras.