Uma carta para a infância

Criança,

Eu sei que agora parecer ser chato ser pequeno. Não pode isso, não pode aquilo e a mamãe sempre controlando tudo e mandando fazer o dever de casa. Eu também não gostava. Odiava arrumar o quarto ou ter que dormir na hora certa.

Mas hoje eu percebo que a gente perde muito tempo querendo ser grande e depois se arrepende de não ser pequeno. A gente esquece que brincar, correr e aproveitar. E depois a gente corre sem querer, não aproveita e alguns esquecem que um sorriso no rosto pode ser o ponto alto do dia de alguém.

Os anos passam rápido e quanto mais passam, mais rápido o tempo anda. Agora pode parecer uma eternidade esperar o seu aniversário. Depois, vai parecer que você nem viveu nada e já ficou mais velha de novo.

Algumas pessoas crescem e esquecem que já foram crianças. Algumas parecem que nunca crescem. Tem idade para tudo nessa vida e a melhor idade é sempre a que a gente está. Mesmo que não pareça, mesmo que a gente sinta saudades ou queira que a escola acabe logo.

Você vai crescer na hora certa aproveite as coisas boas da sua infância, guarde com saudades os momentos de brincadeira, de felicidade, de sorrir por uma bala. E não esqueça que ser velho não é só questão de idade.

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O Universo realmente pode conspirar em nosso favor? Lia e Theo tem quase certeza que ele é uma criança birrenta porque mais atrapalha do que ajuda, pelo menos no romance deles.
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Uma carta para nunca ser enviada

Eu nem sei o que dizer…  Tão difícil falar daquilo que a gente não quer que ninguém saiba. E eu nunca enviarei essa carta porque por mais que eu queira eu não tenho coragem. Ás vezes ela falta na vida, ás vezes a gente deixa coisas de lado, ás vezes eu tenho medo.

Tenho medo de mim, de ti, de nós. Tenho medo do que eu esqueci de falar e do que eu também não quero mais lembrar. Tenho medo de confessar, de admitir, de pronunciar o que eu quero esconder. É mais fácil assim, deixar tudo como está e esquecer o que passou.

Mas nem sempre o mais fácil é o que a vida quer. Os caminhos estão aí para explorarmos e as possibilidades te levam longe. Eu quero ficar perto do que é seguro e por isso admitir que eu tenho algo a dizer é o mesmo que me lançar ao mar sem colete salva vidas.

Prefiro seguir no silêncio do que não foi dito, a expor aquilo que sinto. Decisão fácil, já que o que me mantem forte é tudo que só eu sei e guardo no peito. Não precisa testemunhas ou cartas para confessar que bem lá no fundo eu ainda lembro de todos os detalhes do que vivemos.

Eu não quero enviar essa carta, porque ai não seria mais segredo que eu ainda amo você.

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Carta para um desconhecido

Querido Desconhecido,
Não sei quem é você, mas estou aqui. Hoje, amanhã, depois… a hora que você precisar. Estou aqui porque me importo com você, mesmo sem te conhecer. Estou aqui porque sei como o silêncio é tentador. Estou aqui porque quero um mundo melhor, onde nenhuma dor seja ignorada. Onde a gente possa olhar o outro e entender sua dor. Estou aqui se você precisar. Sua dor é minha dor. Estou aqui pra te ouvir, ou apenas pra te dizer, que mesmo o mundo sendo esse lugar cruel onde existam pessoas que não respeitam as outras, que só olham para o próprio umbigo, ainda assim o mundo é um lugar bom.

Eu tenho medo das atitudes que vejo diariamente pela vida. Tenho medo da falta da empatia, da empatia seletiva e de tudo que é reflexo dela. Respeito perdeu o sentindo há muito tempo. Eu não sei pelo o que você está passando, mas quero que saiba que sou solidária, seja lá que tipo de momento for.

A gente vê tanto riso, tanta dor, fotos compartilhadas, violências, abusos, uso indiscriminado de drogas e não percebe que ás vezes, só o que falta, é um pouco de amor. Amor próprio, amor pelo outro, amor pelo próximo, amor pelo desconhecido. E é isso que eu quero para o mundo: mais amor. Sem a gente ter que pedir, implorar, chamar a atenção. Quero um mundo onde eu e você, mesmo sem nunca termos nos cruzado, tenhamos amor um pelo outro. Amor, respeito, empatia e solidariedade. E é por isso que estou aqui é sempre estarei, se você precisar.

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Eu agradeço

Universo,

Eu agradeço por todas as conspirações em minha vida. Boas ou ruins elas me ensinaram lições e me fizeram chegar onde estou. São tantas as coisas para agradecer e me pergunto se sou capaz de agradecer de forma justas por tudo.

Devo começar pelo início? Ou pelo final? Agradecer por ter nascido ou por ter acordado no dia de hoje? Agradecer por ter seguido em frente em cada tombo da vida ou pelos próprios tombos? Não sei. Eu agradeço. Por cada vez que pisquei os olhos. Por cada segundo em que respiro. Por cada palavra que digito. Por cada vez que alguém lê meus devaneios.

Agradeço por cada dia. Cada sorriso, cada pessoa que conheci em minha vida. Agradeço por todas as lágrimas que pude chorar, por todos os amores que tive, por todos os momentos que vivi. Não foram só coisas boas, eu sei. Mas foram essenciais para mim.

Todas as vezes que mudei de ideia, de opinião, de rumo eu agradeço. Cada escolha feita, cada consequência dessas escolhas. Cada vez que eu consegui conquistar algo. Ou por cada vez que eu perdi uma chance. Eu agradeço.

Eu agradeço as decepções. Agradeço as tragédias. Cada cicatriz e marca. Agradeço por todas as vezes que meu coração se apertou e também pelas vezes que ele transbordou. Agradeço. Não tem como ser diferente. Se fosse diferente, eu não seria eu. E eu agradeço por ser eu.

As histórias vividas, as memórias eternizadas, as canções cantadas. As declarações de amor. A troca de carinho. O afeto. Eu agradeço a cada sentimento que um dia senti. A cada passo que dei em minha jornada, a cada vez que você me passou a perna e me fez enxergar de forma diferente.

Agradeço as oportunidades. Agradeço a vida. Agradeço os abraços, os beijos e carinhos. Eu agradeço ao Universo por tudo que me concedeu e agradeço por tudo que me livrou. Agradeço a mim mesma, aos meus, aos amigos e inimigos. Aos presentes e distantes. A quem faz ou fez parte de mim. Da minha história. Eu agradeço porque quanto mais agradeço mais recebo.

Obrigada Universo!

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Para Leo, com carinho…

O #ProjetoCartas, propõem que no mês de fevereiro nossa carta seja pra um personagem ficticio. Eu poderia mandar para muitos personagens que já me tocaram ou marcaram de alguma forma, mas escolhi enviar para o Leonardo, o protagonista de Sexo Virtual, Amor Real . Tenho covivido demais com ele nesses últimos dias. E ele já está espaçoso na minha imaginação, deitado no sofá, enquanto vai me contando a sua história, que em breve será publicada! Sem mais delongas…

Leo,

As coisas acontecem porque tem que acontecer… Foi você que disse isso um dia para Nina, tendo consola-la pela morte do namorado. Chega a ser antagônico pensar em você falando isso e ver toda a luta que você travou com seu inconsciente para seguir seus impulsos e deixar as coisas acontecerem. Hoje, sei que você entende melhor essa frase e todo o seu significado.

Eu me apaixonei por você de cara. Quando Nina começou a te conhecer melhor, a falar de ti. Não deu pra evitar, sabe? Você sempre falando as coisas certas, sendo pé no chão, mentando as coisas controladas e sendo carinhoso. Fora que as coisas que você imaginava deixa qualquer uma com um furor uterino… Mas não é só isso.

Você não é o galã. Você é o cara comum, aquele que sei que posso tropeçar em qualquer esquina, que está perdido pela vida, pelas ruas de cidade. Você é aquele cara que ninguém olharia no primeiro momento, talvez só pela sua altura… Não é gordo, nem magro, é bonito, mas não lindo… não é sarado e nem o cara podre de rico que a gente lê em todos os livros. Você está batalhando a sua vida, lutando pelas coisas que quer, aprendendo a crescer. Se não for uma tarada por ombros largos e mãos grandes, ninguém te olharia no primeiro momento.

Mas aí você fala. Sua voz grave, um pouco rouca. As palavras certas. A gente te olha no olho e enxerga a imensidão de sentimentos que transbordam de ti e mesmo você querendo controla-los, querendo manter sua vida planejada e organizada, você se entrega ao que sente. E mostra que existe um cara que também é impulsivo, em poucos momentos, eu melhor do que ninguém sei… mas é nesses momentos que as coisas acontecem porque tem que acontecer…

Então você se apresenta a mim e diz que precisa me contar o que sentiu e as coisas que aconteceram depois do teu encontro com Nina. Depois de finalmente poder dizer, olhando nos olhos dela que a amava. E eu descubro que aquele cara que eu já amava é ainda mais coisas. Você deixa de ser o perfeito para ser o cara ideal. Por que você também tem medos, fraquezas e por mais difícil que as coisas sejam, você não desiste. Você sabe realmente o que quer. Passa pelo inferno e não tem vergonha de dizer que nunca mais quer estar lá… E isso é… é tudo.

E todos esses dias convivendo contigo, deixando com que tu tome conta de 80% do meu dia, me fazendo escrever exaustivamente, me deixando doida por não parar de falar em meu ouvido, até quando levanto para fazer um simples xixi (sim, você não precisa fazer xixi, mas eu preciso!) ou quando vou dormir e sonho com você… todos esses dias fazem com que eu me apaixone ainda mais por você e com que eu tenha esperanças no amor, na vida e na vontade de superar qualquer coisa.

Obrigada Leo. Por não desistir da Nina, não desistir de mim… por estar sempre aqui e por me convencer de que as coisas acontecem porque tem que acontecer.

Com carinho, da tua autora.

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Carta para minha versão mais nova

Luísa,

Se tem uma coisa que eu gostaria de te dizer hoje é que não desista dos seus sonhos. Eu sei que pode ser difícil e até parecer impossível, mas você está prestes a largar tudo que estás construindo para correr atras de coisas que vão te deixar infeliz.

Nada é fácil na vida e a pressão é grande pra gente fazer um monte de coisas, ter um monte de coisas e ser quem a gente não é, mas que a sociedade quer que seja. Não foi fácil até ai e nem vai ser até aqui onde estou. Mas tu vai abrir mão das coisas e deixar te enrolar na teia perversa das necessidades e das vontades e esquecer a essência. Aquela essência… a que agora eu luto muito para colocar ao sol, pois logo depois dai onde você está agora, você jogou a toalha.

Não é só uma distração escrever. É quem você é, é o que você faz e sabe fazer. Não é um passatempo. É importante. Você vai abrir mão de algumas coisas erradas e se jogar de cabeça em outras mais erradas ainda. E depois vai construir uma vida que você nunca quis. Pra quando chegar aqui descobrir que deveria ter ido por outra estrada.

Se em algum momento houver uma história nossa paralela, faz diferente. Segue esse caminho, esquece o resto e faz o que você gosta. Tira esse livro da gaveta. Publica ele. Não coloca fora teus escritos. Salvas todos em algum lugar. Imprime. Sabe aquele poema que você escreveu na quarta série sobre os jacarandás da tua rua? Tu nunca mais vai achar. E aquele livro da oitava série? Também estará perdido no beleléu do armário do escritório e mesmo desesperada pra encontrar, você não vai.

Guarda melhor essas coisas. Vão fazer falta. Muita falta depois. Não abaixa a cabeça, não deixa as pessoas te dizerem que isso não leva a nada. Ano que vem, caminhando pelas ruas de Niterói a noite, a tua prima Barbara vai dizer “eu sempre achei que você quisesse ser escritora”. Então?! Acredita nela e segue em frente.

08 Escrever é mais importante. Seja mais feliz, se preocupe menos com o ter e mais com o ser. A gente ainda vai muito longe juntas. Escrever vai te levar onde você quer e tem histórias incríveis para serem contadas. E sei que ainda contaremos muitas outras…

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Carta pro ex… A que eu nunca vou mandar (mas queria muito)

Eu queria entender quando foi que a gente ficou assim, tão distante e indiferente um com o outro. Eu sei que nossas vidas mudaram, passamos a ter outros parceiros, mas que regra é essa subentendida que ex não pode ser amigo? Por que simplesmente negamos que um dia nos gostamos e tivemos uma linda história que acabou? 
 
Todos os dias histórias acabam. Todos os dias pessoas se magoam. Vivemos em um mundo assim. Você me magoou e mesmo depois disso, depois de termos superado, ainda rimos juntos. E o tempo passou e ficamos frios. Eu queria poder ter te ligado, mil vezes durante todos esses anos, só para te dizer que eu sinto um carinho por ti. Para saber se você está bem, para poder dizer que nossa história foi linda. Não porque eu quero você de novo. Não quero, nunca quis. Mas porque você foi parte importante da minha história.  Eu te amei tanto. E sei que você me amou, não ficamos juntos por acaso na vida. Mas hoje, quando penso em nós, carrego essa dor da indiferença e confesso que tenho medo de simplesmente te mandar uma mensagem e você achar que estou louca ou louca por você ou ambas as coisas. 

Eu não sou louca. Eu apenas queria que as pessoas especiais da minha (e você foi muito especial em algum momento) pudessem estar sempre perto de mim. Até você que me magoou. Eu superei então por que não podemos ser amigos?
Como pode que pessoas como nós, que dividiram a cama, os sonhos e planejaram um futuro juntos não possam ser amigos? Eu concordo que o amor acabou, que houveram mágoas, cicatrizes e mais um monte de coisas que nos afastaram, mas não restou nada depois de superadas  as coisas ruins? Não é possível que todo o amor que sentíamos um pelo outro se transforme em nada. Algum sentimento fica, no meu caso foi o carinho.
Eu sinto saudades do que fomos um dia. Não a ponto de ser de novo mas pelo simples fato de que me marcou. Marcou você também? Às vezes você pensa em mim? Se eu te convidar para tomar um café você vai? Sei que um mate não iria porque até hoje repito “que de amargo basta a vida” e me vem seu sorriso na memória. Mas um café? Um por do sol? Uma volta na praça?
Não se preocupe. Eu não quero entrar na sua vida mais uma vez. Eu quero apenas conversar honestamente e com mais maturidade do que quando estávamos juntos. Quero saber se você sentia o mesmo, quando foi que você decidiu que não tinha mais um caminho a seguir do meu lado. Quero saber como você está, sorrir contigo e rir de alguma de nossas histórias. Lembra quando a vida era leva e a gente só sorria?
Vamos tomar um café? Ver um por do sol? Dar um volta na praça? Vamos, por favor, nos cumprimentar com um abraço gostoso e com a cumplicidade de quem dividiu um doce? Eu sinto sua falta em minha vida. Não como namorado, mas como amigo.