Uma carta de revolução

Com o passar do tempo eu desisti de acreditar nas reformas. Reformar algo é, apenas, dar uma repaginada em algo que já existe e não é bom. Porque se fosse bom não precisaria de reforma. Eu acredito em mudanças. Em destruir e construir. Não reconstruir. E acredito, principalmente, que toda e qualquer mudança começa dentro de nós.

Você já analisou quantos conceitos e ideias você mudou ao longo dos anos? Já percebeu como uma pensamento corriqueiro e normal do seu eu mais novo hoje lhe parece absurdo? Parece errado? Eu não sei vocês, mas eu… Eu mudei muito, minhas ideias, conceitos, preconceitos e ações.

Se antes eu achava que a mulher que dava em cima do namorado da outra era uma vagabunda e xingava ela com todas as forças, hoje acho que o homem que dá a brecha é que o vagabundo da história. E engraçado que a mesma palavra, apenas com o artigo feminino ou masculino carregue significados tão diferentes. Porque quando falamos vagabunda associamos a puta, prostituta, mulher que não se respeita (mesmo que nada disso faça sentindo) e quando falamos vagabundo queremos dizer homem preguiçoso, que não quer fazer nada, trabalhar… (mesmo que isso também não faça sentindo).

Segundo o dicionário, vagabundo é que ou quem leva vida errante, perambula, vagueia, vagabundeia. Que ou quem leva a vida no ócio; indolente, vadio. E se formos por essa linha, veremos que o significado de vadio e vadia também são diferentes, e assim tantas outras palavras…

Mas para perceber isso eu destrui muita coisa dentro de mim. Coisas que eu perpetuava sem nem saber o porquê. Apenas porque eu aprendi dessa forma. Porque fui criada numa cultura que dizia que a menina deveria se casar virgem e o menino deveria ter experiências. Em uma sociedade que permite que os homens sejam vistos como superiores e as mulheres com submissas. Eu um universo que diga que existem coisas que são para meninos e coisas para meninas.

Então eu mudei. Mudei de dentro para fora. Por que eu precisava seguir as regras do que me foi imposto por um órgão genital se a lei diz que somos todos iguais? Que moral é essa que vai contra a lei? Se somos todos iguais, meninos e meninas, tanto faz se eu gosto de azul ou rosa. Se quero jogar bola ou brincar de casinha. Se quero casar virgem ou não. Se somos todos iguais, palavras que flexionam devem mudar apenas uma letra. Não seu significado.

E foi assim, desse jeito, pensando nas coisas que eu não entendia, que haviam me sido impostas, que eu mudei. Mudei e comecei a minha revolução. Que é pessoal, que atinge a poucas pessoas perto de todo o vasto universo de gentes que estão espalhadas pelo mundo. Mas que me destruiu e me permitiu, começar do zero a acreditar, que realmente, somos todos iguais.

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O blog Causos & Prosas participa do Projeto Cartas, juntamente com o blog parceiro Carpe Diem

Mentiras

Foram tantas mentiras ao longo dos últimos anos que já nem sei mais o que é verdade. Mentiras sobre mim, sobre você, sobre nós. Mentira de que estava tudo bem. Verdade que não havia nada bem. Não sei que tanta necessidade a gente teve de criar um mundo perfeito, se nem nós éramos perfeitos.

Dói pensar o quanto acreditamos numa história sem verdade, numa vida sem esperança, na possibilidade que um dia pudesse ser real. Dizem que uma mentira repetidas muitas vezes se torna verdade. Mas a gente falou tantas vezes que amava, quando na real nem se gostava.

Eu não sei mais quando foi que tudo começou. Ou se sempre foi assim. Só sei que a cada dia que passa a gente se enrola mais e mais longe fica de acreditar no que de fato é a nossa história. Um amor de mentira, inventado pra acalmar duas almas mentirosas.

Não da vontade de correr, de fugir e não mais fingir? Da vontade, eu sei que da. Só não entendo porque nenhum de nós tem coragem. É tão comum estar no meio de tudo que inventamos que nos acostumamos a ser de mentira e nem sabemos mais qual é a verdade.

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O blog Causos & Prosas participa do desafio literário  365 dias de escrita. Este texto é parte integrante do desafio organizado  pela Editora Digital e Consultoria de Marketing para autores Escritor Publicado .
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É possível que um bate papo virtual desperte a vontade de recomeçar a vida depois de perder seu grande amor e tentar o suicido? Em “Sexo Real, Amor sem igual” é a vez de Leonardo contar sua história e como foi superar os medos e traumas de Marina após de conhecerem. 

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Justificativas

Acabou. The End. Ponto Final. Eu poderia me sentar e criar listas e listas de justificativas, que jamais fariam sentido para você,  para dizer a mesma coisa que consigo dizer com uma única palavra: FIM.  E de que adiantaria tentar justificar o injustificável se no final você não aceitaria nenhuma das minhas justificativas. A única pergunta que você se faz é Por que? E a única resposta que eu posso dar é Não sei.

Acabou por que o amor acabou? Talvez. Como você deixou isso acontecer? Não sei. Você não me ama mais? Sempre amarei. Poderemos passar dias e dias nesse jogo de perguntas e respostas e nada do que eu diga justificaria. E no final, tudo acabaria igual, só que com mais dor e mágoa, pois provavelmente tudo que eu diga, apenas vai te ferir mais.

Não se justifica o amor, assim como não se justifica a dor. Nada nessa vida é uma ciência exata de sentimentos, razões e emoções. A inequação é sempre imperfeita e o resultado impossível de se prever. Eu te amei. Te amo ainda, talvez. Mas o que se quebrou não se cola e, dentro dessa matemática perversa o resultado foi finito.

E como você poderia aceitar ou entender qualquer justificativa plausível se ainda está cego pelo que você acha que é amor, mas é apenas seu ego ferido. Vai… não estava mais bom fazia tempo. A gente só empurrava com a barriga porque procurava motivos pra ficar juntos. Justificativas.

Foi tudo um pretexto. Um sem razão inexplicável que nos aproximou. Por que agora precisamos de motivos para nos afastar? Algumas coisas na vida não tem justificativa. Principalmente o amor.

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Acasos

Se caso fosse possível ao acaso sussurrar teu nome, tocar tua pele, sentir teu pulsar e me derramar em ti, eu pediria, por favor, não esqueça de tudo que vivi. Esqueça as marcas, esqueça o que já ouviu, apenas implore por uma noite qualquer em meus braços, em teus dedos, em sintonia lunar.

Uma noite em um rio ou uma noite chuvosa entre os lençóis. Apenas uma noite ao acaso,  só nós dois. Sem medos, sem mundos, sem paralelos. Reto e direto e caso algo aconteça que comece e termine, nessa única noite de sonhos, gemidos e delírios. Em uma única vida, única saudade, única vez. Uma noite ao acaso premeditado.

Se por imprevisto você esbarrar em mim, na rua, vestida de sorrisos e dissimulada de distrações, saiba que não foi o acaso. Saiba que foi previsível, pensado e manipulado por cada célula do meu corpo que clama por teu toque, teu beijo, tua saliva, por teu gozo e delírio. Saiba que acaso me queiras, eu me farei de difícil, farei milhares de jogos e no final você apenas saberá que eu te digo sim.

Não existe coincidências em nossa jornada. Tudo friamente calculado para que no final eu termine em teus braços, agradecendo aos acasos que eu provoquei para conseguir exatamente o que queria de ti. O teu eu, meu teu, alma, corpo mente e coração. Cada pedaço dominado pela saudade em todos segundos do que já foi ou do que ainda seremos. Lágrimas, suspiros, sussurros, sorrisos, beijos, paraísos. Tudo que sou, que somos, que fomos, que seremos. Tudo que o acaso permitir e que por acaso não posso ter… Você.

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Sempre, pra sempre ou por todo o sempre…

Sempre te quero aqui. Não só ali. Aqui. Onde o que domina é o pra sempre de nossa história, mesmo que o pra sempre um dia acabe. Será por todo o sempre o nosso felizes para sempre. Nunca acreditei na eternidade. Até me provares que não é de hoje, de agora, dessa vida ou desses corpos nossa intensidade. Que essa história vem de sempre, sendo sempre a nossa história.

Repito em todas as línguas que conheço, me embrenharei na sua por toda a eternidade. Mesmo que a eternidade não seja para sempre. Dure o tempo de um beijo, de um suspiro, de um amor. O sempre é talhado na tua pele. No teu toque, nas tuas mãos que seguram a minha carne.

Sempre vou querer mais. Ouvir mais, saber mais, te ter mais. Sempre vou te desejar da mesma forma como desejei a primeira vez. Mesmo que o para sempre acabe, eu sempre pedirei por mais.

As chances são grandes. Temos todo o tempo que o destino reserva para nós. Eterno enquanto dure, já dizia o poeta que leu as almas e eternizou as palavras. O meu sempre é você e o felizes… bem só se for para sempre com você.

Sempre serei tua. Sempre estarei aqui. Mesmo que o para sempre um dia sempre acabe. Mesmo que por todo o sempre a gente se lembre de que nada dura eternamente, mas que tudo dura exatamente o que tem que durar. Sempre.

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Linha de saída

Em algum lugar, entre o nada da minha existência e o tudo da dor de não te ter, existe um eu que procura uma saída. A saída da tormenta intempestiva de te querer demais. A saída pela culatra dessa história que massacra a minha alma.  A linha de saída que não se mantem reta e que sempre que se aproxima do fim volta ao início de tudo.

Não existe recuo, nem tiro de disparada… Ninguém conta 1,2,3 já para mim. Eu fico ali, esperando que algo aconteça e me faça correr. Sair saída e cruzar a linha de chegada. Mas eu não sei o que haverá lá. Então eu sigo esperando. Mesmo que a dor de te perder me dilacere em cada ponto.

Eu sei. Não existe nada que não possa ser superado. Não existe amor que doa tanto a ponto de matar. Ou existe? Um dia eu vou rir. Um dia eu sairei em disparada dessa história. Um dia… Mas agora, agora estou estagnada, na linha de saída esperando que alguém me empurre.  Do chão eu não vou passar. Já estou lá. Do amor eu vou lembrar. A dor eu irei esquecer. E a vida seguirá em frente. Um dia…

A saída eu sei qual é. Estou ali, parada a sua porta. Esperando parar de sangrar a carne, parar de doer a alma, parar de chorar as migalhas. O seu amor, ou a falta dele, me devastou. Me quebrei em tantos pedaços, que não existe cola que os una novamente. Eu me reconstruo, do jeito que dá, esperando pelo apito inicial, para ouvir o apito final. Os fogos estourando, a champanhe jorrando. Na linha de saída ou visualizo a linha de chegada e eu espero que quando eu ultrapassar, do outro lado, que lá esteja o meu amor próprio.

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Sono Interrompido

Sinto um calor que emana de mim. Ou será do contato com sua pele quente. Todos os meus sentidos se aguçam percebendo sua presença dominadora em minha cama. São braços pesados a me envolver, uma mão a me segurar com força. A respiração ressonando em meu pescoço. Tão próximo de mim que posso sentir como se fosse alguma parte desconexa do meu corpo.
Seu perfume que me harmoniza. Seu poucos pelos que fazem cocegas as minhas costas. Eu sinto tudo. Tão real, tão próximo, tão verdadeiro. Mas eu sei que a cama está vazia. Que ao meu lado, apenas um travesseiro. Então como eu sinto? Eu tenho a consciência que ele não existe. Não ali, não me segurando ou me tocando.
Não posso me mexer. Não quero abrir os olhos e conferir a verdade sobre meus instintos. É tão reconfortante senti-lo dentro. Tão acalentador sentir seu cheiro. Tão perturbador saber que não está ali. Eu sinto em todas as partes do meu corpo. As pernas entrelaçadas. Sua virilha me pressionando. Posso até sentir sua necessidade de mim.
É tão perturbador, insolente. Um conflito de sentimentos e realidades. De desejos e vontades. De urgências nunca abrandadas, de calor. Muito calor. Sinto seu suor nas minhas costas. Sinto meu suor no meu rosto. Sinto nossos cheiros se misturando. Eu sinto, mas não posso abrir os olhos. Se abri-los eu sinto que perderei tudo.
Então eu escuto, escuto alguém chamando pelo meu nome, distante. Uma voz rouca, sussurrada, cheia de promessas veladas. E sei que não é ele. Mas quero acreditar que seja. Por favor, não me interrompa se não for pra me dar tudo aquilo que eu preciso.
A voz aumenta, não me parece mais agradável. Portas se abrem e se fecham. Eu sei que ele não está ali. Mas enquanto mantenho os olhos fechados eu o sinto. E eu não quero parar de sentir. Mãos me sacodem e não são as deles. Eu ouço, mas não quero escutar.
Por favor, agora não! Não interrompa meu sono cheio de sonhos e desejos. Não me desperte dessa sensação. Não abrirei meus olhos. Quando nada se tem de olhos abertos. Me deixe aqui, com ele. É uma migalha pequena, eu sei. Mas quero continuar com ela. Me deixe, não quero mais acordar. Preciso ficar.
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Resoluções de Ano Novo

Enquanto olhava para o mar com o sol se pondo, pensava em todas as minhas resoluções de ano novo. Eram as mesmas que fiz nos 5 anos anteriores e nunca cumpria. Por que eu insistia se no fundo eu sabia que não iria fazê-las mais uma vez? Já era o segundo dia do ano, no primeiro a recuperação da ressaca, que eu tinha prometido a meia noite da virada que não teria, havia me impedido. E no segundo dia? A minha preguiça. Ela era crônica. Um empecilho que eu mesma colocava em minha vida e deixava que tomasse conta. Um eterno procrastinar sem motivos, apenas para que depois a culpa me consumisse.

A praia, ainda lotada, eram uma das resoluções. Me mudar em definitivo. Sentir a paz e tranquilidade, não daqueles dias de festas e verão, que o mar me trazia. Viver na praia,  inverno e verão. Desfrutar dos peixes, dos frutos do mar, da calmaria da vida de uma região de férias.  Acordar cedo, caminhar na areia,  me alimentar de forma mais saudável, dar valor as coisas simples e de quebra trabalhar menos e melhor.  Eu podia, eu precisava, mas eu adiava.
Quem sabe eu não poderia encontrar um novo amor?  Tantas pessoas soltas por aí, procurando algo diferente. Impossível que só eu tivesse o dedo podre na vida.  Morar na praia era um sonho. Ou a promessa de um novo começo. O que eu realmente estava esperando pra isso?
Meus pensamentos se perdiam e quanto mais o sol se escondia, mais vazia as areias ficavam e mais decidida eu estava  que, esse ano, de um jeito ou de outro, eu iria cumprir as minhas resoluções.  Talvez nem voltasse para a cidade. Bastava uns telefonemas, organizar umas coisas. Um caminhão de frete e pronto.  Por lá eu poderia ficar. Pra sempre. Criar minhas raízes, minhas histórias e viver novas aventuras. De que adiantava adiar os sonhos? E se amanhã eu não estivesse mais aqui para vivê-los? Era definitivo. Não voltaria pra não ter a chance de adiar, mais uma vez, meus planos.
Em meio a todos os meus devaneios, uma agitação nas ondas me chamou a atenção. As pessoas, que esvaziam a praia, começaram a regressar, aglomerando-se na beira do mar. Algo ruim havia acontecido, algo péssimo, por sinal. Afinal, o ser humano tem um doença chamada curiosidade mórbida.  Eu não queria ver. Não queria saber. Aquela cena não seria capaz de me tirar a decisão que eu havia tomado.  Mesmo assim, meus pés não me obedeceram e em poucos segundos eu me via, estirada na areia, com pessoas ao meu redor, algumas com a cara assustada, enquanto um homem, com braços fortes e colete salva vidas, me fazia respiração boca a boca e massagem cardíaca. Tudo ficou preto, os pensamentos confusos e quando abri os olhos, um sorriso tomou conta da minha visão.  Não existia mais dúvidas. Esse ano eu cumpriria as minhas resoluções e como uma segunda chance de vida, quem sabe de quebra aquele sorriso não poderia virar um novo amor.
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